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História de: Regivan da Conceição Silva
Autor: Regivan da Conceição Silva
Publicado em: 14/10/2021

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Eu, Regivan da Conceição Silva, nasci em três de setembro de mil novecentos e noventa e seis, no município de Água Azul do Norte, localizado na região sul-sudeste do estado do Pará. Sou filho de José Maria da Silva e Maria Felix da Conceição. Logo após o meu nascimento, meus pais decidiram mudar de município, fomos morar em um assentamento chamado Nova Canadá, onde habitava minha família materna. Moramos lá durante três anos e novamente nos mudamos para perto da minha família paterna, no interior do município de Parauapebas, localizada há duzentos quilômetros da onde habitávamos. Aos sete anos de idade, comecei a frequentar a escola, morávamos perto, não havia transporte, íamos a pé, meus irmãos, alguns primos e eu. Ainda carrego algumas lembranças da escola, ela era bem simples, era um galpão, sem paredes, as turmas ficavam todas juntas e havia somente um professor, estudávamos ao ar livre, era um pouco difícil. Quando terminei o quinto ano não havia mais ensino na escola, estava prestes a parar de estudar, meus pais não tinham condições financeira para mudar para outra região para eu continuar com os estudos e eu não tinha idade para morar sozinho na cidade. Então, minha professora, Maria Dos Reis, me adotou para morar com ela, ela morava em uma pequena vila, aproximadamente há uns dez quilômetros da comunidade, chamada pelo o nome de Albâni, lá já havia o sexto ano e assim pude dar continuidade aos meus estudos. Foi difícil ela me levar, meus pais não queriam deixar eu ir, porque além de mim, minha irmã e minha prima estavam passando pela mesma situação, depois de muitas insistências da professora, eles acabaram aceitando e eu fiquei muito feliz, pois não iria parar meus estudos. Ela nos adotou e com ela moramos até concluirmos o sexto ano. Após a conclusão do sexto ano, mais uma vez o destino coloca outra pedra no meu caminho e por pouco meus estudos quase foram interrompidos. Mas, graças a Deus, conseguimos comprar uma terra em outra região e tudo ficou “bem”, a terra ficava sete quilômetro da escola e o ensino lá era oferecido somente até o nono ano. Foi um pouco complicado no início, devido à distância, eu saia muito cedo de casa para conseguir chegar no horário, pois teria que percorrer três quilometro todos os dias a pé para pegar a condução que terminava o trajeto até a escola. Eu estudava no período vespertino e durante o matutino, ajudava meu pai com os trabalhos da roça, como roçar o mato, colher arroz, milho, enfim uma seria de serviços, ajudava ele ate as dez horas da manhã e, em seguida, me organizava para ir para a aula que começava as treze horas. Assim, consegui terminar meu ensino fundamental em dois mil e doze. Após esse período, passei dois anos afastados da escola por falta de ensino na comunidade, durante esse período, meu pai conseguiu construir uma casa na cidade, e assim fui morar na cidade. Lá a realidade era totalmente diferente. No começo estranhei um pouco, mas depois ficou tudo bem, tirando as vezes que os alunos faziam badernas dentro do coletivo e o motorista era obrigado chamar a polícia, ele parava o ônibus e chegávamos a ficar horas aguando a chegada da polícia no local, era uma simples conversa e tudo se resolvia. Com todos esses contratempos consegui concluir o ensino médio. Em dois mil e dezoito decide viajar, então vim conhecer Barra do Garças, localizada no estado de Mato Grosso. Na época não vim com a intenção de morar, mas minha tia insistiu para eu procurar serviço, acabei encontrando e decidir ficar. Em dois mil e dezenove entrei para a faculdade. Eu ainda passo algumas dificuldades, pois é complicado trabalhar, estudar e manter as responsabilidades financeiras, mas estou conseguindo, já estou concluindo o sexto semestre de Pedagogia e estou feliz por não ter desistido dos meus sonhos, por mais que muitas das vezes o destino quis interromper.
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