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Avesso do avesso

História de: Elisabeth Salmeirão Sanches
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 06/07/2020

Sinopse

Entrevista como reflexão. O centro que é da beleza arquitetônica, é o mesmo do cobertor atirado na calçada, do morador de rua, dos meninos que fazem de um clipe arma de assalto nas sinaleiras. Motorista que reage e arrasta o menino pelo asfalto. O avesso do avesso é a violência reproduzida. A obra de Tunga oferece elementos para perceber o inaparente do centro de São Paulo.

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História completa

P1: Por favor, se identifique: seu nome completo, local e data de nascimento.

     

 

R: Meu nome é Elisabeth Salmeirão Sanches. Nasci em Ourinhos -  S. P., em 9 de fevereiro de 1965. Moro próximo ao Centro, no Bairro de Campos Elísios, Rua Dr. Elias Chaves, 137, ap. 43.



P1: Ah! Não. Isso não precisava! Qual é o seu centro. Quais são limites geográfico do centro da cidade para você?

 

R: Limites geográficos seriam: a Praça da República, Praça da Sé, Anhangabaú, Luz.

 

P1: Onde você acha que começa e onde termina?

 

R: Acho que começa aqui perto da 25 de Março, sobe toda aquela parte do Parque D. Pedro, vai até a Praça da República, e .... Acho que é isso, até a Praça da República, passando pela da Sé, Praça João Mendes.



P1: Tem alguma história interessante que aconteceu com você no centro São Paulo?

 

R: Eu diria que não é interessante, mas é violenta. Tendo um histórico de vários assaltos, eu estava no meu carro no semáforo da Avenida São Luiz e um menino veio com um clipe - esse menino que eu digo é um menino só em idade, porque fisicamente não - um clipe que eles deixavam o clipe reto, eles deformam os clipes e vêm no vidro de seu carro para te furar com aquilo. Eu tinha acabado de passar por um processo meio complicado de assalto e ele veio para me assaltar e pediu minha bolsa com aquele clipe, só que ele estava do lado oposto - lado do passageiro - e eu estava com vidro semi-aberto. Quando ele colocou a mão para pegar minha bolsa, eu fechei o meu vidro e ele ficou preso, tentando baixar o vidro. Se ele estivesse na minha frente eu teria passado por cima, quer dizer, na verdade eu fui mais violenta que ele, porque na hora eu fiquei tão assustada que eu acabei... Abriu o farol, sai super correndo e ele foi junto. Quer dizer, não aconteceu nada com ele, felizmente acabou depois caindo após duas quadras. Mas, enfim, o que eu estava tentando relatar é que você também se torna tão violenta quanto eles, porque você passa por todo esse histórico e aí quando passa  novamente por uma situação dessa... Quer dizer, se ele estivesse de meu lado teria feito a mesma coisa e teria saído. E se ele estivesse armado, tivesse tido uma oportunidade, ele teria feito alguma coisa também. Então, assim, a violência, além deles, está na gente também. Mas eu acho que isso tudo é uma consequência do que você passa aqui no centro. Porque o centro, para mim, eu tenho uma imagem de perigo. Então eu não ando pelo centro. Nem pensar. Hoje eu vim por conta desse trabalho e para estar visitando essa exposição, mas é muito raro. Eu acho super bonito o centro, porém eu tenho um bloqueio com ele. Eu tenho uma imagem muito negativa.

 

P1: Tem alguma música que se relacionou com o centro de São Paulo?

 

R:   Tem. A do Caetano.

 

P1: Tem algum personagem que você relaciona com o centro de São Paulo?

 

R: Personagem? Não que eu me lembre.

 

P1: Aquelas figuras estranhas que te marcou...

 

R: Na verdade eu tenho uma imagem negativa do centro. Então, para mim, o centro são mendigos. Tanto que quando eu entrei aqui na exposição e vi os cobertores, eu associei imediatamente como centro. Quer dizer, a minha imagem não é boa do centro, embora eu acho o centro maravilhoso em termos de arquitetura, mas minha vivência no centro foi negativa.

 

P1: O que você achou da exposição?

 

R: Maravilhosa. Não conhecia. Inclusive o Tunga [artista plástico e escultor], que está expondo, eu não conhecia. Fiquei conhecendo hoje. Conheci melhor quando a monitora explicou a obra dele e achei que os valores que ele está demonstrando são realmente muito importantes. Tem muito a ver com o centro. Só que foi engraçado, porque a hora que cheguei eu vi os cobertores e eu já associei. Depois, pelo o que eu vi e pela interpretação, que fica realmente a cargo de qualquer um, eu vi que tem valores que ele está relacionando que tem a ver realmente com o nosso centro. O que está na nossa atualidade, a nossa vivência.

 

P1: Muito bom. Muito obrigada...

 

R: Só isso?

 

-------------FIM DA ENTREVISTA---------------



   




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