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BIOGRAFIA "Maria Eliane Faccio Valezin"

História de: MARIA ELIANE FACCIO VALEZIN
Autor: Anália Maria de Jesus Ribeiro Belarmino
Publicado em: 18/12/2012

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Resumo da história de vida da depoente Origem Quem é Eliane... Maria Eliane Faccio Valezin nasceu no dia trinta e um de agosto de mil novecentos e sessenta seis na cidade de Campinas, no Hospital Casa de Saúde. É filha do senhor Osvaldo e de dona Maria Aparecida, pessoas humildes, agricultores que trabalhavam com muita dificuldade para sustentar a família. Eram moradores do Bairro de Helvetia, que foi fundada pelos suíços. Foram seus pais quem escolheram esse nome, Maria Eliane. Maria, porque eles são pessoas muito católicas, devotos de Nossa Senhora e Eliane, foi para homenagear uma senhora que tinha uma filha com esse nome, pessoa muito querida, que na época, pagou a escola primária de sua mãe, pois naquele tempo não haviam tantas escolas públicas como hoje. Infância Eliane morava no Sítio, não tinha vizinhos. Brincava na maioria das vezes sozinha. Gostava muito de brincar de casinha, na tulha, que era um barracão onde embalavam as frutas em caixinhas feitas de madeira. Os brinquedos eram improvisados com latinhas, vidrinhos, etc. Falava muito sozinha, estava sempre representando: hora era pai, hora a mãe e às vezes, era o filho. Era muito engraçado. Seu tio adorava observá-la brincando. Mas nem sempre foi assim... Eliane conviveu com três primos que marcaram muito sua infância, pessoas com quem mantém contato até hoje e relembra muitas histórias. Jogavam bola, fubeca, corriam por todos os lugares, divertindo-se muito. Renato era muito inteligente, gostava de ler, parecia o Visconde de Sabugosa. Sérgio era a travessura em pessoa e tinha também o Chorão, que era o mais novo, não conseguia participar de todas as brincadeiras e então, chorava por tudo. O local predileto para as brincadeiras com os primos era no “ lixão”, um terreno que o avô de Eliane cedia para ser depositado o lixo e que também criavam-se porcos. Nesse “lixão”, descobriram que vinham muitos brinquedos quebrados como bonecas, bolas, carrinhos de rolimã, patins, livros, etc. Faziam a festa, aproveitando tudo para as suas brincadeiras. Em cima do pé de abacate, construíram uma casinha. Cada galho era um cômodo da casa. Nessa casinha, tudo era muito enfeitado com o que encontravam no “lixão”: abajures, lustres etc. Tudo o que não tinham em suas casas, tinham na “casinha do pé de abacate”. Era um verdadeiro luxo! Embaixo do pé de abacate, ficava sempre “Cravinho”, um burrinho de estimação do avô de Eliane. Adoravam montá-lo e saírem em busca de grandes aventuras. Histórias que marcaram a infância... “Esconde-esconde” Eliane brincava muito de esconde-esconde com seus três primos. Seu avô tinha um seleiro, onde guardava vários móveis velhos. Sérgio não tinha medo de nada e um dia, brincando, escondeu-se dentro de um guarda-roupa. Eliane, medrosa que só ela, entrou também no seleiro e, abrindo o guarda-roupa, viu Sérgio e junto a ele, uma cobra. Eliane gritou desesperada para que ele saísse de lá imediatamente. Sérgio saiu rapidamente, dizendo que pensava ser uma gravata. Por sorte, essa cobra estava dormindo e o tio de Eliane a matou. Depois quando o susto passou, foram só gargalhadas! Realeza e seus Súditos Naquela época, o avô de Sérgio havia morrido e ele vivia perguntando à mãe onde estava seu avô. A mãe, muito religiosa, sempre dizia a ele, que o avô tinha ido “pro céu”. Então Sérgio perguntava se tinha como ir visitar o avô e sua mãe respondia que só seria possível fazer essa visita, quando as pessoas morressem. Então, Sérgio se acalmou e foi brincar de “realeza” com seus primos. Na brincadeira, Eliane era a rainha, o Renato era o rei e Sérgio, arrumava a carruagem que era com o burrinho Cravinho. Neste dia, Renato ordenou : “Cavaleiro Sérgio, arrume a carruagem que a Realeza vai pro Santos”. Sérgio disparou a chorar e todos pensaram que algum bicho o tinha picado. Dizia que não queria ir “pro Santos”, não queria morrer, lembrando-se do que sua mãe havia dito sobre a morte do avô. Então Renato explicou que ele se referia à cidade de Santos. E todo mundo deu muita risada. Sonho Profissional Aos oito anos de idade, Eliane já sabia que não queria trabalhar na roça, pois via o sofrimento de seus pais. Observando sua professora ensinando os alunos a fazerem continhas, escrevendo na lousa, percebeu que era isso que ela gostava e então, decidiu ser professora. Nessa época, estudava na Escola Estadual São Nicolau de Flue e, quando Eliane estava terminando a 4ª série, a professora chamou sua mãe e disse-lhe que ela não deveria mais estudar, pois Eliane era muito chorona, tinha muito medo e não iria conseguir continuar os estudos. Dona Maria Aparecida ficou muito triste, pois queria muito realizar o sonho de sua filha. Mas, como a mãe era muito falante, comentou o caso com outra professora no ponto de ônibus. Esta professora, pelo contrário, aconselhou a não desistir. Deveria fazer com que Eliane seguisse em frente e realizasse seu sonho. A mãe de Eliane a matriculou então na Escola Estadual Profº Hélio Cerqueira Leite, onde concluiu a 8ª série. Em seguida foi para Escola Estadual Dom José de Camargo Barros, onde cursou apenas seis meses do ensino médio. Como o sonho de Eliane era ser professora, sua mãe saiu à procura de uma escola que tivesse o curso de Magistério. Então, foram para Campinas, no Colégio Carlos Gomes. Lá, a responsável pela secretaria falou de imediato, que não havia vaga e isso as deixou muito tristes. Dona Maria Aparecida começou a lamentar-se, dizendo que era o sonho de sua filha quando, de repente, surge um moço de olhos azuis, parecido com um anjo, dizendo que havia vaga sim, que tinham muitas desistências, pois estudar lá não era nada fácil. Retornaram numa felicidade, contando a todos os amigos onde Eliane iria estudar. Mas nada foi fácil. Com muita dificuldade, iniciou seus estudos neste Colégio. Suas notas baixaram muito e Eliane só não reprovou o ano, porque tinha boas notas no primeiro semestre. Vendo o sofrimento de seus pais para mantê-la neste Colégio e, tendo que pagar o transporte, saiu à procura de um emprego. Conseguiu entrar na Liga Indaiatubana de futebol, realizando toda a parte burocrática do serviço. Com o salário desse primeiro emprego, passou a ajudar seus pais nas despesas com o transporte e dedicou-se muito aos estudos, conseguindo com isso concretizar seu sonho: ser professora. Em mil novecentos e oitenta e cinco, já formada, lecionou para a primeira turma de pré-escola, da Rede Municipal de Indaiatuba. Formou-se também em Pedagogia, na Faculdade CEUNSP e cursou pós-graduação em Gestão Escolar, pela UNICAMP. Adolescência Durante a época em que Eliane cursava o Magistério em Campinas, também se divertia em plena adolescência. Se reunia com os amigos próximo à igreja de Helvétia para conversar, acompanhava o time de futebol do Bandeirantes e jogava no time feminino. Usava agasalho, calça de veludo, meias coloridas, etc. Frequentava os bailes do Clube Nove de Julho, em plena época da discoteca, sendo que sua música preferida era “Dancig Days”. Foi nesta época, jogando futebol, que conheceu Beto, diretor de esportes do clube Nove de Julho, com quem casou-se e teve dois filhos. Datas mais importantes Para Eliane, há muitas datas importantes a serem comemoradas, porém a mais importante de todas foi a do nascimento de seus dois filhos: Denise que hoje está com vinte e cinco anos de idade, é enfermeira no CTO e Diogo, com vinte três anos, formado em Gestão Empresarial. Os filhos para Eliane, são verdadeiras bênçãos de Deus. Seu passatempo predileto é estar com a família, conversar com eles em horários diversos e viajar. Profissão Eliane também lecionou durante muitos anos na Rede Estadual e, em dois mil foi afastada da sala de aula por apresentar problemas na voz. Nesse ano, assumiu o cargo de Coordenadora na EMEB “Profª Maria Benedicta Guimarães” e no ano seguinte, assumiu o cargo de Gestora dessa escola. Nessa época, a comunidade era muito participativa, confiava no trabalho dos professores. O Senhor Antonio, vizinho da escola, ajudava com trabalhos voluntários, cuidava da horta, local que hoje foi ampliado, com construções de mais salas de aula. Para Eliane, é um orgulho dizer que a “Escola Maria Benedicta” foi percursora em realizar a “Feira de Ciências e Literatura”. Fatos Marcantes na Escola Vários fatos marcaram o tempo em que Eliane trabalhou nesta escola. Uma apresentação em que os alunos foram fazer no SESI, todos estavam com pompons nas mãos e, quando erguiam, formavam a bandeira do Brasil. Ficou muito lindo. Eliane também teve que pagar alguns “micos”, como dançar com o palhaço Coringa nas Festas de Encerramento do ano letivo. O que não faltou também, foi um fato engraçado: uma vez chegou na secretaria da escola, um senhor que falava tudo enrolado e ninguém conseguia entender o que ele dizia. Depois de repetir várias vezes, descobriram que ele estava lá para carpir a calçada, que não tinha na época. O senhor era funcionário da prefeitura, estava em local errado e foi encaminhado para onde deveria estar. No ano de dois mil e quatro, Eliane foi convidada a assumir o cargo de Diretora de Área do Departamento do Ensino Fundamental, onde está até os dias atuais, trabalhando na Secretaria da Educação, no prédio do CIAEI. Atende toda a Rede Municipal, reclamações de pais, professores, diretores, problemas que surgem e outros serviços. Sente muita saudade da época em que era diretora da escola, sente falta da energia das crianças, do sorriso e do olhar inocente e cativante dos pequenos. Sonhos Eliane ainda tem dois sonhos... Pessoal: manter a unidade de sua família, saúde e felicidade a todos. Para a humanidade: Que todas as crianças amem e sejam amadas... Respeitem e sejam respeitadas... E que cresçam e continuem amando e respeitando os demais seres humanos.
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