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Biografia de Euclides Damiani

História de: EUCLIDES DAMIANI
Autor: JORGE LUIZ FAGNANI
Publicado em: 28/01/2016

Sinopse

Euclides Damiani é descendente de imigrantes italianos, nascido em São Paulo em 07/04/1917. Empresário do segmento de papel e celulose, nas décadas de 1940-1950, sua morte prematura, aos 39 anos, interrompeu a ascensão daquele que seria um dos expoentes do empreendedorismo brasileiro.

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Euclides Damiani é descendente de imigrantes italianos, nascido em São Paulo em 07/04/1917. Empresário do segmento de papel e celulose, nas décadas de 1940-1950, sua morte prematura, aos 39 anos, interrompeu a ascensão daquele que seria um dos expoentes do empreendedorismo brasileiro. Juntamente com Leon Feffer e seu filho, Max Feffer, fazem parte da história da construção da indústria de celulose e papel no país. A Prefeitura Municipal de Suzano, o qualifica como um dos pioneiros da industrialização do município e lhe homenageia registrando seu nome a uma via pública.

 

Ainda criança, no interior de São Paulo, começou ajudando seus pais nos afazeres da chácara alugada em Ribeirão Branco, que além de professores do ensino fundamental eram comerciantes, e de cuja luta para criar os oito filhos Euclides aprendeu o dinamismo que o acompanhou. Conta-se que quando aluno do Liceu Coração de Jesus no bairro dos Campos Elíseos, em São Paulo, olhando para a lixeira da sala de aula, perguntou para a faxineira qual era o destino dos papéis ali depositados, recebendo como resposta que eram vendidos. Assim, da coleta de papel das ruas para o título de Rei das Aparas de Papel e Papelão de São Paulo, foi um pulo. Iniciou com um depósito de papel na rua Cachoeira, no bairro do Belém, transferindo suas instalações para a rua Caetés n.11,no bairro da Vila Maria, época em que agregou às suas operações a Casa Bancária Atlântida que futuramente seria transferida para a família Saad. Era o principal fornecedor de aparas para a IPLF – Indústria de Papel Leon Feffer, fundada por Leon Feffer em 1924.

 

No período da 2ª. Guerra Mundial, intuindo o pós-guerra, continuou suas operações de coleta de papel, pagando religiosamente seus fornecedores mesmo sem poder vender seu estoque. Quando ia se desfazer do seu último bem, um automóvel Ford Coupe, para saldar suas dívidas, a guerra termina. Estrategicamente, juntamente com o grande estoque de papel, Euclides estocou celulose também. Assim, diante de uma demanda por papel e celulose consegue se posicionar no mercado novamente, agora de uma forma impactante. Com o capital conseguido no pós-guerra, constitui a Euclides Damiani e Cia. Ltda. , em 26 de dezembro de 1946, e em 22 e 24 de março de 1947 compra um terreno de 206.232 metros quadrados no município de Suzano – SP, local da sua primeira indústria de papel. Em 14 de setembro de 1948 é transformada em sociedade anônima, passando a denominar-se Indústria de Papel Euclides Damiani S/A. Com uma localização estratégica, perto de mercado fornecedor e mercado consumidor, a fábrica ficou situada no km 43 da rodovia São Paulo - Rio, atual Via Dutra, a 2,5 Km de Suzano e 6 Km de Mogi das Cruzes, lugares servidos pela Estrada de Ferro Central do Brasil. Contava também com abundância de água para o seu processo industrial, servida pelo ribeirão Jundiapeba que corria por uma das divisas do terreno.

 

A fábrica foi edificada na encosta de uma colina, com suas diversas partes em degraus, de modo a facilitar o processo de fabricação, que se inicia nas partes mais elevadas do terreno e termina nas mais baixas. Além do edifício da fábrica, foram construídas também uma casa para residência do técnico responsável e uma vila operária com quatorze casas. Com uma só máquina de produção, com capacidade de 7 a 8 toneladas em 24 horas, foram registradas as seguintes produções: 1040 ton.(1948), 1700 ton. (1949), 2060 ton. (1950), 2300 ton. (1951). A fábrica era servida por duas linhas de força da “Light and Power”, uma de 11.000 volts e outra de 88.000 volts. Um dos produtos demandados na época era o papel manilha, produzido em sua fábrica nas larguras 25, 40 e 60 cm.

 

O ambiente dos negócios era de muita expectativa, e os politicamente bem informados sabiam que o setor da celulose e papel era um dos setores estratégicos da economia, o que viria a se confirmar, com a inclusão do setor, no Plano de Metas do Governo desenvolvimentista de Juscelino Kubitschek (1956 – 1961). Considerando esse cenário que se avizinhava, Euclides e Leon Feffer, do relacionamento fornecedor-cliente a amigos, selariam uma negociação estratégica. Euclides, além da sua fábrica em Suzano-SP, iniciara a construção da sua fábrica de celulose e papel (1953/1954) no município de Prudentópolis – PR, estrategicamente perto do insumo principal (eucaliptos); Leon Feffer por sua vez, querendo livrar-se dos fornecedores estrangeiros de celulose e após anos de pesquisas na produção de celulose de fibra curta, a partir do eucalipto, própria para a produção de papel de imprimir e escrever, propõe, em 1955, a compra da Indústria de Papel Euclides Damiani S/A., com o objetivo de ser uma fábrica-piloto de celulose de fibra curta, porém com os eucaliptos vindos de longe. Euclides aproveita a negociação para se capitalizar para a sua nova empreitada já iniciada em Prudentópolis – PR. Assim, também em 1955, é constituída a Euclides Damiani Indústria de Papel e Celulose do Paraná Ltda., no município de Prudentópolis – PR, e, em 02/05/1956, a Indústria de Papel Euclides Damiani S/A passa a denominar-se Cia. Suzano de Papel e Celulose – Unidade Suzano – Fábrica B.

 

Em 1954, Euclides inicia a construção da usina hidroelétrica que alimentaria sua fábrica em Prudentópolis-PR. O Senado Federal por meio do Decreto N⁰ 35.951, de 29 de julho de 1954, assinado pelo então Presidente Getúlio Vargas, transfere para Euclides Damiani Indústria de Papel e Celulose do Paraná Ltda., concessão para aproveitar energia hidráulica no Salto Rio Branco, Rio dos Patos, Estado do Paraná. No vídeo, filmado por turistas, podemos observar no topo da cachoeira as estrutura erguidas por Euclides, bem como a casa de força nos baixos do salto. (Ver: http://www.youtube.com/watch?v=c_QL8bD6Gzg) Tudo mais constante, não fosse seu falecimento em 05/02/1957 no município de Prudentópolis - PR, Euclides se beneficiaria com o cenário da multiplicação das indústrias brasileiras de celulose, incentivadas a partir de 1974 pelo “I Plano Nacional de Papel e Celulose”, criado pelo governo Ernesto Geisel (1974-1979) dentro do “II Plano Nacional de Desenvolvimento”, contribuindo assim com a autossuficiência do Brasil e na exportação de celulose.

 

CÂMARA MUNICIPAL DE SUZANO • PROJETO DE LEI N⁰ 57 DE 28 DE DEZEMBRO DE 1962 •LEI MUNICIPAL N⁰ 716 DE 04 DE MAIO DE 1963 Em 4 de maio de 1963 o Projeto de Lei n⁰ 57 de 28/12/1962 vira Lei Municipal n⁰ 716 que decreta que a Rua A do loteamento Vila Amorim, Suzano – SP, passa a denominar-se Rua Euclides Damiani, um dos pioneiros da industrialização do município de Suzano. Segue na íntegra a exposição de motivo, de 16/01/1963, anexada ao Projeto de Lei n⁰ 57: “ O presente Projeto de Lei foi criado com o intuito de homenagear um cidadão que em vida, iniciou em nossa cidade uma indústria que hoje representa uma das potências em nossa terra; certo é que em 1938(*), o Sr. Euclides Damiani adquiriu terrenos em Suzano para formar aqui uma fábrica de papelão. Naquele tempo, aquela pequena indústria tinha 55 empregados; quando o referido Sr. resolveu vender a indústria ao Sr. Leon Feffer em 1955, já tinha a fábrica do Sr. Euclides 256 empregados, com um patrimônio invejável. Quem conheceu o Sr. Euclides Damiani poderá dizer que patrão estava ali, pois o mesmo jamais procurou justiça trabalhista para resolver casos que apareciam; Euclides Damiani, resolvia seus casos internamente, pois assim, cada vez mais seus subalternos reconheciam nele o verdadeiro patrão”. (*) Desconhecemos essa data, o que não a invalida. Porém pelas nossas pesquisas as compras das terras se deram em 1947/1948. Nota do autor. Quadro 1 Senado Federal Subsecretaria de Informações

 

DECRETO N° 35.951, DE 29 DE JULHO DE 1954. Transfere para Euclídes Damiani Indústria de Papel e Celulose do Paraná Ltda., concessão para aproveitar energia hidráulica no Salto Rio Branco, Rio dos Patos, Estado do Paraná. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, usando da atribuição que lhe confere o art. 87, n° I, da Constituição, e nos têrmos do art. 150 do Código de Águas, (Decreto n° 24.643, de 10 de julho de 1934, Decreta: Art. 1º Fica transferida apara Euclides Damiani-Indústria de Papel e Celulose do Paraná Ltda., a concessão para aproveitamento de energia hidráulica no Salto Rio Branco, Rio dos Patos, distrito de Prudentópolis, município de igual nome, Estado do Paraná, a qual fora outorgada a Indústrias Wagner Ltda. pelo Decreto n° 30.024, de 29 de setembro de 1951. § 1º Em portaria do Ministro da Agricultura, no ato da aprovação dos projetos, serão determinadas a altura da queda a aproveitar, a descarga da derivação e a potência. § 2º O aproveitamento destina-se à produção, transmissão e distribuição de energia elétrica para uso exclusivo da concessionária, que não poderá ceder energia a terceiros, excluídas desta proibição os suprimentos autorizados na forma da legislação vigente e o fornecimento a título gratuito as vilas operárias da concessionária. Art. 2º Caducará o presente título, independente de ato declaratório, se a concessionária não satisfazer as condições seguintes: I - Assinar o contrato disciplinar da concessão dentro do prazo de trinta (trinta) dias, contados da publicação do despacho da aprovação, pelo Ministro da Agricultura, da respectiva minuta. II - Submeter à aprovação do Ministério da Agricultura, em três (3) vias, dentro o prazo de cento e vinte (120) dias, a contar da data da publicação dêste decreto, o projeto do aproveitamento hidráulico, observadas nas prescrições estabelecidas pela Divisão de Águas. Parágrafo único. Os prazos a que se refere este artigo poderão ser prorrogados pelo Ministro da Agricultura. Art. 3º A concessionária fica obrigada a construir e manter, nas proximidades do aproveitamento, onde e desde quando fôr determinado pela Divisão de Águas, as instalações necessárias às observações fluviométricas e medições de descarga do curso d’água que vai utilizar, de acordo com as instruções da mesma Divisão. Art. 4º Findo o prazo da concessão, todos os bens e instalações que, no momento, existirem em função exclusiva e permanentemente da produção, transmissão e distribuição da energia elétrica, referentes ao aproveitamento concedido, reverterão ao Estado do Paraná, em conformidade com o estipulado nos arts. 165 e 166 do Código de Águas. § 1º A concessionária poderá requerer ao Governo Federal que a concessão seja renovada, mediante as condições que vierem a ser estipuladas, desde que faça a prova de que o Estado do Paraná, não se opõe à utilização dos bens objeto da reversão. § 2º A concessionária deverá entrar com pedido a que se refere o parágrafo anterior, até seis (6) meses antes de findar o prazo de vigência da concessão, entendendo-se, se o não fizer, que não pretende a renovação. Art. 5º A presente concessão virará, pelo prazo de trinta (30) anos, contado da data de publicação deste Decreto. Rio de Janeiro, 29 de julho de 1954; 133º da Independência e 66º da República. Getúlio Vargas Apolônio Sales

 

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http://www.celso-foelkel.com.br/artigos/outros/A%20celulose%20de%20eucalipto.pdf

http://www.ciflorestas.com.br/arquivos/doc_a_multiv_3513.pdf

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/793020-suzano-papel-e-celulose-eleva-eficiencia-em-sua-unidade-mais-antiga.shtml

http://www.suzano.com.br/portal/main.jsp?lumPageId=2C9080C91C916329011CB3941858113A

http://www.redetec.org.br/inventabrasil/celeuca.htm

http://www.amigosdolivro.com.br/lermais_materias.php?cd_materias=3732

http://www6.senado.gov.br/legislacao/ListaNormas.action?numero=35951&tipo_norma=DEC&data=19540729&link=s

http://www.cmprudentopolis.pr.gov.br/controle_inga/sistema/camara/adm/arquivos/b2a27703731c.pdf

http://reocities.com/Eureka/enterprises/1900/palestras/artigo-coppead.PDF

www.camarasuzano.sp.gov.br http://www.youtube.com/watch?v=c_QL8bD6Gzg&feature=related

Biografia elaborada por JORGE LUIZ DAMIANI FAGNANI jlfagnani@uol.com.br Celular 011 - 92155697

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