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História

Aventuras pelas estradas do Brasil

História de: Edilamar Silva Gomes
Autor: Sophia Donadelli
Publicado em: 13/06/2021

Sinopse

A carreira de representante comercial no interior do país. Acusações policiais infundadas de roubo. A violência em terras indígenas.

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História completa

Projeto Aché Vai Contar Sua História

Realização Instituto Museu da Pessoa

Entrevista de Edilamar Silva Gomes

Entrevistado por Eliana Reis

Fortaleza, 02 de julho de 2002

Entrevista: ACHÉ_CB0027

Transcrito por Maria da Conceição Amaral da Silva

 Revisado por  Leonardo Dias de Paula

 

P – Então Edilamar, para começar, eu queria que você dissesse seu nome completo, local e data de nascimento. 

R – Sou Edilamar Silva Gomes, nasci em Imperatriz no Maranhão.

P – Quando?

R – No dia 4 de agosto de 1968.

P – E toda a tua família é do Maranhão?

R – Toda a minha família é do estado do Maranhão.

P – Sempre moraram na capital?

R – Não, no interior. Aliás, minha mãe mesmo eu acho que nunca foi à capital.

P – Imperatriz é uma cidade grande do Maranhão?

R – É a segunda cidade do estado do Maranhão.

P – Você podia descrever um pouquinho a cidade? Do que ela vive, como é? 

R – Imperatriz vive praticamente do comércio. É uma cidade que se desenvolveu na época da Serra Pelada. Aliás, se desenvolveu mais ainda na época da Serra Pelada. Porque a maioria dos garimpeiros são maranhenses e moram na região próxima a Imperatriz. E o comércio predominou. O pessoal imigrando também, vindo do Tocantins, do Bico do Papagaio para comprar em Imperatriz. Quer dizer, houve uma venda expressiva para o estado do Tocantins.

P – Alguém da tua família trabalhou em garimpo?

R – Trabalhou. 

P – Quem?

R – Trabalharam um padrasto meu e um irmão mais velho. 

P – E tua experiência profissional começa quando?

R – No ramo farmacêutico?

P – Não, de uma maneira geral.

R – De maneira geral, minha experiência mesmo começou aos 10 anos de idade. Sempre fui praticamente uma pessoa que sempre cuidou de minha mãe. Papai faleceu, mãe não conseguiu controlar o que ele deixou. Aí depois se casou novamente. Meu padrasto chegou a falecer e aí vim trabalhando. Trabalhei em diversas coisas que criança pode trabalhar. E, quando eu comecei a melhorar, assim, um emprego que achei que foi melhor era na Marco Marcelino. Fui supervisor da Marco Marcelino por 4 anos. Depois trabalhei na Souza Cruz.

P – Fazendo o que na Souza Cruz?

R – Vendedor de cigarros. Deu uma excelente empresa, me deu todo o suporte que eu precisava na época entendeu? Inclusive, até para ajudar bastante a minha família. Minha mãe na época passou por um momento difícil e eu sempre do lado dela até financeiramente ajudando.

P – Depois da Souza Cruz que você entra no Aché?

R – Depois da Souza Cruz, fui convidado. Já tinha pleiteado uma vaga no Aché. Porque tive sempre, era minha vontade. Achava bonito, atraente, pessoas trabalharem no ramo farmacêutico. Eu sempre tive uma vocação para trabalhar no ramo farmacêutico. E, assim, pleiteei o Aché, aliás nunca cheguei, falei só com os colegas. Quando surgisse uma vaga no Aché que me falassem. E nesse período eu comecei a trabalhar na Souza Cruz.

P – Você já tinha ouvido falar do Aché?

R – Já. Já há bastante tempo ouvi falar do Aché, inclusive colegas meus trabalharam no Aché, entendeu? E ainda hoje tem um que a gente se considera amigo que trabalha ainda no Aché, só que na linha quatro. 

P – Mas você recebeu um convite? Como foi?

R – Rapaz, foi assim uma coisa. Eu estava de férias da Souza Cruz. Aí fui no próprio hotel onde o pessoal se hospeda lá em Imperatriz. Ia jogar futebol. E a minha bola tinha ficado lá no hotel. Fui atrás da bola. Quando eu cheguei lá, um colega chamado... que hoje não pertence mais ao quadro do Aché, e me convidou: “Olha, está surgindo uma vaga aí. Você não tem interesse de participar?” Imediatamente eu retornei. Larguei bola, larguei tudo, fui em casa tomei um banho e retornei para fazer a entrevista. Foi uma surpresa para mim. E deu tudo certo. Fiz a entrevista, fui escolhido entre, ficamos só em cinco pessoas finais e eu fui escolhido. Na época, a pessoa que fez a seletiva foi o Clayton Comesano, que hoje ele é gerente da linha, não sei se é da linha um. Parece que é da linha um. E a gente está aí até hoje.

P – E você começou a trabalhar em que área?

R – No Aché, já comecei a trabalhar como propagandista na região de Imperatriz, região de Açailândia, que é Maranhão também. Tocantinópolis no Tocantins, Araguaína no Tocantins e Balsas, Carolina, entendeu? E também Grajaú e Barra do Corda. Que hoje Grajaú e Barra do Corda está pertencendo à região São Luiz. 

P – Uma área muito extensa?

R – Bem grande.

P – E era preciso viajar para fazer esse setor? 

R – Viajar. Saía segunda-feira e voltava na sexta-feira. 

P – Você se lembra dos primeiros dias de trabalho como é que foram?

R – Lembro. 

P – Alguma situação especial no primeiro dia de propaganda?

R – O primeiro dia de propaganda: nervosismo. A primeira vez, eu entrei com esse colega que me convidou para fazer a propaganda. Foi para a doutora Adriana Miglio lá de Araguaia, de Açailândia. Então, a primeira propaganda eu trabalhava com Flogene. E ele disse: “Pode, faz na minha frente.” Aí eu fui fazer a propaganda. Mas parecia que eu estava dando vida para a literatura. A literatura chegou a tremer, e em seguida chegou um colega de outro laboratório e aí foi que eu fiquei mais trêmulo ainda. Só que da segunda, da terceira para a frente a gente vai perdendo o medo. E a gente está até hoje. O início eu achei um pouco difícil. Porque você tem que absorver bastantes informações. Mas todos os que entram passam por isso. Eu disse: “Por que não? Por que é que eu não posso superar isso aí?” E estou fazendo quatro, fiz quatro anos e descobri a vocação. Então, era isso mesmo que queria. Foi isso que eu pensei sempre. Espero continuar por muito tempo.

P – E você podia descrever um pouco esses caminhos que atravessa?

R – Ah, os caminhos complicados.

P – Por quê?

R – Porque na região do interior, eu trabalho em uma região assim um tanto bela e um tanto perigosa. Por exemplo, agora está um pouco até mais fácil. Mas assim que eu entrei, um ano e pouco, vou contar um causo que aconteceu no caminho. Nós passando por uma cidade chamada Carolina no Maranhão, que é uma cidade turística onde tem belas cachoeiras. Tem três ou quatro cachoeiras e o pessoal vai sempre para lá. Feriado. Mas a gente passava trabalhando. Era uma segunda-feira quando nós passamos e alguém disse que tinham reconhecido a gente como assaltante do posto de gasolina. Até o momento ninguém sabia nada. Fomos para o hotel, já à noite. E os policiais passaram a noite todinha vigiando a gente lá assim. Ficaram, entraram no hotel de madrugada, olharam qual era o quarto que a gente estava e viram o carro. E ficaram fazendo campana para a gente na porta do hotel. Quando amanheceu o dia, aquele monte de policiais lá e eu não entendi nada. Fui tomar café. É tipo um hotel fazenda, sistema todo aberto. E de lá, tomando café, dava para a gente ver os policiais. Os policiais, dava para ver a gente. Eu e um colega – do Aché também –– chamado Paulo Edson Azevedo Sobrinho, que trabalha na linha quatro. Então eu cheguei e perguntei para o rapaz que servia o café. Eu perguntei para ele: “Por que é que a polícia está ali fora?” Ele disse: “Não, a polícia desde a madrugada está andando aqui dentro. Pediu permissão para entrar porque tem dois bandidos perigosos aqui dentro.” E passou, eu digo: “Rapaz, então eu vou já embora. Vou sair, porque, se esses caras forem pegar os bandidos, vão trocar tiro aqui dentro. Então não vai dar certo.” Quando eu estou saindo, em vez de eles abrirem o caminho, eles fizeram foi cercar a gente. Botaram a metralhadora na cabeça do Paulo Edson, e botaram o fuzil na minha cabeça, e gritaram para a gente sair de dentro do carro. Eu fui e falei para ele: “O que está acontecendo?” Ele disse: “Sai de dentro do carro, porque o carro de vocês é suspeito de assalto.” Eu digo: “Não, o documento está aqui.” Quando eu vou me abaixar para pegar o documento o cara vai e arma o rifle no meu rumo. “Sai, senão eu te dou um tiro.” Eu virei para o lado, o colega meu já estava dentro do carro da polícia. Eu saí e me levaram no carro da polícia. O carro ligou a sirene e saiu com a gente no meio da cidade. 

P – Vocês foram levados para onde?

R – Fomos levados para a delegacia, e tinha que atravessar a cidade todinha, e todo mundo na cidade estava sabendo que tinham pegado o bandido do posto. Aí, esse colega meu tem um tio nessa cidade que é médico, o doutor Weber. Eu disse para ele: “Rapaz, liga para o doutor Weber”. Para o Doutor Weber, o pessoal deixou ele ligar. Aí, o doutor Weber chegou, e chegou um colega meu chamado César Mariquinha, que é o dono do restaurante lá de Carolina. Muito colega da gente, considera a gente pra caramba. E falaram: “Rapaz, o pessoal aí é representante de remédio. Esse pessoal não precisa disso.”  E disseram: “Não, porque viram eles na rua. Identificaram e tal.” Eu sei que foi uma confusão e a gente sem saber o que era. Porque, primeiro, eles perguntaram se a gente era, o carro que estava suspeita de roubo, e lá já mudaram tudo: éramos nós que tínhamos assaltado o posto. Então, sem a gente saber de nada, ele só fez dizer: “Desculpa, foi um engano”. Entendeu? O colega meu zangou-se depois que já estava todo mundo lá. Porque na hora não tinha como a gente se zangar. Deu um murro na mesa do delegado, tal. E disse que queria saber a verdade. Aí o delegado: “Não, rapaz, porque reconheceram vocês como assaltantes do posto”. E ele disse: “Pois, eu vou processar vocês”. Ele chamou a advogada. Fomos lá na promotoria e botou processo nos dois, que eram o comandante do quartel e o policial que era o comando, o cabo que estava comandando a tropa. Passamos, depois que acabou eu digo: “Rapaz, do jeito que esse pessoal é vingativo, vão nos pegar nessa beira de estrada aí”. Com mais calma, nós fomos lá e retiramos tudo. Porque também não compensava; porque nós precisamos, a gente precisava trabalhar. E o caminho era aquele. Como tem estrada que você passa meia hora sem passar por um carro.

P – Nossa!

R – Entendeu? Para chegar na outra cidade. Então, ficávamos assim a mercê deles. Se eles quisessem pegar a gente, eles pegavam. E o próprio advogado mesmo, ele citou.

P – Sugeriu que vocês fizessem isso.

R – Sugeriu que a gente fizesse. “Não, não vamos.” E ele já tinha dado entrada em tudo. “Então, pega tudo, vamos parar por aqui.” Paramos. Depois o... esse colega da gente chamado César Mariquinha falou com o prefeito de lá, com quem ele tem muita intimidade. E o prefeito foi e transferiu tanto esse cabo, não quis mais ele lá no quartel, como o comandante. Por causa dessa trapalhada que ele fez com a gente lá. Passou uns três meses, de três a seis meses, aproximadamente, nós estávamos passando em uma barreira policial, aí o cara chamou, parou a gente e disse: “Rapaz, vocês podem dar uma carona para um...” Perguntou aonde a gente ia, perguntou se a gente podia dar uma carona para um policial. O colega disse: “Não, pode trazer”. Quando vem, é o cabo que fez a apreensão da gente.

P – E aí?

R – Quando chegou no caminho, eu digo: “Rapaz, você está lembrado da gente?” Ele virou assim para a gente e disse: “Ô rapaz, queria até ver vocês aí e queria pedir desculpa para vocês. Porque, depois de tudo foi... a culpa ficou mais em mim. O comandante sumiu. Não apareceu. E eu que fiquei como culpado daquela história. Mas a ordem que ele me deu era para levar vocês vivos ou mortos. Vocês eram de alta periculosidade.” Meu, essa aí foi uma coisa que marcou muito nessa minha jornada.

P – Uma história bem curiosa?

R – Pois é, já pensou? De representante para...

P – Para bandido. 

R – É uma coisa.

P – Mas essas estradas em geral vocês viajam em dupla? 

R – É, no início eu viajava no carro com ele. Como agora mudou de um tempo, eu não tinha o carro da empresa ainda quando aconteceu isso. A gente recebe o carro depois de dois anos. Quando eu passei a receber o carro, aí passamos a andar em carros separados. 

P – Mas juntos?

R – Mas, geralmente, na estrada, como você vai para a mesma cidade, você anda junto e na cidade vocês trabalham separadamente. Porque tem alguns médicos que alguma divisão visita e outra não visita.

P – Você estava comentando das comunidades indígenas que tem nessa região...

R – É um problema, entendeu? Principalmente, quando a gente andava passando lá. Agora não, a gente não está passando. Porque nós estamos trabalhando no Pará. Também é uma região do Pará, tiramos, cortamos algumas cidades. Principalmente, essas cidades complicadas. Antes de não ter asfalto, porque os índios sempre implicaram com isso, a estrada era horrível. Aquela poeira mais horrível do mundo. A velocidade máxima, eu andava era 20... 20, 30, quando o carro não quebrava. E sempre acontecem conflitos indígenas. Chegou até uma vez um colega meu pagar pedágio para poder passar. Eles trancaram o carro dele. Ou pagava, ou tocavam fogo. Eles sempre fazem esse tipo de ameaça. E aí bota aqueles que quase não tem contato com o branco, que são meio agressivos e tal. Inclusive, até uma vez, a gente estava na região, a Polícia Federal foi lá atrás de um pessoal que tinha fugido. Negócio de droga, essas coisas. Que os índios naquela região são os maiores é... como é que se dá o nome?

P – Traficantes...

R – Que vendem para os próprios traficantes repassarem. Eles são os maiores produtores, principalmente de maconha...

P – Certo.

R – ... naquela região ali. Então, eles são bastante procurados nesse sentido. E a Polícia Federal foi lá uma vez. Eles pegaram a Polícia Federal bateram, e a Polícia Federal tinha matado um cachorro, e eles estavam botando um dos delegados lá para lamber o sangue do cachorro. Então... e a gente sempre teve essa... e quando esse colega meu foi pego, ele pagou mesmo. Não teve jeito. Ele pagou, o caminhão tinha uma taxa. O carreto era 50, carro pequeno era o que ele quisesse. Cobrava de 10 a 50 reais.

P – Bastante?

R – É dinheiro. Você tem que pagar. Ou paga ou então... E a polícia em si não vai lá, só quando está demais. Outro fato curioso também foi de Grajaú para Barra do Corda, que os índios, quando estão na cidade, são uma pessoa; quando eles estão na aldeia deles, eles são outras pessoas, são agressivos. Eles acham que o branco judia com eles. Se pegar um branco lá, também eles querem judiar. Tem um fato curioso que eu estava em Grajaú indo para Barra do Corda, quando o pessoal chega e diz: “Não, não vão para lá porque os índios fecharam a estrada”. Aí: “Mas o que foi que aconteceu?” “Os índios simularam lá um... fecharam a estrada dois índios da aldeia, Os Onças, a aldeia Onça, e pegaram dois representantes.” Só que representante de secos e molhados. O cara vendeu e depois passou recebendo o dinheiro. Vende e recebe o cheque, né? E, nesse montante, tinha dinheiro dentro. Eu não sei se os representantes não quiseram dar o dinheiro. Eu sei que eles mataram os dois representantes. Deu a maior confusão e tudo. E hoje os índios estão presos. Foram presos. Foi a única maneira que eles acharam. Porque a população das duas cidades se revoltou. Com essa revolta, o que é que aconteceu? Tinha índio internado, tinha índio no colégio. Porque os índios lá não se tratam mais na aldeia. São só aqueles antigos mesmo. Os mais novos, todos eles estudam, e tem deles que moram mesmo na cidade. Então, com esse acontecimento, todo mundo correu para a aldeia. Porque o pessoal que pegasse era para executar, segundo a população. E então o índio não foi mais para a escola, o índio não foi mais para o hospital, o índio não foi nem ao banco mais tirar o dinheiro. E nem comprou mais nada, porque ninguém vendia mais nada para eles. Então fizeram um acordo que os índios entregassem os assassinos e passaria a vida normal. Foi o que aconteceu. E os dois índios estão presos lá em Barra do Corda.

P – Mas existe uma divisão assim? Homem branco não se mistura muito com índio?

R – Pior que tem, essa agressividade é mais criada pelo homem branco. Tem homem branco casado com índia, entendeu? Tem homem branco lá dentro que faz a trama todinha da venda de droga. Se não, eu creio que, se não tivesse essa influência, talvez eles não seriam desse jeito. 

P – Mas além dessa dificuldade dos caminhos existe uma boa relação com o médico na região?

R – É o mais gratificante do nosso trabalho. Porque o interior ele traz... hoje, na capital, tem médico que recebe representante mal. Tem médico que se acha muito o dono da razão, né? No interior, não. Quando você chega é amizade. Você não espera muito, você é bem recebido. Então, é uma coisa, uma relação assim: você sai para trabalhar e vê um amigo.

P – Tem histórias marcantes assim de um médico especial?

R – Rapaz, não estou lembrado agora, mas tem muitas histórias, entendeu?

P – E nessas viagens tem um ponto que vocês param para comer, tem uma comida típica que chama mais atenção?

R – Tem. Sempre, nas viagens, a gente tem um ponto como referência. Igual, por exemplo, o hotel. Lá na região, o Aché, ele é muito visado pelos outros laboratórios. Onde o Aché está, os outros querem estar. Essa é uma grande verdade que nós no interior conseguimos atrair mais ou menos assim. Por exemplo, se almoçamos em um restaurante, o pessoal diz que a comida é boa, vai todo mundo para lá. Se a gente fica hospedado em um hotel, vai todo mundo para lá. Por exemplo, uma coisa mais recente, que nós passamos a fazer também agora Marabá. Saímos de Imperatriz, fomos para Marabá no Pará. E, em Marabá, nós estávamos procurando hotel com preço melhor e tal, porque a gente está tentando ficar com qualidade e com preço razoável. E encontramos um hotel lá com preço, o cara fez um preço especial pra nós. Então, tinha um hotel que o pessoal ficava. Então, todo mundo está lá agora. Em relação às comidas, a comida que a gente come sempre tem algo que nos atrai em certos locais. Por exemplo, em Carolina, quando nós andávamos em Carolina, o César mesmo sempre gostava de fazer para a gente carneiro assado, vários tipos de comida ele inventava. Inclusive carne de caça, né? Que na região tem bastante. E essa era uma coisa que a gente, quando chegava, já sabia que tinha.

P – E o que é carne de caça?

R – É tatu, paca. Uma coisa assim, que é até proibido. Mas é uma coisa que ele fazia para agradar o pessoal. Não só para mim, que eu não gosto muito. Não sou muito de comer esse tipo de coisa. Mas a outra, tem muita gente lá que adora. Então, ele já reservava. Aí se tornava um ponto atrativo. E ele era uma pessoa que se relacionava bem. Então, tinha essa área de proteção também com a gente. Se você estava preocupado com uma coisa – igual isso que aconteceu com a gente –, ele foi o único que correu, resolveu. Tentou até tirar o pessoal de lá. Inclusive, uma vez eu tive um acidente, uma carreta bateu no meu carro lá próximo. E ele foi a minha ambulância. Ele foi tudo.

P – Te socorreu?

R – Me acompanhou até chegar em casa.

P – Isso é bacana.

R – Então, essas coisas são uma coisa que a gente constrói com o dia a dia, com a visitação que a gente faz. Hoje, eu não estou indo mais para lá, mas ele me liga. Todo mês ele me liga para saber como é que estou, quando é que eu vou para lá mesmo passear. 

P – E em geral como é a tua rotina? Você fica fora muitas semanas? Como é?

R – Hoje, na minha rotina, eu saio de Imperatriz na segunda-feira cedo. Eu vou citar as cidades que passo: passo em Rondon do Pará; de Rondon do Pará, vou para Jacundá, Goianésia, até chegar em Tucuruí do Pará, lá onde tem a hidroelétrica; lá trabalho e retorno novamente. Trabalho dois dias e meio e retorno para Marabá; trabalho mais dois dias e meio e venho para Imperatriz. Nisso, dá uma semana. Na outra também, outra semana fora. E na sede onde eu fico, em Imperatriz, geralmente uma semana alternada. Viajo uma semana, fico outra. Viajo uma semana, fico sempre outra. Quer dizer: duas semanas fora e duas na sede.

P – Dá para conciliar bem? O teu lazer, a família, as viagens?

R – Dá, porque sempre no final de semana eu estou em casa. A empresa dá essa oportunidade para você voltar sempre na sexta-feira. É uma distância de casa que você fica no máximo 600 quilômetros. Uns 650, por aí. 650 dá o quê? 5 horas de viagem, você sempre está o final de semana em casa.

P – Que bom.

R – Isso é bom. 

P – E para encerrar eu queria te fazer uma última pergunta que é: o que você achou de ter contado um pouquinho da tua história?

R – Isso é bom, né? Porque é a história da gente e é bom gravar alguma coisa. Porque agora não, mas aconteceu muito mais coisa interessante, principalmente com médico, relacionamento que a gente tem com os médicos e na hora foge um pouco. Mas é bom a gente contar algo. É bom falar, principalmente, do Aché, que é uma grande empresa que me proporciona essas coisas da vida. Principalmente, conhecer pessoas novas. Então, para mim, foi muito gratificante trabalhar, está sendo gratificante trabalhar no Aché e está sendo gratificante estar falando isso aqui.

P – Que bom.

R – Porque todos esses tropeços, tudo isso que passei, eu e meu colega Paulo Edson de Azevedo, não foi motivo nenhum para a gente desistir da nossa batalha, do nosso trabalho. Inclusive, isso nos deu mais forças ainda para continuar. Porque não é um equívoco à toa que vai nos fazer desistir de uma coisa que a gente gosta de fazer.

P – Legal assim fazer parte de equipes que são campeãs do Brasil?

R – Isso. E trabalhamos em uma equipe que, até o momento, está sendo campeã. Já fomos campeões no ano passado, e esse ano estamos caminhando novamente. Bem motivado. Eu já passei por, hoje é meu terceiro gerente, esse aqui. E é um gerente que motiva a gente do começo ao fim. Você já até teve o prazer de o conhecer. Dinâmico. Então, a gente se sente muito honrado em trabalhar com ele e com esse grupo. Principalmente, essa equipe nossa aqui que é muito unida. Nós temos uma afinidade grande um com o outro, certo? E eu me sinto muito honrado e feliz com isso.

P – Que bom. Muito obrigado.

R – De nada.  


---FIM DA ENTREVISTA---

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