Busca avançada



Criar

História

As facetas do Perito

História de: João Alberto Weingaertner
Autor: Bruno de Moura Raupp da Silva
Publicado em: 23/09/2016

Sinopse

Do interior à capital, João conquistou sucesso pessoal e profissional

Por: Bruno Raupp e Robson Hermes

Tags

História completa

A superação torna-se quase palpável enquanto olho diretamente nos olhos verdes e azuis de seu João no momento em que ele conta solenemente a história de sua vida. Natural de Taquari, região central do Rio Grande do Sul, João Alberto Weingaertner, filho mais velho de um grupo de cinco irmãos, quatro homens e apenas uma mulher.

Teve os percalços de sua vida iniciados de maneira muito prematura, entretanto, nem mesmo a tuberculose de seus pais e a pobreza da infância, o impediram de conquistar tudo que tinha em seus planos. Saiu de casa muito jovem para completar seus estudos e conquistou um mestrado em Agronomia pela UFRGS. Conheceu o amor de sua vida e construiu uma belíssima família. Fez carreira na Polícia Civil como Perito Criminal e ainda encontrou tempo para ser atleta do Internacional.

 

Polícia

Aos 16 anos, devido à doença dos pais, o jovem deixou para trás sua cidade natal e, mesmo sem possuir dinheiro algum, rumou à capital com entusiasmo. Acabou por encontrar abrigo na Escola Técnica de Agricultura (ETA), localizada no município de Viamão, na região metropolitana de Porto Alegre. Jovem e com determinação, Alberto morou na própria sede da ETA por três anos, completando seus estudos técnicos. Após sair da Escola Técnica, João passou a morar com seu primo. Neste período, João encontrou a saída para os problemas financeiros nos concursos. Seu primo, que era policial, o encaminhou para um concurso de Papiloscopista (profissional responsável pela coleta, armazenamento e identificação de impressões digitais) da Polícia Civil.

Após ter passado na prova, mesmo não tendo idade mínima solicitada no edital, Alberto tinha 18 anos e o edital pedia 21 anos, iniciou sua carreira na Polícia, fato que gerou muitos frutos positivos em sua vida. Nesta época, seu pai já havia falecido devido às complicações causadas por sua enfermidade. Jovem e novato na Polícia, o taquariense descobriu um novo mundo na corporação. Se manteve por cinco anos em seu primeiro cargo, até passar em um novo concurso, desta vez para Perito Criminal. Foi neste posto que conquistou prestigio e uma carreira invejável. Com o passar dos anos, galgou patentes e foi convidado a ser o primeiro Coordenador Geral do Instituto Geral de Perícias do Rio Grande do Sul (IGP) quando o Órgão se separou da Polícia Civil e tornou-se independente. Muitos casos marcantes aconteceram em sua vida profissional. Em certo momento de carreira teve que gerenciar e supervisionar os presídios gaúchos pelo período de nove meses. João contou que a população carcerária se recusava a comer carne moída e que havia sempre uma tensão no cargo.

Como perito, um dos casos que mais o marcou foi um assassinato que ocorreu em um motel. Um homem morto pela amante e um disparo indecifrável. Bastou uma noite para que o Perito Weingaertner descobrisse a origem dos disparos. O conhecimento angariado com a experiência acabou gerando 3 livros, Rossi – A Marca Sem Fronteiras, Boito – As Armas e os Alvos de uma Empresa Gaúcha e Armas Taurus – Uma Garantia de Qualidade. Estas publicações demonstram o empenho e paixão pela profissão que seguiu.

 

Marília e a Agronomia

Após ter passado em seu primeiro concurso, João pôde focar nos estudos e passou no vestibular para cursar Agronomia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFGRS). Em pouquíssimo tempo, Alberto havia conquistado um emprego fixo no qual poderia seguir carreira e havia passado em uma Universidade Federal. Como já obtinha grande conhecimento sobre a profissão agrícola devido aos seus estudos, Alberto dominou com maestria o tempo de faculdade. Alberto se formou engenheiro agrônomo e finalizou seu mestrado, sendo convidado a lecionar, porém negou o convite. Enquanto sua carreira como perito desflorava, João Alberto sempre conciliou a agronomia em sua vida, trabalhando com as duas coisas simultaneamente. Já aposentado da Polícia, mas continua a trabalhar na área agrônoma.

Foi neste tempo em que conheceu o amor de sua vida. O encontro ocorreu em um baile no Campus do Vale, local onde estudava. Depois de algumas danças, o casal namorou por dois anos e mais um de noivado, até que se casaram, João tinha 23 anos e Marília 21 na época. Entretanto, nem tudo foi felicidade no início do matrimônio. Após dois abortos espontâneos, Marília descobriu uma deformidade em seu útero e teve constatado que não poderia ter uma gestação completa. Logo após a trágica descoberta, o casal conheceu sua primeira filha. Em uma viagem para visitar seu tio, João e Marília conheceram Sirlete. A menina de seis anos era filha da mulher de seu tio. Em pouco tempo a adoção foi efetuada e João e Marília tiveram sua tão sonhada filha. Um ano após a adoção, Marília contou a João que estava grávida mais uma vez. Porém, desta vez a gravidez se completou e nasceu Luiz Alberto, seu único filho homem. Mais um tempo se passou e o perito foi surpreendido mais um vez. Marília estava grávida novamente e desta gestação nasceu sua filha mais nova, Sabrina.

Sirlete é pedagoga formada,Luiz Alberto se formou engenharia química e reside no Rio de Janeiro e Sabrina é advogada formada. Hoje em dia, João possui sete netos, sendo seis deles homens e apenas uma menina.

 

Atletismo

Esguio e atlético, João encontrou o atletismo em sua juventude. Começando ainda jovem, pelos seus 17, 18 anos, Alberto praticou salto triplo, salto em distância e 400m com barreira. Foi a maneira encontrada para conseguir dinheiro enquanto estava estudando na ETA. Competindo pelo Sport Club Internacional, conheceu todo território brasileiro e o Chile. Participou da Seleção Gaúcha de Atletismo. Ficou no esporte por 10 anos e acabou deixando de lado, pois já estava trabalhando como Perito e já estava na graduação.

 

Vida

A superação percorreu toda a vida de João Alberto. Desde sua adolescência até seus dias atuais, quando superou um câncer com a vitalidade de um menino. Aposentado e com muitas histórias, o Perito e Engenheiro Agrônomo conquistou tudo que quis e não deixou suas oportunidades passarem em sua frente sem serem pegas. João é um exemplo para todos e para tudo. Sua determinação e as conquistas que vieram desta força são admiráveis.

Ver Tudo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+