Busca avançada



Criar

História

Beleza de dentro para fora

História de: Lilian Mayumi
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 22/07/2005

Sinopse

Infância no Campos Elíseos. Primeiros trabalhos. Ingresso na Natura como consultora. Estratégias de vendas. Maternidade. Dedicação, organização e criatividade. Reconhecimento. Jantar de destaque. Beleza e autoestima. Sonho.

Tags

História completa

 

R – Meu nome é Lilian Mayumi, minha data de nascimento é oito do dois de 1979 e nasci em São Paulo.

 

P/1 – E o nome dos seus pais, Lilian?

 

R – Hiroshi e Olga.

 

P/1 – Tá, e me fala uma coisa: o seu pai trabalhava com o quê?

 

R – Meu pai? Técnico, técnico em televisão.

 

P/1 – Ele consertava, ele tinha uma oficina? Como é que era?

 

R – Não, sempre por conta própria.

 

P/1 – Ah, tá! E me fala uma coisa: em que bairro que você cresceu?

 

R – Aqui mesmo, Campos Elíseos.

 

P/1 – É? Conta pra gente, a gente estava vendo as tuas fotos de criança, tudo... Conta pra gente, quais são as suas lembranças mais antigas da infância?

 

R – Mais antigas?

 

P/1 – É.

 

R – Brincando no Parque da Água Branca.(risos) Brincando no Playcenter, Zoológico, acho que as poucas coisas que tinha para época, né? Não tinha shopping ainda, né? Não tinha essas coisas, então eram os parquinhos e o zoológico.

 

P/1 – O Parque da Água Branca, naquela época, o que que ele tinha, assim, para fazer?

 

R – Exposição com pônei, é, peixinhos e os parquinhos, né? Tinha bastante rodeios, sempre, sempre voltados, apenas isso.

 

P/1 – Seu pai que te levava?

 

R – Meu pai que levava.

 

P/1 – E você tem um irmão, né?

 

R – É, levava eu e ele, todo domingo.

 

P/1 – E ele é mais novo?

 

R – É mais novo, tem dois anos menos.

 

P/1 – Ahn?

 

R – E era todo do domingo isso, domingo sim, domingo não, era só isso.

 

P/1 – E vocês iam a pé? Iam de ônibus? Como é que era?

 

R – Às vezes ia a pé para passear um pouquinho, cansa gente mais, ou às vezes, quando ele estava cansado, pegava um ônibus.

 

P/1 – E me fala uma coisa, como é que era a rua, assim, que você morava? O que você lembra? Tinha uma foto muito bonita de um quintal, assim, que você está com seu pai e tudo. Como é que era o bairro naquela época?

 

R – Ai! Era melhor que hoje, né? É, as árvores, tinha menos sujeira, né? E dava para brincar, não tinha tanto, até mesmo automóveis, né? Que hoje tem muito mais, né? Mas, depois eu mudei de lá, perto do Parque da Água Branca para cá, mais central mesmo. Então, já praticamente não tinha rua, né?

 

P/1 –Você mora em apartamento?

 

R – Apartamento, então é....

 

P/1 – Naquela época era casa?

 

R – É, depois eu acho que eu cresci só eu e a televisão.

 

P/2 – Que bairro que era esse que você morava?

 

R – Nas Perdizes, né? E agora cresci até hoje aqui, né?

 

P/2 – E me fala da sua escola que você estudou quando você era criança. 

 

R – Eu estudei da primeira até, da primeira até o primeiro colegial no Alarico Silveira, aqui na Conselheiro Brotero.

 

P/1 – Aqui na Conselheiro? Você vinha a pé? Como é que vinha?

 

R – A pé.

 

P/1 – É mesmo?

 

R – Desde menininha a pé.

 

P/1 – Você falou que os seus cadernos tinha o Hino Nacional atrás.

 

R – Tinha, o hino era atrás.

       

P/1 – Conta pra gente como que você fazia para conseguir esses cadernos.

 

R – Ah, ia lá na diretoria e falava: “ Meu caderninho acabou! Preciso de um novo. Um caderno e um lápis, por favor!”.

 

P/1 – E por que que você fazia isso?

 

R – Ah, na época, as condições eram, estavam mais apertadas, né? Aí eu tinha que optar para ir na direção também, né?

 

P/1 – Você que resolvia ir lá.

 

R – É, eu que ia. Não tinha, meu pai não tinha muito tempo também, né? Para ir, e como eu morava só com o meu pai, então acabei tendo que me virar sozinha.

 

P/1 – E assim, quais são as brincadeiras que você mais gostava de fazer?

 

R – Ah, jogava futebol, (risos) jogava futebol no meio dos meninos. Aí era ao contrário, eles pediam para professora para me tirar de lá, porque eu dava pancada neles e eles não podiam revidar porque eu era menina. (risos)

 

P/1 – Ô Lilian, mas não era comum uma menina jogar futebol naquela época, porque que você jogava?

 

R – Ah, eu não gostava de jogar vôlei. Eu acho que por ter crescido com meu pai e meu irmão, dois homens, só. Eu acho que eu queria fazer uma coisa que chamasse a atenção do meu pai, não sei. E também por gostar mesmo, eu nunca gostei de vôlei, sempre de futebol. Diferente, né? Mas...

 

P/1 – E você falou que você se vestia como menino também?

 

R – Na, até os treze, catorze anos era só bermudão, moletom, camiseta e tênis. E ainda, e ainda eu lembro que todo mundo sabia, me conhecia porque eu colocava a meia do avesso. (risos)

 

P/1 – Por quê?

R – Não sei. (risos) Aí, eu falava assim: “Eu quero ser diferente, eu sou diferente de todo mundo”. Parecia um moleque. E, assim, acho que era só isso mesmo, né? E aquela coisa que toda menina faz, a gente se, em casa sozinha, se olhava no espelho e fingia que era artista, né? (risos) Cantava com a escova de cabelo na mão, olhando para o espelho e mandando tchau! Que eu me lembre mais só isso... .

 

P/1 – O que você gostava mais de imitar? Que artista você gostava?

R – Ah, da minha época era quem? A Xuxa, né? Nossa! Depois a paquita, não tinha muita coisa, né?

 

P/1 – Você queria ser uma paquita, assim?

 

R – Ah, era paquita e ir na nave da Xuxa. (risos) Não tinha muita..., que nem hoje tem muita, né? Antes não tinha tanta... .

 

P/1 – Era só a Xuxa mesmo! Bacana! É, e me fala uma coisa: quando você começou a trabalhar? Você começou trabalhar cedo, né? 

 

R – Ah, quando meu pai arrumou uma namorada, aí eu fiquei mais sozinha, né? E para me virar, quando eu tinha onze anos eu comecei. Tinha um mercado do outro lado da rua de onde eu morava, aí, a moça estava precisando de alguém para entregar flores e eu comecei entregando flores. Depois fui trabalhar no Fran’s Café, né? Uma casa de café. Aí, só com dezesseis anos que eu entrei numa empresa, né? Mesmo assim, uma importadora.

 

P/1 – E me fala uma coisa: nessa época das flores, que bairro você fazia? Quanto tempo você andava? 

 

R – Ah, ela judiava de mim, eu só tinha onze aninhos. Eu me lembro que ela me mandava lá para Santa Cruz, Santana e ainda ela falava sabe o quê? “ Você vai com a condução da ida e pede caixinha para você voltar”. Aí, teve uma vez que eu saí às três da tarde para ir para lá de Santana e voltei a pé. Eu esperava o ônibus passar sentido Santa Cecília, para eu vir embora. Aí, assim, bastante lugares. Para Avenida Paulista era um lugar que eu ia bastante, né? Aqueles prédios, eu acho que eu conhecia todos. Na Folha de São Paulo, assim, mais isso, acabava indo conhecer outros bairros sozinha.

 

P/1 – E você só entregava ou você ajudava na Floricultura?

 

R – Também, às vezes ela saía e me deixava sozinha.

 

P/1 – Só com onze anos?

 

R – Onze anos.

 

P/1 – E o que você gostava? Assim, você conheceu a cidade, como é que foi isso, você já tinha andado de metrô sozinha?

 

R – Sozinha não, com meu pai, né? Mas você acaba sem querer, acaba aprendendo, né? Às vezes na marra, né? Porque o meu foi na marra, perguntando. Às vezes não queria perguntar por medo da pessoa perceber que eu estava sozinha, né? Mas eu sempre tive uma mania de pedir a mão para atravessar.

 

P/1 – Para atravessar?

 

R – Mas eu esperava alguma senhora ou uma mulher, nunca com que, eu tinha que esperar com a cara, né? Que nem, quando ela me mandava, tinha uma avenida, como é que eu atravesso sozinha com onze anos? Morria de medo, era diferente, né? Mas meu pai não sabia que eu fazia, que eu ia para longe assim. Uma vez ele me pegou no Vale do Anhangabaú atravessando a rua e ele ficou bravo, ele falou que ia chamar a polícia para ela. (risos)

 

P/1 – Como foi que ele te achou no Vale?

 

R – Eu estava atravessando, esperando para atravessar a rua e ele que me pegou pelo braço. Aí, ele me deu uma bronca e falou que ia direto para lá, eu falei: “Mas pelo menos, vamos entregar as flores primeiro!”. (risos)

 

P/1 – E ele topou?

 

R – Aí, foi, entregou e foi lá falar com ela, né? Mas não adiantou, ela sabia que ele não ia estar por perto, né? Até que eu desisti, porque eu trabalhava e ela não me pagava. Fiquei uns seis meses e ela não me pagava. Até que eu desisti, não fui mais. Ela aproveitava a situação, né? Pequenininha, né? E não tinha ninguém responsável que olhasse mesmo, então...

 

P/1 – Ela nunca pagou?

 

R – Não.

 

P/2 – Como é que você arrumou esse emprego?

 

R – Então, tinha uma outra amiguinha do lado, né? Que também trabalhava, o irmão dela trabalhava entregando no mercadinho do lado e ele falou que precisava de alguém para entregar na floricultura. Aí eu fui lá achando que ia ganhar um dinheirinho, ganhei foi dor de cabeça. E eu morria de vergonha, não tinha coragem de falar para ela, cobrar ela ou pedir para ir embora. Então eu fui levando até quando eu aguentei.

 

P/1 – Aí, você deixou de ir?

 

R – Deixei de ir.

 

P/1 – E no Fran´s? Como que você arrumou?

 

R – Fran´s Café, era a mãe de uma menininha que eu cuidei, trabalhava lá de encarregada, ela falou: “Vamos!”, e eu falei: “Vamos!”. Só que o salário era horrível, né? E era desde servir café, lavar a louça, até limpar o banheiro. Então, aí, abriram outro na Avenida Sumaré, passei para lá, não aguentava, mas não tinha outra opção, né? Pela idade também, estudando, difícil, né? Pegar. Até me chamarem nessa empresa, né?

 

P/1 – E me fala uma coisa: você conciliava o estudo e o trabalho no Fran´s, né? Então, que horas você acordava? Que horas você ia estudar? Que horas você conseguia estudar para prova? Essas coisas... .

 

R – Ah, não tinha hora para estudar, né? Estudava na aula vaga, faltava, perdia uma aula para estudar quando tinha prova, ou simplesmente tentava, né? Mas eu entrava no Fran´s Café, eu saía de casa às cinco da manhã. Tinha que estar atrás do balcão, já com o uniforme, quinze para as seis. Aí, saía de lá às quatro, chegava em casa quase às cinco, às seis tinha que ir para escola. Então, e ainda tinha que chegar em casa, limpar a casa, fazer comida, né?

 

P/1 – Você era moça da casa.

 

R – É, só tinha eu, e eu ainda tinha que fazer isso. Eu ia para escola, chegava da escola às onze da noite, às onze e meia da noite e ia levando até aguentar, né?

 

P/1 – Ô Lilian, e assim, e você saía? Já tinha o quê? Catorze anos?

 

R – Da época do Fran´s Café já tinha quinze para dezesseis.

 

P/1 – E você saía no final de semana?

 

R – Não.

 

P/1 – Passear um pouquinho... .

 

R – Não tinha muitas amigas, eu não..., sempre tem aquela coisa de menina, né? A gente tem uma amiga, parece que tem aquela amiguinha do ano, né? Mas, é, eu acho que porque eu não tinha mãe, né? Então acabava que ficando sempre sozinha. Não sei de que ponto a mãe das amiguinhas olhavam e até eu mesma, acho que eu me sentia com um pouco de vergonha. Então, eu sempre fiquei muito sozinha, me isolava muito, ficava em casa. O que eu fazia mesmo que as pessoas me chamavam, até hoje, eles falavam que eu era, assim, a rainha dos baixinhos ou me via... Tinha umas crianças, as que não tinham mãe, eu pegava e levava para casa, passava o final de semana comigo. Eu lembro que tem três, eram três irmãos que eu até conheci a mãe deles, ela faleceu e eu levei eles lá para minha casa para ficar comigo e hoje já estão maiores que eu.

 

P/1 – Aí, você cuidava deles?

 

R – Cuidava deles. Eu fazia isso até eu ter as minhas.

 

P/1 – Que bacana! E seu pai, como é que ele recebia isso? Ficava bravo?

 

R – Ah, não! Ele via que eu estava sempre sozinha e criança, né? Não tinha problema nenhum. E meu pai, acho que a gente quase não se encontrava também. Meu pai sempre saiu bem cedo, desde que eu recordo, né? Ele saiu, ele sempre saiu às sete da manhã e chegava depois das onze em casa.

 

P/1 – Sempre trabalhando.

 

R – Trabalhando. Nunca nos encontrava.

 

P/1 – E o seu irmão?

 

R – Ai! Meu irmão, a gente é bem distante, né? Só depois que ele teve filho que eu me aproximei mais, né? A gente, foi o modo que o meu pai, o jeito dele japonês, criou para gente, eles são bem distantes, né?

 

P/1 – E a Cássia estava me falando que o seu avô, ele veio do Japão, é isso?

 

R – É, ele e a minha avó no meio da guerra com umas, com algumas colônias japonesas até que a guerra acabasse. Aí, como a minha avó estava grávida do meu pai, eles se esconderam e ficaram aqui.

 

P/1 – Para que colônia eles foram, você sabe?

 

R – Valparaíso, interior de São Paulo, que foi lá que meu pai nasceu e ficaram. Depois mudou para o Paraná e meu avô mora lá até hoje.

 

P/1 – É, e ele conta dessa época da guerra, você lembra, assim?

 

R – Ah, meu pai era muito pequenininho, né? E meu avô não fala a nossa língua até hoje. Meu avô não fala, ele não entende.

 

P/1 – Ah, é?

 

R – Meu avô não fala, não entende.

 

P/1 – Ele fala só japonês?

 

R – Só japonês.

 

P/1 – Você fala um pouquinho?

 

R – Não.

 

P/1 – Então, você não conversa com ele?

 

R – Não, é difícil, né? Porque pela distância também e pela, aquela mesma história, eles são superdistantes, acho que tem catorze anos que eu não vejo o meu avô.

 

P/1 – E seu pai fala com ele alguma coisa?

 

R – Fala pelo telefone, às vezes vai lá, né? Quando a minha avó faleceu em 1989, então, às vezes tem missa, né? Ou alguma coisa, aí meu pai vai.

 

P/1 – E seu pai, assim, quando você era criança ele contava o que o seu avô falava do Japão, alguma coisa assim?

 

R – Não.

 

P/1 – Nada?

 

R – Meu pai não é muito sociável. (risos) Ele é antissocial, nem comigo ele conversava muito.

 

P/1 – Mas você falou que ele era bem ciumento com você, né?

 

R – É, depois que começa a crescer que eu acho que ele percebeu que não tinha dois meninos em casa, que eu era uma menina, aí começou a pegar mais no pé. (risos) Mas não muito diferente, acho que de todos os pais, né? Eu tenho ciúme da minha. (risos) Eu falo às vezes: “ Ai meu Deus, quando a minha crescer, o que que eu vou fazer?”.

 

P/1 – Você fica preocupada?

 

R – É.

 

P/1 – Ai que bacana! E aí, você foi para essa importadora que é uma empresa alemã.

 

R – É, ela vende, ela vende produtos da, uma peça específica da Alemanha, né?

 

P/1 – E aí você passou a trabalhar do que lá?

 

R – Eu comecei como telefonista. Aí, quando fui fazer a ficha, eles falaram: “Você sabe atender telefone?”. “Não.” “Você sabe passar fax?” “Não.”  “Você sabe…”, tinha telex ainda, né? “Não, não, não...” Mas eu falei assim: “Por favor, me dá dois dias, dois dias, por favor?” Aí, eu fiquei seis anos. Aí, comecei como telefonista, recepcionista, fiz curso de Informática, eu mesma ia atrás, até eu ser a secretária da empresa.

 

P/2 – Olha, como é que é o nome da empresa?

 

R – Ipanema Importadora. Aí, eu fiquei, eu fiquei lá seis anos.

 

P/1 – Direto? E me fala uma coisa: como é que a Natura surgiu, assim, na sua vida?

 

R – Aí, eu tinha dezesseis anos, né? E já conhecia, né? Então, tinha, todo mundo sempre tem alguém que usa alguma coisa Natura e eu gostava de uma colônia dela. Então, teve uma vez, eu usava o Musk, né? E também gostava de batom, né? Daí, um dia eu peguei, estava na firma, nessa Ipanema já. Aí eu peguei e falei assim: “Ai meu Deus é tão incerto, né? Que se eu for mandada embora o que que eu vou fazer?”. E nesse dia eu tinha ganhado de aniversário uma colônia Musk e atrás estava o telefone da Natura e eu liguei lá, falei, a aí conversei e falei: “Como é que faz para revender a Natura?”, né? Eu não sabia como era e nem sabia que existia consultora, né? Aí ele falou assim, explicou, falou: “Sinto muito, com dezesseis anos não pode, né? Tem que ser maior”. Aí passou, quando eu fiz dezoito anos eu lembro que eu fiz no dia oito de fevereiro. No dia, mais ou menos de fevereiro eu liguei para Natura e falei: “Agora eu posso?”. Aí, a moça me falou assim: “Ah, vamos…”. Não sei porque, naquela época, bem naquele momento estava tendo algum probleminha que estava demorando. Aí só em julho que foi lá onde eu trabalhava, foi lá a secretária da minha promotora na época e eu comecei aí, em junho de 1998 eu me tornei consultora Natura.

 

P/1 – Então, vamos recuperar isso. Aí em junho te ligaram, como é que foi?

 

R – Aí me ligaram e falaram assim: “Olha, sua ficha foi aprovada”. Na época era a Alessandra, né? A promotora, e ela falou assim:  A minha secretária está indo aí na sua casa ou no seu serviço”. Eu falei: “Se puder vir no meu serviço…”. E ela foi no meu serviço, pegou os dados, me explicou o que eu precisava fazer, que eu precisava ir no escritório, né? Pediu a xerox de alguns documentos e levou. E daí, eu fiz os cursos que a Natura pede e comecei a vender Natura.

 

P/1 – E me fala uma coisa: e primeiro você fez os cursos, é isso?

 

R – Primeiro tem que fazer um curso, né?

 

P/1 – E o que que é esse curso?

 

R – É como se fosse um curso de vendas, vamos dizer assim para entender, né? Que você, ah, eles te explicam, eles passam vídeo te ensinando a vender, o que é a Natura, né? Porque a Natura não é só aquela vitrine, né? Natura é muito mais que isso. No começo, quando veio a nota fiscal, ai, era uma nota enorme que não é a de hoje, eu me assustei e falei: “Meu Deus, eu não vou ficar com isso não, estou morrendo de medo!”. Acho que me assustou a nota, “Olha, eu não vou, eu vou ficar só por um tempo”, né? Só pra garantir. “Se eu me garantir no meu emprego”, e fui levando. Mas aí, a Natura, ela encanta você, né? Tanto porque você pode vender os produtos com segurança, são produtos bons e até hoje, qualquer probleminha que der, tanto clínico quanto material, você não gostar, eles trocam, te tratam superbem. E os benefícios que eles trouxeram, né? Eu, eu mesma detestava um batom, (risos), não tem como, e vendo aquilo, ainda faz curso de maquiagem, faz curso de pele, faz curso de tanta coisa que eles acabam passando para promotora mesmo passando nos encontros, né? Ah, eu não saio de casa sem o meu batom e sem o lápis, não saio sem pó de casa. E no começo eu morria de vergonha de vender, né?

 

P/1 – Como é que foi isso? Você é tão quietinha, tímida?

 

R – Eu morria de vergonha, morria de vergonha. E eu falava assim, como eu trabalhava nessa empresa, então por dia eu falava com mais de quatrocentas pessoas, que era por telefone e venda dessa empresa. Aí, eu falava assim: “Quando fulana ligar, vou oferecer!”. A pessoa atendia, eu atendia o telefone e tal, ah, me dava um frio na barriga, uma vergonha e tchum, não conseguia de jeito nenhum, nenhum, nenhum oferecer. Morrendo de vergonha e até porque consultora Natura tem em todo lugar, ou é a sua sogra, sua cunhada, sua vizinha, todo mundo tem alguém que conhece. Aí, e o medo de levar um não! Acho que atrapalhava, né? Imagina, passou uns meses, ligavam eu já conhecia a voz, eu falava assim: “ Bom dia, é, você ligou para Natura, no que lhe posso ser útil?” (risos) Aí, hoje você me fala em vergonha e eu falo que não. Aí, alguém me pedia um creme, um shampoo, quando eu ia entregar já ia com a bolsa preparada, né? Aí, comecei a oferecer mais, aí, foi se conhecendo, aí uma compra, te indica para uma amiga, né? Você tem que também ir bolando, né? Você tem que inventar alguma coisa, porque Natura o acesso é fácil, né? Então, você tem que ter a sua, eu falo que a pessoa tem que ter a marca registrada. A minha, como a Natura mesmo já passa para nós brinde para o cliente, então eu vou, faço um pacotinho bonitinho, coloco um presente para você e estou sempre... Aí, faço, monto kit, né? Invento um kit. A Natura tem as promoções dela, mas eu acabo inventando as minhas também. Então, aí, a gente vai inventando, vai levando a, quando tem alguns extras de produto que a Natura dá, eu faço uma cesta ou uma embalagem bem legal e falo: “Nesse ciclo quem comprar vai ser sorteado!”. E aí eu sorteio e às vezes mando até cartinha: “Aí fulana…”; principalmente quem conhece de tal lugar: “Acabou esse ciclo, ganhou. O próximo pode ser você!”. Então, vai inventando, né? E agora, a vergonha eu não tenho mais. (risos) Eu entro na loja já com os pedidos na bolsa, falo: “Oi! Cheguei!”. E aí eles já acostumaram, quando eu fico uma semana sem aparecer num lugar, eles ligam em casa, falam: “O que que aconteceu? Você está doente?”. E tem outros que olham para mim e falam assim: “Olha para minha cara e vê se tem condições de você não cuidar de mim desse jeito? Pode me dar um trato!”, né? Tinha um que era assim, não aceitava o produto da Natura, muito, muito cliente homem muito, muito, muito enjoado. Aí, um dia eu aproveitei, tinha umas espinhas que saiu nele, aí eu falei assim, mostrei o produto, ele falou não, falou: “Aí, você desculpa, eu já uso um outro de farmácia manipulada”. Eu falei assim: “ E se eu te der?”. Aí, ele falou assim, ficou meio sem jeito, mas eu falei assim: “Eu vou te dar, só que você vai ter que usar, porque eu quero que você me dê uma resposta!”. Hoje ele não vive sem. (risos) Aí, tudo o que ele faz desde o cabelo até os pés é Natura. Ele, a irmã, o irmão e os dois primos lá de São Mateus, da Zona Leste, eles compram de mim.

 

P/1 – Como é que você formulou a sua clientela, assim, você começou no seu trabalho, depois foi para o teu bairro, seus amigos...

 

R – Comecei pelo trabalho e fazendo cartinha e colocando debaixo das portas.

 

P/1 – Da vizinhança?

 

R – E oferecendo, assim, com a vitrine na mão: “ Oi, tudo bem? Você conhece a Natura, né? Você não está precisando de nada hoje para o seu cabelo, para o seu rosto?”, né? E depende da pessoa, cada um tem um jeito diferente, né? Para um você vai oferecer uma coisa, para outro eu vou oferecer outra diferente.

 

P/1 – Você percebe, assim, o que tem mais a cara da pessoa, se é maquiagem? Perfume?

 

R – Na hora, né? Então, as que eu falo: “Ai que batom lindo! Tem um que eu vendo que é parecidíssimo, você não quer experimentar?”. “Ai, deixa eu ver!”. Ou senão eu vejo: “Você já viu o novo perfume da Natura? Olha que delícia!”. Estou sempre com uma amostrinhas.

 

P/1 – Se você fosse fazer uma venda para mim, o que você abordaria? Com perfume, com maquiagem, com o que você abordaria?

 

R – Você? Com hidratante e com creme para o cabelo, com um shampoozinho; porque maquiagem você gosta, mas não é tanto, né? (risos)

 

P/1 – E para Cássia?

 

P/2 – E para mim?

 

R – Para Cássia um batom, porque ela não vive sem um batom básico, né? E um hidratantezinho, que mesmo que não goste de usar é necessário. Então, eu sempre falo: “Se vocês fossem num curso da Natura, vocês não me pediriam para mostrar nada, vocês já iam comprar tudo!”.

 

P/1 – O kit completo. E me fala uma coisa, o que que você mais gosta de vender, Lilian?

 

R – Chronos.

 

P/1 – Por quê?

 

R – Ah, eu falo que eu queria, se eu pudesse me transformar num produto, eu queria me transformar em Chronos. (risos) Porque ninguém sabe, olhando e falando, os outros falam assim: “Ai, mas ninguém vai deixar de ter rugas ou vai ficar mais nova com esses produtos!”. Mas os benefícios que ele tem são bárbaros! E são, e são coisas necessárias, sabe? Que a gente necessita e não percebe. A gente às vezes não leva a sério a necessidade que a pele tem, mas ele traz tudo.

 

P/1 – O que que ele traz? A gente que é leigo, assim, o que que você pode falar? O que que ele traz?

 

R – Ah, vamos ver? Que nem eles ensinam, os radicais que vão destruindo todas as nossas necessidades para uma pele linda, Chronos renova todos os dias. Então tudo o que você precisa, desde a elasticidade até a hidratação, o Chronos. E não tem quem fale assim: “Ah, mas é só um creme!”. Todo mundo, várias outras empresas também têm antissinais, mas olha, eu falo assim, um monte de gente fala isso pra mim: “Eu fico sem a minha compra do mês, mas, por favor, traz o refil do meu Chronos, que eu não vivo sem!”. E você sente mesmo, eu senti, eu já usei e senti, você sente falta mesmo.

 

P/1 – Ele age mais na prevenção antissinais ou, quando a pele já tem alguma coisa instalada, ele também reverte?

 

R – As duas. Ele chama antissinais, mas mesmo assim, os componentes dele hoje, né? Que todos os, pelo menos quando eu entrei, da Natura até o dia de hoje, a fórmula dele está sempre mudando para melhor. Estão sempre conseguindo colocar componentes que a gente precisa, né? Então, tem desde protetor solar, para, que a gente precisa, hidrata, tem vitamina que precisa, tem tudo, é uma coisa completa. Por isso que eu falo: “Se eu fosse virar um produtinho da Natura, eu queria virar o Chronos!”. (risos)

 

P/1 – Isso foi ótimo!

 

R – Eu falo assim: “Se precisar de algum evento e uma, e um Chronos balançando pra lá e pra cá; pode me levar que eu me visto de Chronos!”. (risos)

 

P/1 – Ai, que bacana! E assim, o seu setor é o Mackenzie, é isso?

 

R – Isso.

 

P/1 – Tem quinhentas pessoas.

 

R – Mas, assim, o setor é o Mackenzie, a minha gerência é a Paulista que é da Patrícia, né? Que é a minha promotora. Então, são mais ou menos da Patrícia, né? Da onde, do meu setor, é mais ou menos umas quinhentas consultoras.

 

P/1 – E você está entre as quarenta mais...

 

R – Eu estou entre as dez.

 

P/1 – As dez, já!

 

R – Entre as dez. Nesse ciclo eu acho que eu sou a quinta.

 

P/1 – Olha! Que bacana!

 

R – É, mais foi assim, com a ajuda da minha promotora, sem ela, eu estava até comentando com a Cássia, sem ela perceber até, né? Ela olhou pra mim e falou assim: “Você pode!”. E ainda falou assim pra mim: “Se eu soubesse que você não ia conseguir, eu ficava quietinha. Mas você pode, você vai conseguir! Então, vai que você…”. E assim, fora a Patrícia, a Natura, às vezes, faz a gente perceber que eles sabem que a gente existe, eles sempre estão incentivando, né? Então, você acaba criando ânimo, né? Criando vontade para conseguir. Eu queria tanto já ganhar um trofeuzinho daquele. (risos) Mas você tem que estar em terceiro lugar, né? Tá pertinho, mas é que vocês não sabem a pontuação das três primeiras, né? (risos) Às vezes, eu fico: “Ai...”. Falo para minha promotora: “... vou desistir esse ano”. Ela fala: “Pelo amor de Deus, o que é isso? Há menos de seis meses atrás você estava em quase quarenta e agora você está aí, não chora à toa, né?”.

 

P/1 – Vocês tiveram uma conversa quando você estava por volta dessas quarenta mais, né? Você estava numa fase ruim da sua vida.

 

R – Bem, bem triste, com problema.

 

P/1 – Você pode falar um pouco disso?

 

R – Ah, eu estava com problemas pessoais, né? Meu pai estava muito doente com um tumor, minha filhinha mais velha também com problema, não tanto de saúde, né? Mas ela tinha um problema e eu fiquei muito triste. Nem comer mais eu queria, emagreci muito, fiquei muito mal, mal. Eu continuava, eu não fiquei inativa na Natura porque os clientes me procuravam, mas eu já tinha perdido, assim, bastante ânimo. Eu estava vendendo por vender. Até que a Patrícia ligou, sem saber dos meus problemas, nenhum, porque ela dá toda atenção, mas não tem como ficar ligando para mim especial e falar: “Como você está?”. Não dá assim, né? Na reunião, a gente sempre acaba se encontrando. Eu não ia mais nas reuniões e ela me ligou e falou: “Vem aqui que eu preciso de você!”. Eu falei: “Ai, agora eu não posso”. Não estava fazendo nada, mas não tinha ânimo. Ela falou: “Vem aqui, é só um minutinho, por favor?”. Aí, eu fui, ela tinha a rede Natura gravando para passar e disso eu acabei, ah, disso, quando a gente foi gravar na fábrica eu acabei conhecendo outras duas consultoras. Uma delas contou um problema bem pessoal, bem assim, que depois que ela me contou eu cheguei em casa, eu chorei naquele dia e pedi até desculpas, falei: “Meu Deus, me desculpa porque quanto eu estou sendo egoísta, né? Eu não tenho o que reclamar da minha vida”. E acabei depois, isso foi quase no final do ano, quando foi na festa de destaque, porque nesses três meses que a Patrícia, uma palavra que ela me disse, que eu podia, e sem perceber ela conseguiu me fazer voltar, né? E consegui. Comecei a vender e consegui ser chamada para festa de destaque. Ela me ligou depois disso, me ligou e falou assim: “Prepara o vestido que você vai para festa de destaque!”. Aí eu falei: “Não acredito!”. Ela falou: “É, vamos lá!”. Aí, mais uma vez, viajando conheci uma outra consultora com problema também e então eu acho sempre, eu disse para ela, estava no Natal: “Olha, você não sabe o quanto você e a Natura foram importantes pra mim”, né? Porque, sem querer, me fez conhecer pessoas indo até a Natura, né? Dentro da Natura me fez conhecer pessoas e ver o tanto que eu estava sendo egoísta, tanto que a gente pode, até onde a gente pode ir, eu podia fazer muito mais do que eu achava que podia fazer. E agora, assim, eu só penso longe, né? Então, cada coisa que a Natura oferece, eu estou fazendo curso, eu não fazia mais. Tinha bem uns quatro anos que eu não me interessava por muita coisa, né? Estava, assim, sempre tive, eu sempre falo, né? Para qualquer um que pedia que eu sempre tive muito orgulho de vender Natura. Gosto muito, eu falo que independente da profissão que eu venha seguir, consultora Natura. Eu quero o meu objetivo, agora, é ser empreendedora, né? Um degrauzinho ali a mais que uma consultora. E mais, assim, estar sempre no mundo Natura que é mais que só uma vitrine. Às vezes as pessoas olham, veem aqueles produtos que: “Ai, cosmético não vai ter!”. Mas não é só, é muito mais que isso. Se cada uma conseguisse perceber, ia ver que é bem legal.

 

P/1 – Bacana! É, nossa, fiquei até assim com o que ela falou. (risos) É, quando você deixou seu emprego, quando você deixou seu emprego e ficou só com a Natura? E por quê?

 

R – Ah, quando eu fiquei grávida e daí estava tudo certinho, arrumei até uma moça do meu conhecimento, uma amiga minha para ficar no meu lugar, nos meus quatro meses de licença, para eu não ter risco de perder meu emprego. Aí, quando estava acabando a licença eu percebi que eu ia ter que fazer uma troca, ou cuidar da minha filha ou voltar para o emprego. Então, era o pessoal ou o profissional, um dos dois, né? Então, eu escolhi ela, mas eu só escolhi ela porque eu me apoiei e me segurei na Natura. Porque se não tivesse a Natura também, no meio, eu não sei se eu conseguiria, né? Ter me desfeito, por medo até, né? Você com uma criança, né? Mais uma, mais, mais gastos, mais necessidades. Aí, como tinha Natura, por mais que eu vendia pouco, tinha aquele pouquinho, né? E não precisava depender muito, né? Então, aí, eu falei: “Agora, vamos pegar firme!”. Mas aí, quando eu já estava começando, eu fiquei com os clientes de lá, que com o tempo vai perdendo mas ganhando outros, né? Mas quando eu falei assim: “Agora pronto, agora vamos”, né?, “Agora vamos deslanchar na Natura!”. Aí eu fiquei esperando a outra. (risos) Mas foi porque eu quis, né? Porque a pequenininha estava muito sozinha, e eu fui muito sozinha, eu não queria que ela ficasse como eu. Aí, agora que ela tem dois aninhos, eu falei: “Sem deixar vocês de lado, né? Mas quero ir me, me cuidar mais da Natura, né?”. 

 

P/1 – Ô Lilian, e como que, elas têm umas coisas bem engraçadinhas que você estava contando para gente, né? E que MeM, como é que é?

 

R – É, a gente fala porque quando eu vou entregar Natura para os clientes, eu vou com a minha bolsa, né? Vou com o pedido, mas vou com a minha bolsa com os produtos, né? Aí, elas também levam as bolsinhas delas, aí elas falam que elas são as “MeM”, “Mini Modelinhos”. (risos) Elas falam assim: “A mãe vende Natura e nós vamos atrás vendendo ______________________________________________________. Porque foi o pessoal que falou assim: “Ai, lá vem ela, quando ela vem com aquela sacola se prepara, se prepara que o seu salário fica com ela!”. Daí elas vão atrás. Chega dia de reunião, que eu chego em casa com o meu envelope, com a vitrine: “Eu quero esse, eu quero aquele, eu quero um batom.... “. (imitação de voz infantil) E não sai de casa sem o creme e o batom..

 

P/1 – E elas falavam que você é perua?

 

R – É, ela fala que eu, porque eu não saio sem batom, aí, o pessoal fala assim: “Quanto batom! Você é uma perua”, né? Aí, eu falo assim pra ela: “Você não vai com esse batom, você está uma perua!”. “Eu, perua não, perua é você, eu sou peruazinha.” (risos) Aí, ela fala, eu falo: “Tira o seu batom!”. “ Não, tira o seu!”. (risos) Aí eu falo que nós somos as três peruazinhas.

 

P/1 – Que bacana!

 

P/2 – Qual a idade delas?

 

R – Uma tem cinco a outra tem dois.

 

P/2 – Os nomes?

 

R – Ana Beatriz e Brenda.

 

P/1 – Me fala uma coisa, você já falou dessa conquista toda, assim, mais do lado espiritual, né? Agora, você tem grandes conquistas também materiais. Eu queria que você falasse de como é que foi a compra do seu apartamento.

 

R – Ah, a Natura eu acho que nem sabe, né?

 

P/1 – É, aí que está, por isso que eu queria que você registrasse isso que eu achei muito bacana.

 

R – Porque é, para sair do aluguel, como não tinha como provar renda, aí, fui na Caixa e eles falaram assim: “Você tem uma opção: em fazer uma poupança imobiliária. Durante um ano você depositar uma quantia...” – que eles pediram para mim – “... direitinho, a gente te dá a carta, né?”. Aí, depositei, só que quando eles iam me liberar a carta, eu precisava de alguma, como que eu ia pagar aquilo? Aí, pela Internet, pelo site, sai o nosso, o que a gente vendeu e o nosso lucro, e eu imprimi aquilo. Demorou mais uns dias, eles ficaram meio assim, mas eles aceitaram o meu, o que eu vendia na Natura, que daria para mim, para eu pagar a prestação, né? A prestação. Aí, eu acho que a Natura nem sabe mas me ajudou, né? Se não fosse, se não tivesse de jeito nenhum como provar, não aceitariam.

 

P/1 – Porque você conseguiu comprovar renda?

 

R – Eu comprovei com, com meu, com a minha comissão da Natura.

 

P/1 – Lá do site?

 

R – Lá do site, que sai para gente, né? Você dá o seu código e sai tudo que você, os seus pedidos, os lucros previstos, tudo direitinho. Aí, eles aceitaram porque aparece de meses, né? Tem vezes que tem dez meses a, pra, pra trás. Então, é uma coisa, é tudo o que eu falo que eu sou uma coisa, não é puxa saco, né? Mas é porque é legal, né? Você pode comprar tudo com segurança, né? Então, eles são tudo perfeito, né? Tudo o que eu quiser saber tanto no site como pelo telefone, tudo rapidinho. Aí, depois disso comprei computador e minhas coisas que eu vou querendo comprar, tudo com a Natura, tudo com...

 

P/1 – Você coloca no caderno, tudo o que você quer comprar, como é que é isso?

 

R – Eu coloco no caderno, aí...

 

P/1 – Mas é objetivo: “ Nesse mês eu vou fazer isso e aquilo!”.

 

R – Não, é isso. Porque se eu não fizer isso, quando é que vai dar? Nunca, né? Se você for esperar quando for dar para você comprar, você não compra nunca. A gente que vive de salário, de renda, de qualquer tipo que tenha uma renda ali por mês, não dá. Não dá nunca. Então eu coloquei, falei para minhas, falei para minha promotora: “ Antes do fim do ano eu estou com o computador aqui! Com dinheiro da Natura, tá?”. Aí fui na marra, mas consegui, né? Mas é sempre assim, acho que a gente tem que fazer isso, né? E a Natura está sempre ali, né? Só basta, só basta nós, né? O que eles podem, eles oferecem, nós, passa para gente, né?

 

P/1 – Conta para gente.

 

[pausa]

 

P/1 – Bom Lilian, então, assim, você formou a sua clientela, tudo, né? Como é que você faz a entrega? Você vai a pé? Você vai de ônibus?

 

R – Perto eu tenho vários lugares, né? Tem cliente na Zona Leste, tenho cliente na Zona Norte, então, tanto eles quanto eu, a gente tenta se encontrar nos horários. Aí tem uns que até preferem no fim de semana, finais de semana porque de semana é corrido, tem que trabalhar. E, lá perto de casa, chegou a caixa, antes de chegar a caixa tem gente que fala assim: “Eu quero creme pra ontem!”. Então, eu tenho em casa, que a gente tem que ter um pequeno estoque, né? Para atender as emergências que a gente fala ou senão eles já querem para ontem. Eu vou correndo, mas a maioria mesmo, acho que a metade. Eles me ligam porque é quase todo dia, eu moro num lado bem comercial, então, eles falam: “Ai, hoje fulano está fazendo aniversário, ele têm tantos anos e o pacote você já sabe como a gente quer, né?”. Porque eles já sabem que eu adoro fazer pacote para presente. Então, eles falam assim: “Então, me arruma alguma coisa aí, mas assim, tem que ser da Natura, hein?”. Aí, porque eles falam assim: “Se é da Natura já estou sossegado, né?”. Quem, sabe, não gosta de receber e saber que é produto bom, né? “Então, eu desço correndo aí!” “Desce agora, desce tal hora!” E acabo montando mesmo os kits que eu falei, umas cestas, ins..., com Natura!”

 

P/1 – E você que faz a embalagem?

 

R – Eu que faço tudo, adoro fazer embalagem, eu e os meus celofanes, eu e minhas embalagens. E tudo, que nem, por exemplo, nesse ciclo você comprava o refil e ganhava um óleo. O refil que vem para o cliente eu coloco num papel, e coloco num saquinho bem bonitinho e ainda com o selinho: “Um presente pra você!”. Aí, coloco a cartinha, se não coloco sempre meu nome, né? Aí minhas notas eu faço no computador, que aí eu falo que comprei da Natura, né? Aí escrevo no final, o que vem na nota da Natura, aqueles: “ Em caso de troca, telefone da Natura....”; e aí coloco lá no final, chique, Consultora Natura: Lilian Mayumi, Consultora Natura, Setor Mackenzie. Aí o pessoal fala: “Ai que chique”, né? Quem é que não gosta, né? Se você vai, se você abre, se você abre uma sacola, eu falo que tem que ser a sacola da Natura também. Cada um tem um jeito de vender, eu adoro que seja na sacolinha da Natura, com o presentinho ali do lado e a notinha bonitinha, mas assim, bem no, quando eu fiz pedido Natura, cliente tal, tudo assim para eu saber que é tudo direitinho na Natura. E tem gente que pensa que é a Natura que manda para mim!

 

P/1 – Você que inventou.

 

R – Eu que faço. (risos)

 

P/1 – E essas cestas, esse celofanes, onde é que você compra? Você compra na 25 de Março?

 

R – Na 25 de Março.

 

P/1 – Você adora ir lá...

 

R – Lá para mim é o meu paraíso. (risos) Aí, eu compro as embalagens fechadas e fica lá, sempre de cento, né? Quando está quase acabando eu vou e reponho. Porque se eu chegar numa loja, em algum cliente, sem a sacolinha bonitinha, a notinha e o pacotinho lá, eles falam: “Você está doente, né?”. E tem gente, e é engraçado, né? Que a gente fala, que não são só as pessoas, é a gente mesmo, né? A gente gosta de produto, mas a embalagem, né?

 

P/1 – Conta muito.

 

R – Sempre, quem que a gente sai, às vezes, ele fala assim: “Ai, na hora do almoço você vem aqui? Você traz no meu serviço?”. Imagina, é só para deixar a sacolinha lá para falar que comprou, como está bonitinha, eles têm até gosto, né? De estar sempre comprando porque é, e eu falo que tem que estar o produto impecável, né? Porque tem gente que eu falo que eu quero morrer, porque acaba com a gente. Que nem tem consultor que fala: “Aí filha, compre pra me ajudar?”; aí, o cliente dá o produto, fica olhando feio, olhando torto, né? Aí fica chato, não custa nada deixar ele num cantinho que não vai amassar, né? E uma sacolinha para as compras deles, né? É investimento para nós, não é da Natura. Aí, tem o outro que fala assim: “Ah, mas eles cobram a sacola!”; eu falo que tem que cobrar, sabe por quê? A gente não dá valor quando é de graça, não é verdade? Se eles dessem a sacola pra gente, a gente, é, não cuidava do jeito que e gente cuida porque tem que comprar e também por que não? Alguma coisa a gente tem que investir. A Natura dá tudo, entrega em casa, a nota vem pra gente pagar no banco mais próximo da gente, tem o nosso, tem a nossa comissão, o que mais que a gente quer, né? Então, tem um investimentozinho, a gente precisa fazer, né? (risos) Todo mundo faz...

 

P/1 – Então, além da embalagem, você ainda coloca na sacolinha para entregar, bem bonitinho?

 

R – É, tudo assim, para sair Natura, né? Tem que fazer a propaganda, porque como é que eu vou sair com um Chronos lá, dentro de, com a sacola de supermercado? Aí foi falar, né? Tem que ter, eu acho que tudo, é tudo um grupo, né? Você tem que, ele tem que estar completo, para estar perfeito. Perfeito nada é mas, vamos dizer que pode ser que as pessoas falem: “Perfeito nada vai ser!”; mas se a gente puder tentar, né?

 

P/1 – Do seu gosto pelo menos está, né? Do seu gosto pelo menos está.

 

R – Ah, e até hoje eu só agradei, né? Todo mundo sabe, por isso que as pessoas ligam e falam: “Preciso de um presente, manda uma colônia ou um hidratante para o corpo, tal...”. Porque eles sabem, falou para presente que, eles sabem que eu gosto, né? Agora na páscoa eu colocava os hidratantes para o corpo, sabe o que eu fiz? Uma embalagem de ovo de páscoa. (risos) Aí, eu falo assim, aí eu coloco que assim, né? Cartinha um mês antes, né? “Não dê só ovo nessa páscoa”, né? “Dê um presente diferente!”. E colocava, coloquei o papel de seda, celofane e fazia fitinha igual ovo de páscoa.

 

P/1 – Ai, gente!

 

R – E o selinho escrito: “Feliz Páscoa!”. (risos)

 

P/2 – Que cartinha é essa que você faz para eles? Para os seus clientes?

 

R – Ah, quando vem, quando vai mudar a vitrine, aí eu faço. Aí, eu faço a minha apresentação: “ Oi, tudo bem?”. Aí, coloco o que vai ter de novidade no ciclo e invento as minhas promoções, né? E eles acostumam e eu mando junto na, ou grampeado ou dentro do envelope, depende. Quando vai para uma empresa que são muitas pessoas que vão olhar, eu grampeio na capa da vitrine. Quando é já, já pessoas nas residências que eu mando, eu mando uma cartinha mesmo. Mas eu coloco debaixo da porta, só quando é mais longe que eu mando pelo correio, né? E pessoas, e se eu esqueço às vezes de um, ele me liga e fala: “O que aconteceu? Você está de férias?”. (risos)

 

P/1 – E os brindes que você faz...

 

R – A Natura tem uns assim, eles chamam de promoção para o consumidor final, né? E tem a promoção para nós, então, é uma opção nossa. Eu falo que a maioria não fica para mim, eu repasso, porque os outros falam assim: “Você está perdendo trinta reais, você está perdendo dez reais!”. Eu não estou perdendo, eu estou ganhando meu cliente fixo, né? Eu acabo agradando, né? O cliente, eu, às vezes, tem cliente que me compra num período, por mês, duzentos, trezentos reais. Aí eu me sinto até na obrigação de agradar, né? Então o que vem para mim e para ele, eu capricho lá na embalagem, fica todo feliz e fala: “Pra mim?”. Mas já fica esperando. Tem uns que falam: “O que que eu vou ganhar esse mês?”. (risos) Aí, e a maioria dos meus clientes eu consegui assim, porque tem muitas consultoras que destacam o que vem, é opcional, né? Mas elas tiram as promoções, então, acaba ficando para elas, para elas ganhar, mas são aquelas que eu falo que você fica três meses sem ver a cara do cliente, né? Aí, você dando opção, ganha os dois. Eu falo que ganha nós dois porque eu não perco!

 

P/1 – Fantástico. E falando em embalagem, o que que você acha da Natura trabalhar com refil?

 

R – Ah, é ótimo, né? Bastante cliente prefere, né? Porque você compra, que nem o Chronos, mesmo. Você compra o Chronos, você está lá com a embalagem novinha, não tem necessidade, né? E o preço também reduz, às vezes, que nem o Chronos, reduz quase uns dez reais, reduz uns nove e pouquinho de diferença do refil para o regular, né? Então, vende bastante, as pessoas trocam mesmo quando já está ficando meio...

 

P/1 – O pote está caindo. (risos)

 

R – Apesar de quando é cliente bom mesmo, eu nem espero isso acontecer, eu falo assim: “Olha, já tem quatro, cinco meses que você está com aquele, a mesma embalagem!”. Aí, eu aproveito porque eles têm a promoção, eu falo: “Olha, a promoção desse mês!”. Porque tem muita promoção, você compra o regular pelo preço de refil!. Porque tem muita promoção assim. Então, a gente está sempre, né? Mas na hora que eu vou fazer pedido, eu paro, os outros falam assim: “Mas como você demora aí!”; eu falo que tem que bolar, né? Tem que estar sempre lembrando de alguém, porque tem gente que liga e fala: “Acabou agora! Traz!”. “Ai, eu não tenho aqui.” “Então eu vou comprar de outra!”. Então...

 

P/1 – E eles compram mesmo!

 

R – Então, quem eu já sei que é cricri, eu já deixo lá separado em casa, porque eu falo: “Já deve estar acabando!”. Que nem, tem um senhor chato, chato, chato. Bem assim, e ele faz isso de propósito, quando acaba, ele fala: “Acabou meu creme agora, traz agora!”. Aí, um dia eu falei assim: “ Eu não tenho!”. “Ah, então não vou comprar de você!” (risos) Aí, quando ele liga, eu falo assim: “Estou descendo com o seu creme!”. E ele fala: “Então está bom!”. Ele dá risada. (risos)

 

P/1 – Aí, ele fica todo satisfeito, né?

 

R – Aí, ele fala: “Eu compro de você porque você tem paciência comigo!”. Mas ele tenta de toda forma, ver se eu desisto dele, mas eu falo: “Ai, eu vou te cansar primeiro!”. (risos)

 

P/1 – Ô Lilian, e onde esse estoquezinho que você tem na sua casa, onde que fica lá na sua casa? É uma prateleira? É um quarto? É o quê? Você tem um escritório lá? Como é que é?

 

R – Não, bem que eu queria, né? Mas eu não achei ainda um lugar na casa, né? Mas tem, eu arrumei no quarto, no quarto das meninas, que elas acabam dormindo comigo, né? Então, arrumei um cantinho que fica lá, lá tem as caixas, tudo bonitinho, né? E eu coloco sempre no computador, no papel, tudo o que eu tenho. Então, eu estou sempre, eu já sei o que tem lá.

 

P/1 – Você não precisa ficar abrindo as caixas.

 

R – É, aí ___________ ficar mexendo, eu já sei o que eu tenho, né? Estou sempre atualizando.

 

P/1 – Você faz baliza no Word? No Excel? O que que você, que programinha que você usa?

 

R – No Word mesmo.

 

P/1 – No Word.

 

R – É, não dá, é muito corrido, né? Quando, tenho duas meninas e ainda tenho que ser compatível até com o horário das empresas, tem gente que sai às três horas, tem gente que sai às duas, tem gente que sai às cinco, tem gente que sai às seis, então quando eu entro de um lado eu estou de outro. Eu falo na portaria lá de casa que ainda bem que não cobra para passar, porque se cobrasse, eu estava perdida. (risos) Estou pra cima e pra baixo, às vezes, eu faço entrega dez da noite, que a moça fala assim: “Ah, só chego em casa às dez da noite, dez e meia, você pode entregar?”. Eu falo: “ Posso!”. Vou falar que não?

 

P/1 – ____________ você entrega de carro com o seu marido, né?

 

R – Também.

 

P/1 – Os mais longe?

 

R – É, ou às vezes, dia de semana mesmo, mais para noite _________________ para pessoa depois do serviço, mas não importa de onde seja, eu vou até...

 

P/1 – Você tem algum causo engraçado? Assim, pitoresco? Tirando esse senhor que...

 

R – Ai, engraçado?

 

P/1 – É.

 

R – Engraçado não, mas essa que a pessoa fala que não vai usar, né? Aí, a gente acaba convencendo que é bom, porque é uma coisa assim, que não é que você vai oferecer e a pessoa... Não tem como. Se você acertar a pele mesmo, tanto que a gente faz o curso de pele, faz o curso justamente para não ter erro, né? Então, a gente sabe que o resultado vai ser bom, né? Mas o que tem mesmo, é cliente que nada está bom, sabe? (risos) “Ai, que eu não gostei desse shampoo!” Porque: “Ah, esse batom não ficou da cor que estava na revista!”, né? Aí, eu vou: “Não, tudo bem!” Às vezes eu tiro do meu bolso porque tem troca que Natura não faz, né? Mas para deixar feliz, né? Então, de engraçado...

 

P/1 – E você, o que que você mais gosta de usar da Natura?

 

R – Ah, tudo! Olha, a minha promotora fica brava, né? Mas, é, de vez em quando eu uso Chronos. Aí, tem ...

 

P/1 – Ela fica brava porque você usa o Chronos?

 

R – Porque não pode.

 

P/2 – Não pode, ela é muito novinha.

 

R – É, mas eu fui experimentar, ah, ficou tão firminho meu rosto que eu falei: “Ai _______________________”. Eu falei para ela: “Eu preciso usar isso!”. Ela falou: “Ah, mas não precisa agora!”.

 

P/1 – E você tem menos de trinta, né?

 

R – Menos de trinta. E o Chronos, mas é, sua pele fica tão gostosa que você não consegue ficar sem depois. Mas aí, eu uso a linha Faces, uso hidratante livre de óleo porque eu tenho problema com pele oleosa, aí, maquiagem nem se fala, né? Eu falo que é o meu terror; toda vez que eu posso, compro. Porque também a gente é, as consultoras é a vitrine, né? Aí, shampoo, tudo o que vai saindo a gente vai experimentando, né? Então eu tenho tudo.

 

P/1 – E de perfume, você gosta?

 

R – Ah, eu adoro. Eu sempre gostei, como a colônia, quando eu conheci a Natura foi com o Musk, né? Aí, depois tinha um que eu acho que assim, que saiu de linha mas eu não esqueço, que guardei uma amostrinha para de vez em quando eu ir lá cheirar ele que chamava Exsultate, né? Não faz mais parte da linha, mas hoje eu gosto do de pitanga que é delicioso, aí tem o Ilimitada, né? Ah, tem vários, né? Aí, vai do gosto, né? Então, não tem como você estar ali dentro e não usar tudo, né? Toda hora, você acaba experimentando, né?

 

P/1 – Bacana!

 

P/2 – Conta pra gente esse jantar que você foi?

 

R – Ah, o jantar, nossa! Eu falo para Patrícia que depois de um ano difícil – para minha promotora, ela me ligou e falou: “Vamos pra festa de destaque?”. E eu fiquei toda feliz, né? Saí contando para todo mundo: “Ah, vocês não acreditam, a consultora de vocês é chique, é destaque, uma dos destaques”, né? Aí, eu fui, um jantar lindo, maravilho e a gente fica se sentindo superimportante, é a nossa noite, né? Cada uma tem seu jeito, você recebe aquele jantar de destaque mas assim, é um enorme presente e a gente já começa o ciclo novo da..., para começar o ano já com a corda toda, para você querer ser destaque de novo, né? Eu acho legal não só pela festa, mas o reconhecimento, né? Porque a gente acaba falando assim: “Ah, eles nem sabem que gente existe, eles não estão nem aí pra gente...”. Tem umas consultora que fala, não, desde aqueles pequenos brochinhos que eles dão pra gente, né? Até as cartas que eles mandam de aniversário, Natal ou mais um ano que nós estamos juntos, é, bem significativo, é, bem importante para nós, né? Para todos nós, né?

 

P/1 – Você falou que teve um, quando você fez cinco anos agora você recebeu um...

 

R – É, vai fazer sete, quando eu fiz cinco eu ganhei a cartinha, eles falando que eles estavam felizes por nós trabalharmos juntos, né? E é legal essa forma que eles falam com a gente, porque eles conhecem realmente a gente e está, né? Passando, como se fosse uma amiga ligando e falando: “Ah, parabéns, feliz aniversário!”. E você fala: “Ai que bom, sabe que eu existo!”, né? E é legal, os outros falam assim: “Você vai até lá por causa de um broche?”. Ah, é maravilhoso você receber aquilo, eu deixo lá guardadinho, quando eu vou para alguma empresa assim, que eu vou com os produtos, eu vou com o meu brochinho da Natura.

 

P/1 – Cinco anos ele é de prata?

 

R – De prata, aí, de dez anos, falta daqui a três, é o de ouro e quinze é de diamantes. Só é ruim por causa da data, esses dias eu fui num curso de maquiagem, eu vi as meninas de dezoito, né? Aí, eu falava assim: “Eu queria voltar para os meus dezoito”. Aí eu falo: “Vou ficar triste porque quando eu entrei, eu entrei eu era uma das mais novas, tinha muita senhora. Agora eu falei, quando eu completar os meus quinze de Natura, quinze anos de Natura, não sei se vou ficar triste ou feliz!”. (risos) Tem que ter muito Chronos! (risos)

 

P/1 – Ah, qual é sonho que você tem para realizar, assim, o que que você quer?

 

R – Para mim? Olha, não sei se vai mudar, não sei se é porque eu sou tão, tão interessada na Natura, eu queria fazer não sei se ano que vem dá, mas ou no próximo então com certeza, eu queria fazer Pedagogia, tanto porque para ser promotora, para crescer na Natura precisa de um Curso Superior, né? E ah, é uma vontade eu falo que eu queria de manhã dar aula para criança e de tarde trabalhar com a Natura ou incorporar os dois juntos, mas é uma vontade hoje assim, não sei se vai mudar, né? É isso. Mas sempre pensando na Natura.

 

P/1 – Sem deixar a Natura.

 

R – É, eu falo que eu não consigo, teve um encontro que a gente fez que eu falei que eu não consigo mais viver sem a Natura, por mais que eu tente, siga outro caminho, uma coisa que não tenha profissionalmente nada a ver com a Natura, eu não consigo largar ela, como se fosse, virou, não sei se é uma amiga, uma coisa, às vezes, até mexe com o sentimento da gente essa coisa de Natura. Porque eles trabalham com tudo, não só com produtos, mas também com outras, com o lado social eles trabalham, eles trabalham muito, né?

 

P/1 – O que você acha desse lado social, meio ambiente, “Crer para ver”, o que você acha? O que é importante?

 

R – Eu acho bem legal, até mesmo para gente passar para os clientes para ele saber que, para eles mesmos perceberem, que nem eu falei, que a Natura é um mundo, não só de cosméticos, eles valorizam muitas coisas importantes que a gente esquece no nosso dia a dia. E uma coisa que as pessoas acabam esquecendo é o lado social, “Crer para ver”, né? E o ambiental. Então, nas reuniões todas, nos nossos encontros, eles mostram os dois para nós, tudo que você possa imaginar. Desde gestante, até as pessoas que, né? Tudo, meio ambiente eles fazem a gente, teve um legal, um setor que a gente, um lado da nossa, que todo mundo juntou latinha de refrigerante e falaram assim: “Vamos comprar uma cadeira de rodas para nossa consultora, né?!”; que precisava, que a filha era deficiente, sabe? Então a gente acaba se unindo, vendo o tanto que é importante ajudar pessoas. Porque na correria, às vezes não é nem por mal, a gente esquece. Então, todo encontro, a cada vinte e um dias eles lembram para gente dos dois lados tanto social quanto ambiental.

 

P/1 – E não só para clientela mas também para vocês...

 

R – Para nós, e na vitrine tem tudo isso, tem explicadinho, tem o “ Crer para ver”, tem _______________________ tanto a linha Ekos que é um destaque, né? Que a gente tem orgulho de falar, cuida bastante dessa parte ambiental, né? Então...

 

P/1 – Você vende bem a linha Ekos?

 

R – Ah, não tem como não vender, não tem quem não olhe, não se encante tanto para o visual, quanto para usar, é maravilhoso. (risos) Eu abro a caixa lá em casa, fica perfumadérrima. Esses dias, outro dia, meu pai falou assim para mim: “O que que você está vendendo?”. “Por que pai?” Eu estava ao telefone do lado dele e a moça falava assim: “De pitanga...”; e eu falando de pitanga, buriti, maracujá, andiroba. Aí ela falou assim, aí eu falei assim: “Ah, sua irmã gosta do creme de leite, né? Mas tem o mousse de maracujá...”. (risos) E o meu pai falou assim: “O que que você está vendendo? Você está vendendo coisa de comer, eles vão comer isso?”. Aí eu falei: “Não pai...”. “Então, é bem gostoso, não tem quem não goste.” E meu pai é todo assim: “Ah, não entendo vocês!” (risos). Aí eu falei: “Nem queira entender, senão você vai ficar sem o seu salário!”.

 

P/1 – E Lilian, me fala uma coisa, nesse tempo de Natura, da sua autoestima, da sua beleza, do seu orgulho, você era mais tímida, o que que mudou, o que que você?

 

R – Ah, eu era um moleque, maquiagem nem pensar, batonzinho nunca, né? Aí, depois, que nem do ano passado pra cá eu já fui ruiva, você vê porque do ano passado, tem tudo, shampoo faz você acabar com isso, né? E toda a aquela maquiagem, né? Está tudo na minha mão e eu não vou usar? Você passa um batom, não é um batom qualquer, sabe? É tudo muito, você usa e não vive sem, então acabou, eu falo que eu virei mocinha foi na Natura, porque eu era um moleque, né? Eu falava assim: “Para que que eu vou usar batom, essas mulheradas desse jeito e eu não vou passar de jeito nenhum. Perfume nem pensar, né?”. Eu falava assim: “Ah, essas mulheres passam com esse monte de perfume, Deus me livre!”. Agora eu estou lá em cima em casa, na rua já todo mundo fala. Teve uma que me mandou uma cartinha, um cartão de Natal escrito que, ela escreveu assim: “Eu já sei quando você está chegando, porque o seu perfume todo mundo sente”, né?. (risos) E tanto para autoestima e como pessoa me ajudou muito, né?

 

P/1 – Você é menos tímida?

 

R – Nossa! Eu era supertímida, eu não falava com ninguém, falava no telefone, ficava muda. Na reunião da Natura não tem como, é uma mulherada, a gente disputa quem vai falar primeiro. Duas já é difícil, imagina no dia de reunião que tem cinquenta, cem, né? A gente falta sair no tapa para ver quem fala primeiro. (risos)

 

P/1 – Ô Lilian, é, até a lente de contato verde que você usa, de onde veio essa ideia?

 

R – Ah, porque eu tinha que colocar, eu tinha que usar lente, então acabei colocando verde, aproveitei, né? Tinha as maquiagens para completar. Aí, já, foi o primeiro passo para _________, minha filha para ser perua, né? Ela fala: “Você passa demais!”. Eu falo: “Ana, não tem como, eu preciso de um lápis, eu preciso da máscara e de um batom!”. Mas eu vendo bastante assim, as pessoas, as mulheres, elas olham para mim e falam: “Ai, que máscara é essa?”. E todo dia eu uso um batom diferente, se eu não tenho para mim eu pego do mostruário e o perfume a mesma coisa, se eu já sei, se eu vou para um lugar e eu já sei mais ou menos o gosto da pessoa, aí já passo, porque eu falo: “Ela vai perguntar qual é esse!”. Aí já levo na bolsa o que eu estou usando. Se eu levar na bolsa a colônia “Ilimitada”, em uma bolsa eu levo ele.

 

P/1 – Você já vende.

 

R – É bom para os outros e para você também.

 

P/1 – É venda certa.

 

R – É venda certa.

 

P/1 – Olha!

 

R – Porque na vitrine, às vezes, a pessoa fala assim: “Ah, eu quero tanto esse creme, mas deixa para o mês que vem!”. Mas falou, fala: “Ai que tentação, meu Deus do céu, preciso tanto desse creme!”. Então eu falo: “Está aí”. E também a gente tem que trabalhar com condições de pagamento, né? Para comprar porque é difícil.

 

P/1 – Ah, eu queria que você falasse um pouquinho sobre isso.

 

R – No começo é difícil, tem consultora que quer matar a gente que dá trinta dias, né? Mas a gente não trabalhar com esses trinta dias ou em duas vezes e dar opção para o cliente, eles vão no shopping ou numa loja que aceita cartão ou um cheque pré-datado. Então, você tem que fazer um jogo de cintura e tem que conseguir, senão não tem jeito, os “à vista” é difícil, né? A pessoa...

 

P/1 – ______ que pede para esperar um pouquinho, o pagamento, essas coisas?

 

R – Em empresa eu vendo assim, dia quinze, dia trinta, dia cinco. Tem que trabalhar de acordo com o cliente, quando você trabalha com cliente bom que fala: “Quando eu posso pagar?”, eu falo: “Você que manda!” ________________ a data para eu marcar. Aí, o pessoal já acostumou, tem uns que nem perguntam, já colocam a data lá no cheque e eu não falo nada. Porque antes ter para receber, as pessoas falam assim: “Ah, eu vou ficar, tem consultora que prefere ficar com o produto lá em casa do que dar os trinta dias, às vezes está perto de chegar, se tivesse dado os trinta dias? O produto ficou lá, adiantou de quê? Tem que aprender a trabalhar com isso, aprender a dar uma girada no dinheiro, né?

 

P/1 – Você já levou algum calote assim?

 

R – Ai, tem um recente. (risos) Eu fui numa loja, numa empresa, aí ele comprou no dia 20 de dezembro para me pagar no dia cinco de janeiro e até agora.

 

P/1 – O cheque voltou....

 

R – Não, ele que saiu da firma só que eu sei onde ele mora, aí eu ligo para ele, eu liguei para ele ainda no sábado, eu falei: “Olha, fulano me desculpa mas se você está pensando que vai me vencer no cansaço, eu vou te vencer primeiro. Você vai morrer e eu vou estar lá na sua cova sentadinha falando: Me paga!”. (risos) Eu falei assim: “Não vou deixar pra lá, o produto não era muito bom? Você não fica sem ele?”. E ele: “Ah, tá bom, me dá um jeito de pagar, pelo amor de Deus!”. Mas assim, tem uns que dão uma canseira, é normal, a gente, eu já, às vezes, tem uns que, a gente é teimosa, a gente já vende sabendo que vai levar uma canseirinha básica! Tem uma amiga minha que a gente fala: “Ai, vou vender pra fulano!”. Aí, eu falo: “Ih! Arruma o dinheiro para o mês que vem que você já sabe!”.

 

P/1 – Ai, Deus! Lilian, o que é ser uma pessoa bonita para você? Uma pessoa é bonita por quê?

 

R – Por quê?

 

P/1 – O que que ela tem de diferente para você achar ela bonita?

 

R – Ah, ser humilde, tem que ser sincera e saber compartilhar. Porque eu acho que a Natura é um pouco disso, não sei se ela já percebeu porque eu nunca li nada disso, eu falo que Natura é compartilhar e ser uma pessoa, ser amiga, você saber estender a mão, né? Isso é uma pessoa bonita.

 

P/1 – E assim, é assim da mulher brasileira, né?

 

R – Agora, hoje em dia assim, é tudo tão diferente, todas nós somos diferentes então, que nem lá na Natura, você abre assim, tem a morena, a loira, tem a oriental, aí tem....

 

P/1 – Dá pra ficar ruiva, ficar loira...

 

R – É, eu sou meio doida, mas ah, pelo menos a Natura mostra a gente de um jeito bem legal, né? Mostra a beleza.

 

P/1 – E você, assim, o que a mulher brasileira tem de beleza? O que que você acha quando vê um moça que está passando ou alguém _________.

 

R – Tem um homem bonito!

 

P/1 – Ah, pode falar do homem também, por que não? Adorei essa!

 

R – Você está me comprometendo, já tive uma fama horrorosa, pode achar que eu sou homem. Não, a mulher bonita, que nem a minha maior, ela é moreninha, então a gente, ah tem vários tipos de beleza, né?

 

P/1 – Ainda tem esses traços puxados seus?

 

R – Tem, a gente, cada uma de nós tem uma beleza diferente. Mas a gente olha, a gente sabe quando que a mulher é brasileira mesmo, né? A gente tem uma beleza diferente.

 

P/1 – Nossa! Legal, e o homem? Já que você.... (risos)

 

R – Deixa eu ver o homem, se a gente gosta de homem está tudo bonito! (risos)

 

P/1 – Legal, você quer perguntar alguma coisa?

 

P/2 – Não.

 

P/1 – Tá, se você fosse dar uma dica para uma futura consultora, assim, alguém que quer começar na Natura agora, o que você falaria para ela?

 

R – Para pegar firme, que a Natura não é só aquela vitrine, aqueles produtos que tem lá. E é muito mais do que aquilo, é um mundo que ensina muita coisa pra gente, assim, se você levar ela a sério, ela ensina você a ser uma pessoa boa, você a gostar de se cuidar, né? Que eu falo que a Natura tem uma propaganda dela que eu acho bem verdadeira que é: “Bem estar bem”. Você acaba se sentindo bem com você porque você acaba se cuidando e você se sente melhor assim, né? E ser consultora é superlegal, você conhece pessoas diferentes, você conhece um mundo diferente e superbacana. Tem, eu não vivo mais sem a Natura.

 

P/1 – Bárbaro! Se você fosse fazer um retrato seu, se você fosse definir quem é a Lilian, o que que você falaria para gente?

 

R – Ah, eu, eu estou em período de transformação porque eu era muito tímida, acho que eu mesma não me conhecia, né? E hoje com ajuda da Natura, até mesmo sem querer para eles, porque eles nem sabem disso, mas eles me fizeram ver que eu posso fazer muito mais do que eu pensava fazer, que dentro da gente tem muito mais do que a gente conhece, como cada dia da gente a gente percebe. Mas, às vezes, a gente precisa de um empurrãozinho e daí eles me deram um empurrãozão.

 

P/1 – Legal! É a última pergunta agora, o que você acha de ter ficado esse tempo com gente, olhando para o seu passado, ter resgatado a sua trajetória e ter deixado isso registrado no Projeto Memória das Consultoras, como é que foi isso para você?

 

R – Ai, quando me ligaram eu achei superbacana, que é mais uma vez a Natura mostrando que eles sabem que a gente existe, né? Que a gente é importante para eles, né? É uma demonstração deles de reconhecimento e, aí, a gente fica toda, toda, né? Mais uma vez eles mexem com a vaidade e com os dois lados, né? Com o lado deles, com a proposta deles que é o comercial mas também deixando a gente com o lado pessoal bem feliz. Porque é junto, se a gente não está feliz na pessoa, como é que a gente trabalha? Então, eles conseguem juntar o você se sentir bem bonita e trabalhar legal com eles.

 

P/1 – E aqui você sente assim?

 

R – É, com eles eu sinto assim, bem à vontade, bem feliz. Às vezes eu estou triste e vou para reunião, vejo toda, eu abro aquela porta, vejo “Natura”, você fica maravilhada, né?

 

P/1 – Que bacana! Então, em nome do Museu da Pessoa a gente agradece essa visita.

 

R – Eu que agradeço.

 

P/1 – Olha, obrigada.

 

R – Eu que agradeço.

Ver Tudo PDF do Depoimento Completo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+