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História

As raízes japonesas da semente brasileira

História de: Shizue Higaki Arai
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 11/09/2003

Sinopse

Aventureiros que deixaram suas terras em busca da “árvore que dá dinheiro”, o café. É assim que Shizue conta a história da família, imigrantes japoneses, ao mesmo tempo em que narra o desenvolvimento do bairro da Liberdade. Dentre a pensão, o bar e a farmácia, sua narrativa é cercada pela história do bairro, do comércio e da cultura japonesa no Brasil. Lembra-se ainda do dia em que teve que, em 24 horas, se mudar de casa por conta da repressão do governo Getúlio Vargas, bem como dos blecautes e das dificuldades de comprar o pãozinho de manhã. Hoje, após se reencontrar com a sua história pelas visitas ao Japão, sonha com um mundo com menos miséria, onde todos vivam bem.

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História completa

P/1 – Então dona Shizue, pra gente começar, gostaria que a senhora repetisse pra gente seu nome completo, o local de nascimento e a data de nascimento.

 

R – Bom, meu nome é Shizue Higaki Arai, nascida em São Paulo, em 13 de fevereiro de 1936, em São Paulo.

 

P/1 – Aqui na Liberdade?

 

R – Aqui na Liberdade.

 

P/1 – E os pais da senhora são nascidos aqui em São Paulo também?

 

R – Os meus pais são nascidos no Japão e vieram no ano de 1929 aqui pro Brasil.

 

P/1 – Qual que é o nome deles dona Shizue?

 

R – O nome do meu pai é Hajime Higaki, minha mãe, Yaeko Higaki.

 

P/1 – E os avós da senhora, a senhora conheceu?

 

R – Eu conheci meus avós, eles que foram os chefes da família para a imigração. O meu avô por parte do meu pai chama-se Namitaro Higaki, e a minha avó Tamaio Higaki. Por parte da minha mãe, minha vó se chama Tome Kawamura, minha vó.

 

P/1 – E o avô por parte de mãe, a senhora não lembra esse? Eles vieram também pro Brasil?

 

R – O meu avô por parte do meu pai veio pro Brasil constituindo uma família, família muito grande, acho que tinha mais de dez pessoas, inclusive pessoa da vizinhança, pessoal solteiro que queria vir. Inclui na família e vem como família, porque solteiro não podia vir, então tinha que entrar numa família. A família do meu avô veio com uma família muito grande, mais de dez pessoas. Agora, minha mãe, como era solteira, veio como família do irmão dela, meu tio; vieram em três pessoas, família separada, né?

 

P/1 – Eles chegaram em datas diferentes?

 

R – Datas diferentes.

 

P/1 – A senhora sabe?

 

R – Meu pai parece que veio no começo de agosto de 1939, o navio da minha mãe veio no fim de agosto do mesmo ano, por coincidência, não sei.

 

P/1 - De quando?

 

R – Meu pai veio no começo de agosto, 1929, agora, minha mãe veio no fim de agosto.

 

P/1 - Eles vieram por quê? A senhora sabe?

 

R – Por causa da demanda que o Japão queria, acho que estava passando... Fase pós Guerra Mundial, não sei, essa fase igual do Brasil agora. A situação está ruim, então o pessoal do Japão pedia pra sair do Japão.

 

P/1 – Aí vieram tentar a vida?

 

R – Viu como é grande...

 

P/1 – E o pai da senhora contava histórias de como era essa viagem?

 

R – Não, meu pai não contava, quem contava era minha vó. Como eu sou primogênita da família e primeira neta, então eu tinha mais contato com minha vó, ela que contava muitas coisas.

 

P/1 – E o que é que ela contava que a senhora lembra?

 

R – Dessas viagens que eles vinham pro Brasil pra ganhar dinheiro, que tinha bastante propaganda que no Brasil o dinheiro estava caído por aí, tinha árvore que dava dinheiro. Todo mundo veio nessa onda, procurar árvore que dá dinheiro (risos), que seria árvore de café.

 

P/1 – E eles foram pra lavoura?

 

R – Foram cumprir o contrato acho que de um ano. Foram para os cafezais trabalhar, tanto da parte do meu pai como da minha mãe, foram para a região da mogiana cumprir contrato.

 

P/2 - E aí eles ficaram um ano lá e depois eles vieram pra São Paulo?

 

R – Veio pra São Paulo, tentar a vida em São Paulo.

 

P/1 – Quando o pai da senhora veio pra cá, ele tinha quantos anos?

 

R – Meu pai quando veio parece que estava com 24, 21, 22...

 

P/1 – A senhora sabe quando chegaram aqui em São Paulo o que é que ele foi fazer?

 

R – Mocinho veio pra São Paulo. Como ele gostava de arte, diz que, numa zona lá da Florêncio de Abreu, tinha uma fábrica de cerâmica, de fazer não sei se vaso ou que tipo de cerâmica. Eu sei que fazia vasos e nesses vasos fazia as pinturas, assim que ele começou a vida aqui em São Paulo. Nessa ocasião ele morava numa pensão aonde é o buraco agora, Tomás de Lima, nos porões. Todo mundo começou a vida assim, parece, antigamente.

 

P/1 – E a família também morava?

 

R – Não, a família foi para os arredores de São Paulo, Vila Galvão, numa localidade chamada Cachoeira, que acho que já tinha um núcleo de lavradores. A família foi para lá para plantar tomate, batatinha, essas culturas rápidas.

 

P/1 – E o seu pai começou a atividade artística?

 

R – Para sobrevivência, e no ínterim fazia as coisas do gosto dele, que é pintar...

 

P/1 – E ele conheceu sua mãe aqui na Liberdade?

 

R – Seria praticamente aqui na cidade, porque ainda é... Mas antigamente tinha esses casamentos de arranjo, um conhecido vê que tem uma pessoa assim, assim, assim, indica. Apresentou, gostou, então vai para frente (risos). É tradição, quando tem uma moça casadoira, todo mundo fica de olho e quer arrumar um casamento bom. Por coincidência, uma pessoa da mesma cidade do Japão conhecia uma família e outra família, então saiu esse casamento.

 

P/1 – E a senhora é a filha mais velha?

 

R – Eu sou a mais velha.

 

P/1 – E depois da senhora tem quantos irmãos?

 

R – Eu tenho uma irmã, logo depois de mim e depois vieram três filhos, irmãos homens.

 

P/1 – Qual era a rua onde a senhora nasceu?

 

R – Bom, eu nasci quando eles foram passar uns tempos... Foi nesse sítio lá em Vila Galvão, Cachoeira. Mas logo que nasci eles compraram uma pensão aqui na [Rua] Conde do Pinhal, onde é, atualmente, atrás do fórum. Era um hotel já feito de japonês mesmo, porque ele queria ir embora pro Japão pra dar educação pro filho dele, então surgiu essa oportunidade e compraram essa pensão. Então eu me criei na Conde do Pinhal.

 

P/1 – E como é que era lá, a casa?

 

R – Era uma casa de sobrado, digamos. Talvez de três andares, porque tinha o térreo, depois o segundo andar e tinha o subsolo, que era muito grande. Então o pessoal que vinha do interior ficava na pensão, na parte de cima. Agora, quem ficava mais ou menos tentando a vida em São Paulo alugava o porão, que era habitável. É igual cortiço de agora, diria. Diz que no porão moraram várias famílias.

 

P/2 – Aí eram só camas, no porão?

 

R – Alugado o quarto, habitação coletiva.

 

P/1 – Tinha cozinha... Assim, era uma cozinha na casa, eles usavam a cozinha da casa?

 

R – Não, a cozinha da casa ficava na pensão. Em baixo eu não sei dizer, mas deve ser igual agora, que todo mundo aluga um quartinho e não sei se cozinha no quarto fora, isso eu não sei.

 

P/2 – E as crianças podiam ir lá, como é que era?

 

R – Também não sei, eu estava com quatro anos.

 

P/2 – E vocês se relacionavam com as pessoas do hotel que vinham, com os outros japoneses?

 

R – Demais, porque eles dependiam de pessoas que já estavam estabelecidas em São Paulo. A gente ainda tem conhecimento com o pessoal que era nosso hóspede naquele tempo.

 

P/2 – Ficou amizade?

 

R – Amizade. Eu não, minha mãe, né?

 

P/2 – A mãe da senhora está viva ainda?

 

R – Está viva.

 

P/2 - E ela fala português?

 

R – Fala arranhado, mas se vira.

 

P/2 – Como é que é, você falavam sempre em japonês?

 

R – Dentro de casa é em japonês, porque a gente tinha os avós, né? Português só fora, na escola.

 

P/1 – E os avós contavam histórias do Japão?

 

R – Contavam muito, minha vó contava muito, as fábulas. A gente, atualmente, sabe que é fábula de Esopo, a gente pensa que é de lá e não é, é adaptação.

 

P/1 – E o que é que tinha de diferente das tradicionais, o que é que eles adaptavam?

 

R – Não, porque a gente não conhecia a Fábula de Esopo assim como é, sabia do jeito japonês. A gente vai crescendo, vai estudando, sabe que é tudo adaptado.

 

P/1 – Como é que era o dia a dia nessa casa que era pensão? Os avós, o pai, a mãe, enfim, os almoços, como que era?

 

R – Meu avô ia todo dia para a feira... Não, para o mercadão. Ia a pé, carregava as verduras, os peixes, duas sacolas: uma na frente, outra atrás. Voltava todo dia pra abastecer os hóspedes, todo dia. Não usava bonde, lá da Conde do Pinhal até o mercadão, todo dia ia.

 

P/2 – E a senhora chegou a ir, alguma vez, com ele?

 

R – Não, eu não.

 

P/1 – E onde vocês almoçavam?

 

R – A gente almoçava na cozinha, a gente da família almoçava na cozinha da pensão. Na sala da pensão tinha uma mesa grande e todo mundo almoçava junto, os hóspedes... E naquele tempo minha mãe recebia muito agricultores, batateiro... Tinha safra, vinha para São Paulo pra vender, aí ficava no hotel pra vender toda a safra, assim.

 

P/1 – E sempre descendentes de japoneses?

 

R – Sempre descendente de japonês.

 

P/1 – Brasileiros...

 

R – Não, acho que não.

 

P/1 – A senhora sabe se no bairro tinham outras pensões que abrigavam pessoas que não eram japonesas?

 

R – Depois de nós veio... Inclusive quando eu estava com mais ou menos seis anos, o vizinho abriu outra pensão... Que depois eles chegaram a ser os donos do jornal São Paulo Shimbun. Lá tinha rapazinho que mexia com a gente, isso aí lembra, ele já faleceu.

 

P/2 – Esses almoços, essas coisas, o que é que era servido?

 

R – Ah, arroz branco, peixe cozido, acho que verdura. Eu não sei, a gente não lembra muito. Agora, quando vinha a turma de esportistas do interior, tinha aquele jogo de baseball, outro esporte, sumô, homens grandes, precisava fazer lanche para eles irem pro estádio, fazer... Eu não sei, eu sei que a gente ia entregar. Agora, pra esses homens do sumô fazia bolinho de arroz bem grande.

 

P/2 - Pra dar sustento, porque eles precisavam mais.

 

R – Eu sei que ajudava entregar, mas fazer eu não fazia não.

 

P/2 – Além disso, os filhos ajudavam em mais alguma coisa na casa, na pensão?

 

R – Ah sim, tinha meu tio que era solteiro, minha tia que era solteira, todo mundo ajudava um pouco.

 

P/2 – Os filhos também?

 

R – Os filhos do meu avô, né?

 

P/2 – Não, vocês, as crianças.

 

R – A gente já... Eu era pequena, eu sou a única pequena, não ajudava nada não. Eu sou a mais velha, primogênita, não tinha mais ninguém.

 

P/2 – E as brincadeiras ente os irmãos, como é que era?

 

R – Quando morava na Conde do Pinhal a casa tinha um jardim bem grande na frente, então a gente brincava só lá, não brincava na rua não.

 

P/2 – Já era perigoso?

 

R – Não, a gente não tinha amiguinhos na rua. Brincava de tico-tico dentro do jardim, só isso que eu lembro. Quando mudamos para a Galvão Bueno – isso depois da guerra –, aí a gente brincava de pega-pega na rua, aqui.

 

P/2 – Aí já fizeram uns amiguinhos?

 

R – Esse que eu estou contando é antes da guerra, antes de 43, aí veio a lei do Getúlio Vargas, e o pessoal que pertencia ao Eixo – italiano, alemão, japonês – não podia morar no centro.

 

P/2 – Não?

 

R – Não, todo mundo tinha que mudar. Centro é zona de segurança, então todos fomos obrigados a mudar, 24 horas.

 

P/2 – Em 24 horas?

 

R – 24 horas. Minha mãe tinha pensão, eu perguntei atualmente: “o que é que fez com aqueles móveis?” Diz que levou no quintal e queimou tudo, cama, guarda-roupa, e o que precisava levou num caminhãozinho a mudança da família. A gente foi morar na Vila Mariana, em frente da caixa d’água, toda a família de avô, minha tia, três casais e mais membros numa casinha pequenininha. Teve que mudar carregando os móveis para uso e as comidas, previsão que a gente tinha... A gente fazia o molho, fazia esse missô... Já ouviu falar? Então, tinha quintos, aqueles quintos de vinhos assim grandes, tinha de reserva... Carregando isso aí, carregando, pondo a mão embaixo. Quebrou o braço da minha mãe. A minha vó, saindo de tamanco na rua, escorregou, quebrou aqui, aqui e aqui, ficou quatro meses na Santa Casa.

 

P/1 – Isso tudo por causa da pressa?

 

R – Tudo por causa da pressa. E tanta gente numa família, acho que deve estar tudo amontoado, né? Tinha esses episódios.

 

P/2 – A senhora se lembra desse dia, do dia da mudança?

 

R – Sim, lembro. Depois tinha o blecaute, não podia acender as luzes. Estava perigoso, a gente acendia velinha no fundo de casa, batiam na porta pra apagar.

 

P/2 – Nem a vela podia?

 

R – Nem a vela. Depois a gente chegou a frequentar a feira para comprar pão, leite, eu não sei, açúcar e outra coisa. Parece que gente grande ia, eu entrava todo dia na fila de pão, ia de pijama mesmo, cinco horas da madrugada. Aí, quando a gente mudou para cá, ainda tinha esse racionamento, essa esquina da Galvão. Onde tem a Porta do Sol, lanchonete, era uma padaria. Chegava na frente da gente, acabava a senha, várias vezes aconteceu isso, eu lembro.

 

P/2 – Aí como fazia?

 

P/1 – Tinha que pegar uma senha?

 

R – Porque acho que tem um número limitado de pão que fazia. Davam senhas, chegava na frente da gente, acabava a senha.

 

P/1 – E quando chegava podia comprar quantos pães quisesse?

 

R – Aí eu não sei.

 

P/1 – Isso antes da mudança?

 

R – Isso é depois da mudança, mas depois da guerra também, que foi em 43 que a gente saiu daí, fomos morar na Vila Mariana. Não sei se ficamos um ano, depois mudamos pra mesma rua, 690, aonde é o hotel, Edifício Guinza. Era uma casa velha, conseguimos alugar lá, e eu vinha comprar pão aqui.

 

P/2 – Às cinco da manhã?

 

R – Cinco da manhã.

 

P/2 – A senhora não tinha medo?

 

R – Acho que não (risos).

 

P/2 – Quantos anos a senhora tinha?

 

R – Tinha sete anos.

 

P/1 – Era escuro ainda?

 

R – Era escuro sim.

 

P/1 – Tinha luz no bairro, essa época?

 

R – Tinha sim, não era gás não, mas acho que era escurinho. Essa rua chamava Alameda Galvão Bueno, ‘alameda’, essas árvores grandes.

 

P/2 – Era bonito?

 

R – Bonito. Quer dizer, era feio, porque as árvores já estavam bem velhas né.

 

P/1 – Dona Shizue, e a escola, quando começou?

 

R – A minha escola é onde agora é o Hospital Bandeirantes, este era a escola São Francisco Xavier. Quem era diretor era um padre italiano chamado Padre Guido Del Toro. Desde o jardim da infância a gente estudava aí: aula de português... Mas tinha aula de japonês também, ele queria ensinar mais uma língua, e foi assim até o tempo da guerra, a escola teve que mudar. Aí a gente estudava catecismo nesse prédio na esquina... Ainda tem a feição de antigamente, a capela era lá.

 

P/1 – Que capela?

 

R – A capela de catecismo da própria escola, escola religiosa, de padre, católica. A gente fez primeira comunhão também aí.

 

P/1 – E essa escola era paga?

 

R – Acho que sim. Não lembro, mas acho que era.

 

P/1 – E os pais de vocês eram católicos?

 

R – Não, não eram, mas era única escola do bairro, então ficamos aí.

 

P/1 – E o padre falava japonês? Não?

 

R – Também não sei, isso eu não sei.

 

P/1 – E como é que era essa escola? Conta um pouquinho mais pra gente.

 

R – No tempo de jardim da infância, a gente ia de aventalzinho, bonitinho, igual aventalzinho branco, né?

 

P/1 – Aqueles com botão aqui, assim?

 

R – Não, acho que o botão era atrás, porque de rendinha aqui... Tinha uma foto, foi famoso naquele tempo, era aqui na rua da Glória, bem perto do Fórum, todo mundo ia tirar as fotos lá. A escolinha também, jardim da infância até primeiro ano, na metade do ano, todo mundo teve que mudar. No primeiro ano a escola mudou pra Tamandaré, um seminário. Não sei o que era, a escola mudou para lá e a gente mudou pra Vila Mariana. Então, no primeiro ano, menos de sete anos, vinha de bonde sozinha para a escola.

 

P/1 – Como é que era andar de bonde?

 

R – Era gostoso, porque não tinha problema não, aquele bonde aberto.

 

P/1 – Mas ia alguém acompanhando?

 

R – Não, sozinha, desde o primeiro dia sozinha.

 

P/1 – E outras crianças?

 

R – Cada um por si, ninguém combinava nada, ninguém fazia companhia pra outra não.

 

P/1 – E que caminho que ele fazia, dona Shizue?

 

R – Tinha o bonde Avenida Liberdade, Vergueiro, Domingos de Morais. Ia até Praça da Árvore – lá chamava primeira sessão –, então era tomar o bonde e depois andar pra escola, não tinha perigo não.

 

P/1 – Por que a mãe da senhora ou pai decidiu deixar na mesma escola e não passar para uma escola da Vila Mariana?

 

R – Ah, não sei não, acho que não tinha, também. E a escola continuou com as atividades, então nós estudamos todos aí.

 

P/1 – Para dar continuidade?

 

R – É.

 

P/1 – Depois ela chegou a voltar pra cá, a escola?

 

R – A escola não chegou a voltar pra cá, ela foi prédio próprio no Ipiranga. Depois de grandinha, depois de primeira comunhão, ia assistir missa todo domingo lá no Ipiranga, de bonde, sozinha, também.

 

P/1 – Como é que foi a primeira comunhão?

 

R – Ah, foi legal, pra mim foi legal, porque tinha uma madrinha brasileira que fez um vestidinho de primeira comunhão. Quem podia, fez, quem não podia foi de uniforme da escola mesmo. A madrinha morava por aqui também.

 

P/2 – A senhora lembra desse vestido?

 

R – Ah, lembro.

 

P/2 – Como é que era?

 

R – De crepe, mas crepe bem encorpado, bem pesadinho. Esse crepe de agora é fininho, né? Comprido.

 

P/1 – E tinha véu?

 

R – Véu. Meu padrinho tinha loja de confecção aqui na Avenida Liberdade, a minha madrinha era costureira, então tudo no jeito.

 

P/2 – E como é que eles se chamavam?

 

R – Meu padrinho chama George, libanês, e minha madrinha chama Élide Nassar, era solteira naquele tempo.

 

P/1 – E tinha descendentes de japoneses e brasileiros fazendo a primeira comunhão? Tinha vários japoneses?

 

R – Acho que não tinha brasileiro não, só descendente de japonês.

 

P/1 – Dona Shizue, e na escola, o que mais vocês faziam de atividade extra-classe?

 

R – Tinha aula de japonês, tinha bordado... O que mais que tinha? Ginástica também tinha, tinha canto na igreja, na missa.

 

P/1 – Coral?

 

R – Coral.

 

P/1 – De criança?

 

R – De criança. Mas foi pouco que eu frequentei.

 

P/1 – O que é que era, era música religiosa?

 

R – Ah sim, da escola, né, católica, mesmo.

 

P/1 – A senhora lembra de alguma música?

 

R – Não lembro não (risos).

 

P/1 – Dona Shizue, como é que eram os pais da senhora? A mãe e o pai?

 

R – Como assim?

 

P/1 – Como a senhora descreveria seus pais?

 

R – Bom, meu pai, como é pintor, ele se preocupava mais com coisa poética, natureza, mais essas coisas, e nos últimos nos tempos, acordava e já pegava pincel, em frente ao quadro até hora de dormir, a atividade dele era essa. Agora, minha mãe sempre batalhando, acordava às cinco horas da manhã, também ia para o mercado fazer as compras, bar, restaurante, depois na cozinha, fazer o cardápio do dia e o à la carte, tudo isso ela que fazia.

 

P/1 – Quem cuidava dos filhos? Ela dava conta de fazer tudo?

 

R – Quem – acho – que cuidava dos filhos era a vó, a vó também viveu bastante, então as minhas crianças também os bisavós que ajudaram a criar.

 

P/1 – Entendi, aí vocês tiveram bastante contato com eles. Que bom, né?

 

R – A minha vó faleceu com 92 e meu avô com 94, por aí, então ajudou a criar bastante os nossos filhos.

 

P/1 – Tinha algum ponto de encontro aqui no bairro quando vocês estavam saindo da infância, entrando na adolescência... O que é que tinha de divertimento aqui no bairro?

 

R – Olha, naquele tempo ainda não tinha muito esses clubes de pessoa jovem, então eu não cheguei a frequentar muito, mas depois, na minha adolescência, começaram a surgir bastante clubes, mas eu não cheguei a frequentar nenhum. Agora, a gente ia todo ano num clubinho de carnaval, baile, só pra ver o ambiente, porque passava sempre cordão de carnaval aqui, tinha acho que escola de samba aqui embaixo, então para eles treinarem... No tempo de carnaval passava sempre, muitas vezes ia um pouquinho atrás (risos).

 

P/1 – Como é que chamava essa escola?

 

R – Não lembro.

 

P/2 – Passava os carros com as pessoas dentro?

 

R – Não, a banda mesmo, tocando na rua. Depois acho que eles iam se encontrar em algum lugar, mas aí eu já não sei para onde é que eles iam.

 

P/1 – E eles eram fantasiados?

 

R – Não, de roupa normal. É o treino.

 

P/1 – Aí o carnaval que vocês iam era de salão?

 

R – De salão.

 

P/1 – Onde é que era?

 

R – Aqui na... Centro Professorado Paulista, antigo, esse aqui é novo, né? Outras vezes, maiorzinha, ia lá na Barra Funda, que atualmente é o Teatro São Pedro, lá também.

 

P/2 – Ah, lá no teatro?

 

R – É, porque minha tia morava lá na Barra Funda, ela chamava, então cheguei a ir umas duas ou três vezes.

 

P/2 – Como é que era o carnaval lá no teatro?

 

R – Igual ao de agora, só ficar pulando, dentro.

 

P/2 – E o pessoal ia fantasiado?

 

R – Acho que tinha, mas muito pouco, não tinham essas fantasias extravagantes de agora não.

 

P/2 – Você se fantasiava?

 

R – Não, quepe de marinheiro.

 

P/1 – E era matinê?

 

R – Matinê.

 

P/1 – Era de domingo, a matinê?

 

R – Deve ser, não sei. Ou na terça-feira de carnaval.

 

P/1 – Dona Shizue, tinha cinema aqui para vocês assistirem?

 

R – Então, esse cinema surgiu depois da guerra, quando o pessoal, principalmente batateiros ou fazendeiros ganharam dinheiro na lavoura, na safra, vieram investir em São Paulo. Um dos investidores foi esse fundador do Cine Niterói, ele ganhou bastante dinheiro na batata, no Paraná, então ele comprou esse terreno e levantou o edifício, aí é que começou o cinema, antes disso era só cinema de caminhão que ia para os interiores, cinema mudo, ainda. Eu não cheguei a assistir, fiquei sabendo, mas... A gente estava em São Paulo, né, então não cheguei no tempo do cinema mudo no interior.

 

P/1 – A senhora viu construir esse Cine Niterói?

 

R – A gente já morava aqui, depois que viemos aqui na Galvão Bueno, 690, a casa ficou pequena, e mudamos aqui para o número 83, era um sobrado também de três andares. Pensão... A gente dava pensão para quem vinha estudar, trabalhar em São Paulo. O porão também era alugado, que era habitável, aí veio o Cine Niterói, levantou. A gente ficou não sei se cinco ou seis anos, menos de dez anos a gente ficou aí, veio desapropriação do governo. Tivemos que mudar, mudamos para a 115 dessa rua. A gente viu que estava construindo o cinema, resolvemos abrir um bar, reformamos a parte da frente em 1953, inauguramos um bar, e como o vizinho era o Diário Oficial, na hora do lanche ficava assim, às nove horas da manhã ficava cheio, cheio, e acho que cinco horas da tarde, outro lanche, aí era um pernil por dia.

 

P/2 – Ah é, vocês serviam pernil?

 

R – Sanduíche. Minha mãe fazia sonho também, duas vez por dia saía o sonho.

 

P/2 – O cinema era muito movimentado também?

 

R – O cinema começou a fazer bastante movimento, o pessoal do interior vinha, fazia fila, dobrava o quarteirão.

 

P/2 – É mesmo? E o que é que eles iam assistir lá?

 

R – O cinema que vinha direto do Japão, que lançava lá, logo logo passava aqui. Aí o bar também ia bem, começamos a fazer comida japonesa, bolinho de arroz com alga... Isso minha vó que fazia, era tudo feito na hora, não fazer lá e trazer pra cá. Na cozinha fazia e trazia para o restaurante, essa é minha vó que fazia.

 

P/1 – E a senhora chegou ir ao Cine Niterói alguma vez?

 

R – Cheguei sim. Não muito mas... Porque eu estudava, né, [mas] cheguei a ir sim.

 

P/1 – Mas foi a primeira vez que a senhora foi ao cinema, não?

 

R – Não, antes desse Cine Niterói, logo depois do cinema mudo, começaram a passar filme lá na Igreja São Francisco, da praça, Largo São Francisco. A entrada seria pela rua Riachuelo, tinha um anfiteatro, então todas as apresentações de dança, cinema, eram feitos lá no cine São Francisco. Cine São Francisco que pertence à Igreja de São Francisco. Inclusive a gente chegou a dançar aí, dança japonesa.

 

P/2 – Quem é que estava?

 

R – Pra começar, minhas irmãs, prima, e muitas pessoas da redondeza.

 

P/2 – E foi uma apresentação... Assim, vocês que tiveram a ideia de fazer a apresentação?

 

R – Porque a gente aprendia dança, e todo ano uma pessoa que começa a ensinar no fim do ano tem que fazer uma apresentação, e justamente a pessoa que veio pra ensinar a dança calhou nessa época, e a gente fez essa apresentação.

 

P/1 – Essa pessoa veio do Japão?

 

R – Não, ela veio do interior, Bastos. Bastos era uma colônia mais forte, japonesa, então tinha já essas atividades lá.

 

P/2 – E onde vocês ensaiavam?

 

R – Na minha casa mesmo, aí no hotel, no 83. Tinha sala grande, era pensão, então depois do almoço até a hora da janta tinha hora, ela dava aula lá. Ela era pensionista também.

 

P/1 – Então não precisava nem sair pra dar aula?

 

P/2 – Ela era professora?

 

R – Ficou sendo.

 

P/1 – Que jóia. E tinha uma roupa específica pra dançar?

 

R – Tinha, minha vó que fazia.

 

P/1 – Como é que era?

 

R – Esses quimonos de agora. Ela ia para a 25 [de Março] comprar esses panos com desenhos que ela escolhia bem escolhido, então ela fazia roupinha para nós.

 

P/1 – Nossa, a vó da senhora era super dedicada!

 

R – Porque minha avó é de uma família boa do Japão, então ela estudou até o ginásio, que antigamente era difícil uma mulher frequentar ginásio. E família que tinha dom pra artes, tocar instrumento... E ela tocava aquele instrumento com três cordas, ela trouxe dois do Japão, meu pai trouxe dois violinos. Então quando ela tinha tempo tocava esse instrumento, deixava a gente escutar, aí ela aprontava essas roupas pra gente. Agora todo mundo traz roupa importada, porque a viagem ficou mais fácil, naquele tempo nem imaginar ir para o Japão, então tinha que costurar. E uma das roupas foi meu pai que desenhou, barrado né, motivo japonês.

 

P/2 – Ah, seu pai que era pintor, ele fez o desenho...

 

R – Desenho, barrado.

 

P/2 – O que mais que tinha para fazer no bairro, pros jovens?

 

R – Aí surgiu esse cine Niterói... Tinha baile também. Todo ano de carnaval, sem ser no cinema eles tinham salão também para eventos, lá também teve bailes de carnaval. Eu não cheguei a ir, mas também tinha baile de carnaval.

 

P/1 – Dona Shizue, voltando para a vida escolar, depois que a senhora terminou o grupo e foi para o ginásio, era na mesma escola?

 

R – Não, aí era só grupo escolar mesmo, naquele tempo não tinha, então eu vim aqui pro São José.

 

P/2 – É uma escola bem antiga?

 

R – É, já fez mais de 100 anos. Eu fiz o ginásio, o colégio.

 

P/1 – Aí a senhora foi fazer carreira universitária. O que é que a senhora escolheu?

 

R – Eu escolhi Farmácia, aí sorte, passei.

 

P/1 – A senhora fez aonde?

 

R – Faculdade eu fiz na USP [Universidade de São Paulo].

 

P/2 – Os pais tinham alguma predileção por alguma área?

 

R – Não, não tinha, mas como a gente recebia muita gente do interior, uma das freguesas vinha todo ano passar as férias, e essa pessoa era dona de farmácia, então falei: “puxa, que bom, pode passar as férias todo ano...”, sem querer uma coisa boa, achei que era bom, então ficou Farmácia mesmo.

 

P/1 – E os irmãos da senhora, fizeram também carreira universitária?

 

R – Meu segundo irmão é médico, formou médico também.

 

P/2 – Era lá no Bom Retiro, a faculdade?

 

R – Era.

 

P/2 – Como é que a senhora ia pra lá?

 

R – Eu ia de bonde. Tomava o bonde que o ponto final é Santana, norte-sul, ia de bonde ou então de ônibus, na hora do almoço vinha andando de lá para almoçar até aqui, aí ia vendo as vitrinas, a cidade, depois ia para aula às duas horas.

 

P/1 – Quanto tempo a senhora demorava, andando?

 

R – Acho que menos de uma hora.

 

P/1 – E de bonde, era muito demorado?

 

R – Não, de bonde é rápido.

 

P/1 – Tinha hora pra passar, dona Shizue?

 

R – Não, passava qualquer hora, não tinha hora não, era norte-sul.

 

P/1 – E como é que era o bonde?

 

R – É aberto, então era bom, mas depois foi ônibus, qualquer um, não tinha negócio de passe não, era tudo na ficha.

 

P/1 – E a senhora se casou depois da formatura? Como é que a senhora conheceu seu marido?

 

R – Depois de formada eu não trabalhei, eu estava ajudando em casa, mas queria trabalhar em algum lugar. Eu fiz um estágio no Hospital do Câncer, fiquei quatro meses lá, aí numa oportunidade saiu um anúncio num jornal japonês que precisa de moça para trabalhar em farmácia, minha mãe viu e na volta do mercado passou lá: “aqui está precisando de moça pra trabalhar, você vem aí”. Eu fui, no dia seguinte comecei trabalhar, aí meu marido era freguês de lá, zona cerealista, ele trabalhava por lá, ele era freguês da farmácia, conheci lá.

 

P/1 – A senhora foi trabalhar em uma farmácia dentro do mercado?

 

R – Fora do mercado, na zona do mercado, uma farmácia antiga.

 

P/2 – Como é que chamava?

 

R – Fuji.

 

P/1 – E como é que foi o primeiro dia de trabalho?

 

R – Eu estava acostumada com balcão do bar, não estranhei muito não, aí todo mundo gostou, eu já sabia aplicar injeção... O moço veio tomar injeção, “é com essa”, e foi assim.

 

P/1 – E vocês namoraram bastante tempo?

 

R – Bom, conhecemos, ficamos mais ou menos meio ano, aí tinha inscrito uma bolsa pra fazer um estágio lá nos Estados Unidos e foi aprovado nessa bolsa de agricultura. Ele foi pra lá, ficou nove meses, depois que ele voltou a gente resolveu marcar o casamento, foi rápido por isso.

 

P/1 – Em que ano foi o casamento?

 

R – O casamento foi em 62... Em 63, em 62 ele estava ainda lá nos Estados Unidos fazendo curso.

 

P/2 – E teve festa, dona Shizue?

 

R – Teve.

 

P/2 – E como é que foi a festa?

 

R – Como a gente era bar, restaurante, minha mãe cozinheira, tudo, a gente fazia casamento dos outros também. Quem fazia o bolo era eu, confeitando tudo com mão. Fui aprendendo essas rosinhas que enfeita o bolo, a gente aprendeu fazer, até as rosinhas a gente fazia para enfeitar o bolo. A gente que fez o bufê, naquele tempo, Quarto Centenário, depois foi inaugurado Pavilhão Japonês no Ibirapuera, e lá alugava salão para as festas, uma das festas de um conhecido. Gostamos, meu casamento foi lá no Ibirapuera. Aí a comida é tudo por nós.

 

P/1 – E foi muita gente do bairro?

 

R – Foi toda a redondeza, tinha comida para todo mundo.

 

P/2 – A senhora lembra quando inaugurou o Pavilhão Japonês no Ibirapuera?

 

R – Não, quando inaugurou o pavilhão não cheguei a frequentar muito, mas o meu marido, pelas fotografias, ele frequentou mais, porque ele era da cooperativa, tinha outras atividades, então ele frequentava mais lá, mas eu não estava sabendo que ele tinha ido nas outras inaugurações lá.

 

P/2 – E depois que vocês casaram vocês foram morar em que lugar, dona Shizue?

 

R – Na casa da gente mesmo. A gente já tinha um apartamento aqui na Praça da Liberdade, em frente do metrô, então a gente foi morar lá.

 

P/1 – E a senhora mora até hoje nesse lugar?

 

R – Não, esse ficou pequeno, a gente vendeu e compramos um aqui embaixo, que estava construindo, então fomos morar nesse prédio que estava construindo.

 

P/1 – E quando começou a construção do metrô a senhora já tinha saído de lá?

 

R – Do prédio? Já, já estava aqui no 83.

 

P/2 – Como é que era a relação com a vizinhança no bairro? Desde quando a senhora era criança...

 

R – Aqui se dava muito bem, todo mundo se conhecia, ainda mais que a gente tinha comércio.

 

P/1 – E desde que a senhora está aqui é um bairro predominantemente japonês?

 

R – Foi, tanto é que todos os comércios que existem agora, era tudo de japonês. Atualmente  dá pra contar quantos japoneses sobraram aqui.

 

P/1 – Por quê?

 

R – Porque começou a entrar esses capitalistas novos; chineses, coreanos estão dominando agora.

 

P/2 – E o pessoal foi pra onde, foram pra outros lugares?

 

R – Então, já está passando de outra geração, a segunda geração já não tem aquela força que tinha a primeira geração.

 

P/2 – Pra comércio?

 

R – Pra comércio, pra outras coisas. Vai virando médico, advogado, então o comércio já vai ficando pra trás. Eu acho que é isso, vai mudando a feição. Tem muito profissional liberal agora, antigamente não, tudo era tintureiro, quitandeiro (risos).

 

P/1 – Ah é, tinha muito disso?

 

R – Tinha, esse senhor que é presidente da Associação Liberdade era tintureiro, começou com tinturaria.

 

P/2 – E vocês serviam os clientes não japoneses, ou a maioria japoneses?

 

R – Não, o nosso era misturado, porque o nosso cliente vizinho era Diário Oficial, então todo mundo de lá era nosso freguês.

 

P/1 – Os japoneses moravam aqui no bairro, as pessoas que não eram japonesas geralmente vinham fazer serviços, trabalhar...

 

R – Vinham, tinha muita gente do bairro, mas também muita gente da periferia, Vila Mariana, tinha que vir para a Liberdade.

 

P/1 – Dona Shizue, a senhora lembra quando inauguraram o metrô?

 

R – Quando inaugurou o metrô... Acho que eu não lembro, porque eu estava com nenê, ou resguardo, qualquer coisa assim. Mas meu pai deve ter participado, inclusive meu primo é um dos primeiros funcionários do metrô.

 

P/1 – Daqui da Liberdade?

 

R – Não, do centro de operações.

 

P/1 – E o que vocês ouviam dizer quando começou a construir?

 

R – Era um progresso, né? Então a gente não tinha que queixar não. O comércio parou um pouco, porque depois abriu a Radial Leste aqui, por isso que nós saímos da segunda casa, aí veio outra desapropriação por causa da Radial Leste.

 

P/2 – Por causa da Radial Leste?

 

R – A segunda.

 

P/2 – E a primeira, foi por quê?

 

R – A primeira porque o Estado comprou aquele prédio, aonde funciona atualmente o Diário do Comércio, porque acho que o Diário Oficial ia mudar, então outra firma precisava abrir. O Estado comprou aquele prédio, então a gente mudou para 115... 115, 129 e 131, alugamos três casas em seguida, aí veio outra desapropriação do governo, agora para abrir a Radial. Nossa casa ficava em cima da ponte, bem no meio, do outro lado da calçada, o cinema.

 

P/2 – E essa decoração, a senhora sabe de quando que é, mais ou menos?

 

R – Essa decoração... Data, exatamente, eu não sei. Deve ter mais de 20 anos.

 

P/2 – Mas como é que foi, foram os comerciantes?

 

R – Foram os comerciantes, a gente ajudou a fazer a decoração. Pra escolher o ladrilho que tem na rua, apresentaram vários modelos, queria fazer votação, até aí eu lembro, mas eu não participei.

 

P/1 – E tinha discussões? Um queria um, outro queria...

 

R – Acho que sim, inclusive quem fez – não sei se o desenho ou a escolha – tem pensão Sato. Um dos irmãos trabalhava na Eletro, na Cesp, negócio de Luz, Eletropaulo, foi ele que deu aprovação dessa decoração que tem aqui, dessas luminárias.

 

P/2 – E teve alguma festa de inauguração?

 

R – Teve.

 

P/2 – Como é que foi?

 

R – Essas danças de agora. Arma um palanque na Praça da Liberdade, todo mundo dança, homem, mulher, criança, velho, velha.

 

P/2 – E a cerimônia do chá do Buda, o que é que quer dizer essa cerimônia?

 

R – Essa é coisa mais recente, começou com denominação de festas das flores, isso aí faz questão de 20 anos, não sei se tem tudo isso, porque no Japão já é tradicional dar um banhinho de chá no Buda, daí fizeram...

 

P/2 – O que é que isso quer dizer, dar esse banho no Buda?

 

R – Deve ser pra purificar, né? Quando a gente vai ao santuário, nos templos, no Japão, antes de entrar no templo tem uma fonte de água, então com a canequinha de bambu a gente pega água da fonte, dá uma enxaguada na boca, lava as mãos e vai para templo, é para purificar.

 

P/1 – E tem algum templo aqui na Liberdade?

 

R – Tem.

 

P/1 – Como é que chama?

 

R – Templo Budista da rua São Joaquim.

 

P/1 – E a senhora frequenta ou não?

 

R – Não, a gente vai só nas ocasiões... Missa... A gente não participa ativamente não.

 

P/1 – Me parece que as orações as pessoas fazem mais em casa, no oratório.

 

R – Toda casa tem um oratório, um para Deus e um para o santo, santo defunto.

 

P/1 – Aí o templo é mais para quê?

 

R – O templo é mais pra essas parte social, todo mundo... Ninguém tem condições de fazer as missas nas casas, ninguém tem casa grande, pra acomodar todo mundo tem que ser no templo. A chefe maior do templo é uma monja brasileira, casada com japonês, ela é a maior autoridade.

 

P/2 – E tem alguma tradição que a senhora tenha herdado da sua família e passado pros seus filhos?

 

R – Tradição? Como assim?

 

P/2 – Festiva ou de comida...

 

R – Comida ainda é tradicional, a gente come as coisas que os velhos comem, nas festas principalmente, a comida é aquele enrolado de alga, sashimi. Tudo isso ainda é tradição.

 

P/2 – O que a senhora mais gosta das comidas? Qual o prato que a senhora mais gosta?

 

R – Brasileiro ou do japonês?

 

P/2 – Do japonês.

 

R – Ah, eu gosto de coisa simples, sashimi de vez em quando é bom, e peixe cozido e verdura cozida, esse é o tradicional da gente.

 

P/2 – Que verdura que faz?

 

R – Acelga, já ouviu falar?

 

P/2 – Já.

 

R – Acelga, repolho, brócolis refogado. Agora está virando tudo uma mistura, comida chinesa com japonesa, com brasileira, tem muita gente que quer comida prática. Tem muita comida típica. Aquela da panela que vai no fogo, vai cozinhando, vai comendo, a gente faz muito disso também, todo mundo come junto, sem cerimônia, tudo amigo. Tem que ser tudo em família, quem participa dessa panela é porque é familiar. Sabe, é meio anti-higiênico o palitinho que a gente come, ponho no fogo pra pegar a verdura, come no pratinho da gente, depois acabou, vai reabastecer, pega com o palitinho da gente. Mas é tudo família, você adota isso também.

 

P/2 – É um costume?

 

R – É um costume. Na verdade tinha que pegar com palito diferente, garfo diferente, pôr no prato e comer, mas como é coisa familiar...

 

P/1 – Dona Shizue, o que é que a senhora acha que mudou aqui no bairro, desde que a senhora era pequena até hoje?

 

R – Aqui acho que o que mudou foram as vizinhanças, a gente quase que não fala mais com vizinho. Tudo chinês, então quase não fala, a língua também não entende.

 

P/2 – Eles não falam português?

 

R – Não, então tem toda essa dificuldade, eles também não entendem a gente.

 

P/1 – E de iluminação, a senhora acha que mudou alguma coisa?

 

R – Bom, essas luminárias chamam bastante atenção, mas está mal conservada.

 

P/1 – Essa japonesa?

 

R – É, está muito mal conservado. Muitas estão numa posição meio fora de visual, passa caminhão grande, esbarra, esbarra muito.

 

P/2 – Que pena. E tem uma manutenção?

 

R – Não tem, a gente precisa, pelo amor de Deus. Só quando vem o senhor Pitta, finge que consertou, vem consertar, vem alguma autoridade importante, faz, mas depois está tudo no abandono.

 

P/1 – E as ruas, o calçamento?

 

R – Calçamento a gente, pessoalmente... Saiu dois azulejinhos da calçada, porque acho que vieram fazer o serviço pensando que eles vêm consertar. Não vieram consertar e a prefeitura mandou a gente consertar. Não era caso importante, mas agora tem tantas buraqueiras, tanto azulejo solto e ninguém toma providência.

 

P/2 – E aqui na Galvão Bueno, é asfalto ou paralelepípedo?

 

R – Calçada?

 

P/2 – A rua.

 

R – A rua é asfalto.

 

P/2 – E antes, a senhora lembra?

 

R – Era paralelepípedo, era mais baixo, então mais de meio metro foi aterrado de ponta a ponta para colocar asfalto.

 

P/1 – A senhora viu isso?

 

R – Vi, inclusive o irmão do meu cunhado, meu cunhado aqui debaixo, era caminhoneiro que carregava as terás. Ele tinha caminhão, acho que foi contratado também.

 

P/2 – Em que época que foi,a senhora já estava na farmácia?

 

R – Já, que ano será que diria... 68, antes, 64... A data não sei.

 

P/1 – Dona Shizue, por que a senhora escolheu esse ponto aqui da farmácia?

 

R – Porque a gente já morava aí, morava aqui perto, na casa mesmo da gente, então ficamos por aqui mesmo.

 

P/1 – No começo era alugado. Vocês acharam com facilidade?

 

R – Acho que achou fácil, por isso fomos ficando. Nós saímos do 83, alugamos o 115 fácil, fácil, depois alugamos o vizinho, depois alugamos o vizinho. Foram três casas em seguida que alugamos. Depois, quando veio a desapropriação do Leste-Oeste tinha duas casas que estavam meio sem movimento, a gente perguntou se queria passar o ponto, conseguimos fácil, fácil, este prédio aqui. Paguei aluguel mais de 20 anos, o dono resolveu vender, então consegui comprar.

 

P/1 – E a farmácia, já tinha montada?

 

R – Já, já era inquilino.

 

P/2 – Quando que a senhora montou a farmácia?

 

R – Eu montei em 1963, logo que casei, outubro de 63.

 

P/2 – E antes tinha mais assim... Era remédio pronto ou era manipulação?

 

R – Remédio pronto. Manipulação também fazia, mas coisa simples, nunca cheguei a fazer coisa complicada.

 

P/2 – Que tipo de coisa que a senhora fazia?

 

R – Pomada, loção, loção pra escurecer cabelo. Agora não pode.

 

P/2 – Ah não?

 

R – Porque vai chumbo, mercúrio.

 

P/2 – Ah, por causa do mercúrio foi proibido.

 

R – É, por lei é proibido, mas ainda nas fórmulas tem, um pouco tem, loção brilhante, loção pindorama, todas essas aí tem, mas fica difícil a gente abastecer, e tem tanta coisa pronta agora, então não é viável. Pomada mercurial, pra piolho...

 

P/2 – Pra piolho? (risos)

 

R – Também fazia.

 

P/2 – Vendeu bastante, uma época?

 

R – É, vendia, mas não tem infestação como era. Atualmente é mais... Com todo esse tipo de remédio, como tem... Nas escolas, jardim da infância, todo mundo está infestado. Agora é cabelo comprido.

 

P/2 – Dona Shizue, a senhora acha que com a instalação do metrô aqui mudou a vida do bairro?

 

R – Mudou bastante.

 

P/2 – Por quê?

 

R – É prático, não tem coisa melhor que metrô.

 

P/1 – A senhora já andou de metrô?

 

R – Vira e mexe eu estou de metrô, não sei andar de ônibus.

 

P/1 – O bonde, o ônibus...

 

R – O metrô é a coisa mais prática, mesmo que a gente anda um pouquinho depois que desce, eu prefiro metrô.

 

P/1 – E o que a senhora sentiu a primeira vez que a senhora andou de metrô?

 

R – Acho que assim, interessante não, porque a gente andava de bonde já, mas é muito prático, muito bom mesmo.

 

P/2 – Para onde a senhora gostaria que fosse o metrô, que ainda não tem e que a senhora acha que deveria ter metrô?

 

R – Eu não sei, porque a minha utilidade é por aqui (risos). Então precisa ver a conveniência do pessoal que utiliza outros, né?

 

P/2 – E o lugar, a senhora acha que foi bem escolhido para ter estação aqui?

 

R – Foi. Sugestão: acho que era bom perto do aeroporto, Guarulhos, porque lá no Rio Grande do Sul, o metrô é quase dentro do aeroporto, São Paulo não tem isso.

 

P/2 – O que a senhora mais gosta aqui no bairro?

 

R – Ah, eu gosto de tudo, eu não saio por nada daqui.

 

P/2 – E tem alguma coisa que a senhora não goste aqui, ou que a senhora menos goste?

 

R – Muito mendigo, muito lixo acumulado.

 

P/2 – Antes era mais limpo?

 

R – Era mais limpo. A gente vem aí de manhã, está cheio de lixo. A gente precisava daqueles contêineres pra jogar lixo reciclável, todos os lugares tem, aqui em São Paulo não tem.

 

P/1 – E os mendigos, faz pouco tempo que estão aí na rua?

 

R – Já faz tempo, e tende a aumentar. Eles fazem sujeira, fuçam todo o lixo, esparramam para catar qualquer coisa que tem no lixo.

 

P/1 – E tem violência no bairro, dona Shizue?

 

R – Violência... Sempre tem assaltos, tem muito. Descuidou, está batendo a carteira. A gente mesmo já foi assaltado dentro da loja, na farmácia, isso não tem jeito, já vem com essa intenção, segurança na porta não adianta.

 

P/2 – E o que a senhora gostaria que tivesse no bairro, no futuro?

 

R – Esse comércio que está tendo dentro dos metrôs, acho que é muito bom, mas podia diversificar mais, agora é só malha, roupa (risos), isso aí a gente compra uma vez, já dura bastante tempo, coisa mais... Que roda. Então podia abrir mais departamentos.

 

P/2 – Dona Shizue, fala um pouquinho das pinturas do pai da senhora. Pelo que a gente viu, elas mostram bastante o bairro da Liberdade. A senhora estava falando, tem bastante coisa que...

 

R – Ele gostava de andar, e tudo que era fora do comum ele gostava de retratar, então essas casas feias, que estão caindo aos pedaços, ele gostava de pintar. Essa casa era bem velha, a Avenida Liberdade já mudou bastante.

 

P/2 – E tem uma da 23 de maio?

 

R – 23 de maio. Só quem morou por aqui sabe que tinha aquele corregozinho, que tudo mundo precisava andar por lá para ir pro outro lado do Paraíso.

 

P/1 – Tinha uma ponte? O que é que tinha?

 

R – Ponte, não é ponte, tábua.

 

P/2 – Pinguela (risos). E como é que chamava ali? Não chamava 23 de maio.

 

R – Não, é Itororó.

 

P/2 – E tem outros lugares que ele pintou?

 

R – Pintou muito o Viaduto do Chá, no entardecer assim, o sol acabando, ou aparecendo, sei lá, pintou muito disso aí também.

 

P/1 – Ele ficava quanto tempo, mais ou menos, pra pintar?

 

R – Não tenho ideia.

 

P/1 – Mas demorava?

 

R – Mas ele não termina no local. Faz o esboço, dá umas pinceladas, não sei que, volta pra casa e vai dando o final.

 

P/1 – Dona Shizue, a senhora tem filhos?

 

R – Tenho um filho.

 

P/1 – Um filho. E filhas?

 

R – Três filhas.

 

P/1 – A senhora diz o nome deles, pra gente deixar registrado?

 

R – O meu filho mais velho chama-se Sílvio Arai, a segunda é Érica Arai, a terceira é Júlia Arai e a quarta, a caçula, é Leika Arai.

 

P/1 – E eles são casados?

 

R – Não, só os dois mais... O Sílvio e a Érica que são casados.

 

P/1 – E tem netinhos já?

 

R – A Érica está com uma menina de quatro anos, e o Silvio, se Deus quiser, mês que vem está com uma.

 

P/2 – Menino ou menina?

 

R – Menina.

 

P/2 – Menina. Duas netinhas, então?

 

R – Duas netinhas.

 

P/2 – Como é que chama a primeira, de quatro anos?

 

R – Chama Karine.

 

P/2 – Karine?

 

R – Karine, com “K”.

 

P/2 – E a segunda, já tem nome?

 

R – Parece que (Emily?).

 

P/2 – E o que é que a senhora faz hoje no dia a dia, como é que é a sua rotina?

 

R – Minha rotina... Acordar, vir para cá... Nem vou pra casa pra almoçar, almoço na farmácia mesmo, depois vou pra casa pra dormir.

 

P/1 – E o que é que a senhora faz nas horas de lazer?

 

R – Nos fins da semana... A gente tem um sítio, a gente vai pra lá, dá uma arrumada na casa, plantar alguma coisinha, colher limão, laranja, banana.

 

P/1 – E onde que fica?

 

R – Aqui em Guarulhos, 40 minutos daqui.

 

P/2 – Dona Shizue, e tem algum sonho que a senhora gostaria de realizar?

 

R – Ah, eu gostaria que acabasse um pouquinho mais a miséria, todo mundo poder viver bem, não uns roubar as coisa do outro e não trabalhar. Tem muita gente que não trabalha e quer coisa dos outros. Todo mundo trabalhando, todo mundo tem suas coisas, acho que aí vai bem.

 

P/1 – Dona Shizue, a gente já está terminando a entrevista, a senhora gostaria de deixar registrado assim, alguma passagem sua aqui no bairro, ou da sua vida, da sua experiência de vida?

 

R – O que eu poderia falar?

 

P/2 – Alguma coisa que ficou faltando...

 

R – Não sei.

 

P/2 – Deixa eu perguntar só mais uma coisa: a senhora foi pro Japão, conhecer?

 

R – Fui.

 

P/2 – Quando é que a senhora foi? Conta um pouco a viagem.

 

R – Ah, eu gosto de viajar, quando eu posso, eu vou. Primeira vez acho que foi mais ou menos dez anos atrás, aí tive a oportunidade de conhecer vários parentes que pensava que nós, do Brasil, não sabíamos falar japonês. Eles ficaram admirados, e assim começou mais o intercâmbio com o pessoal parente do Japão. Quando eu fui pela primeira vez, logo em seguida eles vieram para conhecer, pra retribuir, aí começou mais um intercâmbio com o pessoal do Japão. Depois meu filho ganhou uma bolsa de estudo pro Japão, ele foi pra lá, o pessoal gostou dele e quis que ele continuasse o serviço, e meu filho ficou morando quase oito anos no Japão, neste ínterim eu estive também uma vez. E mais uma oportunidade surgiu para ir pro Japão, quer dizer, mais uma vez, essa última vez foi um convite do governo do Japão para fazer um reflorestamento numa reserva do Gunma; a cidade do Gunma fornece água pra Tóquio, então o mundo todo... Como tende acabar a reserva de água, o governo resolveu fazer uma área de reflorestamento para captar água, então nós, dessa província, fomos convidados. Então estivemos, ano retrasado, a convite do Japão, e fizemos reflorestamento, foi muito bacana.

 

P/1 – Vocês plantaram as mudas?

 

R – É, mudas, que eles já tinham preparado as mudas. Foi uma festividade e tanto, foi pago, aí valeu bastante.

 

P/2 – Nossa, que bacana!

 

R – E na volta a gente teve oportunidade de passar por Nova York, porque meu filho tinha acabado de casar e se estabelecer lá, então passamos por lá, conhecer Nova York, Washington, e voltamos.

 

P/1 – E das suas viagens, que a senhora estava contando antes da entrevista pra gente, pra ficar um pouco mais perto da natureza?

 

R – Esse é uma coisa que foi boa, essa que eu contei do Japão. Aqui a gente pertence a um clube, que é Amantes da Natureza. Esse clube, esse ano, mês passado, fez 50 anos de existência. Por que 50 anos? Porque foi do tempo do meu pai. Então a gente já está há 50 anos nesse clube, e esse clube faz excursão uma vez por ano na natureza. Então, quando a gente pode, participa, conhecer o que é que tem no local, o que é que tem de interessante. E quem comanda, quem lidera esse clube, é um senhor, botânico, um professor que atualmente está com 87 anos, profundo conhecedor da fauna brasileira.

 

P/1 – E onde fica a sede do clube?

 

R – Fica em Itaquera.

 

P/2 – Como é que chama o clube?

 

R – Centro de Pesquisas de História Natural.

 

P/2 – É que a gente fez umas entrevistas em Itaquera, também.

 

R – Estiveram em que local?

 

P/2 – Lá na colônia.

 

R – No clube?

 

P/1 - Não, a gente foi na casa de duas pessoas, dois moradores.

 

R – Uma dessas pessoas não é o Yoshioka? Patrício?

 

P/1 – Patrício, não, o senhor Patrício vai emprestar as fotos pra gente.

 

R – Então, como o nosso clube não tinha sede, ele era um dos associados, ele resolveu ceder uma parte do terreno dele para o clube, então o clube está dentro do terreno dele.

 

P/2 – E vocês fazem a reunião lá?

 

R – Faz, a mensal faz lá. A semanal faz aqui.

 

P/1 – Aqui nessa sala. E quando a senhora vai pra lá, a senhora vai de quê?

 

R – Pra Itaquera? Metrô. Sabe por quê? Meu marido vai todo dia pra chácara, ele de lá vai direto pro clube, aí eu, daqui, pego metrô e vou pra Itaquera, por isso o clube nosso em Itaquera, e o metrô indo até Itaquera foi mão na roda.

 

P/1 – Jóia. Então é isso, a gente está finalizando, a gente queria agradecer, muito obrigada.

 

R – De nada.

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