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Avós deveriam ser eternos

História de: Daniella Campilongo
Autor: Daniella Campilongo
Publicado em: 09/06/2020

Sinopse

Lembranças do meu avô materno, que se foi deixando muita saudades em meu coração.

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História completa

Avós deveriam ser eternos Vou contar para vocês um pouquinho do meu avô materno Plinio Gatinoni, que nasceu em março de 1926 em São Paulo e faleceu em janeiro de 1994 em Minas Gerais. Quando ele era jovem e trabalhava em uma fábrica, ele perdeu três dedos da sua mão direita em uma máquina e ficou apenas com o polegar e o dedo mínimo/dedinho.Quando eu era criança, adorava receber sua visita. Ele tinha um Passat verde água que chamava muito atenção e me colocava para dirigir com ele em seu colo pelo quarteirão. Brincávamos de imitá-lo para comer e escrever, usando somente os dois dedos da mão. Era pura diversão! Uma vez meus pais foram viajar para a Itália e eu e meu irmão ficamos com meu avô e sua esposa. Como estávamos estudando, ele ficou em nossa casa e me lembro de todos os dias na parte da tarde, sair para caminhar pela rua. Nesses passeios nós observávamos as flores e os passarinhos.Quando ele ia me buscar na escola , não tinha um que não o conhecia por conta da sua simpatia e do seu passat verde. Que lembranças boas! Adorávamos quando íamos para sua casa, pois lá havia um porão, onde ele guardava seus acessórios de pesca. Ir até o porão era algo que não podia faltar e uma oportunidade para descobrir algo novo. Depois de muitos anos morando aqui em São Paulo, ele resolveu levar uma vida mais tranquila e escolheu Minas Gerais, mais precisamente São Sebastião da Bela Vista, para viver o resto da sua vida. Uma única vez que passei as férias de julho lá, fiquei uma semana e percebi a diferença da comida (que era feita no fogão à lenha), a manteiga e o queijo (que eram feitos em casa), e a calmaria da rotina. Em seu quintal havia muitas árvores frutíferas, como mexerica e mamão, que eu adorava pegar e comer. Quanta diferença desses de hoje em dia, cheio de agrotóxicos. Algo que eu achava bem estranho em sua casa, era o fato de não haver portão. Ou seja, a porta da sala dava direto para a rua. Uma outra lembrança que tenho é que quase todos os dias íamos pescar. Eu, sendo um pouco fresca, não colocava minhoca no anzol e nem tirava o peixe da vara, e esperava a sua ajuda para tal ação. Quantas lembranças boas que não voltam mais... Em uma certa noite houve um acidente na estrada que dava no fundo do quintal do meu avô. Ao ouvir o barulho, ele resolveu ver o que havia acontecido. Chegando lá, ele se deparou com um caminhão tombado na pista. Se aproximando do local, surgiu um carro em alta velocidade com um motorista alcoolizado e infelizmente acabou o atropelando. Injustamente, o infrator com muita influência na cidade acabou não sendo penalizado pelo ocorrido, mesmo nossa família recorrendo à justiça. Me lembro da dor que senti ao receber a notícia do seu falecimento e quão longa foi a espera de seu corpo vir para São Paulo e a rapidez do velório, com despedidas breves. E assim, meu vô foi para o céu, levando uma parte das nossas brincadeiras, passeios e histórias, mas a outra continua comigo e para sempre continuará em minha memória e meu coração. Penso que os avós não deveriam partir tão cedo, eles deveriam ir embora somente quando seus netos estivessem bem velhinhos também. Escrito por Daniella Campilongo, sua neta.

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