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História

Bater Feijão

Sinopse

 

Uma visão de criança sobre o árduo trabalho de meu avô e meus tios

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O meu avô tinha uma roça de feijão e milho, que cultivava para consumo próprio e também para vender. Possuía algumas cabeças de gado, uma boa quantidade de galinhas e ainda, alguns carneiros e ovelhas. Não me lembro de porcos, na roça de vovô. Haviam também, uns dois perus e umas poucas saqués ,mais conhecidas como, galinhas d'angola. A coisa mais gostosa era quando meus tios voltavam com o carro de boi abarrotado de vagens de feijão, e as amontoavam num canto no terreiro dos fundos da casa, da Laranjeira nova. Gostávamos de ficar subindo no monte e apostarmos qual de nós conseguiria pular mais alto. Vovô logo ameaçava umas palmadas e nos dava então uma espécie de vara, para que batêssemos com ela no montinho de feijão que dava a cada um de nós, até que os caroços se soltassem das vagens e assim mantinha-nos ocupados e vigiados sob seu olhar. Ir para o roçado em cima do carro de boi era uma diversão para nós crianças, as rodas do carro iam rangendo pela estrada, produzindo um som que se soltava no vento e ecoava ao longe, para mim, era canção de felicidade. O milharal verdinho, enfileirado, fazia a nossa alegria também, o cheiro do milho amarelinho perfumava a colheita que fazíamos com prazer e o estalar do quebrar das espigas enchia-nos de satisfação. E por falar em palmadas, a coisa mais engraçada acontecia durante as surras de toalha que meu avô aplicava em meus tios. Tudo por conta de zombarias que faziam quando vovó, lhes chamava à atenção por algum mal feito ou por lhe responderem com resmungos. Vovô pegava uma toalha de banho e retorcendo-a em suas mãos, dava com toda sua força nas costas dos zombeteiros, mas a parte de baixo da toalha sempre ficava solta, nem cócegas fazia e ao invés de corrigi-los, tudo virava ainda mais gozação. Todos saíam correndo e de longe ficavam imitando meu avô e sua toalha em ação. às vezes meu pai desaparecia e dias depois retornava, em um dia desses, ele retornou dirigindo um Jeep, foi a primeira e última vez que o vi dirigindo algo que não fosse seu cavalo. Da cancela, buzinou duas vezes, vovó saiu apressada para retirar do caminho os baldes e bacias de alumínio que estavam no caminho em que ele trafegaria, espantou algumas galinhas que insistiam em descansar por ali, mas não houve tempo, porque assim que alguém abriu-lhe a cancela, engatou a marcha e empreendeu velocidade sem esperar que todos os obstáculos pudessem ser retirados. Atropelou uma bacia da sua mãe sem dó nem piedade e ainda fez pouco caso do acontecido. Minha mãe, de lá da beira do lago aonde lavava toda a nossa roupa, batendo-a vez ou outra nas pedras para branquearem ainda mais, observava a cena indignada e dizia que meu pai não tinha jeito. Para finalizar o dia, colocava a roupa lavada na bacia e com a ajuda do nosso pajem, carregava-a até a Laranjeira velha, para serem estendidas nas cercas de arame que separavam as duas Laranjeiras. O sol entrava ali, em ação. Agora mamãe ia preparar as aulas do dia seguinte.

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