Busca avançada



Criar

História

Branco adega

História de: Ricardo Wagner Tavares
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 17/12/2012

Sinopse

A infância no bairro da Vila Mariana, a paixão pelo futebol e os jogos em campinhos de várzea. A morte precoce do pai e o início da vida profissional em uma marcenaria. O trabalho de venda de livros pela Abril Cultural e o convite para atuar no segmento de bebidas. A aquisição de experiência no ramo, a proposta de se tornar sócio da adega O Barricão e o caminho para se tornar o único proprietário. As transformações pelas quais o ramo de bebidas passou no decorrer das décadas. As esperanças de melhora nos negócios em decorrência da chegada do metrô na rua e do processo de expansão do setor comercial no bairro.

Tags

História completa

“Quando eu comecei com a adega, tinha muita casa residencial na Rua dos Pinheiros. Eu lembro que ela era de duas mãos e toda coberta de paralelepípedo; subia e descia a rua.Acho que eu vi nascer a maioria dos prédios ali. E hoje é uma rua em que não falta nada, apesar de que eu acho tudo caro ali. No início, o Barricão era uma adega mesmo, mas um tempo atrás uma amiga que trabalhava na prefeitura me orientou: “O metrô vai passar na Rua dos Pinheiros”. E eu falei: ‘Bom, tenho que aumentar minha receita, porque só a loja, o metrô vai passar aqui.’ Nós passamos um período difícil quando estavam fazendo a parte mais complicada da obra. Nós até fomos falar com o vice-prefeito, porque o movimento caiu 50%, 60%. Eram muitos comerciantes passando por dificuldades e nós queríamos saber se seria possível que os impostos fossem parcelados Teve gente até que fechou. Aí o que ele nos disse foi que seriam 90 mil pessoas circulando por ali diariamente e que isso ia representar muito para os negócios. Nós estamos com essa esperança agora, a de que o movimento aumente bastante e nos ajude a crescer. Até aqui foram muitas mudanças e, junto com elas, muitas histórias. Você conhece muita gente e essa é a parte divertida do trabalho. Uma vez, um dos clientes fez aniversário. Ele era, inclusive, assessor do governo. E eu tenho um hábito: eu procuro marcar as datas dos aniversários para ligar cobrando, ‘Ó, não compra em outro lugar não. Eu tenho uma oferta para o senhor’, tal. E... bom, eu não me lembro de ter sido convidado, mas fui entregar a bebida na casa dele. Ali de manhã, conversando com a minha esposa, eu falei: ‘Poxa, a gente podia levar um presente para o seu Arlindo.’‘Ah, mas você foi convidado?’‘Claro que fui.’ Só que realmente eu não lembrava direito. Pois bem, peguei uma garrafa de vinho e fomos. Chegando lá, nego, um apartamento, uns cem metros só de sala. Só alta sociedade. Entreguei o presente, cumprimentei, ele gostou pra caramba do que eu fiz, do meu gesto, mas, lógico, não era a nossa classe. Então, eu fiquei deslocado durante uns 40minutos. A água que me ofereceram tremia assim na mão. E a minha esposa ficou de mal comigo bem uns 10, 15dias. Eu não tinha sido convidado realmente. Depois, mais tarde, conversando com ele, eu falei: ‘O senhor se lembra, seu Arlindo, daquele dia?’Ele falou: ‘Ricardo, foi uma ótima surpresa. Eu não esperava você lá, mas foi muito bom.’E olha, estreitou a nossa amizade. Para mim o comércio não é uma rotina. Que eu me lembre, eu tenho pouquíssimos dias de folga, de férias. Desde os primeiros dias eu até me empolgava com a ideia de abrir a loja, porque eu sabia que não ia ser rotina, sabia que ia aparecer um cliente diferente, que ele ia me contar uma história diferente. Eu não me importo de ficar 10, 12 horas direto ali dentro. Tanto que minha cor é branco adega.”

Ver Tudo PDF do Depoimento Completo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+