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História

Aqui era água, mas era comprada

História de: Albertina (Nina) Leandra dos Reis Santos
Autor: Coleção Alagados
Publicado em: 07/08/2020

Sinopse

Nina reflete sobre a chegada em Alagados e a aquisição de um pedaço de água, no qual, ao lado marido Secundino, construíram sua casa com as próprias mãos.

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História completa

Então aqui era água, mas era comprada. Aqueles morador velho invadia e marcava lugar. E quem não era, aqui no caso ele mais meu irmão, ficaram procurando, procurando um lugar e acabou encontrando esse aqui. Comprei era água. No caso já tinha cercado, cara já tinha cercado, que alguém cercou. Cercou quer dizer que pegou um pau e marcou o lugar, nós compramos. Agora a sabedoria de que quem vem do interior e não entendia nada! Esse aqui foi fulano de tal que marcou, fulano que marcou, mas resolveu vender. Vendia água. A Capitania dos Portos dizia que não era nada de ninguém. Foi Deus que criou a água, a maré, e a Capitania dos Portos é que era os donos. Mas o povo invadia isso aqui. Quem fazia, fazia as suas casas no alto, fazia bem alto e fazia assoalho em cima bem, e quem não podia, fazia tudo baixinho, a água entrava, era aquele problema. Depois começou a jogar entulho, como ele disse o prefeito né. Vinha as caçamba de entulho jogando e as pessoa ia apanhando e ia jogando debaixo da casa. Quando despejava uma caçamba aqui, quando vinha buscar já não tinha mais corria, pegava. A minha mesmo, tem pessoas que aqueles lixo que vinha... a minha sempre foi de arenoso. Arenosos que faz obra. Essa minha era toda de arenoso. Carregava, ponhava, os pequenos mesmo, jogava ai embaixo. Eles vendiam, uma tabua não sei se era 5 conto, sei lá. Ai a gente comprava e jogava debaixo da casa, e ia entulhando. Eu sei que a minha fez, eu não botei um lixo como muita gente botava. Tudo que caía pegava. Mas eu não. E depois virou casa né? Precisou muita coragem. Ainda mais vindo do interior. Que eles mesmo veio, mas trabalhava e não tinha tempo de fazer o assoalho. Pagava as pessoas, as pessoas que sabia que a gente não tinha conhecimento de nada cobrava o que queria! Depois a casa eu aprendi a fazer né? Aprendi a fazer e parede quem fazia era eu e eu fui ajeitando, fui melhorando, fui fazendo. Ele trabalhava numa firma de transportadora de mudança. Então era aquele carro baú. Então sempre que ele ia, ele ia para todo o canto do mundo, que ele conhece, um bom pedaço do mundo ele conhece. O Brasil todo. Então essas mudanças. Então aqueles.. aquelas tábuas bem rude, chamava lixe naquele tempo. Que hoje é os containers, hoje é de ferro né. Naquele tempo era de madeira. Porque a gente pegava mudança dos americano que chegava, de alemão que chegava vinha pro Brasil e aquelas madeiras eles davam para a gente. Ai trazia e desmanchava. Essa casa inteira foi feita de material tudo americano. Aqueles que não tinha condições era aquelas tabuinhas de qualquer jeito. Ele que trabalhava nessa firma, que tinha aquelas madeiras, a gente fez tudo bonitinho. Depois de tudo entulhado fechou e colocou o cimento todo na casa e depois ficou, ai depois teve uma fábrica na Boa Viagem, ai meus dois irmãos trabalhavam na fábrica, a fábrica faliu, desmanchou tudo e aquelas estacas eles trouxe, fizeram tipo uma escama de peixe, botava uma assim, outra assim. Depois que eles.. nessa firma ganhou, ai a gente cercou o quintal e fez... Foi tudo de madeirite de.. compensado, americano. Ai pintava. Pintou e ficou pintadinha com o cimento no chão. Ficou caprichado. Cada um foi fazendo, foi chegando, foi chegando, quem já estava foi melhorando, quem foi chegando também né. Pois Deus ajudou, hoje ninguém pode dizer que não tem uma casa. Hoje, eles são três. Foi subindo, que eu tenho 3 filhos, então aquela menina e dois homens, o mais velho botou em cima, e o caçula na última. A menina é casada, mora em Paripe. O marido gosta muito de construir, comprou um terreno grande e construiu pra morar e fez várias de aluguel. Tem 6. Mora em uma e tem 5 alugada, fora as garagens. Ai eu fiz assim com os meninos, eu disse: “ - Enquanto vida é de todos, depois que eu morrer aqui é da menina, vocês são homens...” Aí o mais velho casou primeiro então fez a dele, e o caçula botou em cima, mas depois arranjou a família e foi embora. Só fez bater a laje, não teve acabamento.Não fez acabamento. Lá a gente estende roupa, guarda as coisas que não vai usando.É, mas precisa terminar. E o do meio, ele é da marinha, a marinha traz ele pra aqui, serve 5, 6, 7 anos, depois leva pra o Rio, serve 7, 8 anos no Rio, depois volta pra aqui. Agora ele alugou a casa. Aí quando vem de férias fica aqui mesmo comigo, só tem os 3, a outra mora em Paripe. Só fica nós dois e os netos.

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