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Brincar é viver

História de: Edicléia Mascarenhas Fernandes
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Publicado em: 00/00/0000

Sinopse

Nesse depoimento, Edicléia Mascarenhas Fernandes nos conta sobre o seu trabalho como psicóloga no Hospital Ismênia da Silveira, no Rio de Janeiro. Lá coordena o Projeto “Vamos Brincar”, que traz oficinas de jogos, brinquedos, canto, etc., para as crianças internadas no hospital; e sobre o seu segundo trabalho como Professora na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, onde organiza o Núcleo de Estudos e Pesquisas de Educação Inclusiva, que articula os alunos da universidade a desenvolverem um trabalho de iniciação à docência com atendimento pedagógico-hospitalar na enfermaria pediátrica. Edicléia revela o seu olhar de quem está dentro da instituição e quais os percalços e conquistas acontecem no processo de implementação das políticas de humanização nas unidades de saúde. 

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História completa

P/1 – Boa noite!

R – Boa noite!

P/1 – Pra gente começar, seu nome completo, local e data de nascimento, por favor.

R – Meu nome é Edicléia Mascarenhas Fernandes, nascida no Rio de Janeiro e tenho 45 anos.

P/1 – Qual a sua profissão, Edicléia?

R – Eu sou psicóloga e também sou professora universitária da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

P/1 – Onde você trabalha atualmente?

R – Atualmente, desenvolvo um trabalho voltado pra humanização vinculado às duas Unidades onde trabalho: sou psicóloga do Hospital Infantil Ismênia da Silveira, no município de Duque de Caxias, onde coordeno o setor de Psicologia, e também o projeto de humanização “Vamos Brincar”, que é realizado na enfermaria pediátrica do hospital. Enquanto professora, na Universidade Estadual do Rio de Janeiro, coordeno o Núcleo de Estudos e Pesquisas de Educação Inclusiva, onde nós temos um projeto de iniciação à docência com atendimento pedagógico-hospitalar, e através desse projeto os nossos alunos se articulam com o trabalho na enfermaria pediátrica.

P/1 – Você pode contar um pouquinho do projeto “Vamos Brincar”?

R – O projeto “Vamos Brincar” é um projeto que um dos objetivos básicos é trabalhar um pouco no sentido de evitar o hospitalismo. Quer dizer, a criança é internada e praticamente a vida de uma criança é desenvolvida através do jogo, do brinquedo. Então o projeto tem essa finalidade. A outra finalidade também é que a vida da criança é marcada pela atividade escolar, então através do trabalho com os pedagogos na Universidade, a criança mantém esse vínculo com a situação de escolaridade. Um dos outros objetivos também do projeto é, através da observação do desenvolvimento da criança, nós identificarmos alguma alteração no risco do desenvolvimento, observar se alguma criança apresenta alguma alteração e tão logo seja observado, essa criança seja acompanhada no Ambulatório de Desenvolvimento Infantil. No hospital, nós recebemos muitas crianças com vulnerabilidade: crianças portadoras de deficiências, crianças com alteração de desenvolvimento. Então, o projeto funciona nesse sentido. E articulando prioritariamente as famílias, o acompanhante familiar, aí através de várias ações: oficina de brinquedos, oficina de canto, de conto.

P/1 – Você, enquanto funcionária, teria alguma vivência, algum fato que você destacaria como humanizado?

R – Nosso trabalho é interdisciplinar, então nós temos os funcionários do hospital, os voluntários, mas uma das coisas que nós destacamos e até trouxemos para o evento – porque nosso hospital vem cumprindo a cota de receber pessoas com deficiência enquanto funcionários – então um dos que não era objetivo do projeto e de repente aconteceu, uma das funcionárias solicitou, falou: “Agora nós temos professor no hospital, então eu quero juntar as letras na minha cabecinha”. Ela tinha interrompido o processo de alfabetização e ela se alfabetizou no contexto do projeto. Ficou muito grandioso pra nós podermos articular essa relação entre o usuário e o próprio funcionário do hospital.

P/1 – E alguma vivência que você tenha presenciado ligada à desumanização?

R – Experiências pequenas de desumanização ainda existem. A gente sabe que esse é um enfrentamento que a gente tem tido dentro do processo. Às vezes um familiar um pouco mais tenso no sentido de manter dez, às vezes 15 dias uma criança no hospital; a vulnerabilidade social, às vezes a vulnerabilidade do próprio funcionário de saúde, nós não podemos esquecer disso. Então, sem dúvida, em alguns momentos os ânimos estão acima e pra isso existe o trabalho da psicologia, do serviço social, pra que a gente possa tentar superar esses impasses que são naturais. Eu costumo, quando converso com as famílias, falo: “Bem vindos ao hospital! O hotel e o hospital vêm do mesmo radical, aqui que nós vamos conviver durante um tempo” e aí, a gente tenta ter essa acolhida mais harmônica possível.

P/1 - E tanto pro trabalhador quanto pro usuário do SUS, o que mudou com a Política Nacional de Humanização?

R – Eu acho que esse processo de humanização, a gente percebe que a cada vez ele vem crescendo, ele vem contagiando. O Ministério, principalmente nesses últimos anos, a gente vem observando um grande investimento, contagiando as prefeituras, inclusive até com portarias. Na Portaria da Obrigatoriedade da brinquedoteca, ela foi fundamental, então a gente tem que articular realmente a humanização com a parte legal – a gente costuma até dizer que brincar é legal, legal nos dois sentidos, é lei e é bom. Acho que a gente está conseguindo articular, quer dizer, o Ministério implementando as ações e garantindo a legislação para que ela possa ser difundida nos municípios do país.

P/1 – Pra gente encerrar eu queria saber o que você achou de ter prestado esse depoimento.

R – Muito bom. Acho que todos nós deveríamos vir aqui e colocar realmente nossa cara, nosso rosto e falarmos da nossa alegria de sermos servidores públicos. Isso é fundamental. Ser servidor público é uma opção, acho que é uma opção de vida, de prazer, por isso que eu quis estar aqui fazendo esse depoimento.

P/1 – Obrigada, Edicléia!

R - Obrigada a vocês e parabéns pelo trabalho!

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