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Cadinho de culturas

História de: Berenice Darc Jacinto
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 27/01/2022

Sinopse

Berenice lembra, com gosto, das histórias contadas pelo pai sobre as origens de sua família, da qual tem muito orgulho. Conta sobre a migração de Minas Gerais para o Distrito Federal, tendo a família se instalado em Planaltina, e menciona a sua primeira escola. Em seguida, discorre sobre sua trajetória educacional e sua opção profissional por seguir a carreira do magistério. Relata como se integrou ao SINPRO-DF e reflete sobre a relação entre o sindicato e os governos.

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História completa

Meu pai é um contador de histórias, conta histórias até hoje da nossa família, dos nossos antepassados. A minha avó paterna era filha de índios, o meu avô paterno, negro, filho de escravos. Minha avó materna também neta de escravos, e meu avô materno era descendente de português, o pai dele era português. Então era uma mistura muito boa da minha família: negros, índios e portugueses, bem a cara do povo brasileiro. Por isso eu sou essa mistura que gosta de colares, eu nunca saio sem brinco, sem colar, sem um batom, essa coisa alegre da composição, bem diversa, que é a população brasileira. Eu tenho na minha família negros, índios e portugueses, tudo misturado. A minha primeira escola foi uma escola tradicional, uma escola de padres e freiras e que passou a ser escola pública: é o Centro de Ensino Fundamental 02 Planaltina, mas que na verdade ninguém conhece assim, todo mundo conhece como Escola Paroquial, porque ela era da igreja e aí ela se tornou uma escola pública. Foi a minha primeira escola. Quando eu cheguei na escola ela parecia enorme; hoje, eu vou lá e falo: “Meu Deus, que escola pequena!”. Eu só estudei em duas escolas: a Paroquial, até o final do que hoje seria o nono ano, e depois fui para Escola Normal. À época tinha prova para entrar na Escola Normal e eu tinha dúvida se eu queria fazer [o curso], mas aí as minhas amigas todas foram fazer a Escola Normal. Então falei: “Bom, acho que eu vou ser professora também”. Era uma escola de dia inteiro, a gente estudava muito, tinha que estudar mais que quase todo mundo. A ideia de formar professor na Escola Normal era extremamente levada a sério. Não estou desfazendo dos cursos de Pedagogia, mas uma professora normalista tinha uma formação extremamente cuidadosa, paradidática. [Ser professora] foi [uma vocação] construída na prática. Eu gostava muito de ler e escrever; eu queria ser jornalista, não queria ser professora. Quando fui para o Curso Normal eu me identifiquei muito: “Eu gosto disso”. E fui gostando mesmo. Fui fazer estágio, muito nova, e já gostava muito de lidar com as crianças, de ensinar, e aprendia muito com a meninada. Eu gostava muito disso e foi uma decisão bem acertada. Depois fiz Jornalismo no CEUB e Pedagogia na UnB. No final, acabei ficando na escola, com a Pedagogia. É uma experiência incrível estar na direção do sindicato – e não só na direção, mas fazer parte dessa luta sindical. É estar vivo num coletivo que toma decisões na sua categoria, e eu penso que ainda nos conforta ter um espaço de resistência e de luta como um sindicato. Quem quer fortalecer a sua categoria, tem que fortalecer o seu sindicato. E outra coisa, fundamental: o sindicato tem um papel importante na luta coorporativa, mas ele é um ente também social. Nesta pandemia, por exemplo, quando o SINPRO assegura junto com a população que não voltemos às aulas, que as crianças não voltem à aula, isso salvou muitas vidas. Quando se tem um governo do campo aliado, democrático e popular, espera-se que as coisas fiquem muito fáceis, e na verdade não é bem assim. Temos que saber separar bem o papel do Estado e o papel do sindicato. E não é tranquilo porque umas pessoas acham que como o governo é democrático, então é mais fácil fazer a luta, mais fácil fazer o movimento. Não é. Na história do SINPRO, por exemplo, nós fizemos greves muito maiores nos governos democrático-populares do que nos governos mais à direita. É obvio que é muito mais fácil construir o diálogo, até porque parte-se do entendimento de que a educação é vista como prioridade, que a saúde é vista com prioridade, mas o recurso do Estado é o mesmo. Um sindicato tem sempre uma linha mais democrático-popular; os seus membros, se estão ligados a algum partido, é a um partido democrático, não um partido de direita. Espera-se, então, que a gente consiga transportar os nossos discursos para a prática administrativa – e nem sempre isso se dá, porque o Estado continua sendo Estado, um Estado capitalista: não é um governo democrático popular numa revolução. Quando se vai para uma pauta sindical num governo democrático-popular, pode ter certeza que haverá muitos problemas, como no governo de direita, pela perspectiva de orçamento. E nós somos muito mais cobrados pela base da categoria, porque o entendimento é esse: se o governo é de esquerda, você tem de responder ao sindicato de forma positiva, sempre. E não é bem assim. A luta é o tempo todo tendo que fazer o equilíbrio entre o sindicalista e o militante político.

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