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História

As habilidades de um armeiro

História de: Sérgio Peli
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 20/06/2005

Sinopse

Sérgio Peli relembra suas origens italianas, a infância em Penápolis e as primeiras funções na oficina de armas, onde aprendeu o ofício com o pai. Consertos e desenho de peças. Aos 27 anos veio para São Paulo e foi trabalhar no Ao Gaúcho Armas. Utilizando de suas habilidades manuais para consertar, limpar e até mesmo desenhar armas. Ele destaca as habilidades de um armeiro, as armas mais utilizadas, a clientela que atende e o trabalho no Clube Paulistano de Tiro. 

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História completa

IDENTIFICAÇÃO

Meu nome é Sérgio Peli. Eu nasci em 14 de abril de 31, em Penápolis. Meu pai nasceu em Brescia, norte da Itália, e minha mãe nasceu em Calábria, na Itália. As pessoas ficam sempre me olhando quando eu digo o sobrenome Peli, mas a origem é da Hungria. Os ancestrais do meu avô por parte do pai são da Hungria. Então escreve-se Peli com y, mas pronuncia-se Palí. Eles de lá foram pra Áustria, da Áustria pro norte da Itália. E ali quase todo nome italiano termina com i, então puseram Peli.

CASA DE INFÂNCIA

Bom, onde eu nasci é uma casinha modesta, onde meu pai montou aquela oficina que você viu na fotografia, na saída da cidade. Saída e entrada. Eu nasci ali, era uma casa pequena com quintal enorme que meu avô fez um pomar enorme ali. Tinha tudo quanto era qualidade de frutas, eu me criei ali naquele quintal enorme e ia pra escola, voltava da escola. Já com nove anos que eu comecei ir pra oficina. Eu chegava da escola, almoçava e ia pra oficina. Que era encostada na minha casa.

EDUCAÇÃO

Estudava em um grupo escolar. Primeiro, fui no jardim de infância. Lembro até que eu escrevia tudo com a mão esquerda e tinha um freira, que chamava irmã Celina, que me deu tanta reguada na mão que eu acabei escrevendo com a direita.

PENÁPOLIS

Era uma cidadinha calma, pacata, pequena, não tinha nem calçamento, só tinha um cineminha lá. Era a única diversão que tinha e o campo de futebol.

TRABALHO COM O PAI

Com nove anos, comecei a ir todo dia pra oficina. Meu pai me dava uma mesadinha e já comecei a varrer tudo. Eram três pavilhões enormes, oficina e loja, e quem cuidava da faxina era eu. Também ia buscar carvão numa carvoaria do outro lado da cidade. O carvão era usado para forja.

CLIENTES EM PENÁPOLIS

A maioria era o pessoal que vinha da roça, da roça em torno da cidade. Eu tenho esse sotaque acentuado justamente por conversar muito com aquela gente. Tinha tanto patrões como empregados. Quem tinha mais poder aquisitivo já tinha a espingardinha pra ir caçar.

TRABALHO COM O PAI NA OFICINA

Logo que eu terminei o quarto ano do grupo escolar já comecei a trabalhar na oficina, porque a escola de comércio eu fazia à noite. Primeiro, meu pai me ensinou a limar. A gente vê uma pessoa passando uma lima, pensa que é só esfregar e não é bem assim. Meu pai, por exemplo, tinha um ombro mais baixo que o outro de tanto limar. Você quase que fica como uma máquina. Você aprende a limar planinho. Ele exigia a postura com as pernas abertas pra dar firmeza ao corpo. Depois, foi o desenho. Ele percebeu que eu tinha queda pra isso. Ele também fez um pouco de desenho mecânico e desenhava. Desenhava meio ovo, com um risco no meio, e falava: "Agora você vai fazer a outra parte exatamente igual, com a mão livre." Era meio ovo, meio açucareiro, tudo que tinha partes iguais, pra desenvolver o golpe de vista. Isso porque, quando você está limando ou serrando, você tem que ter um golpe de vista. Assim você nunca tira demais nem de menos, tira certo. Ali também tive que aprender solda de oxigênio, solda elétrica. Aprendi a polir. Você pega uma peça enferrujada, passa numa máquina que tem uma roda que tem esmeril. Primeiro tira toda aquela ferrugem, depois passa outra com esmeril mais fino e outro mais fino, até ficar como espelho, isso é polir. Deixar a peça que nem um espelho para depois ela ser submersa num banho de galvanoplastia. Ou seja, niquelar, cromear, banho de ouro, banho de prata, tudo isso é galvanoplastia. Antes de emergir uma peça num banho tem todo um trabalho. É uma outra limpeza, não pode ter nenhuma partícula de sujeira, senão estraga todo o serviço.

CONSERTOS MAIS COMUNS

A arma, depois de um certo tempo, às vezes aparece com uma mola quebrada, que você pode soldar ou refazer. Pegar um pedaço de aço, modelar e fazer a peça. Daí que vem o desenho. Essas armas de caça, quando não são muito cuidadas, a ferrugem toma conta. O caçador chega cansado, ele joga, não cuida, não limpa, quando ele vai pegar de novo, está cheio de ferrugem. Nas juntas, onde você dobra ou encaixa, começam a aparecer folgas. O cano fica jogando, ele aponta, mas já não acerta direito. Tem que encher tudo aquilo com solda elétrica, conforme o caso. Aí entra a lima, vai ajustar tudo certinho pra trabalhar dentro de uma peça que nós chamamos de culatra.

PROJETOS

Eu desenhei uma arma e não tinha material pra fazê-la. Foi de uma arma que estourou os canos, eu cortei, aproveitei os canos. Desenhei, fiz o maquinismo simplesinho dessa arma, porque a gente estava intencionando comprar uma fábrica lá. Aconteceu um pouco de egoísmo do meu pai. Eu que desenhei, eu que fiz, e ele começou a arrumar uns sócios lá. Vi que ele estava me deixando de lado. Então abandonei tudo e vim embora pra São Paulo.

MUDANÇA PARA SÃO PAULO

Eu cheguei e fui procurar uma firma pra mim, eu tinha que manter. Primeiro, fui na casa Bayard, a casa Bayard não tinha oficina e eu fui parar lá na Rua Carlos Gomes, atrás da Sé.

PRIMEIRAS IMPRESSÕES DE SÃO PAULO

Eu já tinha vindo aqui algumas vezes. Sempre fui dado a gostar de movimento, correria, e me dei bem. Todo mundo corria, mas eu não corria. Corro agora acho que pela força do tempo que estou aqui. E gostava de São Paulo, sempre gostei.

TRAJETÓRIA NO COMÉRCIO – LOJA AO GAÚCHO

Um dia, o proprietário da loja Ao Gaúcho, ele ia sempre comprar uma peça, um cabo de revólver, alguma coisa ali naquela oficininha da Sé, me viu e perguntou: "O senhor é novo aqui?" "Sim, sou." "Onde o senhor trabalhou?" "Trabalhei em Penápolis." "Ah, então o senhor conhece o Marcello?" Eu disse: "Conheço, é meu pai." Aí ele falou: "Você trabalha igual ele?" Eu falei: "Bom, eu não posso fazer julgamento. Eu não posso falar se eu trabalho igual ele, ele é muito mais antigo do que eu, muito mais velho, tem muito mais experiência do que eu." Ele disse: "Então passa lá, vai fazer um experiência lá." E pra loja Ao Gaúcho eu fui e lá estou até hoje.

DIFERENÇAS DO TRABALHO EM PENÁPOLIS E EM SÃO PAULO

Em Penápolis, como o pessoal é simples, não ficam procurando muita sofisticação. Se tiver um pedaço de madeira pendurado atrás da espingarda e se der pra atirar certo, estão satisfeitos. Mas como você tem chance de fazer mais, aplicar a arte em cima, pra mim não estava bom lá. Você não podia progredir, não podia cobrar mais, por isso eu vim pra São Paulo. Aqui tem gente que não é rico só de dinheiro, é rico de cultura. Então, eu tinha muito mais chance. Você trabalha com armas finas, armas de categoria que têm desenhos em alto relevo, coisa que eu gosto de fazer.

FERRAMENTAS

Desenho em alto relevo eu faço com talhadeiras. Você afunda com a talhadeira e vai tirando aquele material, fica o outro em alto relevo. Depois você dá acabamento com lixa, com liminhas especiais. Na minha época era só com talhadeira, hoje usam esses motorzinhos de dentista, tem mais facilidade. Eu gosto mais de talhadeira. Parece que a gente põe um pouco da gente no trabalho.

DESCRIÇÃO DO TRABALHO

Um armeiro reforma armas, conserta. Às vezes, faz uma mola, faz uma peça. Ou ele pega uma arma toda enferrujada e vai refazer, deixar ela parecendo nova. Por exemplo, tem arma que chega com os cantinhos arredondados. Passa pela mão de pessoas inexperientes que acabam por arredondar aqueles cantos. Então, o que é que você faz: mete a lima, deixa tudo retinho como saiu da fábrica. Grava as letras novamente, faz os desenhos. Depois, o armeiro completo, que é meu caso, faz coronhas de madeiras. Você tira a medida da abertura da vista, tudo que facilita pra ele.

ARMAS MAIS USADAS

Hoje em dia, com esse índice de criminalidade, estão usando mais armas curtas. Estão pegando armas longas e transformando em armas curtas. Ou seja, cortando os canos, ela serve para defesa. Se tem quatro ou cinco bandidos, sobra chumbo pra todos eles.

CLIENTES

O cliente sofisticado vem lá do Morumbi. Tem armas sírias, armas caríssimas, custa o preço de um carro. É toda rebuscada, toda bonita, vai fazer a mesma coisa que a outra, só que é mais bonita. Clientes mais simples usam arma de um cano. Os outros usam de dois ou usam armas automáticas, de cinco tiros, por exemplo. São armas de cães, você tem que armar por fora. A arma mais sofisticada você abre, colocar os cartuchos, fecha e ela já está armada.

ACIDENTES

Lá em Penápolis, quando um freguês chegava com uma arma, dizia assim: "Seu Pedro, eu tenho um revólver aqui." pra mostrar que estava com problema. Meu pai já tirava da mão dele e a primeira coisa era abrir e olhar. Um dia meu pai demorou pra chegar lá no balcão. Era um revólver 38 e tic, tic, tic, tic, tic, bum. O tiro pegou numa chapa de aço e ricocheteou na minha perna. Sentei no chão na hora, isso já foi o batismo, eu devia ter uns 13 para 14 anos. Também aconteceu com o delegado. Era uma carabina Colt, ela cabe 12 balas calibre 44. Eu fui manobrar pra ele e estava fazendo frio. Estava com uma blusa de lã, estava meio rasgadinha. Conforme eu fui manobrar, a blusa enganchou no gatilho e saiu um tiro na cara dele, mas de lado. A bala pegou numa escrivaninha que estava cheia de pedras de afiar ferramentas, a bala deu não sei quantas voltas lá dentro, quebrou tudo. Ele ficou branco na minha frente e eu falei: "Puxa, a blusa enganchou no gatilho."

CUIDADOS

Mesmo sem munição, dentro da oficina, a arma está sempre apontada pruma parede, prum canto. Sempre pode acontecer alguma coisa, a gente se distrair

TRABALHO NO CLUBE DE TIRO PAULISTANO

No clube, eu pego armas para reforma. Muitas vezes o freguês diz: "Olha, meu tiro está saindo para cima do prato". Ele tem uma máquina, o prato sai voando, imitando o voo do pato. Eles têm que acertar. Quando começam a perceber que estão errando muito, levo ele num setor onde tem um alvo. "Atira no alvo, deixa ver onde o senhor está acertando." Você vê se a arma está pegando em cima, de lado, embaixo. Vou conferir com a arma que ele está atirando, olhando de frente para arma, se a vista dele quando se apoia na arma está de lado, ou do outro lado, ou se está muito alta ou se está muito baixa, aí que eu vou observar a distância que tem, pra fazer uma coronha nova sob medida para ele.

PINTURA

Meu pai percebeu que eu tinha queda para desenhar. Ele forçava. Eu via os desenhos que ele fazia e aquele negócio, pega o lápis, mede a altura do rosto da pessoa. Mais tarde, eu tinha 14 anos e tinha que pintar depressa, porque não tinha a tinta própria. Tinha que pintar com esmalte, que secava rápido. Eu mesmo tinha que comprar essa entretela que usava para fazer paletó. Preparava a tela, passava aquela massa, deixava em um lugar e depois esticava sobre a armação. Eu fiz uma exposição e um diretor de um banco escolheu um quadro que tinha um vaso com flores meio violeta, meio lilás e a mesa envernizada, onde refletia no verniz o próprio vaso e algumas pétalas que estavam caídas. Ele escolheu aquele quadro, e eu ainda era garoto, usava calça curta. Ele mal podia pensar que era aquele garoto que estava ali olhando. Eu vi quando ele escolheu o quadro, mandou reservar, não era caro, só estava cobrando o preço do material. E ele perguntou: "Mas quem é esse Sérgio Peli?" “É o filho daquele armeiro que tem aquela loja na saída da cidade.” “Ah, ele é um garoto." E não quis mais o quadro. Ele queria nome, não estava observando a arte. O dono lá da loja que estava expondo os quadros devolveu. Joguei gasolina na mala de pincéis, estava pondo fogo em tudo [e meu pai chegou]. Eu gostava de pintar, mas não dava para me defender, nem pra continuar.

MÚSICA

Quando eu desisti de pintura, comecei a estudar música. Meu pai sempre gostou de música, comprou um ABC, e depois um Bona musical. E ele estava estudando pra aquilo lá, desistiu e eu peguei aquele caderno. Passei para um outro Bona e deu sorte que apareceu um maestro de banda de música lá. Fui lá. Ele viu que eu já lia um pouco, se interessou. Naquela época, ele era maestro da banda de música e também de uma orquestra que existia num clube. Ele começou a fazer eu tocar com instrumento, era clarineta. Fui aprendendo. Com uns cinco meses de música eu já saí a primeira vez na rua com a banda. Tocava no coreto, festa nos bairros, na sinfônica do ginásio. Ganhava pouco, mas a gente não estava ligando muito para isso.

CASAMENTO

Casei em Penápolis. Conheci uma moça, depois comecei a seguir ela. Ela morava numa chácara e o pai dela criava gado leiteiro. Comecei a ir lá e a frequentar a casa. Comecei por aí e o pai dela era um napolitano. Quando eu fui falar em noivado, ele fez assim: "Se for para noivar, é só três meses." Foi assim que a gente casou.

FILHOS

Meus filhos tiveram uma infância aqui. Depois voltamos para lá, ficamos quatro anos. Fizeram os primeiros anos de escola lá. Depois aqui foram para o ginásio, foram pro colegial. Para o meu filho conhecer a cidade pus ele numa firma como office-boy. Minha filha eu pus no balé e na aula de piano. Meu filho depois fez o colegial, começou a fazer umas coisinhas comigo. Ele desingrinava. Desingrinar é fazer aqueles risquinhos na madeira, onde a pessoa pega para não deslizar a mão, mas tudo aquilo em arma tem que ser feito bonitinho, com arte. Não é um simples risquinho. Ele gostava, mas devido às perseguições que eu sofria no passado por causa do ramo, não incentivei ele. Ele entrou em uma firma de venda de material de escritório e tem também uma microempresa do mesmo ramo.

FORMAS DE PAGAMENTO

Em Penápolis, tinha pessoas que vinham com café, feijão, porco, peru. Acontecia casos de pessoas que diziam: me apertei. Não serve tanto de arroz, tanto de feijão ou café? A gente aceitava. Tinha até médico lá que fazia isso, por volta de 1943, 1944. Quem recebia mais em espécie era meu pai. Eu não recebia direto, era empregado do meu pai. Eu fazia orçamentos, cobrava, dava o preço. Depois se era em espécie ou em dinheiro aí era com ele.

CASO PITORESCO

Tinha uma menina japonesa e o pai passou com ela chorando lá na porta. Foi no médico e o médico queria cortar o dedo dela. Ela enfiou o dedo dentro de uma lata de óleo Singer e não saía mais. Foi deixando, aquilo inchou e ficou meio roxo. Ele passou de volta do médico, sem cortar o dedo da menina. Eu perguntei o que estava acontecendo. Eu falei: "Pô, corta a lata. Vamos entrar lá na oficina." Ele entrou, segurou a menina, pequenininha. Prendi na morsa a lata, meti a serra e o dedo saiu.

PUBLICIDADE

Em Penápolis nem rádio tinha. A propaganda que tinha, às vezes, era no jornalzinho da comarca, muito de leve. Mas como ficava na entrada da cidade, todo esse pessoal do campo via. Estava lá o nome da oficina, o que é que se fazia lá. Um falava para o outro, inclusive meu pai era bem vermelho, o cabelo um pouco avermelhado e os caboclos chamavam ele de "alamão", "Vai lá no alamão".

REFLEXÕES SOBRE O TRABALHO

O armeiro morre e ele não acaba de aprender. Sempre tem alguém inventando um modelo diferente. Sempre vem uma arma de outro país. Normalmente, sempre tem o estudo, chega uma arma lá, o cara faz o orçamento. Se você não conhece aquela arma, você vai estudar. Mas a profissão não está se valorizando, devido às perseguições. Você é visado por bandido, você é visado pela polícia. Eles sempre estão pensando que você trabalha ilegalmente. De vez em quando, acontecem batidas, a polícia vai lá, revista, vê se tem arma ilegal, se tem armas privativas do exército.

NOITES EM CLARO

Sempre aparece uma arma diferente. Às vezes quebra, o freguês perde a peça. Então, você tem que ver aqueles encaixes, qual é a peça que encaixa ali, que desenho ela tinha. Você quebra a cabeça, chega a ficar com olheiras. À noite, sem querer, toda aquela máquina vem na tua cabeça. Com calma aparece aquilo que você tem que fazer. Não dá outra. Você vai, desenha e pá.

SONHOS

Já estou aposentado, eu procuraria ir pro mato de novo, para um lugar onde dá bastante peixe, bastante caça e ficava por lá. Não levaria nem rádio, nem televisão, pra não ver cidade mais. Só mato, água, nadar, pescar, andar de barco. Meu sonho era fazer essa fábrica. Inclusive eu fiz outros mapas de armas, até automática. Mas ficou só no croqui.

REFLEXÕES SOBRE A ENTREVISTA

Achei interessante, bacana. É bom para aqueles que possam interessar pelo ramo, aqueles que são afeiçoados à arma.

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