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História

As Filhas de Maria

História de: Zilda Noronha Miné
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 07/07/2010

Sinopse

Em sua entrevista, Zilda fala de uma época pacata e tranquila de São Paulo nos anos 20, onde cresce em Pinheiros e no Brás. Fala sobre sua família e sobre suas raízes africanas, com ênfase na história de sua vó Luísa Maranhão, ex-escrava. Em seguida, conta como era o Brás da época e descreve o ambiente da tecelagem, onde trabalhou de adolescente até os 47 anos. Adiante, Zilda fala de sua presença no grupo das Filhas de Maria, culto católico composto apenas por mulheres. Depois, ouvimos sobre seu trabalho no pensionato do Centro Social Helio Treze; seu depoimento termina com lembranças da Revolução de 1932 e de aspectos culturais da época, como o cinema, brincadeiras e canções do rádio.

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História completa

Minha avó se chamava Luisa Maranhão, ela era da África. Eles que vieram naquele navio negreiro, né? Então tem um filme que foi a realidade, que eu não me lembro o filme. Então na África ela era feliz, tinha ela, o marido, os filhos, né? E quando chegou aquele navio, pegava a força, né? E diz que ela tinha uma das meninas que falava:Olha Luisa, você...Porque na África tinha muito ouro, tudo, né? Diz que deu um saquinho de ouro pra elaSe você precisar de alguma coisa, você vende, né? Diz que ela chorando, porque os outros irmãozinhos dela ficaram, né? Ela chorando. É, que saiu, outros saíram pra outros lugares, né? Daí então de raiva, quando ela chegou assim em alto mar diz que ela pegou o saquinho e jogou no mar não quis saber de nada. Ela era uma pessoa muito revoltada, né? Por causa dessa vida que ela teve, né? Luisa Maranhão. Do avô eu só me lembro, como ela era escrava e sabe como era aquele tempo, também era assim: eles faziam as meninas casar pra procriar logo, né? Daí tudo ela ficou sabendo a filha. Daí um dia a vizinha, estava a cozinheira falou: “Luisa, você vai casar com o Paulo Orozimba”. Ela sabia já o porque e tudo, ela já tava com 14, 15 anos, né? E falava assim “Ah, ainda se fosse com o filho dele”, né, que ele tinha já filho forro, se bem que ele era uma pessoa boa. Depois que ele teve que economizar. Ele falou assim – forro já era livre, né? Eu pego essa menina e ela fica livre, né? Mas ela ficou com ódio, ainda se fosse com o filho dele, mas não tinha isso. Então saíram casar uma mulher um o homem, chegava o padre e fazia o casamento, né? De quando chega na hora lá é assim: “É de espontânea vontade do Senhor Paulo Orozimbo casar com a Luísa?” Diz que ele falava: “Sim Senhor!” Aí ele falou assim “E é de espontânea vontade da Luísa casar Paulo Orozimbo?” Diz que ela (pausa) Daí estavam casados, saíram casados. Daí, quando chega na porta ele pra agradar ela, pegou uma tigelinha que ele levou e disse que deu pra ela. Ela pegou a tigelinha e jogou no chão. Assim foi a núpcias dela, uma menina com 14 anos, né? Olha aqui, né, mas ela era uma pessoa revoltada por causa disso, isso que eu me lembro da avó Luisa.

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