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BNDES: Prazer em fazer parte dessa história

História de: Iole Bernadeth Larronda Asti
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 29/10/2018

Sinopse

Neste depoimento a economista Iole Bernadeth Larronda Asti nos revela algumas das funções que exerceu no BNDES entre 1985 e 1995. Dentre elas, destaca uma que tem grande apreço: quando trabalhou na Assessoria da Superintendência Financeira em projeto montando sistema de informações financeiras. Para Iole, o BNDES fez a história e faz o futuro do Brasil.

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História completa

P/1 – Eu queria que você dissesse qual o seu nome, local e data de nascimento.

 

R – Meu nome é Iole Bernadeth Larronda Asti, eu nasci em Porto Alegre, em 5 de junho de 1949.

 

P/1 – Quando e como se deu seu ingresso no BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social]?

 

R – Meu ingresso no BNDES foi no concurso de sênior em 1985; foi o único concurso de sênior que houve e entramos num grupo de dezessete economistas. Seleção pública.

 

P/1 – Foi pra que área?

 

R – Eu fui pra área de projetos. A maioria pra área de projetos, porque era uma época, em 1974, onde começou o grande processo de industrialização do Brasil, então as áreas operacionais eram as que mais estavam precisando. Então o concurso basicamente supriu muito da área operacional.

 

P/1 – Você é economista. Quais são exatamente as funções que você já fez dentro do BNDES e quais os projetos que a senhora já esteve ______?

 

R – Como economista eu iniciei trabalhando na área de projetos e basicamente de mineração e metalurgia, onde eu acompanhei os projetos II e III da Companhia Siderúrgica Nacional, projetos II e III da COSIPA [Companhia Siderúrgica Paulista] e outros projetos na área de planos trefilados não planos. Passados seis anos de experiência, eu fui para a área de Planejamento, onde eu trabalhei em cenários da economia brasileira; antes disso teve planejamento e sistema integrado, de todo sistema, participava de um processo único de planejamento da economia brasileira. Trabalhei cinco anos na área de Planejamento, que era uma área que lidava mais macroeconomicamente. Depois fui trabalhar na área de Estudos Setoriais, no qual o objetivo era estabelecer políticas setoriais. Após, eu trabalhei oito anos na Assessoria da Superintendência Financeira em projeto montando sistema de informações financeiras, que foi um projeto que eu gostei muito; eu trabalhei praticamente do início ao fim, gostei muito do projeto.

 

P/1 – Descreve melhor esse projeto que você diz que mais gostou.

 

R – Esse projeto foi começado por Geraldo Valente que tinha ido tirar doutorado nos EUA [Estados Unidos da América], depois Ivan Aguilar, depois se aposentou Ivan Aguilar, Geraldo saiu, aí ficou sob uma gerência na área financeira e aí ficou basicamente eu e outra pessoa implantando e montando o projeto. O projeto levou mais ou menos uns cinco anos e era um projeto que permitia você fazer uma análise detalhada de todos os contratos do BNDES que eram registrados e arquivados por oitenta e tantos itens. Então você podia analisar todo e qualquer contrato, qualquer aplicação do BNDES, por qualquer um dos oitenta e tantos itens ou vários itens dos contratos. Então isso foi muito interessante, porque dá uma visão completa da atuação na economia, das empresas que construíram e que produziram. E também serve de base, hoje ainda isso está funcionando, serve de base para estabelecer novas políticas, estabelecer taxas de juros, ganhos de cada setor. Então foi um sistema super proveitoso e eu acho que até hoje é proveitoso.

 

P/1 – Em qual período a senhora trabalhou nesse projeto?

 

R – Nesse projeto eu trabalhei de 1988 a 1995, quando eu me aposentei.

 

P/1 – Você tem alguma lembrança marcante do seu dia-a-dia de trabalho no BNDES? Por exemplo, que você falou de trabalhar fim de semana...

 

R – Foi como a gente começou no BNDES, em 1974, era a grande industrialização brasileira, condições de financiamento ímpar para desenvolver e o grande sentido de nacionalidade, preservação da indústria nacional, estimular a indústria nacional. Então a gente trabalhava sábado, domingo, segunda, terça, quarta, quinta, sexta, sábado, domingo. Não tinha hora. Naquela época todos nós éramos recém-casados, ninguém tinha filho, todo mundo era novinho. Então a gente trabalhava, comprava muito sanduíche e ficávamos trabalhando o tempo todo. Era muito bom e tinha... Não é o corporativismo no sentido que seja ruim, mas a gente tinha um certo corporativismo e até idealismo em relação ao que a gente estava fazendo. Sempre o corpo técnico do banco foi considerado o corpo técnico de excelência no Brasil inteiro, tanto que muitos técnicos daqui saíram para pegar cargo em várias empresas e até outros órgãos públicos. Porque a gente tinha... A maioria era pós-graduado, o que a gente tinha era um corpo de excelência e principalmente porque a gente discutia muito, era trabalho muito discutido, todo mundo participava. Quando surgia alguma coisa que se quisesse implantar, todo mundo era chamado para participar, de uma forma ou de outra.

 

P/1 – Eu gostaria que a senhora explicasse o que é para você o BNDES.

 

R – Eu estou fazendo... Engraçado, eu fui olhar as fotos do BNDES agora a semana passada e tinha uma foto que é de baixo pra cima, que ela tinha aquele formato do monólito, aquele que tem na história de ficção cientifica, que é colocado num planeta pra estimular o processo de desenvolvimento. Eu olhei aquela foto a semana passada e as frases que me vieram na cabeça foram: cinquenta anos fazendo história e cinquenta anos construindo o futuro. Eu olhei, e coisa que eu nunca tinha enxergado, realmente, o BNDES é aquele símbolo do monólito no Brasil, pelo desenvolvimento, aquela coisa da área social quando ele assumiu, assumiu com afinco. Eu acho que o BNDES é isso, ele faz a história do Brasil e ele faz o futuro do Brasil, é muito interessante você olhar uma foto e de repente você sacar que você já tinha essa ideia. Acho que é por isso que eu sinto tanto prazer em dizer que eu trabalhei no BNDES, que eu fiz parte disso. Eu participei, eu trabalhei para isso.

 

P/1 – Eu queria que a senhora falasse o que achou de participar dessa entrevista e como você se sente de agora fazer parte da história dos cinquenta anos do BNDES.

 

R – Eu já me sentia muito feliz de ter participado do BNDES porque eu acho que eu fiz parte de um momento histórico nosso e a nossa cabeça também mudou muito. A gente era nacionalista, depois passou a ser mais realista, passou a se preocupar com valores mais humanísticos do que exatamente políticos, mas já foi um grande prazer ter participado da história do BNDES e eu aprendi muito com ela, agora mais ainda poder afirmar isso.

 

P/1 – Obrigada Iole.

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