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História

Bailes, Boxe e carnaval

História de: Orlando D'Agostinho
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 07/07/2010

Sinopse

Neste depoimento, Orlando D’Agostinho fala sobre sua infância e como trabalhou desde cedo. Conta sobre seu envolvimento nas atividades de seu bairro, como nos bailes, clubes e carnavais. Aborda também sobre sua família, em especial sobre seu filho que se mudou para os Estados Unidos e, sendo vítima de um tiro, se tornou cadeirante no Brasil.

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História completa

Me chamo Orlando D’Agostinho natural de São José do Rio Pardo. Nasci em 23 de dezembro de 42. Meus pais se chamavam Pedro D’agostinho e Catarina Parúçulo D’agostinho. O meu pai tem uma ascendência italiana. Vieram da Itália e começaram a trabalhar na roça numa fazenda em São José do Rio Pardo e se conheceram ali. Ela é brasileira. Meu pai era lavrador e, no final de semana, ele cortava cabelo dos trabalhadores ali da fazenda. 

 

Com os meus dois anos de idade, ele veio para São Paulo. Viemos morar na casa de um parente no bairro do Ipiranga. A primeira escola minha, logo nesse período de primário chegava em casa, eu poderia até brincar, mas eu também tinha que trabalhar um pouquinho. Eu comecei a trabalhar na época já em fábrica de lamparina, eu não sei se vocês sabem o que é isso. E fabriquinha de bala também próximo à residência. Lembro-me de uma ocasião, o primeiro pagamento que eu recebi a moeda eu lembro que foi 20 cruzeiros, isso 50 e poucos anos atrás e no meio do caminho brincando no meio do barro onde fui escorregando, acabei perdendo o dinheiro, o meu pai eu não lembro se me bateu, mas que devo ter sido repreendido, sim. Eu me lembro disso que perdi os 20 cruzeiros da época. 

 

Meu pai, ele me colocou no SENAI, onde lá eu fiz um primeiro passo ali no Brás na Rua Monsenhor Andrade se não me engano o nome da rua, eu fiz o curso vocacional. Nesse curso o meu pai, porque foi ele que me acompanhava na época, definiu que eu ia ser cortador de calçados, sapateiro. Eu fui transferido pro SENAI da Rua Oratório lá na Mooca, fiquei seis meses no SENAI e seis meses no meu primeiro emprego já com 12 anos de experiência, onde logo em seguida terminando o curso, eu fui efetivado na empresa com autorização do juizado de menores. E eu comecei a trabalhar com 13 anos de idade.      

 

Nessa época adolescente comecei a ir a bailinhos, comecei a praticar esportes lá no Belém halterofilismo, isso trabalhando em fábrica de calçados, até que uma dessas fábricas tinha uma academia de boxe, Clube de Boxe na Avenida Celso Garcia ao lado do Cine Roques. Eu cismei de entrar e praticar boxe e lá fiquei durante uns dois anos e pouco, três anos treinando boxe e adorei. É um esporte que disciplina o homem e te dá reflexo. Enfim disciplina o homem, porque há muito respeito entre os atletas.

 

A minha infância foi até os 15 anos mais ou menos, levado, depois você começa a montar a sua personalidade, eu me lembro que eu era operário de fábrica e saiu um anúncio de uma empresa pegando vendedores iniciantes pra vender assinaturas de jornal Shopping News, conhece esse jornal? É um jornal que acho que ainda é distribuído gratuitamente só que na época, isso nos anos 60, um pouquinho antes por aí, eles queriam cobrar uma mensalidade. Então lá vou eu pedir conta da empresa, porque no tempo que eu fui cortador de calçados, eu passei por umas cinco fábricas se aqui me pagava.

 

Outro fato também dessa época que eu participei bastante do carnaval da minha região, blocos carnavalescos. Se você entrou no blog, você deve ter visto lá umas três ou quatro fotos de bloco carnavalesco e o que é isso? Um grupo de amigos assim que faziam a fantasia de Tarzan. “Está bom”, então todo mundo fantasiava de Tarzan e vamos cantar aquela música do Tarzan, lembro-me que quando saiu aquela música Mamãe eu quero nós fizemos um bloco com todo mundo de chupeta e fraldinha

 

Eu me lembro de um fato curioso, essa empresa que eu fui vender a assinatura do jornal Shopping News, ela pegou um evento pra construir um estádio lá em Mogi Mirim, o estádio de Mogi Mirim e levou pra lá toda a sua equipe de vendas no qual nós fomos lá em 20 homens e vender o quê? Cadeira cativa no estádio de futebol que iam construir. Uns seis meses talvez que nós ficamos lá e aí fui vender ações, ações... Inclusive vendi ações da Cássio Muniz se lembra dessa loja? Já quebrou faz tempo. Esse cunhado meu que era vendedor de papelaria me convidou: “Você não quer vender material de escritório?” Elá fui eu e comecei a vender material de escritório. 

 

Fundamos um clube lá chamado Creasy Clube onde nós promovíamos baile todo final de semana e praticamente foi essa vida que marcou ali essa passagem durante esse período aí de alguns anos cinco ou sete anos ou um pouquinho mais talvez lutando boxe em 62, onde eu praticava isso e simultaneamente os bailinhos.    Eu peguei e comecei a vender tecido e ia muito pra São Bernardo do Campo vender rolos de tecidos pra móveis, eu vendi muito para aquela região lá, eu fiquei lá também se não me engano 12 anos vendendo pra essa empresa e em seguida me convidaram pra ser representante da Teka cama, mesa e banho.

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