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História

As pessoas importantes na minha vida

História de: Cristina de Andrade Brugnara
Autor: Cristina de Andrade Brugnara
Publicado em: 15/09/2020

Sinopse

Diário de Cristina de Andrade Brugnara, 21 de agosto de 2020. Jornada, dia 4.

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História completa

As pessoas importantes na minha vida As pessoas mais importantes são meus filhos Pedro e Rafael. Os motivos são inúmeros, mas explico dois aqui. Pedro, meu primogênito, cometeu suicídio em 30/10/2018, em casa e fui eu que o encontrei. Tinha 23 anos recém feitos. Meu filho, meu companheiro, meu amigo, muita prosa, muito desentendimento também, muita luz... depressão. Não foi descuido, não carrego culpa, e como diz meu chefe "uma alma pura que preferiu o mundo espiritual na proximidade do Criador. Que descanse em paz! - sim, a alma mais pura e o caráter mais correto que conheci. Centenas de pessoas em seu velório. Inacreditável. Rafael, por ser a luz que me guia e me segura. A mão que me chama para a vida. Mais quieto, mais introspectivo, calado. Com seu jeito diferente está comigo sempre. Tive a oportunidade de fazer uma viagem a sós com cada filho e isso acalma meu coração e me fortalece. Em 2016 fui com Pedro para o Chile - Deserto do Atacama e Santiago e em 2019 com o Rafael para Foz do Iguaçu, as Cataratas. Duas experiências ímpares, cheias de significado, de proximidade, de cumplicidade. Venho de uma família muito pequena. Somos em três irmãs e sou a única que teve filhos. Este sentimento de continuidade, de perpetuar é importante. Construir família, memórias, sonhos. Em um dos depoimentos anteriores escrevi que o pai dos meus filhos cometeu suicídio (ano de 2000). Passei por três suicídios na minha vida, até este momento. Creio que tenha um significado. Faço terapia de luto e leio muito a respeito de Viver e Morrer. Encontrei em um dos cadernos do meu filho Pedro o seguinte texto:- "Difícil não é lutar por aquilo que se quer, e sim desistir daquilo que se mais ama. Eu desisti. Mas não pense que foi por não ter coragem de lutar, e sim por não ter mais condições de sofrer." (Bob Marley). Poderia passar horas escrevendo, mas não há palavras para dimensionar o valor de filho na vida da gente. Criei meus filhos de uma forma muito diferente da que fui criada e me machucou. Criei meus filhos com muito diálogo, muito olho no olho, muita verdade, muito colo, abraço, carinho e cumplicidade. Também teve castigo, discussão, chinelada de Havaianas. Temos muitas histórias. Rafael não conheceu o pai. Então, temos uma ligação também muito forte e o irmão representava e ainda representa muito. Mas muito mesmo. Não tem como dimensionar. Ultimamente tenho procurado reconstruir algumas histórias da minha vida. Não tive muito contato com a família paterna, mas tenho descoberto que minha avó paterna: Adelaide Fernandes Montanheiro, foi de uma influencia muito grande. Guardo até hoje a coleção de livros que ganhei dela, com dedicatória, em meu primeiro natal - aos nove meses de idade. Coleção O Mundo da Criança. Gosto muito de trabalhos manuais como bordado e crochê e ela era um exímia bordadeira. Tenho comigo, até hoje, um dos meus primeiros vestidos, bordado por ela. Tenho orgulho. Ela enviuvou do meu avô quando meu pai tinha dois anos de idade, muito pobre, sem recursos. Ela tornou a casar com um viúvo que tinha seis filhos, sendo que o caçula com a mesma idade que meu pai. Pense que fortaleza de mulher. Venho tentando resgatar suas histórias. Uma das minhas primas contou que minha avó era muito querida pelas alunas, jovens, na escola estadual que trabalhava como inspetora de alunos, no interior de S. Paulo. Foi uma mulher além de seu tempo. Nasceu em 1903, leitora voraz, de origem humilde, criando sete "filhos", seis meninos e uma menina, trabalhando fora para ajudar no sustento da família encontrava tempo para grandes e largas risadas, para conversar a respeito de sexo com as netas adolescentes. Não conheci este lado da minha avó. Como disse, não convivi muito. Eu morava em outra cidade do interior e ela faleceu quando eu tinha 18 anos. Hoje procuro resgatar esta avó. Memórias!!!! Convivi com o lado materno da família. Um lado austero e sisudo, que me ofereceu ricas experiências de vida na zona rural, com a natureza, os animais, a vida ao ar livre, a liberdade.

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