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História

"Avon é mãe, é avó"

História de: Manoel Vilani
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 26/06/2020

Sinopse

Infância na Bela Vista, em São Paulo. Trabalho ajudando o pai. Começou a trabalhar cedo. Técnico em Contabilidade. Ingresso na Avon. Auxiliar de contabilidade. Responsável pela contabilidade. Gerente. Viagens a trabalho. Casado, tem cinco filhos.

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História completa

P/1 – Seu Manoel, bom dia.

 

R – Bom dia.

 

P/1 – Eu gostaria que o senhor começasse falando o seu nome completo, o local e data de nascimento.

 

R – Tá. O meu nome é Manoel Vilani. Eu nasci no dia 12 de maio de 1938, em São Paulo. Aqui na Vila Madalena.

 

P/1 – E qual...

 

R – Na Vila Harmonia. Não sei se existe até...

 

P/1 – Existe sim. E qual é a sua atividade atual?

 

R – Eu, atualmente, estou aposentado, mas para não ficar na ociosidade eu ajudo a minha filha. Ela comprou um bufê faz dois anos, e eu ajudo na parte de administração, organização financeira. Tudo que for necessário.

 

P/1 – E qual é o nome dos seus pais?

 

R – Meu pai chamava-se Gaetano Vilani, e minha mãe, Helena Joane Vilani. 

 

P/1 – E qual era a atividade profissional deles?

 

R – O meu pai era pedreiro e minha era do lar, tomava conta dos filhos.

 

P/1 – E o senhor tem irmãos?

 

R – Tenho, tenho mais dois irmãos. Eu sou o mais velho. Tenho um três anos mais novo, e outro, seis anos mais novo do que eu. 

 

P/1 – E qual a origem da sua família? Vocês são daqui mesmo, de São Paulo?

 

R – Nós somos de São Paulo. Meus pais, por parte do meu pai, são vindos... A origem dos meus avós, são italianos, originários da (Guinópolis?). Não são mafiosos, mas são napolitanos. (risos) E da parte da minha mãe, só o meu avô que era italiano, a minha avó já era nascida no Brasil. 

 

P/1 – Vamos falar um pouco da sua infância. Onde o senhor morava?

 

R – Bom, como eu disse, eu nasci aqui na Vila Madalena. Com mais ou menos dois anos de idade eu mudei para a Bela Vista. E foi aí que eu me vi, que eu me criei. Naquele tempo era um bairro maravilhoso, era muito bom. E eu tive uma infância difícil, o meu pai pedreiro, trabalhando. Era duro, né? Mas foi bom. Isso me deu muita responsabilidade, me ajudou muito... Desculpa.

 

P/1 – Imagina.

 

R – Me ajudou muito e foi muito bom. Eu já com sete anos comecei a estudar, claro, a fazer o primário no Grupo Escolar Maria José, na Bela Vista. Tem até hoje essa escola. E à tarde... Eu estudava de manhã e à tarde eu ia ajudar meu pai. Era o servente de pedreiro dele.

 

P/1 – Ah, é?

 

R – Isso até uns dez anos, mais ou menos. Com dez anos eu... Meu pai era muito exigente, brigava muito, então eu arrumei um trabalhinho num empório para fazer entregas. Daí passei para uma farmácia. Com treze anos eu fui trabalhar pela primeira vez numa firma grande, uma loja de tecidos, cama e mesa, na Rua São Bento. Chamava-se Casa Forte. E também fazia entregas. Isso aí, treze anos nós tínhamos. Daí, com quatorze anos, eu passei já para ser office-boy em uma empresa na Avenida Duque de Caxias, (Heilan?), de office-boy. Aí fiquei mais ou menos um ano e pouco. Com quinze anos eu consegui um emprego de office-boy no Moinho Santista, no Largo do Café. Aí foi bom. Basicamente aí foi o início da minha carreira. Eu trabalhei como office-boy quatro ou cinco meses, depois eu passei a ser auxiliar de uma área que controlava as importações de farinha. Então era muito bacana, fazia o controle, mapas, essa coisa toda. Com dezesseis anos eu saí do Moinho Santista e, sem ter nenhum conhecimento de nada, eu fui ser supervisor numa área de Recursos Humanos. (risos) Eu não conhecia nada, mas já estava estudando Técnico em Contabilidade, já estava fazendo, então, aí, eu consegui ser o sub-contador dessa firma. Com dezoito anos eu saí dessa empresa, porque eu tinha que servir o Exército. E eu tinha... Minha única opção era: ou essa empresa me pagava o salário normalmente, certo, ou eu tinha que sair. Porque eu não tinha como fazer. E eu arrumei um emprego, eu fiz um concurso e passei no Departamento de Água e Esgotos, atual Sabesp hoje em dia, que era o DAE, né? E eu consegui me classificar, em vigésimo terceiro lugar, nesse concurso. Trabalhei dois anos como funcionário público. Daí não quis mais, porque não tinha nenhum... Você não via nenhum futuro naquela coisa. Então eu saí e comecei a trabalhar em empresas pequenas. Trabalhei no Yázigi, instituto de inglês, por vários anos como contador. Depois fui trabalhar numa firma metalúrgica em São Caetano, que também era pequena, horrível. E era muito difícil. Foi daí então que eu decidi procurar um emprego em Santo Amaro. Procurei a (Emo?), (risos) que tem aí o comprovante. Fui encaminhado para a Avon. E daí para a frente não tive mais problemas.

 

P/1 – Ai, que bom.

 

R – Não sei se eu falei tudo de uma vez, se vocês queriam um negócio mais pausado, desculpa.

 

P/1 – (risos) Vamos voltar um pouco.

 

R – Tá bom, você manda.

 

P/1 – Lá na sua infância, quais eram as suas brincadeiras preferidas?

 

R – Ah...

 

P/1 – Porque o senhor tinha irmãos, né?

 

R – Tinha, tinha. Aquele tempo a gente brincava muito na rua, não tinha problema. E eu morava na Rua Rocha, que em frente à minha casa tinha um campo de futebol. Então era uma maravilha, era futebol, bolinha de gude. Bolinha de gude, eu levei muitas surras por causa da bolinha de gude.

 

P/1 – Por quê?

 

R – Porque era uma calçada quebrada que tinha perto da onde eu morava, então a gente fez um campo de gude ali, né, os box. Ali jogávamos. Então sujava a mão de terra e passava na roupa, entrava com a roupa toda suja em casa. Não tinha como, eram uns tapas. Então foi realmente... Brincava na rua, jogava futebol, soltar pipa, que era tranquilo naquele tempo, certo? Esse foi...

 

P/1 – Como era o bairro, era tranquilo?

 

R – O bairro era uma maravilha, tranquilo. O bairro só ficava alvoroçado de dezembro até o Carnaval, que tinha a Vai-Vai ensaiando. Saía na rua toda noite, assim, e a gente acompanhava, andava atrás, fazendo aquela farra, aquela coisa. Era muito bacana assim, gostoso. O bairro era muito bom. Nós tínhamos um cinema, aliás, dois, que a gente fazia, de domingo, a matinê. Um era o Espéria, o outro era o Rex. Então todo domingo a gente ia para a matinê de um ou de outro. Se tinha mais dinheiro, ia no Rex, se tinha menos dinheiro, ia no Espéria, que era mais barato. É isso que a gente fazia.

 

P/1 – O senhor tem lembranças dessa época, marcantes?

 

R – É, assim, tudo me lembro, eu não tenho bem vivo na memória tudo o que nós fizemos, mas, assim, marcante, marcante? Olha, eu vivi uma coisa, uma vez nós estávamos num fim de tarde, jogando futebol na rua. E tinham minhas vizinhas, porque antigamente os vizinhos eram como pais para a gente, certo? Eles tomavam conta dos filhos dos vizinhos assim como os meus pais tomavam conta dos filhos dos outros vizinhos. E tinha uma vizinha que ela dizia para mim: "Não chuta bola alta que vai acertar o fio. Não chuta bola alta que vai acertar o fio." Imagina. Mas não deu outra, acertou, ih, saiu faísca para todo lado. (risos) Ficou, apagou a luz. Ela falou: "Tá vendo? Eu estou avisando." Então foi outra surra, mas é marcante isso. 

 

P/1 – Ela tinha razão.

 

R – Bastante razão. Uma outra coisa que é bastante marcante na minha infância, nós éramos três irmãos, então nós estávamos brincando, se algum fizesse alguma coisa, minha mãe batia nos três, que era para nenhum dar risada do outro. Não caçoar do outro. Então os três, às vezes, a gente estava longe, ela chamava: "Vem aqui." Pá. E batia nos três. Realmente era...

 

P/1 – Era uma educação mais severa, mais rígida.

 

R – Bastante severa. Do meu pai era bastante severa também. O meu pai não batia, mas era bastante severo, mas era bastante amigo.

 

P/1 – Isso que é importante, né? 

 

R – É.

 

P/1 – E aí o senhor foi para a escola, e era perto a escola?

 

R – A escola era perto. O Maria José estava assim como, sei lá, uns dois quilômetros da minha casa, dois, dois e meio quilômetros da minha casa. Então eu ia e voltava sozinho. Era uma maravilha. Muito bom.

 

P/1 – E na escola, o senhor tem lembranças dessa época da escola?

 

R – Na escola era bom. Eu me lembro, por exemplo, que nós tínhamos uma professora, dona Mirtes, ela era bem brava. Ela tinha um pedaço de pau assim, e ela dava umas pauladas nas costas da gente, mas batia. E o filho dela estava estudando. E uma vez eu briguei com o filho dela, nossa, os dois apanharam. Precisou a minha mãe ir lá conversar com ela, fazer... Isso foi coisa marcante. O resto foi a outra professora que eu tive. Quando eu terminei o quarto ano, eu não consegui fazer ginásio no ano seguinte por problema. Eu procurei um público, não foi possível, não tinha vaga. Então eu fiquei. Aí a escola que eu estava, que também era pública, a Maria José, fez o quinto ano. Tipo de uma admissão para você fazer. A gente fazia um exame para entrar. Foi aí, então, que eu fiz o quinto ano e tive uma professora que eu até tive vontade de trazer uma foto onde ela estava, porque realmente tenho uma recordação maravilhosa dessa senhora, dona Maria Estela, certo? Então foi uma época em que ela ensinou muito e eu aprendi muito nesse ano que nós tivemos. E que me ajudou daí para a frente com facilidade.

 

P/1 – E o senhor começou a trabalhar muito jovem, né?

 

R – Comecei.

 

P/1 – E depois o senhor fez Técnico de Contabilidade.

 

R – Fiz.

 

P/1 – O que é que levou o senhor a procurar essa área?

 

R – Porque eu estava na área, trabalhando na área. Então era mais fácil, certo? Na verdade, eu comecei, eu estava fazendo o ginásio, quando eu estava no Moinho Santista, um dos gerentes do Moinho Santista que trabalhava comigo, ele tinha um conhecimento muito grande no Colégio São Luiz, na Avenida Paulista. Então ele conseguiu para mim uma bolsa de estudos no Colégio São Luiz. Então eu fiz dois anos no Colégio São Luiz com ginásio. Mas eu vi que no ginásio, no final, eu não estava direcionado para aquilo que eu estava trabalhando, eu estava fazendo. Foi quando eu saí depois e fui trabalhar nessa empresa como encarregado da área de Recursos Humanos, certo? Então eu achei melhor eu passar para o Técnico de Contabilidade, já teria um diploma de contador. Foi isso que aconteceu. Então eu terminei essa parte do ginásio, fiz o Técnico de Contabilidade. 

 

P/1 – E aí o senhor chegou na Avon.

 

R – É, eu cheguei na Avon bem depois disso daí. Na verdade, foi uma época bastante difícil, a gente ganhava pouco, as empresas nem sempre pagavam. (risos) Além de ser pouco, você não recebia, atrasava muito. Morava em casa de aluguel, era difícil, não pagava aluguel. Por várias vezes batiam na minha porta lá e era muito desagradável. Eu já tinha dois filhos nessa época. Então eu falei: "Ó, vou procurar um emprego numa empresa grande." E em Santo Amaro, aquele tempo, era a área que tinha aquelas indústrias, laboratórios. E me encaminharam para a Avon. Quando eu cheguei na João Dias e olhei, porque só via aquela entradinha pequena, mais nada, eu falei: "Poxa, ainda não é isso daqui. Mas paciência, eu preciso trabalhar, eu vou entrar aqui e ver o que é que está acontecendo." Entrei, foi graças a Deus, foi a minha sorte. Aí eu consegui. E até foi engraçado, porque o meu exame médico, o Doutor Pérsio, que era o que fazia os exames, achou que eu devia operar a garganta, que eu tinha problema. E aí eu fui conversar com o Dionísio. O Dionísio era o entrevistador, o selecionador, né? E ele me disse: "Olha, então a gente não pode esperar, nós temos urgência." Eu falei: "Poxa, agora vou ficar mais uma vez sem emprego." Depois ele foi conversar com o médico, ele falou: "Não, então vamos deixar. Só fazemos alguma coisa se ele tiver algum problema, – como a Avon oferecia assistência médica – se ele tiver algum problema em dois anos, ele tem que pagar." Eu falei: "Tá bom. Eu aceito." Já fazem cinquenta, quase, anos, não tenho problema nenhum, graças a Deus. E foi o meu dia, aí entrei na Avon, trabalhando muito, muito, muito...

 

P/1 – E o senhor conhecia...

 

R – ...mas foi muito bom.

 

P/1 – ...a Avon antes disso?

 

R – Conhecia assim, superficialmente, de ver as senhoras que iam bater. Antigamente elas batiam muito mais na porta da gente do que hoje. Por incrível que pareça, uma quantidade muito menor, mas elas iam muito mais nas casas do que hoje, de maneira elas terem mais facilidade para vender. Então eu conhecia superficialmente. Tanto que eu cheguei em casa, eu até comentei com a minha esposa, eu falei: "Olha, eu peguei esse emprego, mas eu vou tentar procurar, eu vou trabalhar para sustentar. Mas eu vou procurar ganhar, achar outra coisa." Mas comecei a trabalhar, não tinha tempo de fazer nada. A gente fazia muita hora extra, trabalhava. Poxa, com as horas extras começou a compensar. Comecei a tirar um salário bem maior. Três meses depois eu tive um aumento, quase cinquenta por cento do que eu estava ganhando, uma coisa fabulosa. Então eu falei: "Poxa, é aqui mesmo." Aí eu parei.

 

P/1 – E como que foi essa sua trajetória dentro da empresa?

 

R – É, eu comecei como auxiliar de Contabilidade. Passado um tempo, me puseram para encarregado de Contas a Pagar, só Contas a Pagar. E logo em seguida, acho que em menos de um ano em seguida, eu já fiquei supervisor. Na verdade, eu não cheguei a ser supervisor nunca na Avon. De encarregado, eu passei... Um nome, me foge agora, eu seria mais que supervisor num ponto. Mas supervisor abrangendo várias áreas da Contabilidade.

 

P/1 – Gerente.

 

R – Já era, não, não era gerente. Menos que gerente, mais que supervisor. Só lembrar, se eu conseguir, um termo nesse intermédio. Então eu era o responsável pela Contabilidade, pelo Contas a Pagar, depois me passaram o setor Fiscal. Depois me passaram o setor de Custo. Depois me passaram o Orçamentos, aí fui. E aí, então, que eu fui promovido a gerente, quando eu peguei toda a área de Contabilidade, eles me promoveram a gerente.

 

P/1 – E como que era a sua rotina de trabalho?

 

R – Era dura. Sabe, era uma empresa que tinha um cronograma muito apertado de trabalho. Você imagina, naquele tempo nós já tínhamos mais de cem mil revendedoras quando eu entrei, em 67. Hoje tem oitocentas mil, novecentas, um milhão, sei lá, um monte. Mas nós tínhamos já um, só que não tinha micro, não tinha essa facilidade que existe hoje, certo? Então era trabalho feito manualmente. Então era realmente, não era só a minha área que tinha uma rotina dura, a empresa todinha tinha uma rotina bastante forte de trabalho. Mas era agradável trabalhar. Com toda essa pressão de serviço que tinha, era bastante agradável. Tinha um ambiente maravilhoso, o pessoal, muito gostoso mesmo. Era realmente, diziam que era uma família, e era uma família mesmo. Um se preocupava com o outro, tínhamos esse sentido. Então, realmente, nós trabalhávamos bastante, mas éramos felizes. Trabalhávamos tranquilos. Trabalhávamos muito sábado, muito domingo. Nós trabalhávamos bastante.

 

P/1 – E o senhor ficou sempre nessa área?

 

R – Sempre na área de Finanças, sempre. Em 82 eles aumentaram mais ainda e começaram a trabalhar com Uruguai, Paraguai. Então essa área de Finanças também era nossa responsabilidade. Depois veio a Bolívia também, era nossa...

 

P/1 – E o senhor viajava para esses países?

 

R – Viajava. Todo mês eu ia para esses países acompanhar fechamento, pegar número, etc. Fazer orçamento, né, a previsão de gastos, de receita, e acompanhar tudo o que eles tinham ________. Foi muito bom na época. Foi por isso que começaram a surgir as oportunidades. Em 83 eu fui convidado a trabalhar na Venezuela, três meses, para organizar o setor de Contas a Receber que estava com problema. O nosso, felizmente, funcionava muito bem, não só pelo trabalho da nossa equipe, mas também pelo que o banco, o sistema bancário, ajudava. Que nós conseguimos fazer um sistema junto com o Bradesco, fazer um sistema muito bom bancário. Foi a primeira empresa a emitir o boleto junto com a nota fiscal, para fazer pagamentos, essas coisas todas. Então era uma coisa muito importante. Isso ajudou a gente a ter conhecimento, por isso eles convidaram. Fiquei três meses na Venezuela. Terminei de fazer o trabalho, me chamaram em Nova Iorque, fui, ganhei um relógio de presente por ter ____, ganhei um relógio de presente. Foi um relógio muito bonito, foi muito bacana. Foi ____. Trabalhei, depois disso, também, com a minha ida para o Peru, em 95. Aí, para o Peru, já fui como diretor. Tem até uma carta que eu trouxe para vocês trabalharem.

 

P/1 – Quanto tempo o senhor ficou lá no Peru?

 

R – Eu fiquei no Peru três anos e meio. Aí terminou, foi...

 

P/1 – Como foi essa experiência para o senhor?

 

R – Foi maravilhosa. Foi espetacular. Eu só acho que algumas oportunidades, assim, primeiro, de consulta, por cima, surgiram antes, bem antes. Eu mesmo, na Venezuela, se eu estaria disposto a ficar. Mas como meus filhos eram pequenos, eu fiquei com medo de ir para lá e atrapalhar muito a vida deles, o desenvolvimento deles, estudos. Então você vê, essa fotografia que tem a família, de 82, eles já estavam nesse tamanho. Tinha uns já no ginásio, outros na escola, outros começando. Então eu falei: "Poxa, uma diversidade muito grande." Eu fiquei com medo que eles tivessem problema de acompanhar. Então eu não quis. Eu me arrependo de muitas poucas coisas na minha vida, mas uma dessas, não é que me arrependo, talvez eu pudesse ter aproveitado. Quando eu fui para o Peru, foi muito bom. A gente vai com um pensamento todo diferente. Chega lá, como é uma cultura totalmente diferente, é uma forma de vida impressionantemente diferente, ajuda muito no desenvolvimento da gente. Eu voltei de lá muito mais maduro. Eu era muito, muito duro, muito exigente, muito forte. Me chamavam até de Capitão Gancho aí na Avon, que eu era duro, (risos) dava bronca. O serviço tinha que sair, certo? Eu voltei de lá completamente diferente, já não tinha mais isso, certo? Isso me... Muita coisa me ensinou. Eu comecei a ver muita coisa, inclusive no sentido família, no sentido, assim, com meus filhos, com meus genros, com a minha nora. Já mudou muito, porque eu senti realmente o que é que é uma família, o que faz falta. Primeiro, a falta que me fazia a família. Porque a minha esposa me acompanhou, mas ela não aguentou ficar lá dois meses e meio. Dois meses e meio, ela veio embora. Eu fiquei sozinho. Eu falei: "Não, eu vou levar." Eu tinha um contrato de dois anos, eu falei: "Pelo menos dois anos eu vou ficar. Depois, eu não sei." Mas como continuou, eu fui ficando e foi muito bom. E foi uma experiência sensacional, muito boa. 

 

P/1 – O senhor comentou sobre a implementação do boleto.

 

R – Certo.

 

P/1 – Como que foi esse processo?

 

R – Nós, como todo esse imenso número de revendedoras, a gente tinha um problema muito sério. Tudo... Por exemplo, você sabe que na Avon, o sistema é: o primeiro pedido, ela não paga no ato do que faz. Ela vai pagar quando recebe o segundo pedido, ela paga o primeiro. Ela está sempre devendo um pedido. E ela, então, tem que comprovar que pagou o pedido anterior para poder receber o atual. E, naquele tempo, ela pagava para o transportador. E você imagine, tudo isso, todo esse dinheiro andando solto assim na mão do transportador. Ainda bem que não tinham tantos assaltos como tem hoje. Mas acontecia bastante problema, tinha muito problema. Prestação de contas atrasava muito. Esse dinheiro demorava, às vezes, oito, dez dias para chegar na empresa, era uma coisa. Então o que acontece? Nós começamos a conversar, o Ismael foi o pai desse negócio todo. Começou a conversar com o pessoal do Bradesco e nós desenvolvemos, então, um sistema de cobrança com boleto. Então o que acontece? A revendedora recebia o produto, a nota fiscal e o boleto. Ela podia pagar até o dia de receber o próximo pedido. E o comprovante era esse: ela entregava o comprovante pago para o transportador e nós, então, fazíamos o acerto de contas. E nós casávamos a prestação de contas do transportador com o que o banco informava ter recebido para fechar essas coisas. E era uma... Isso tudo, automatizado. Foi um... Eu fiquei mais ou menos uns três ou quatro meses trabalhando principalmente à noite nesse negócio. Porque durante o dia, tem a rotina. Então, quando era quatro e meia, cinco horas, eu começava esse trabalho de desenvolvimento e algumas pessoas me ajudando, evidentemente. E nós conseguimos. O Ismael, o pessoal do Bradesco colaborou muito. E nós conseguimos implementar isso no Brasil todo. Tanto que depois, no Peru, também nós implementamos, na Venezuela nós fizemos alguma coisa nesse sentido também. Tudo depende do que os bancos de cada país conseguem fazer. Mas nós fizemos bastante coisa. Foi um trabalho forte. Foi difícil, problemas, trocava fitas. Todos os dias o Bradesco enviava uma fita magnética que passava para saber tudo o que recebeu. Não era tão fácil como é hoje, tudo on-line, certo? (risos) Naquele tempo não tinha, então era um pouco mais difícil do que hoje, mas conseguimos fazer. Com problemas, mas nós conseguimos fazer.

 

P/1 – E quando o senhor voltou do Peru?

 

R – Bom, eu voltei do Peru, eu fiquei um tempo trabalhando num empreendimento aí, a Betaware. A Betaware é uma firma que vende artigos de plástico. É uma firma inglesa. A Avon, nos Estados Unidos, fez um acordo com eles de venderem. Na verdade, eles estavam tentando usar esse sistema que o Avon tem, de Lar Shopping. Mas a Avon, eu acho que de uma forma muito certa, não colocou isso no shopping, mas fez uma empresa para vender isso. Como a Betaware fez a mesma coisa. E eu fiquei aí no meio, mas era uma empresa que não tinha... Quer dizer, você imagine importar um copo de plástico. Ele chegava aqui, vamos supor, por cinco reais. Aqui no Brasil, você paga cinquenta centavos. Então não tinha condições. Então, realmente, ela fechou. Daí foi que eu parei. Isso foi em 2000. Aí foi que nós paramos. Noventa e nove, eu comecei em 2000, em março de 2000. Aí eu parei com a Avon. Terminou o casamento.

 

P/1 – Que o senhor se aposentou.

 

R – Não, eu já estava aposentado, isso. Em 93, não, mas aí eu fui, não, eu continuei trabalhando. Daí eu fui trabalhar numa firma de cosméticos, numa firma de uns indianos, Tristar, que tinha um ex-funcionário da Avon lá dirigindo essa empresa. Eu trabalhei três anos lá. Depois disso, o Ademar Seródio me chamou para trabalhar na Jafra. Na empresa dele, na Paulista, que tinha... Eu fiquei mais um ano e meio lá, mais ou menos. Dois anos, quase. Um ano e oito meses. Aí a Jafra encerrou os negócios aqui. Daí sim eu tentei fazer um negócio, eu, meu genro e o Xandó Batista. Não sei se vocês já ouviram falar do Xandó Batista, era o diretor de Materiais e Compras, foi gerente de vendas, uma pessoa... Ele faleceu quando trabalhava com a gente. Nós íamos fazer exatamente uma produção de produtos para o cabelo. Condicionador, xampu, tintura, uma série de coisas. Nós estávamos desenvolvendo. Estávamos bem adiantados, ele teve um problema de uma doença grave que não aguentou. E aí meu genro também tinha que cuidar da família, demorou muito esse negócio, ele é químico, foi trabalhar numa empresa na área de Marketing. Eu falei: "Sozinho é muito difícil cuidar." Foi aí que eu parei. E minha filha estava começando com esse negócio de bufê, eu fui ajudá-la no bufê. Graças a Deus, não parei até agora.

 

P/1 – É verdade. O senhor ficou quantos anos na Avon?

 

R – Somando o tempo de Brasil e Peru, 32. 

 

P/1 – Trinta e dois anos, né? E nesse seu período todo de Avon, quais foram seus principais desafios dentro da empresa?

 

R – Desafios foram bastantes. Sempre tentar acompanhar o desenvolvimento que tinha nos negócios, nas coisas. Porque é muito importante ir acompanhando essa parte de... Poxa, de computadores, certo, que nós temos que estar acompanhando. E ir trabalhando. Então nós fomos implementando, criando métodos, criando rotinas diferentes. Essa do boleto é uma, que é bastante grande. Mas tiveram outras. Nós fizemos a parte fiscal, estar acompanhando. Nós implementamos uma parte que no próprio faturamento já saíam os livros, que foi difícil conseguir essas coisas. Graças ao nosso advogado na área de Impostos, o Sayeg, que também já não está mais aí. Mas foi um batalhador nessa coisa, e conseguiu fazer com que o Estado desse a autorização para a gente fazer. Nós fomos também um dos primeiros. Nós éramos praticamente uma das únicas empresas que podiam micro filmar as notas fiscais. Porque o volume de nota fiscal nosso, você imagina. Já, ultimamente, quando eu estava saindo de lá, já era quatrocentas mil, mais ou menos, cada três semanas. Então dava aí quinhentas, seiscentas mil notas ou mais por mês. Já pensou arquivar uma cópia de tudo? É um volume violento. Nós conseguimos ter a microfilmagem, essa coisa toda. E ia ampliando. Tudo que saía de diferente, nós fazíamos, e acompanhando. Tinha... A gente, a Avon ajudava muito. A Avon proporcionava muitos cursos para a gente. Muito esclarecimento. Então isso ajudava a gente a pôr em prática o que a gente aprendia nesses cursos. Então isso foi... Fizemos bastante cursos. Sei lá, enumerar, é incrível. Mas foi um trabalho bastante grande. Agora, e pondo assim, exatamente, foi tudo moderno, tudo que ia desenvolver. Quando começou a desenvolver micros por aí, já começou a trabalhar, trabalhar on-line. O (Zuino?) ajudou muito: "Vamos fazer a... Trabalhar junto com o computador, puxar as informações. Não precisa mais ter relatório, não tem mais papel, vamos acabando." Quando nós tínhamos, por exemplo, uma área de... Nós fizemos, quando começou o _____, as empresas, empresas grandes entregavam todos os produtos em consignação. Então nós tivemos que fazer um sistema para controlar a consignação: o que era vendido, pagar, devolver. Isso cada campanha. Cada três semanas eu tinha que fazer um trabalho. E, se faz à mão, você não consegue. Então, realmente, nós tivemos que fazer sistemas, trabalhar em cima disso. A princípio, criando coisas novas. Sabe, sinceramente, a Avon, a área de Finanças do Brasil era considerada uma das melhores de todas as Avons do mundo. E por isso que nós éramos sempre convidados a ter, a ir para algum lugar fazer. Eu fiz apresentação nos Estados Unidos, sem falar inglês, (risos) nos Estados Unidos, de sistemas nossos e como nós controlávamos. Nós fazíamos a folha de pagamento toda controlada através de cartão de ponto automático, essa coisa toda. Já servia para o restaurante, descontar refeições, essa coisa toda. Então, realmente, a gente acompanhava o desenvolvimento da informática. Isso que ajudava bastante. A gente não ficou atrás nisso. Quer dizer, não era só eu, mas a equipe do (Zuíno?) foi ______, José Paulo trabalhou muito nisso. Tinha uma equipe muito boa.

 

P/1 – E as alegrias que o senhor guarda desse período?

 

R – Ah, foram muitas também. Eu acho que cada dia era um dia de alegria. Com todo o trabalho que nós tínhamos, às vezes com todo o estresse, aquela coisa toda, é um dia que tinha de alegria. São coisas bacanas. Por exemplo, a Avon ajudou eu a comprar a minha casa. Me ajudou muito a comprar a casa. Não dando dinheiro nem nada, mas me incentivando, fazendo, nisso eu tenho o Décio ______. Nunca me esqueço o dia que eu disse para ele: "Olha, eu vou ter que sair, porque eu preciso, porque eu fiz um acerto, comprei pelo BNH, evidentemente, mas foi o Banco Real quem financiou." E era uma agência, dos corretores que me venderam, tinha esses acertos, agência na Vila Maria. Então você perdia um dia para ir na Vila Maria e voltar. Apesar que não tinha trânsito, mas eu também não tinha carro. Ir até lá e voltar era dureza. Então eles... Eu falei: "Eu preciso sair, não sei, vou demorar, tal. Eu vou lá, vou assinar o contrato." Ele: "Uhuuu, que bom." Falei: "Pô, eu estou preocupado." "Não, paga isso com a maior tranquilidade." Ele, sabe, eu achei que foi, realmente... Eu não esqueço as palavras dele, exatamente, ele disse: "Não, fica sossegado, você vai pagar com a maior tranquilidade." E, realmente, foi tudo em função da Avon. A Avon reconhecia muito o trabalho que a gente fazia. Isso era muito importante. E havia um relacionamento bastante forte. A gente podia falar as coisas que sentia. Ouvia muito, mas também podia falar, não tinha problema. O relacionamento era desde o gerente geral até onde fosse. Não tinha esse negócio de... O Seu Bueno é uma pessoa maravilhosa, ele saía para pescar com a gente. O João Maggiori saía para pescar com a gente. Então são gerentes que… Jogavam futebol com a gente. Podia xingar eles no futebol. (risos) Não tinha problema, sabe, era muito bacana. Então não tinha esse... Então eu acho que isso, quer dizer, é uma alegria eterna. É evidente, tem dias que tem estresse. Casal, casais se amam aí, e de vez em quando se estranham. Isso acontece também, acontecia alguma vez. Mas em geral sempre, sempre o saldo era positivo, bastante positivo. Era gostoso, por exemplo, todo final de mês, quando nós terminávamos o... Nós tínhamos um diretor logo que eu entrei, ____ o (Dieter Waisser?), não sei se ele também está depondo. Mas, (Dieter Waisser?), que nós fazíamos um trabalho e nós tínhamos um mapa de distribuição de despesas, que era... Naquele tempo não tinha computador, eu ajudava, então, na mão, era um mapa enorme. Quase não cabia na mesa, você ia transferindo para o Centro de Custo, né, de Compras, do Controle de Qualidade, do Controle de Inventário, até chegar na Produção, que é onde absorvia todas as coisas, essa coisa toda. E era um trabalho grande. Então, quando nós terminávamos, era um plástico, nós enrolávamos, deixávamos em pé. Então ele sabia que estava tudo pronto, ele ia embora. Então ele não saía, ficava lá, se tinha alguma dúvida ou não. Ele ficava lá ajudando alguma coisa. Então ele ficava feliz. Ele via, ele não falava nada para ninguém, mas ele saía. Então a gente falava: "Aí, o (Waisser?) está indo embora." Então são coisas muito bacanas desse período aí. Realmente, era uma alegria, terminou tudo, é uma alegria. A gente saía para tomar cerveja.

 

P/1 – Então o relacionamento com os colegas de trabalho era bom?

 

R – Poxa vida, toda sexta-feira nós tínhamos, com certeza, o happy hour, que era muito bom. A gente saía, ia tomar cerveja.

 

P/1 – Ai, que bom, né? E o que o senhor acha, na sua opinião, que a Avon representava para os funcionários naquela época?

 

R – Olha, eu acho que representava... Naquela época, trabalhar numa empresa boa era difícil. Então eu acho que a Avon representava uma garantia. Quem estava lá tinha medo de perder o emprego, porque ele sabia, você recebia no dia certo, você era reconhecido. Você tinha um seguro saúde, naquele tempo, que era particular, era muito bom, atendia bem. Você tinha uma porção de coisas. E quanta coisa, para as próprias _______, quanta coisa que a Avon fazia, não só para o grupo de gerência ou supervisão, mas também os funcionários participavam. Todo ano tinha pelo menos três ou quatro festas na Avon. Fazia um baile fabuloso, certo, dos funcionários saírem. Eu me lembro quando começou, as festas eram num clube, era na Avenida Robert Kennedy. Mas era um lugar enorme. E todas as festas eram maravilhosas. Tinha comida e bebida que era uma coisa. Então tinha esportes, tinha as coisas. A Avon pensava nisso, em dar conforto para o funcionário. E ajudava, tinha uma parte de assistência social que era bastante importante. Quantos funcionários se recuperaram de problemas sérios, foram ajudados em problemas sérios, a gente sabe disso tudo. Isso eu digo, eram acompanhados. Eu tive uma funcionária que faleceu de AIDS, ela teve um acompanhamento espetacular esse tempo todo. Foi um negócio incrível. Então, sabe, era uma empresa que, realmente, o funcionário sentia que estava protegido. Ele sentia que tinha segurança. É evidente, se exigia muito, se trabalhava muito. Às vezes alguns reclamavam. A gente era obrigado às vezes a tirar alguns. Eu mesmo tirava muitos, porque, não, eu sempre achei o seguinte: não faz muito sentido, nós estamos em quatro aqui, eu estou trabalhando adoidado, você trabalha adoidado e ela não faz nada. Só porque é bonitinha, não faz nada. E ele lá, porque é exigente, quer que a mulher trabalha, não quer fazer nada também. Então olha aí, certo? Então realmente a gente não... Nós tínhamos, mas com tudo isso, era um empresa muito boa.

 

P/1 – Seu Manoel, o senhor lembra de algum caso engraçado que tenha acontecido lá na Avon com algum funcionário, em alguma festa, alguma coisa assim?

 

R – Engraçado? Poxa...

 

P/1 – Ou numa pescaria.

 

R – Poxa, assim, especialmente, não lembro.

 

P/1 – Não? Tá bom. Não tem problema. Vamos falar um pouquinho da sua família. Qual que é o seu estado civil?

 

R – Sou casado.

 

P/1 – E como que o senhor conheceu a sua esposa?

 

R – Eu conheci a minha esposa numa Parada de Sete de Setembro, na Avenida Nove de Julho. Antigamente tinha parada de desfile militar, isso aí. Eu a conheci lá, em setembro. Eu a conheci na parte da manhã num domingo. E à noite tinha a quermesse na Igreja Nossa Senhora Achiropita, na Rua Treze de Maio. Conversamos, tal. Na verdade, ela estava com uma amiga e eu estava com um amigo. O meu amigo conversou com quem é a minha esposa hoje e eu comecei a conversar com a amiga dela. Batemos um papo: "Ah, tá bom. Tchau." "Você vem?" Eu falei: "Bom, eu estou na quermesse lá, a gente vai lá." "Ah, na quermesse eu não vou." "Tá bom." Eu falei: "Eu vou, eu estou lá." Bom, chegou a noite, minha esposa foi lá, mas só que sem a amiga. (risos) Eu estava sem o amigo. E aí começamos a conversar, começamos a namorar. (risos)

 

P/1 – E qual que é o nome dela?

 

R – Eli.

 

P/1 – Eli.

 

R – Aí namoramos sete anos, quase oito anos, e aí casamos. E hoje fazem 46 anos, quase. 

 

P/1 – E o senhor tem filhos?

 

R – Eu tenho cinco filhos. Eu tenho um homem e quatro mulheres. O mais velho é homem, e são quatro mulheres. Tenho o Luís, que é o mais velho, depois a Mônica, depois eu tenho a Luciana, tenho a Elaine e a Daniela, que é a caçula. A Daniela é que é a dona do bufê que eu estou ajudando. 

 

P/1 – E o que é que o senhor gosta de fazer na sua hora de lazer, seu Manoel?

 

R – Ah, eu adoro pescar. Adoro. Gosto muito de pescar. Agora é uma coisa que eu gosto. Eu gostava muito de jogar futebol. Joguei futebol com toda certeza quase cinquenta anos. Então aí não estava dando mais, meus pés inchavam, então achei melhor parar. Então parei. Já era futebol de salão, mas precisava, aí parei. Então sempre que eu posso, eu vou num pesqueiro, ou... Eu pescava muito na represa. Eu tenho um terreno perto da represa no Riacho Grande. Nós temos uma casinha lá que tem um quarto e cozinha, negócio simples, mas é que é maravilhoso. Estava até contando para o Arnaldo, esse ar seco lá não existe. É no meio das árvores, essa coisa toda, é uma beleza. Então eu também, praticamente, toda semana, eu vou lá. Mesmo que meu carro fique imundo, porque dá não tempo de lavar. Porque é poeira, quando não é poeira, é barro, quando não é barro, é poeira. (risos) Mas está sempre, porque é terra. Mas eu gosto bastante de campo e de pesca, de rio. São as coisas bastante... E outra parte é ficar com a família. Eu tenho já hoje sete netos. E se eu trabalhei muito na época que meus filhos eram pequenos, que às vezes chegava sempre tarde em casa, não tinha tanta chance de conversar, hoje eu faço isso com meus netos. Eu tenho um neto hoje que toda manhã ele senta no meu colo para tomar café comigo. Ele chega, que a mãe deixa em casa, ele vem, senta lá, café comigo. Então isso aí é gostoso. Então eu gosto de curtir.

 

P/1 – E o senhor leva eles para pescar também?

 

R – Às vezes. Os maiores já levei, mas quase caíram na água, tive que agarrar. Sabe, criança na beira de represa, na beira, na represa, dá para levar. Mas quando vamos em rio ou pesqueiro, eu não gosto de levar, porque eles não param. Então eu tenho medo. Eu já tive que agarrar um.

 

(interrupção)

 

R – Minha vida é um livro aberto, pode perguntar.

 

P/1 – Vamos retornar, seu Manoel. Vamos falar mais um pouco da Avon. Na sua opinião, o que é que a Avon representa para a venda direta no Brasil?

 

R – Ah, a Avon foi pioneira no sistema de venda direta, certo? Eu acho que hoje ela representa... Olha, eu vivi cenas impressionantes de revendedoras quando chegavam na Avon contando o que elas conseguiam com o que ganhavam na Avon. Você vê famílias, senhoras que mantinham a família, ela vinha: "Olha, comprei minha geladeira, comprei minha televisão, comprei meu..." É impressionante o que ela tinha e o carinho que elas tinham pela Avon, têm pela Avon. Acho que até hoje continua, não deve ter mudado. De querer conhecer. Teve uma que queria a todo custo conhecer o João Maggiori, queria conhecer o João Maggiori. E eu estava num café com elas. Eu dizia para ela: "Não, mas se houver possibilidade, eu vou apresentar a senhora. Mas não podemos subir no escritório dele, que eu acho que ele deve estar em reunião, ocupado, aquela coisa toda." Demos uma sorte enorme que o João desceu para tomar um café. Aí eu fui, peguei o João, apresentei. Nossa, essa mulher chorava, abraçava, mesmo, sabe, uma coisa impressionante. Isso geral. E, realmente, o carinho que o nosso grupo de vendas também passa para as revendedoras é uma coisa muito grande. Nossas promotoras, nossas gerentes de vendas são direcionadas já para dar essa atenção especial. E elas têm uma atenção especial e merecem. Porque são elas que mantêm a empresa viva, sem dúvida nenhuma. Então eu acho que o sistema de vendas, de venda direta que a Avon foi pioneira, é um sistema espetacular. Hoje em dia ele está um pouco mais difícil aqui no Brasil devido a impostos. O governo só pensa em cobrar impostos, não analisa o benefício que isso está sendo para um milhão de senhoras, oitocentas mil senhoras que estão ganhando um dinheiro, ele não percebe. E outras empresas. Porque a verdade é que aquela senhora que vende Avon, com certeza, ela vende mais quatro ou cinco empresas pequenas que tenham. Porque é difícil manter as empresas num... Vive um tempo, some; vive outro tempo, some. Isso eu acompanhei quando eu estava tentando montar o negócio que nós estávamos. Eu visitava muito essas empresas e eu vi que elas têm dificuldade de se manter. E um sistema de vendas direta, a logística é muito complicada. (risos) Receber o pedido, processar o pedido, no dia certo estar entregando, seja aonde for. E eu vivi um problema seríssimo, no Peru. Porque no Peru não tem estradas como tem no Brasil, tem muito pouco. E quando chovia muito, eu tinha um problema e pouca estrada, às vezes nós tínhamos que pegar, fazer a coisa, as entregas, levando por mar até o Norte lá do país. Para de lá sair com um caminhão para fazer entrega. Era uma coisa impressionante. É a logística, é espetacular que tem ______. Por isso que é difícil. Eu acho que, hoje em dia, só a Natura mesmo que consegue a fazer alguma coisa e acompanhar bem o que a Avon está fazendo. Fora disso, não tem. Então a Avon é a mãe, é a avó, é tudo da venda direta.

 

P/1 – A Avon chegou implementando esse serviço diferenciado, e ela colocou um grande número de mulheres no mercado de trabalho. Como o senhor analisa esse fato?

 

R – Olha, eu acho que o que eu disse um pouco antes, mais ou menos, é isso daí. Eu acho que isso foi o que, as mulheres, essas senhoras, na verdade, que se dedicam a trabalhar, elas usam a parte do dia que elas têm algum tempo, alguma folga. O tempo que os filhos vão para a escola, o tempo que não tenha, então elas saem para fazer essas vendas. E o que elas conseguem ajuda tremendamente na manutenção da casa, na manutenção da família. Então eu acho que foi uma coisa muito importante para o desenvolvimento econômico dessa gente. Para melhorar a renda dessa gente. Então esse pessoal, hoje, melhorou de renda, e tem uma renda melhor em função desse sistema. Se a pessoa tivesse a obrigação de estar oito horas da manhã, trabalhar até às seis horas da tarde, talvez não iam conseguir isso nunca. Então é facilidade que tem delas fazerem. E, olha, eu vi os resultados, são realmente espetaculares. Isso eu vi, (risos) ninguém me contou, não. 

 

P/1 – E o senhor falou também da logística, né?

 

R – Da logística. É....

 

P/1 – A logística da Avon. Porque a Avon chega em vários pontos do país. 

 

R – Ela chega em todos os pontos do país. Eu não sei se… Eu não sou a pessoa certa para comentar movimento social, alguém da área de logística de transportes lá pode dizer. Mas, por exemplo, quando a gente no Amazonas, eu estive no Amapá, por exemplo, vendo, acompanhando um... Então, no Amazonas, não tem o rio lá? Quando tem a cheia do rio, ele sobe, e tem muita gente que vive, quando seca, que o rio baixa, eles fazem aquelas casas de palafitas enormes. Conforme vai enchendo, eles vão puxando a casa. Então os entregadores sabem exatamente o que estava aqui, onde é que está, onde que foi. É uma coisa sensacional isso daí, certo? Eles têm uma precisão de identificar, de acertar. O cara vai com a mercadoria, atravessa o rio num barco, certinho onde a pessoa está, para procurar. Olha, é, isso e aquilo que eu senti também no Peru. Nós fizemos transporte através do mar, através de... Para poder entregar. Porque o Peru, nós saímos de Lima, fomos para o Norte. Lá no Norte, descarregamos a mercadoria ____. Porque tinha chovido muito, tínhamos enchentes. Quando tem terremoto lá, que também fica uma semana ou mais, dez dias, quinze dias, tudo interrompido, essa coisa toda, não passa. Então tem que ser. Então é impressionante. Mas aqui no Brasil a Avon vai em todos os pontos. Todos, todos, todos. E no Norte é difícil, não é fácil. A gente vive aqui, que você fala: "Bom, vamos para Mato Grosso." Você pega aí uma estrada, daqui doze horas você está no Mato Grosso com a maior tranquilidade do mundo. Lá não é assim. Lá é fogo. As estradas também são muito difíceis, essas de terra. Mas tudo é cumprido no dia certo. Raramente, se vai atrasar, as senhoras são avisadas que vão receber com atraso. Então a logística, realmente, é espetacular. Essa logística eu acho que tem muito pouco que pode acompanhar. Do tamanho que é, né? Porque tem lojas pequenas só em São Paulo, isso aqui é fácil de fazer. Tanto que agora pararam os caminhões, ninguém consegue entregar mais.

 

P/1 – Pois é. Seu Manoel, a Avon, ela tem muitas ações sociais, né?

 

R – Tem. 

 

P/1 – O senhor pode falar um pouquinho disso?

 

R – Olha, a Avon é... Na verdade, hoje em dia, ela tem bastante, uma série de ações sociais. Mas no nosso tempo, nós tínhamos, na verdade... Ações sociais eram bastante direcionadas para os funcionários. Agora, uma das coisas que no meu tempo eu achava maravilhoso, a gente procura ajudar quem a gente pode. Mas eu acho que às vezes a gente erra. Você vê uma pessoa na rua pedindo esmola, aquela pessoa não quer trabalhar, vai pedir. Você não sabe, você não pode, às vezes dá dó de ver como eles falam, aquela coisa toda. Mas às vezes não vai. Então esse negócio: "Não dê esmola, mas dê cultura", é muito bom. Então eu me lembro que uma das coisas que a gente participava, o grupo nosso e eu participávamos, achava muito bonito, era todo final de ano nós adotarmos uma criança de um orfanato. E a gente saía, comprava uma roupa, um presente, bala. E nós nem íamos levar, a assistente social pegava e levava. Nós tínhamos certeza absoluta que estava sendo entregue para cada criança essas coisas. Então essa criança, pelo menos, tinha um, dois dias, uma semana, enquanto o brinquedo durasse, a roupa durasse, era felicidade, por essa coisa toda. Era uma das coisas muito bacanas. E essa era uma que a gente realmente ajudava. Eles ajudavam muito na _______. Por exemplo, na Paraíba a Avon, quando fez o depósito lá, ajudava numa escola. Então era a escola que tinha lá em Santa Rita, que era mantida em grande parte pela Avon. Então era realmente muito bacana. Depois, veio essa parte de combate ao câncer, essa ajuda das mulheres. As coisas, fazia, e hoje eu sei que eles estão fazendo muito mais coisas. Que a gente recebe o jornalzinho e vê. Então, realmente, eu acho que a Avon tem se preocupado. Eu acho que está certo, ela pode, tem condições, deve fazer uma coisa dessas.

 

P/1 – E na sua opinião, qual a importância da Avon para a história dos cosméticos?

 

R – Ah, eu acho também que é fundamental. Eu acho que a Avon chegou e... A gente vê casos, quando ia para... Nós tínhamos depósitos, eu tinha que viajar quase sempre também. Era para a Paraíba, em Santa Rita, fica a quarenta quilômetros de João Pessoa. E já é um lugar, naquele tempo que eu ia, 86, 87, acho que era isso daí, já era terrível. Então você via uma senhora na rua, mal vestida, via que não tinha. Descalça, mas com as unhas do pé e da mão pintadas. (risos) E era até... A gente falava: "Poxa, olha quem paga o nosso salário." Uma senhora que, você vê, naquela situação, e isso tem muito. Quando vinham as revendedoras, pode ver, elas fazem visitas constantes na Avon, a gente chegava, às vezes, com algumas, tomar café, fazia essas coisas, almoçava no refeitório. Então a gente sentia, realmente, que elas tinham facilidade. Quer dizer, a Avon propiciou, facilitou para essas pessoas adquirirem e usar os produtos. Que a revendedora ganhava as amostras, ganhava as coisas, ganhava uma coisa. Daí, ganhando dinheiro também, ela tinha condições de comprar. Ela tinha preço de trinta por cento mais barato. Então ela tinha condições de usar também. E devia favorecer quem vendesse também. Tem lugares que pessoas não usam determinadas coisas, porque eles não têm acesso, então a Avon propiciou esse acesso das pessoas aos produtos.

 

P/1 – E nesses seus anos todos de Avon, o Senhor lembra de algum fato marcante que o Senhor presenciou?

 

R – Não, esse que eu contei essa senhora aí, para mim, foi marcante. Eu não esqueço, porque realmente... E todos os que eu assisti nessas, nos eventos que se faziam, que participavam revendedoras, era uma coisa impressionante. Realmente, o carinho, o apego que elas tinham com a empresa. Elas, às vezes, a gente chamava a atenção, certo, que era mais do que os próprios funcionários. Era uma coisa impressionante. Então a gente também lutava muito por elas. É um fato interessante. Uma vez tinha um rapaz na área de Contas a Receber, porque às vezes elas pagavam alguma coisa a mais. Tinha, então, elas, e ele chegou, tinha uns cinco reais lá que ele falou: "Vou jogar isso para a receita." Eu falei: "Mas de quem que é isso aqui? É da revendedora?" Eu falei: "Então não é receita. Então você tem que devolver esse dinheiro para a revendedora." "É, mas são quatro e oitenta, cinco reais." Eu falei: "Mas com isso daí ela compra um pacote de arroz de cinco quilos." Ele falou: "Ocha, nossa, mas será?" Eu falei: "Claro que é." Mas não deu outra, não passou quinze dias, o João fez uma reunião com um grupo e ele não sabia que eu havia falado. E ele comentou exatamente isso, ele falou: "Olha..." Só que ele não falou cinco, falou dez. "...dez reais, a pessoa compra um pacote de arroz. Então é o que nós temos..." Foi um negócio que surgiu de ganhos, essa coisa toda. Então o supervisor da área, que tinha ouvido eu falar, falou: "Poxa, vocês combinaram?" Eu falei: "Não, nós não combinamos." Mas isso é uma verdade, então o dinheiro não é nosso, era da revendedora, tem que voltar para ela. Daí que a gente, então... O respeito que a Avon tem pela revendedora é muito grande, assim como o respeito que ela tem pela Avon é muito maior, é impressionante. Então são fatos assim, a gente verificou de revendedoras que é, certo? E, não sei, agora, e não sei se está relacionado assim diretamente aqui, mas, por exemplo, os funcionários da Avon no Peru. Quando eu cheguei no Peru, quinze dias depois que eu estava lá, a secretária, a que me designaram lá, fazia aniversário. Então: "Vamos almoçar num restaurante aí?" Ela: "Tá." Eles achavam que eu ia pagar o almoço. Eu falei: "Olha, mas eu não vou pagar o almoço. Se nós queremos ir, nós vamos. Chega lá, nós dividimos, nós rachamos." "Ah, tá bom, tá bom." "Então vamos no almoço." Então nós fomos, chegou lá, veio a conta, um restaurante simples, comemos. O nível de comida lá não é, _____. Então, quando nós fomos dividir, a maior parte não podia pagar, não tinha dinheiro. Eu falei: "Poxa..." Mas era uma quantia assim de sete, oito reais, mais ou menos, que deu para cada um, o cara não tinha para pagar. Eu falei: "Ô, que louco." Eu falei: "Então faz o seguinte, a bebida também eu pago e pago a minha parte e a bebida. Agora diminuiu um pouco para vocês pagarem." Aí não sei como eles fizeram lá, sentaram e nós pagamos. Mas eu fiquei com aquilo na cabeça. Aí eu comecei a acompanhar o que eles estavam fazendo. Aí que eu comecei a ver: o cara trazia marmita, gente do escritório, gente de... Trazia a marmitinha para comer, era arroz e batata. Só, mais nada. No dia seguinte, era arroz e um ovo. O outro dia era arroz e batata, que batata lá tem bastante e é barato. Arroz e batata. Eles não têm condições. Agora, a partir daí, então, eu acho que a Avon para eles representava também bastante. Porque vinha aquele salário, eles sustentavam praticamente toda a família. E não era alto o salário lá por causa da circunstância de mercado. Então era difícil, eles não tinham dinheiro. Você via pessoas assim que passavam necessidade de verdade para  comer. Então isso daí, poxa, pegou bastante. Sabe, calou muito. Aí foi que a gente foi mudando, vendo, para tentar encaminhar, melhorar as coisas de cada um lá. Foi muito bacana.

 

P/1 – Nessa sua jornada dentro da Avon, quais foram as lições de vida que o Senhor recebeu?

 

R – Ah, essa que eu acabei de falar foi uma lição de vida que nós tivemos, muito grande. E tiveram outras. Essa menina que faleceu de AIDS, poxa, também ela fez uma força para viver, violenta. Então também foi, eu acho que foi uma lição de vida. Que ela realmente vinha, ela queria trabalhar, doente, era uma coisa impressionante. Ela sentia: "Não, mas eu tento fazer." Eu falei: "Não, vai entrar..." Era uma lição de vida. Uma pessoa realmente... E tiveram muitos outros casos assim, de pessoas que realmente se dedicavam bastante para a empresa. Realmente isso, e foi, mas no Peru foi onde eu senti, realmente, a maior dificuldade pela pobreza do país, do local. Que deu para sentir o que é que aquele pessoal vivia, aquele pessoal fazia lá.

 

P/1 – E, seu Manoel, o que é que o Senhor acha da Avon estar resgatando a história da empresa através desse projeto?

 

R – Eu acho maravilhoso. Eu acho, sinceramente, que ultimamente a gente não ouve nem falar muito da Avon. Vê esses comerciais aí, alguma coisa no ar, assim, muito simples na televisão que não... Mas a gente não ouve mais falar da Avon, pessoas. Então eu acho que, realmente, a Avon precisa fazer isso. Porque, realmente, a história da Avon na ______, é muito bonita, é muito grande, é muito bonito e é importantíssima. A Avon, com tudo que ela está fazendo, com tudo que nós já conversamos de venda direta, de dar emprego para esse número incalculável de senhoras que tem aí, essa coisa toda, certo? Poxa, eu acho que ele tem uma presença marcante na economia brasileira, de desenvolvimento, de recolhimento de impostos. A Avon é uma empresa que todos os meses, pelo menos na minha época, é a nossa empresa a que mais recolhia impostos, normalmente ICMS, né? Que mais pagava impostos, e deve estar continuando. Agora está crescendo vai continuar a pagar bastante. Então tem uma representatividade muito grande na economia brasileira.

 

P/1 – E o que é que o senhor achou de ter participado desse projeto  através dessa entrevista?

 

R – Eu fiquei contente, muito contente. Eu peço desculpa, no primeiro dia que fizeram contato com a minha esposa, certo? É o seguinte, a gente recebe oito, dez telefonemas por dia: é imobiliária vendendo apartamento, é, ninguém vai fazer nada. Aí, quando ela me falou, eu falei: "Não, vamos saber o que é." Que nós procuramos, realmente, coitada, ela não fez de _______. Então, mas eu achei, eu fiquei muito contente. Por isso que eu estou com todo o prazer participando. Porque eu acho que é importante. Alguma coisa a gente está lembrando, está falando, porque ajuda a manter viva a Avon desde o começo e daqui muitos e muitos anos ainda continuar.

 

P/2 –  Tem mais alguma coisa que gostaria de contar para a gente que a gente não perguntou?

 

R – Poxa, acho que nós falamos bastante. Eu não sei.

 

P/1 – Falamos bastante sim. O senhor quer deixar uma mensagem?

 

R – Ah, bom, eu quero agradecer realmente podido ter participado da família Avon, do Grupo Avon, certo? Eu realmente, sinceramente, até hoje eu sinto bastante falta da Avon. Eu sonho muito que estou trabalhando. Eu sonho muito com os meus colegas. (risos) É incrível isso, mas eu sonho bastante com essa coisa toda, certo? Então eu acho que isto, mas são sonhos bons, são coisas bonitas. Eu não tenho coisas ruins a reclamar da Avon. Então eu quero agradecer a oportunidade de poder estar exprimindo o meu sentimento de agradecimento para toda a empresa. E esperar que eles continuem no desenvolvimento que estão.

 

P/1 – Tá certo, seu Manoel. Então, em nome da Avon e do Museu da Pessoa, nós agradecemos muito a sua entrevista.

 

R – Obrigado, eu também agradeço a atenção. Vocês foram muito gentis.



 


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