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História

Aprendi a ter equilíbrio e ser mais forte

História de: Thiago Dalla Bernardina Daher
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 03/11/2021

Sinopse

Thiago Daher, quando pequeno, só queria ficar deitado em seu colchão quando suas crises de dermatite atópica alcançava os piores estágios. Se sentia meio só, longe da escola e dos amigos para jogar bola. Foram a maturidade dos anos, o amor da família e da esposa que fizeram com que ele se aceitasse como é e percebesse que sua doença, na verdade, o ensinou a ser uma pessoa mais forte.

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História completa

Quando criança, em épocas de crise da dermatite atópica, eu não queria ir para a escola. Minha vontade era de ficar deitado no colchão de casa. Às vezes, eu ia para a escola no verão com camisa de manga comprida para esconder. Coisa de criança. Ficava incomodado pela aparência. Tentava esconder porque tinha um certo incômodo.

 

Então eu me cobria. Usava camisa de manga comprida, calças jeans. Tentava disfarçar o quanto podia. Era mais questão de esconder dos colegas mesmo. Das namoradas não tinha como, então elas já sabiam que eu convivia com aquilo, mas era mais questão do incômodo de mostrar, das pessoas perguntarem o que é. Só isso.

 

Como a pele, por causa da dermatite atópica, coçava muito, as dobras ficavam bem machucadas. Tanto na parte interna do joelho, quanto na parte em cima do cotovelo, que eram os piores locais. Ficavam feridos mesmo, com pústulas. Achava até meio feio sair de casa, ficava com vergonha. Nas crises, ficava com bastante vergonha de sair para a aula, tanto que eu faltava.

 

Sentimentalmente, eu acredito que isso me deixava um pouco mais sozinho. Um pouco mais triste por não estar saindo com meus amigos, jogando bola, fazendo algumas outras coisas. Sentindo um pouco com vergonha. Mas acredito que isso não afetou muito a minha autoestima. Pode ser que tenha afetado quando eu era pequeno, mas hoje eu vejo que isso não me prejudicou. Que não prejudica.

 

Foi na adolescência, acredito que quando tinha 18 anos, ou um pouco mais velho, que eu comecei a aceitar mais isso. Acho que antes, lá pelos 15, eu ainda ficava com muita vergonha, entendeu? Mas acho que teve aprendizado com a dermatite. Você sempre acaba levando alguma coisa, porque mesmo a dermatite sendo uma coisa que causava um pouco de incômodo, acho que ela me deixou uma pessoa mais, como é que vou te dizer... Por incrível que pareça, uma pessoa que não liga muito para besteiras. Porque aprendi a até aceitar aquilo, a dermatite em mim. Acho que me deixou um pouco até mais forte. Assim, para tudo, para a vida.

 

Hoje eu sou uma pessoa com certeza mais equilibrada em relação a minha alergia. Eu sei quando vai piorar e o quanto vai piorar. O tempo que vai levar para, por exemplo, melhorar a pele. Sei o que que eu devo fazer se piorar.

 

Às vezes eu tenho algum lugar para ir, algum evento, praia. Coisa que geralmente você fica mais exposto, sem camisa, com bermuda. Então, sei que devo fazer um tratamento certinho até o verão, tudo direitinho para ficar com a pele boa. Eu acredito que hoje tenho um controle sobre isso.


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