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Arte e economia

História de: Giulia Frozza Silva
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 17/01/2022

Sinopse

Giulia conta nessa entrevista as diferentes formas de se relacionar com a Avenida Paulista ao longo de sua vida.

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História completa

P/1 – Giulia, pra gente começar eu queria que você falasse seu nome completo, a data e o local do seu nascimento. 

 

R – Bom, meu nome é Giulia Frozza Silva. Eu sou de São Paulo, nasci aqui. Sou paulistana mesmo (risos). E é isso.

P/1 – Que ano?

R – Ah, eu sou de 1987.

P/1 – Giulia, conta pra mim, qual é a sua relação aqui, com a Avenida Paulista?

R – Bom, minha relação com a Avenida Paulista é muito antiga (risos). Desde criança, assim, eu frequento a Avenida Paulista muito, sempre. Sempre. Tipo, eu vim na primeira Parada Gay quando eu era criança, eu frequentava o parque do Trianon, o MASP, sempre, a vida inteira. A Paulista inteira, todos os centros culturais, eu vou muito a todos. E cinema, então, nem se fala. Eu frequento muito a Avenida Paulista.

P/1 – A primeira Parada Gay, como é que... Marcou a sua vida, né?

R – Não, não. Eu era criança, não marcou. Mas, assim, pra ver que faz tempo, né? (risos). Mas, não marcou não. Mas, foi engraçado. Que eu tinha ido no parque com a minha mãe, assim, daí estavam as drags passando. Foi nada demais.

P/1 – Quando você pensa na Paulista, assim, o que mais vem à cabeça?

R – Arte. Arte e... Economia, né? Porque a Paulista movimenta muito dinheiro, então, é o que mais, assim, sempre penso nisso. Quando penso na Paulista vem 5% PIB (risos). Ou então, fala assim: "Não, vou pra Paulista" "Ah, mas o que você vai fazer?" "Ah, não sei. Eu vou no centro cultural, vou ver o que é que vai passar". Sempre tem alguma coisa. Sempre. Final do mês tem menos, mas, sempre tem muita coisa. Porque daí você tem o Itaú Cultural, tem o SESC, tem o Centro Cultural da Caixa. Daí tem os cinemas. Daí tem a Augusta também, que tem muita coisa, assim, pra fazer. Sempre tem muitas coisas. 

P/1 – Pensando, assim, na Avenida Paulista tem algum lugar predileto seu? 

R – Ah, então, é, tem o MASP, que é mais querido, assim, porque é um museu. E tem lá a praça, aquela parte de baixo, o vão livre. Que daí tem várias histórias, assim, quando eu fazia cursinho. E daí... Mas, a avenida inteira, assim, sempre percorria...

P/1 – Mas, você tocou num assunto importante. Tem várias histórias... Conta uma história pra gente.

R – Eu fazia cursinho na [Avenida] Doutor Arnaldo, na Faculdade de Medicina da USP e  no segundo ano de cursinho, assim, a gente saía do cursinho, cabulava aula. Daí comprava bebida e ia pra o MASP beber. E daí foi engraçado, assim, foi o começo da minha boemia (risos). Foi o começo, assim, era tipo quinta-feira à noite, era absurdo, assim, um bando de maluco na Paulista. Que não era sexta. Porque sexta é coisa pra... Sextas não era sempre. Quinta era batata. Que eram as aulas mais chatas do cursinho e daí a gente cabulava. Daí vinha rindo da Doutor Arnaldo até a Paulista. Porque todo mundo começa a ficar desesperado no final do ano, assim, então todo mundo ria por qualquer coisa. A gente chegava no MASP, assim, os guardinhas até botaram a gente pra fora uma vez. Que dava um horário, eles tinham que mandar embora, né? Dá um horário, eles mandam as pessoas embora, porque senão fica muito indigente, muito mendigo no MASP. É, já conhecia os hippies já. Foi  engraçado também. 

P/1 – Você conheceu muita gente ali? Era um espaço de convivência mesmo?

R – Não, era tipo... Os meus amigos do cursinho. É que saía muita gente da sala pra ir pra o MASP, pra fazer nada. Pra fazer nada, não, pra conversar, beber e falar merda, né? Vinha muita gente, vinha umas 15 pessoas sempre, no mínimo, entendeu?

P/1 – Tinham outros grupos também que iam lá?

R – Não, então, daí tinha o pessoal que ia de vez em quando. Daí sempre tinha uns amigos do amigo de alguém que ia. Era engraçado.

P/1 – Mas, Giulia, então assim, pra gente ir terminando. Conta pra mim, assim, pensando na sua vida em relação com a Paulista. Qual foi a história que mais marcou você aqui na Avenida? Uma experiência sua que você possa descrever pra gente.

R – Ah, putz. Uma experiência? Não sei, eu tenho experiência todo dia com a Paulista (risos). Sempre acontece alguma coisa.

P/1 – Aquela.

R – Aquela? Putz...

P/1 – Que você ache importante. Você fala: "Poxa, esse dia foi muito legal". Ou foi assustador ou foi... Enfim.

R – Ah, não teve nada assustador, assim, nem não importante assim. Mas, teve coisas engraçadas.

P/1 – Por exemplo?

R – Uma vez eu saí da casa desse meu amigo que tava aqui agora. Saí da casa dele maior “deprê”, assim, bodeado. Daí eu fui no Masp. Daí eu sentei no Masp, assim, daí um cara veio puxar conversa comigo (risos). Daí eu tirei o maior sarro da cara do cara e o cara me achou legal ainda (risos). Tirei o maior sarro, assim. Falei: "Não, você não sabe o que é que você tá falando. Que não sei o quê". Que ele falou que era punk, não sei o quê. Falei: "É, eu que sou punk, que não sei o quê. Não sabe o que tá falando". Que eu tava de vestido, assim, com um decote. Daí o cara, tipo, achou que... Sei lá... Que ele ia vir lá me cantar e ganhar de boa (risos). E daí eu fui o maior filha da puta (risos). Daí foi engraçado (risos). E daí ele até me deu uma pulseira (risos). Ele me deu uma pulseira e falou: "Nossa, você é mó legal". Daí eu falei: "Pô, eu fui a maior cretina e ele me achou legal". Daí, essa história, assim, foi a mais engraçada. Sabe quando você sai, assim, chateada (risos), sozinho. É, foi isso. Essa foi a que me marcou nos últimos tempos. Tem outras, mas, agora se eu lembrar, dá muita história.  

P/1 – Eu percebi que você tem uma relação diversa com a Paulista.

R – É, diversa.

P/1 – Você vem pra tomar uma cervejinha, vem pra questão de cultura, vem só pra passear, como é que é?

R – Também. Eu venho sempre.

P/1 – A Paulista está na sua vida. Vem sempre?

R – É, sempre. Toda semana quase. Eu passo uma vez por semana ou de... Uma vez por mês no mínimo, assim. Mas, é difícil uma vez por mês, eu venho mais vezes, porque sempre muda as exposições na Paulista, então, vira o mês, muda a programação. Então, sempre tem mais coisa pra fazer, né?

P/1 – O que você estava fazendo hoje?

R – Eu? Eu faço artes visuais, na Belas Artes. É isso. É uma relação muito forte com a Paulista. É. Também, teve uma época também que um amigo meu, ele gostava de estudar no Centro Cultural Vergueiro. E daí a gente vinha de lá... A gente vinha estudar aqui, daí a gente voltava a pé. Daí a gente ficava conversando, assim. E era o horário meio assim, das cinco da tarde até as seis. Daí a gente vinha andando e conversando e falando merda e não sei o quê. Daí, olhar a tarde na Paulista é diferente do que olhar na... Eu moro na Freguesia do Ó, então, é diferente você olhar a tarde aqui do que lá. Ah, a luz é outra, meu. As pessoas são... Você encontra muita gente na Paulista também. Teve um dia que eu saí no horário de Pico, assim, de Pico mesmo. Tava cheia a Paulista. Daí eu encontrei uns três amigos do colégio que eu nunca mais vi. Passei quatro anos sem ver as pessoas, assim. Eu encontrei no mesmo dia. E eu tava indo no cinema e tentei arrastar todo mundo e ninguém quis ir (risos). Mas, foi engraçado aquele dia, porque eu encontrei três, assim, seguido. Assim, primeiro um, depois o outro. Daí, um eu nem parei, falei: "Oi". Daí o outro eu parei, falei um pouquinho. Daí o outro eu parei, fiquei uma meia hora (risos).

P/1 – Tem alguma coisa mais que você gostaria de contar sobre sua relação com a Avenida Paulista?

R – Não, acho que não. É uma coisa que vai durar muito ainda (risos).

P/1 – Obrigado, Giulia.

R – Obrigado.

 

FIM DE ENTREVISTA

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