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História

"Aqui pra vocês, sou da Freguesia"

História de: Cassio Piccolo
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 17/12/2012

Sinopse

Identificação. A infância e as brincadeiras na rua de terra no bairro da Freguesia do Ó. As paixões: música e cinema. Os grupos musicais que fizeram parte da sua juventude e os grandes amigos nesse período. A aquisição de parte da rotisserie que um amigo criara com seu pai e irmão. As profundas mudanças que transformaram o local no FrangÓ. A aposta na tríade coxinha, cerveja e frango. Como o bar torna-se um local amplamente conhecido e admirado que destaca o bairro da Freguesia do Ó ao longo de 24 anos.

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História completa

“A Freguesia do Ó era o fim, era a periferia. Meu pai conta histórias em que ir de lá até a cidade era uma aventura: tinha que pegar ônibus, bonde, mais não sei o quê.E aqui no bairro, talvez por causa dessa distância, durou mais tempo essa coisa de vendinha, de mercearia. Você conhece o dono, você cumprimenta, pergunta como é que vai a tia, a mãe, o papagaio. E o FrangÓ, tem um pouco dessa proximidade. Quando abriu, em 1987, ele era uma rotisserie. A parte que hoje tem a choperia era um quintal; a gente plantava hortelã, tomate cereja lá. Depois, quando assumiu de vez a vocação de bar, tudo veio num crescente. Ele virou atração turística e, num certo sentido, colocou a Freguesia no mapa de São Paulo. As pessoas lá do bairro falam do bar com orgulho e isso é muito legal. São Paulo é pródiga nisso, porque, se você visitar os bairros e a periferia, você sempre vai achar um lugar incrível, que está perdido no meio do nada e que não precisa estar na mídia, não precisa nada daquilo, ele simplesmente existe daquela maneira. E eu acho isso fantástico, porque isso de certa maneira ajuda a preservar um tipo de coisa com que de outra maneira seria impossível ter contato. E lá no FrangÓ começou a acontecer, por exemplo, de um cliente da zona sul levar um morador lá do bairro para conhecer o bar. E gente de fora, também. Tem um alemão lá, que esteve há pouco tempo no guestbook e ficava falando: ‘Wunderbar!Wunderbar!’, que quer dizer maravilhoso. Eu lembro que uma vez um cara foi lá e falou que ia voltar à noite com 40pessoas de Santos, para a gente reservar. ‘Cara, não tem como’, eu falei. ‘Sinto muito.’ E não é que depois ele me apareceu com o ônibus lá. O bar lotado, gente na calçada e o rapaz estaciona um ônibus vindo de Santos. Aí sabe o que eu fiz? Tinha outro bar lá; na época chamava Jatobá, hoje nem existe mais. Eu falei: ‘Cara, o que eu posso fazer é levar vocês pra algum lugar.’ Porque depois eles ainda iam pra quadra da escola de samba Rosas de Ouro, que também é na Freguesia. Era um programa fechado. Se eu simplesmente falasse: ‘O problema é seu’, eles iam ficar com uma imagem antipática da gente. Eu entrei no ônibus, fui com eles até o bar, cheguei lá, pedi pra chamar o gerente, falei: ‘Meu, tal, tal, tal.’O cara me agradeceu. Levei 40 clientes para ele de uma vez. E foi com coisas assim que um dia eu falei para mim mesmo: ‘Eu não quero ir pra mais lugar nenhum. Esse é o limite.’ Você tem que saber isso, porque senão vai ser aquele negócio, vai virar outra coisa, vai virar rede. E eu não quero isso, porque, mais uma vez, eu quero que continue tendo essa relação de proximidade, essa história de as pessoas passarem por ali e perguntarem como vai seu pai, seu filho, tudo, independente de entrarem no bar.”

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