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História

Bar Vila Aurora, vice campeão culinário nacional

História de: Miriã Moreira
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 30/04/2021

Sinopse

Miriã conta sobre a cidade de Rio Preto e sua infância, além do comércio local. Avós maternos com ascendência italiana. Comidas típicas eram a polenta, minestra focaccia. Moravam no Parque Industrial. Avó e Bisavó parteiras. Conta sobre as viagens até SP de trem quando a sua mae ia comprar roupas no Brás para revender. Juliana Cinara é a sua sócia há 18 anos. Miriã já cantou MPB, samba e sertanejo ao vivo, além de ter tocado também em alguns lugares. Ambas tiveram uma distribuidora de carvão e um bar alternativo Enquanto Houver Lua. Venceram três categorias do Comida Di Buteco e hoje são vice campeãs nacionais do mesmo concurso.  

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História completa

          Meu nome é Miriã Moreira, nascida em 7 de abril de 1974, aqui em São José do Rio Preto. E tem a Juliana Cinara da Silva, minha sócia, companheira há 18 anos. Meu pai é Orlando Moreira, também nascido aqui em São José do Rio Preto, e minha mãe é Isonilda de Oliveira Moreira, também daqui.

          O meu pai foi um dos primeiros formandos do Senai aqui em São José do Rio Preto. Ele é mecânico, mas agora é aposentado. E a minha mãe era de uma criação muito mais rigorosa - o meu avô mandava em tudo. Então, quando os meus pais se conheceram, minha mãe era muito nova, e meu pai precisou roubá-la. Ele a roubou, mesmo. Foi embora com ela, e depois foram morar na casa dos pais dele, porque meu avô não permitia o namoro e tudo o mais. E estão juntos há 55 anos, casados.

          Eu não sabia o que eu queria ser, pois sempre me interessei por vários assuntos, várias disciplinas. Mas aí eu fiquei grávida aos 15 anos, e a minha vida mudou muito. Eu fui trabalhar na área comercial, como demonstradora, promotora de vendas. Aí fui mais pra essa área do merchandising e marketing e fui me desenvolvendo profissionalmente.

          A Juliana era minha vizinha, mas a gente ainda não se conhecia. Teve um período em que o Davi, meu filho, morou com o pai dele - e eu estava ali sozinha. Tinha um barzinho na esquina de casa, e eu cantava muito. Aí me chamaram pra ir lá e me apresentaram pra Ju. Assim que a gente se conheceu.

          Já o Vila Aurora veio bem depois. Nós estamos aqui há 11 anos, mas antes do Vila Aurora, eu e a Juliana tivemos uma distribuidora de carvão, porque caiu na nossa mão ali, uma oportunidade que veio, mas também não deu certo. Depois, eu fiquei um tempo numa distribuidora da Nestlé e conheci algumas pessoas. Foi quando eu vi que havia um nicho aberto, que estava precisando de alguém pra investir. Então nós fizemos um bar alternativo. Esse barzinho virou uma casa noturna, onde a gente já recebeu 1.200 pessoas numa noite.

          Ficamos cinco anos com essa casa noturna, chamada Enquanto Houver Lua. Aí a gente parou com o Lua por questões pessoais. Então nós compramos o Vila Aurora - ele já existia. Mas aí foi um tanto difícil, a gente foi passando, passando, e aprendemos muito com o Vila Aurora. Já há alguns anos isso tem mudado muito, mas bar nunca foi coisa pra mulher. A gente teve uma dificuldade grande, mas persistimos. Eu sempre dizia: “Um dia essas pessoas vão sentar aqui”. E elas sentaram em um lugar que é de comum aceitação. Por causa desse tipo de dificuldade é que eu comecei a seguir pra parte gastronômica e descobri que eu precisava me especializar nisso. Pois bar não é um lugar só pras pessoas beberem; ele tem que ter coisas boas pra comer, e assim você vai atingir todo tipo de público, um público mais diversificado.

          O primeiro Vila Aurora era a cinco quarteirões daqui. Era uma casinha, gostosinho, mas não era esse estilo aqui. Aí nós precisamos mudar, por conta de contrato de locação, e eu falei: “Eu preciso de um lugar que eu possa fazer a coisa do jeito que eu gostaria que fosse. Eu quero mostrar as garrafinhas, a decoração”. Aí entrei no salão, amei, e nós fizemos uma reforma, fizemos uma varanda, fizemos uma estrutura, que é esta que você está vendo aqui. Então, este é o segundo bar. A gente mudou pra cá há quase quatro anos.

          Mas nós tivemos uma história ali embaixo, pois a gente estava num local que, na época, era considerado uma Vila Madalena de Rio Preto. Mas só a gente não tinha movimento. Aí, em 2013, nós ganhamos em três categorias o Comida De Boteco. Era o segundo ano que a gente participava, e fizemos tudo muito certinho. O público começou a nos olhar com um olhar diferente.

          Na verdade, nosso público ficou de uma faixa etária mais madura, que vem pra comer, com cervejas diferenciadas e tudo o mais. Realmente, mudou um tanto. Tem a música ao vivo também, pois mesmo sendo restaurante, a música traz uma alegria, traz um público que gosta. O músico é parte do bar, do contexto. Ele é anfitrião.

          Estamos agora na pior fase da pandemia, não tem sido fácil. Mas a gente tem seguido uma história totalmente na contramão do que foi colocado pra nós. A gente vive num universo que era masculino, que é de bebida. Duas mulheres fizeram com que o bar fosse uma extensão da casa, com um prisma feminino, um ambiente feminino, de um cuidado feminino. Não estou criticando os homens, mas a gente tem um acolhimento diferente. Então, nós conseguimos entrar nesse universo e vencer todos os tabus.

          Essa é uma história de Rio Preto, pela visão de uma menina simples, que morou ali na Rua Visconde de Ouro Preto e que não teve oportunidade de estudar enquanto nova, mas teve um filho maravilhoso. Ela viveu essa experiência, mas ele ainda me traz muita força. E espero que as pessoas possam encontrar força, com todas essas perdas que elas têm sofrido, porque a gente sabe que a vida não acaba aqui!

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