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AUTOBIOGRAFIA DE TÁCIA NÍVEA, O “EU PROFESSORA”

História de: Tácia Nívea
Autor: Tácia Nívea
Publicado em: 12/01/2022

Sinopse

O meu texto fala um pouco sobre minha trajetória até minha chegada na universidade, esse é o resultado de um desafio lançado pela professora Tatiane que lesiona ensino de língua portuguesa I e II na Universidade Federal do Acre (UFAC). Espero que possam apreciar um pouco sobre minha história nessa singela revelação em forma de autobiografia.

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História completa

Quem sou eu? Quando penso em dizer de onde vim penso primeiramente em falar das pessoas que me trouxeram ao mundo, minha mãe Érika e meu pai Aldemir, essa união ocorreu com um belo casamento com direito a um vestido de calda, véu e a banda do exército tocando a tão famosa marcha nupcial em uma igreja cheia. A pesar disso tudo eles se separaram alguns anos depois. E dessa união nasce uma primogênita, eu, Tácia Nívea, nome composto é claro, um escolhido por minha mãe e outro pelo meu pai. Natural do Acre, vim ao mundo dia 11 de Junho de 1998, isso mesmo, em meio a uma copa do mundo e em um dia do jogo do Brasil, mas logo o foco dessa família seria conhecer sua mais nova integrante. Apesar de ter nascido no estado da estrela altaneira, passei grande parte da infância em Guaíra, no Paraná, dos meus dois aos meus sete anos de idade. Nesse trajeto de vida ganhei outros dois irmãos, Tales Samuel nascido em 2005 e Marcos Vinicius nascido em 2015. Já durante a adolescência, no primeiro ano do ensino médio, conheci um rapaz, George, pai da minha filha, uma garota adorável, amada pelos familiares, esperta e muito carinhosa que se chama Lívia minha pequena veio ao mundo em 2015 quando eu tinha 17 anos, no dia do seu nascimento era possível ver que muita coisa iria mudar, não só na vida de George e minha, mas de todos que a conhecem e agora a amam. Uma breve perspectiva sobre a infância. Claro que na infância tive experiências no lugar onde vivi que me recordo e descrevo hoje como maravilhosas, e ao retornar para o Acre algo que me lembro muito bem é da forma como meus colegas de classe faziam chacota com minha forma de falar, afinal cresci em outro contexto totalmente diferente do deles, não só meu sotaque diferenciado como meu repertório de palavras e expressões soavam completamente absurdo para todos. Antes de voltar à minha terra natal cresci estudando tantas coisas diferentes que me recordo de reclamar com minha mãe por estar vendo um conteúdo que já havia aprendido em uma série anterior antes de chegar à nova escola. Não digo isso querendo desmerecer o ensino de Rio Branco, digo isso por um sentimento genuinamente presente em mim naquele momento, a saudade, afinal eu já possuía laços com tudo o que me cercava e que era familiar, e quando penso em como eu mesma ficava me indagando do por que uma diferença tão grande de conteúdos ensinados para nós crianças, penso que algo dentro de mim começou a causar incômodo. Eu costumava gostar de brincar de escola com meus primos e sempre fazia o papel da professora pois eu era a mais velha que já sabia o conteúdo que meus primos estavam estudando. O momento decisivo. Entrando na adolescência se começa a pensar na vida após o ensino médio, estudar para o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) pensando no que cursar na universidade, algo que pode decidir seu futuro, muita pressão dos familiares para entrar em cursos altamente requisitados e poucos perguntando o que de fato eu gostaria de fazer. Após minha primeira tentativa de pontuação no ENEM não ter sido suficiente para que eu conseguisse entrar em algum dos cursos para os quais eu havia me inscrito, permaneci sem estudar, minha mãe no decorrer do ano me convenceu a cursar Pedagogia já que eu, como a maioria dos estudantes que acabam de sair do ensino médio no Brasil, não sabia o que queria cursar avaliei pela lógica, a demanda na área de educação costuma ser grande então realmente fiquei inclinada a escolher a Pedagogia. Convencida por minha mãe, que custeou a mensalidade, comecei a cursar pedagogia na Universidade Paulista (UNIP), o que me ajudou a ter uma noção de como seria o ensino superior e logo depois que fechei meio período refiz o ENEM e alcancei a nota suficiente para conquistar a vaga no mesmo curso, decidi não tentar ter aproveitamento matérias que já havia feito na UNIP para ter acesso a todo o curso, do começo ao fim. E assim comecei os desafios da graduação na Universidade Federal do Acre (UFAC). A caminho da conquista. Durante esses anos em que estou cursando Pedagogia na universidade posso dizer que é um momento desafiador, acredito que na vida de todos que estão cursando ou já cursaram alguma graduação, as dificuldades são diversas, desde chegar até a sala de aula a continuar motivada tentando dar o seu melhor, equilibrando vida pessoal, com diversas responsabilidades, junto ao contexto universitário repleto de novos desafios cada vez mais exigentes que os anteriores. O primeiro impacto que se tem ao se deparar com uma sala de aula na universidade é a cobrança sobre o que está sendo ensinado, afinal sinto que cheguei com muitas deficiências no que diz respeito ao meu aprendizado de conteúdo escolar, e isso foi muito bem evidenciado nas primeiras notas de avaliações, aquele foi um momento em que compreendi que não estava mais no lugar onde os professores pegariam em minha mão e me conduziriam pelos caminhos do conhecimento, agora é o momento de seguir com suas próprias forças. Não é que todos os docentes não se importam porém, alguns aparentam testar meu limite, me fazendo pensar em desistir, e essa é uma situação complicada de se lidar. Nesse processo de formação surge um sentimento de responsabilidade para com o papel que terei na sociedade, uma figura que ensina, acolhe, cria pontes e dá assas a sonhos, esse sentimento faz com que eu tenha mais compromisso, sempre dando o melhor que consigo e buscando ser mais capacitada possível, apesar de ainda me parecer uma visão romantizada gosto de pensar que esse “romance” faz parte do que nos move, sonhos precisam ser buscados, a vida precisa de um pouco mais de magia, principalmente após um momento tão delicado de calamidade mundial pela qual passamos durante a pandemia da covid-19. Falando um pouco sobre o desafio de manter uma ensino a distância gostaria de registrar que traz pontos positivos na mesma medida em que também traz negativos no meu caso estou trabalhando meio período no turno da manhã e tentando realizar as atividades e assistir às aulas pela tarde, já enfrentando as dificuldades de acordar as 04:00 da manhã muitas das vezes precisar ir de bicicleta por mais de sete quilômetros de distância de onde moro para o trabalho, seja na chuva ou debaixo do Sol, em menos de uma hora, voltar rapidamente para não atrasar para as aulas e me deslocar para conseguir um notebook emprestado para realização de alguns trabalhos que não são possíveis de serem feitos por celular, buscando tempo ao menos para uma boa noite de sono. Então eu digo que está sendo difícil, mas penso que se a vida fosse mais fácil ainda teria do que reclamar, então choro, grito, praguejo, vou ao fundo do poço para poder começar a levantar novamente, turbilhões de emoção surgem durante esse processo de formação, e saber lidar com tudo o que é lançado contra mim é complicado porém, me mostra cada dia mais desenvolvimento no que diz respeito à minha inteligência emocional. Então esse processo citado acima já é rotineiro, o desespero, a possível desistência e logo depois, a esperança, e essa repetição com certeza vai me acompanhar até a conclusão de minha jornada formativa. E se possível for Finalizando esse momento de fala sobre quem sou e como cheguei até aqui, trago um ponto que denominei “e se possível for” para concluir com o que no momento é meu desejo, pensando no que abrange minha formação e minha versão de professora em formação, se possível for, futuramente quero ser ao menos metade do que almejo ser nesse momento da minha vida, capacitada para ensinar, disposta a inovar, inclinada e criticar, flexível para escutar e cuidadosa ao falar, ser criadora de sonhos, impulso para pessoas que componham um novo modelo de sociedade mais justa, respeitosa e íntegra. E se possível for, poder me orgulhar ainda mais da trajetória que terei percorrido e das metas e conquistas que terei alcançado, o que terei tirado de bom proveito da vida deve me trazer alegria e paz ao coração, é assim que penso que será a versão do “eu professora”.

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