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Autobiografia – Flávia Cavalcante Rocha

História de: Flávia Cavalcante Rocha
Autor: Flávia Cavalcante Rocha
Publicado em: 14/12/2016

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Sou Flávia Cavalcante Rocha, tenho 42 anos, nasci em Fortaleza, em uma manhã de Natal de 1973. Sou cearense, porém acredito que uma pequena parte de mim é baiana, pois fui para Salvador com quase dois anos e permaneci na cidade por nove anos aproximadamente. Meu pai havia sido transferido a trabalho e tivemos que deixar nossa família aqui em Fortaleza, levando conosco apenas minha avó materna, a dona Léa, meu porto seguro, minha segunda mãe.

 

São infinitas as lembranças de Salvador, tive uma infância permeada de festas, grandes e fervorosas comemorações, junto aos meus pais, dois irmãos e minha saudosa avó. Embora criança, minha memória ficou marcada pelo belíssimo carnaval baiano, que durava em torno de dez dias; pelas animadas festas juninas, com enormes fogueiras e todas as simpatias e superstições que lhes são peculiares; pelas festividades referentes a São Cosme e São Damião; dentre muitas outras. Enfim, meu coração é um pouco baiano.

 

Cresci viajando para Fortaleza e retornando para Salvador durante nove anos, o que não foi ruim, pois a nossa estadia sempre foi na fazenda dos meus avós paternos, em Mangabeira, distrito do município de Eusébio-CE, onde encontrava com todos os meus primos e primas e passávamos as melhores férias da nossa vida, em contato direto com a exuberante natureza daquele interior e na companhia dos fiéis amigos incansáveis.

 

Mas, como tudo o que é bom tem seus dias contados, meu pai, saudoso do convívio com seus familiares, decidiu voltar para seu torrão natá, como diz o nosso estimado poeta Patativa do Assaré em sua poesia genial Seu Dotor me conhece? Ele lutou muito e se empenhou no propósito do regresso, conseguindo sua remoção em tempo hábil. Guardo todas as lembranças com muita nitidez e emoção.

 

Já de volta a Fortaleza, estudei no Colégio Doroteias e concluí o Ensino Médio no Colégio Cearense Sagrado Coração, o Marista, onde já pude perceber minha aptidão pela Língua Portuguesa e fazer a escolha pelo Curso de Letras. Tive o prazer de conviver com excelentes professores e grandes seres humanos, pacientes, dedicados e apaixonados pela profissão. Guardo na memória uma educadora que me inspirou bastante na escolha do meu caminho profissional, mostrando-me a grandeza do magistério, com todas as suas vitórias e seus dissabores também, numa verdadeira antítese de vivências e sensações que se possa imaginar. De fato, a professora Ieda teve uma significativa presença ou interferência, positiva é claro, nas minhas escolhas.

 

Passei no vestibular para Letras, curso diurno, na Universidade Federal do Ceará, no ano de 1993, terminando o curso em 1997, com certa dificuldade, uma vez que havia sido contratada por uma escola particular bastante rigorosa na metade da faculdade, em 1995, no meio das minhas atividades acadêmicas, tendo que aprender, a duras penas, a conciliar trabalho e estudo e a cumprir prazos curtos e cruéis, situação que quase me fez desistir do sonho de concluir o Ensino Superior. Com o tempo e a experiência, aprendi a gostar cada vez mais do meu trabalho e a valorizar as minhas conquistas, mesmo não sendo nada fácil, perdendo noites de sono, deixando de sair para me divertir, faltando a compromissos familiares e sociais.

 

Trabalhei nove anos na referida escola particular, seis anos em outra e quatro ainda na rede particular em outro colégio. Em 2001, fiz o concurso para professora do município de Fortaleza e passei em boa colocação, sendo possível fazer minha lotação numa instituição de ensino bem próximo a minha casa. Por oito anos aproximadamente, experimentei a dor e a delícia de se trabalhar três expedientes, era quase um vício, ou melhor dizendo, um hábito.

 

Em 2001 também, casei, em outras palavras, sacramentei um relacionamento de onze anos e meio, daqueles que perpassam toda uma vida, da adolescência à fase adulta. Com ele, o verdadeiro amor da minha vida, tive um casal de filhos, lindos e saudáveis, os quais são a razão dessa busca incansável por melhores dias, de paz, harmonia e de um mundo melhor, para que eles cresçam felizes e plenos no sentido mais amplo da palavra.

 

Trabalhei muito esses anos todos, formei vários alunos, vi outros se desviarem de seus caminhos, encontrei vários deles realizados profissionalmente, e não desisti de nenhum dos meus sonhos, pretendo realizar ainda cada um, sou persistente, obstinada mesmo, não tenho o perfil de quem desiste diante de qualquer dificuldade, gosto dos desafios, às vezes fico mais desanimada, porém não descrente da vida. A caminhada é longa, árdua, mas gratificante perante os resultados observados. Nós, educadores, temos um compromisso nobre, o de formar seres humanos, encaminhando-os, da melhor forma, para o mundo profissional, tornando-os cidadãos críticos e conscientes do seu papel na sociedade.

 

O meu retorno à Universidade Federal do Ceará em 2014 como mestranda do Profletras (Mestrado Profissional em Letras) é mais uma comprovação de que precisamos nos capacitar, especializando-nos mais ainda, com a finalidade de ampliarmos e melhorarmos nossa prática em sala de aula, conhecendo novas abordagens do ensino e novas metodologias, viabilizando, dessa forma, uma melhoria na Educação Básica Brasileira.

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