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História de: José Carlos Danza Errico
Autor: Raquel
Publicado em: 08/06/2021

Sinopse

entrevista de José Carlos Danza Errico, natural de Poços de Caldas, Minas Gerais. Início da carreira como estagiário, professor assistente. Engenheiro de minas. Projetos. Interesse em Geologia e Ciências da Terra . Planejamento de minas. Projetos de Informática. Vocação ambiental. Sustentabilidade.

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História completa

Trajetória Alcoa Entrevistado por Maria e Maurício Depoimento de José Carlos Danza Errico Poços de Caldas, 05 de dezembro de 2007 Realização Instituto Museu da Pessoa.net Depoimento ALCOA_HV007 Transcrito por Gustavo Ribeiro Sanchez Revisado por Luciane Recieri P/1 – Bom dia, senhor Danza! Vamos começar a entrevista com o senhor falando seu nome completo, local e a data de nascimento. R – José Carlos Danza Errico, Poços de Caldas, 13 de outubro de 1955. P/1 – Qual a sua atividade atual? R – Sou diretor do GBS [Global Business Service] da Alcoa [Aluminum Company of America] aqui em Poços de Caldas, que atua na prestação de serviços para toda a América Latina. P/1 – Qual o nome de seus pais? R – Carlos Errico Neto e Taís Danza Errico. P/1 – E qual é ou era a atividade profissional de seus pais? R – Meu pai é advogado e minha mãe é do lar. P/1 – E a origem da sua família? R – Todos de Poços de Caldas. P/1 – E os avós também? R – Os avós também. Os bisavós são italianos. P/1 – E o senhor tem irmãos? R – Duas irmãs. P/1 – Vamos falar um pouquinho da sua infância. Onde o senhor morava, se tem alguma ideia dessa, lembrança dessa época, do seu cotidiano, da sua casa. Fale um pouquinho da sua infância. R – Bom, a minha infância foi relativamente tranquila. Morei aqui, em Poços de Caldas, em um bairro chamado Jardim dos Estados. Desde aquela época, eu gostava muito de brincar, fazer experiências com química e algumas coisas assim diferentes. Tenho uma lembrança muito boa desse período, principalmente de um grupo, um pequeno grupo em que estudávamos um pouco de eletrônica naquela época, mexendo um pouco com transmissões, rádio transmissor, enfim, fazíamos aqueles foguetinhos. Foi uma época muito boa. P/1 – Então, essas eram as suas brincadeiras preferidas, vamos dizer, assim da sua infância? Ou tinha outros tipos de brincadeiras? R – Tinha sim, o que o jovem faz, né, andar de bicicleta, nadar, fazer este monte de coisas, né? P/1 – E você tem lembranças assim da cidade, como era naquele tempo? R – Era bem mais tranquilo do que hoje, porque era uma cidade muito mais pacata, voltada mais para turismo, coisas neste sentido. P/1 – E na sua formação educacional? Quando é que o senhor começou os estudos, o senhor lembra da escola? R – Comecei no Externato Maria de Lourdes Freitas em que fiz a parte de primário, depois fui estudar no colégio Marista onde eu fiz, naquela época, a parte ginasial e depois a parte científica. No segundo, terceiro ano científico eu me mudei para Ouro Preto e terminei o curso científico lá. Fiz o vestibular para a Universidade Federal de Ouro Preto, para Engenharia, cursando engenharia de minas nessa época. P/1 – O senhor teve alguma influência para escolher sua profissão? R – Na verdade é como eu te falei, uma das coisas que eu gostava de fazer na infância era de vez em quando, aqui em Poços, subir nessas montanhas aí e escalar de um lado para o outro e essa atividade voltada mais para natureza, coisas deste tipo sempre me chamaram a atenção, até hoje chama, né! Em algumas férias, costumo tirar em lugares mais tranquilos, voltados mais para a natureza realmente. Inicialmente, eu já estava pensando em fazer geologia que era mais voltada ao estudo das ciências da terra e logo que entrei na universidade, tinha a opção de continuar como Engenheiro Geólogo ou Engenheiro de Minas e a parte de beneficiamento mineral e extração mineral. Isso me atraiu mais que a questão simplesmente da geologia e, optei então, por Engenharia de Minas que tinha a parte de geologia, mas também tinha de metalurgia e civil, então, acho que uma complementava a outra e era bastante ligado aos meus interesses. P/1 – E logo depois da faculdade, você fez algum estágio na área, como foi? R – O meu primeiro estágio foi aqui na Alcoa, na verdade, era um estágio de férias. Não existia um programa de estágio como é hoje, hoje temos um programa de estágio mais expandido. P/1 – Que ano foi isso, mais ou menos? R – Foi em 1977, se não me engano. Fiz o estágio aqui na mineração, na época o gerente de mineração era o Don Williams, que depois me trouxe para a Alcoa alguns anos depois. P/1 – Daí, você foi trabalhar em algum outro lugar? R – Sim, logo que me formei, fui convidado para ser assistente da universidade na área de lavra de minas. Então, fui professor assistente durante algum período, o que foi muito bom porque me ajudou nesse mesmo período a fazer o mestrado, uma especialização na área de estimação de reservas minerais. Então, aproveitava para estar na universidade trabalhando e estudando ao mesmo tempo. Logo em seguida, tive a oportunidade de trabalhar em uma mineração de ferro, nessa área inclusive de planejamento de minas para desenvolvimento de reservas minerais e estimativas de reservas minerais. Trabalhei na Samarco Mineração S.A, hoje é uma empresa que também faz parte da Vale do Rio Doce, trabalhei na área de planejamento de minas, desenvolvimento de minas. P/1 – E depois, como o senhor retornou para Alcoa? Como foi? R – No final de 1980, início de 1981, tive um convite para vir para a Alcoa, na época, para trabalhar também com planejamento de minas, que é o desenvolvimento da área mineral do local onde se vai trabalhar com a mineração, acessos e essas coisas, nesse sentido, quanto é de minério que existe, como que está e qual a condição, enfim, essa é uma área em que você planeja para a alteração. Então, voltei aqui para Poços, na verdade, comecei a trabalhar aqui na Alcoa no dia 16 de Janeiro de 1981. Naquela época, estava ligado à mineração e o Don Williams era o gerente da mineração. Naquela época, foi que me convidou para retornar para a Alcoa. P/1 - E quando o senhor retornou, já conhecia a Alcoa? Qual foi a impressão que o senhor teve da Alcoa no princípio? R – Olha, eu vinha de uma multinacional, aliás, vinha de uma área acadêmica, passando para uma multinacional e mudando, naquela época, para uma multinacional de porte diferente da multinacional em que eu estava trabalhando antes. Para mim foi muito bom logo no início, tive a oportunidade de entrar em contato com o pessoal fora da Alcoa, desculpe, fora do Brasil. Havia na época, em Pittsburgh, uma área especializada em beneficiamento, estudos de beneficiamento de minério de bauxita, desenvolvimento de lavra e assim por diante. Tive a oportunidade, logo oito ou dez meses depois, se não me engano, de ter contato com esse pessoal lá fora, quer dizer foi muito bom, foi uma experiência bastante gratificante. P/1 – Então o senhor está há muitos anos aqui. O senhor pode contar um pouco dessa trajetória que teve na Alcoa? R – Olha, acho que a minha trajetória aqui na Alcoa teve alguns momentos muito interessantes. Eu me lembro de um momento, vou começando pela mineração, vinha de uma outra área de uma outra empresa que também tinha uma grande vocação ambiental, mas a Alcoa, nesse ponto de vista, estava mais avançada nesta vocação ambiental. Eu me lembro que o meu primeiro projeto, isso me marcou muito, meu primeiro projeto foi desenvolver uma estrada para acessar um corpo de minérios próximo da saída da cidade aqui. Engenheiro novo tenta projeta dentro das normas dos melhores padrões possíveis, enfim, aplicar todos os conhecimentos para que aquilo desse certo de uma maneira adequada para a companhia. Eu me lembro muito bem que apresentei o projeto para o Don na época, acho que ele não se lembra disso, mas eu me lembro muito bem. Ele olhou e disse assim: “Olha, está muito bom, só que você vai ter que mudar isso inteiramente” e eu disse: “Mas, Don, por que? Isso aqui está dentro de todas as normas e especificações” e ele disse: “Não. É porque nessa área em que você está colocando tem um bosque e nós não vamos abrir uma estrada nesse bosque. Vamos desenvolver o projeto de tal forma que preserve essa situação.” Então, isso foi uma grande lição, uma lição que levo até hoje no sentido de que essa vocação ambiental, a Alcoa tem muito forte e, profissionalmente, a gente cresce com isso. Então, isso foi na mineração, mas a minha área como era de estimação, reserva e tudo mais. Tive também de me aperfeiçoar e me especializar na área de informática para conseguir modelos para estimar as reservas minerais. Com isso, fui desenvolvendo a habilidade e depois, uma especialização também na área de informática. Alguns anos depois, não muito depois, acredito que uns quatro ou cinco anos, fui convidado a trabalhar na área de informática dessa fábrica. Então, dessa fábrica que eu digo é aqui em Poços de Caldas, no sentido então de não só estar trabalhando com área de informática para recursos minerais, mas de modo geral, área administrativa e assim por diante. Então voltei a minha carreira, dei uma guinada na minha carreira para a área de informática. Fiquei nessa área algum tempo, mas o interessante é que nesse meu desenvolvimento, acho que a Alcoa me proporcionou isso. Fiquei no máximo dois anos com uma determinada função. É, dois ou três anos com uma determinada função e sempre agregando algum outro tipo de função à função original. Então, ao mesmo tempo em que estava na área de informática, também tive a oportunidade de trabalhar e ser gerente da área de aquisição e logística dessa fábrica. Tive a oportunidade de ser gerente de recursos de meio ambiente, saúde e segurança, tive a oportunidade de ser o gerente de qualidade, qualidade de produto e qualidade no sentido de programas de qualidade, enfim agregando essas outras atividades, inclusive uma atividade de planejamento, seja planejamento estratégico no sentido de indicadores de performance de fábrica e assim por diante. Então, com isso, acho que abriu uma fronteira bastante interessante. Trabalhei praticamente 12 anos nessa fábrica em Poços de Caldas até que fui convidado a ir para São Luiz do Maranhão trabalhar como gerente de informática também para aquela unidade, agregando também nessa época a área de gestão e qualidade. Nessa época era responsável pela área de informática ao mesmo tempo que era de planejamento da fábrica e a parte de qualidade. Trabalhei em São Luiz aproximadamente uns três anos, depois tive a oportunidade de voltar para São Paulo e aí trabalhar na área de planejamento e análise financeira. Na época, o diretor financeiro era o Franklin, então tive a oportunidade de trabalhar com o Franklin. Foi muito bom também aprender diversas técnicas, enfim, foi um período muito gratificante também. Depois disso, ajudei a desenvolver, e isso já com o Franklin também, o diretor financeiro, ajudei a desenvolver o que a gente chamou, na época, de serviços compartilhados na área financeira, já tínhamos uma área que estava estabelecida nesse sentido, mas a ideia naquela época foi desenvolver esta área utilizando os novos programas de informática ou pacotes de sistemas. Isso foi por volta de 1998 ou 1999, logo depois, implantar uma vez que esse sistema estivesse funcionando, implantar esta área de serviços compartilhados sob uma outra forma, não a forma inicial que ele estava programado. Em seguida tive a oportunidade de trabalhar como controller de uma divisão, responsável financeiro pela divisão dos Prodados na América Latina com várias fábricas. Foi um período muito bom para desenvolvimento do conhecimento do negócio um pouco diferente da minha origem que foi a área de primários e nessa época também, o contato mais direto com o cliente na divisão dos Prodados. Foi realmente um outro patamar, um outro desenvolvimento na carreira. No final de 2004, início de 2005, a Alcoa decidiu desenvolver aqui na região, um centro de serviços que agregasse não só as atividades financeiras que já estavam concentradas numa área chamada de serviços compartilhados, serviços financeiros, mas também outras atividades relacionadas com as áreas administrativas, informática, área de aquisição logística, área de meio ambiente, saúde e segurança, a área de recursos humanos mais voltada para a administração de pessoal. A ideia era concentrarmos numa unidade, sair de São Paulo, porque essas atividades estavam preferencialmente concentradas em São Paulo também nas fábricas. A ideia foi então trazer essa área aqui para Poços de Caldas. P/1 – E teve alguma preferência por Poços? R – Nós estudamos algumas alternativas, não foi só Poços, mas a vinda para Poços foi facilitada naquele momento por uma proximidade de algumas universidades, de forma que pudéssemos atrair talentos para compor esse novo time, a infraestrutura que a cidade dispunha naquele momento, também a infraestrutura que a Alcoa tinha aqui uma fábrica. É óbvio que você estando, por exemplo, numa unidade como em um prédio em São Paulo e mudar para uma área fabril existe redução de custo associada a este projeto, enfim toda esta infraestrutura foi levada em consideração: proximidade de cidades como Belo Horizonte, São Paulo, Rio, Campinas, assim como possibilidade de atração de talentos. Viemos então em janeiro, começamos o processo em janeiro de 2005. Por volta de março de 2005, já estávamos aqui e estamos desenvolvendo esta área que chamamos Global Business Service, chamamos GBS. Inicialmente, prestamos serviço para nossa região, nossa região incluindo aí a América Latina, a América do Sul, e também, mais recentemente, já começando de uma forma ainda embrionária, mas já prestando serviços diversos para outras unidades da Alcoa. No mundo hoje, aproximadamente 20% das nossas atividades são, referem-se, à prestação de serviço para outras unidades da Alcoa no mundo, quer seja Europa, Estados Unidos e assim por diante. P/1 – E como foi implantado o GBS? O senhor pode falar? R- Claro! Acho que foi talvez a, na minha carreira, foi um dos maiores desafios e hoje, para mim, é realmente o mais gratificante você ter a oportunidade de fazer um determinado processo ou um programa dar certo, planejar e implantar e ter assim o orgulho de ver esse projeto se desenvolver e começar a dar frutos. Realmente, foi muito gratificante, como projeto de carreira talvez seja o maior projeto e o mais desafiante e realmente, foi uma oportunidade ímpar desenvolver o GBS aqui em Poços. P/1 – Como se dá todo esse processo com a América do Sul, alguns países da Europa, como você falou. Como é feito todo este processo, o relacionamento de vocês? R – Bom, o nosso relacionamento principalmente é com América do Sul, isto é, aqui na nossa região, como eu te disse 80% da nossa atividade é aqui na nossa região. É o que a gente estabeleceu e o que estamos desenvolvendo é uma cultura de prestação de serviços porque nós viemos então de uma situação onde praticamente trabalhávamos em manufatura em produção e, de repente, estamos concentrando nossas atividades que são serviços, são prestações de serviços, que é diferente, muito diferente de um ambiente de produção industrial, então um dos grandes desafios, é trazer para esse grupo uma cultura de prestação de serviços e estamos desenvolvendo isso ao longo do tempo nos últimos dois anos. Passa, por exemplo, a ter um acordo de serviços no qual nós discutimos com os nosso clientes, tanto aqui como lá fora, quais são as principais atividades, qual é o nível de qualidade que deveremos entregar esse serviço e também as responsabilidades dos nossos clientes em nos fornecer a nossa matéria-prima que é a informação para que a gente possa trabalhar e devolver um serviço de qualidade, OK! P/1 – E como tem sido os resultados disso até hoje? R – O objetivo inicial do GBS era ter uma redução da ordem de 20% do custo. Nós conseguimos atingir esta meta através de concentração, ganho de escala, aumento de produtividade, enfim, comparado com os mesmo serviços na mesma base, comparados com 2005, houve realmente uma redução. E também nós com o aumento de produtividade e também com a possibilidade de agregar novas atividades, hoje conseguimos prestar os serviços com custo menor nas mesmas bases e também atrair novas atividade para processamento no GBS. P/1 – Falando um pouquinho antes até, mas é do tema, um pouco sobre a sustentabilidade hoje da Alcoa, aqui em Poços de Caldas? R – Nós tivemos recentemente na nossa reunião plenária em 2007 e também tivemos na plenária de 2006, o tema sustentabilidade. Essa questão de sustentabilidade, a gente tem que ver a questão da sustentabilidade não só sob o ponto de vista ambiental e coisas neste sentido, a gente tem que ter uma visão mais aberta disso, quer seja econômica quer seja social. E é esse processo que acho que encaixa muito bem no GBS. Nós estamos participando, junto com a fábrica, em programas que a gente define como fazendo parte de pequenos tópicos de sustentabilidade de uma forma a criar um ambiente bastante diferenciado. Uma delas é essa questão social, por exemplo, é o trabalho junto com as universidades, é o trabalho junto com a comunidade. Nós estamos, por exemplo, num processo voluntário e os nossos analistas de informática estão ajudando também a criar duas escolas de informática aqui para as comunidades carentes, enfim, acho que nesse aspecto, o encaixe da questão sustentabilidade dentro de uma área administrativa, vista sob este ponto de vista, é realmente um diferencial e é onde a gente está procurando desenvolver esta questão. P/1 – Tem alguma ação social que você gostaria de falar, que tem destaque, assim que vocês fazem? R – Não tenho a estatística correta para este momento, mas até recentemente, até o mês passado, nós do GBS, nós praticamente, 68% do nosso pessoal já havia participado de alguma ação comunitária é aqui na nossa comunidade em Poços de Caldas, além dessas que já comentei com você é sobre, especificamente na área de informática, mas é fizemos e estamos fazendo também junto com a fábrica diversas ações permanentes né. Estamos também prevendo logo para o início do ano, também mais duas ações que a gente chama ____ específicos do GBS para nossa comunidade, enfim, uma unidade que tem aproximadamente dois anos aqui em Poços de Caldas, já ter aproximadamente 70% de seu pessoal engajado em ação comunitária, realmente é um número expressivo. P/1 – E o que o senhor considera como sua principal realização na Alcoa? R – Acho que, como disse antes, acho que a principal realização e que me dá muito orgulho é ter conseguido trazer, fazer o GBS operar no ambiente complexo. Num ambiente em que envolvia diversas partições ou dimensões, quer seja uma dimensão financeira, uma dimensão de meio ambiente, saúde segurança, logística, aquisição, enfim, em um ambiente bastante complexo. Congregar essas atividades e fazer com que elas tenham um desenvolvimento acima do nível inicial de qualidade estabelecendo sempre um nível bem maior uma meta maior quer seja na qualidade, quer seja no custo, quer seja no prazo, enfim essa foi uma grande realização que eu tenho muito orgulho. P/1 – E assim, uma alegria que você tenha tido? R – Alegrias existem muitas. Enfim, hoje vou fazer 27 anos de Alcoa. Acho que têm algumas, alguns projetos esse que eu comentei, mas outros também envolvidos assim talvez o primeiro desenvolvimento de uma estimação de reservas utilizando um computador que na época, 26 anos, 27 anos atrás não era muito fácil e nem tranquilo, mas só de verificar a primeira estimativa de reservas sendo feita e expressa num programa desenvolvido pela minha equipe na época foi realmente uma grande alegria. P/1 – Como o senhor avalia as ações hoje dos projetos futuros em relação a Alcoa? R – Olha, acho que essa questão de sustentabilidade do GBS é importante. Acho que o GBS teve a oportunidade de crescimento quer seja aqui na nossa região, quer seja absorvendo outras atividades. Então isso é um desafio muito grande porque concorre com outras unidades no mundo que também tem as suas virtudes, os seus programas de qualidade, enfim o que temos de fazer é estar sempre a frente quer seja em qualquer um destes programas de prazo, custo, redução de custo, qualidade a gente tem de procurar estar sempre à frente se quisermos trazer estas atividades para a nossa região. Enfim este talvez seja o maior desafio olhando também os nosso concorrentes basta olhar os países que chamamos de Brics, que é o Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, enfim, são os nossos concorrentes. Se tivermos então um desempenho adequado, possivelmente essas atividades possam vir para a nossa região. Então, acho que é este o ponto. P/1 – E como é o relacionamento com os colegas de trabalho? R – Acho que é tranquilo. Acho que é muito bom quer seja com a equipe, eu acho que aqui no GBS a gente tem um ambiente de trabalho bastante bom é quer seja na equipe líder do GBS, quer seja com os supervisores e mesmo com o pessoal de São Paulo ou de outras unidade Eu acho que como prestador de serviço este é o objetivo nosso tem que ser um objetivo nosso estar ter boas relações, enfim ter um atendimento adequado qualquer que seja ___ e assim por diante. P/1 – E o que a Alcoa representa para os funcionários no passado e atualmente? ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ R – Olha eu acho que representou e representa quer seja para esta comunidade quer seja para os próprios profissionais é uma grande escola é uma companhia em que a gente aprende muito que quer oportunidade basta dizer, o meu caso eu como engenheiro nunca imaginei que eu tivesse uma oportunidade de trabalhar em uma área financeira ou eventualmente estar administrando uma área como essa área do GBS. Então tanto sob o ponto de vista pessoa, sob o ponto de vista de carreira, sob o ponto de vista de novas tecnologias, a Alcoa hoje sobre novas tecnologias é uma das empresas mais conectadas do país ganhamos inclusive um prêmio neste sentido. A questão de sustentabilidade trazer este conceito para o nosso dia-a-dia e fazer isto acontecer em um curto espaço de tempo como estamos planejando, né! Enfim eu acho que é o que diferencia a Alcoa no meu ponto de vista. P/1 - E o que a Alcoa representa para a comunidade local? R – Ela é muito importante quer seja do sob ponto de vista econômico, quer seja sob o ponto de vista de desenvolvimento, eu posso dar um exemplo: o ano passado foi o primeiro ano em que o ISS [Imposto sobre Serviço] foi maior que o recolhimento do IPTU [Imposto Predial e Territorial Urbano] na comunidade, isso se deu basicamente graças a Alcoa, a vinda do GBS. Enfim, a arrecadação do ISS associado também aos projetos que a Alcoa está desenvolvendo aqui e nas empresas de engenharia também, associando isto tudo o nível de arrecadação do ISS suplantou o IPTU. Isso é bastante representativo para a sociedade daqui. O outro ponto também _________________ [pausa] R - ______________ O outro ponto também em relação, aí não é só o GBS, mas também a fábrica é a oportunidade na comunidade, quer seja sob o nível de trabalho, quer seja sob o nível de desenvolvimento de carreira, quer seja sob o número de treinamento de pessoas, a gente tem convênios com as universidades, enfim, acho que isso é um ponto muito importante para a nossa comunidade, a gente ver isso quando fazemos alguma apresentação ou temos algum convite da universidade daqui para discursar ou comentar sobre as atividades que estamos fazendo e o comparecimento dos alunos é total e é realmente muito bom você verificar isso. A outra questão da parte da comunidade também, é a parte de envolvimento a comunidade acredita na Alcoa, a comunidade apóia a Alcoa, enfim, acho que tudo isso somado é bastante importante para nossas operações aqui em Poços de Caldas. P/2– Falando um pouco da sua experiência _________? R – Quando você trabalha aqui em Poços a dimensão é uma, há um mar que é no mínimo quatro vezes maior do que Poços, e com outras ______ as dimensões e os desafios são bem maiores sob o ponto de vista de, quer seja sob o ponto de vista de tecnologia, coisas neste sentido eu vou te dar uma exemplo: aqui para você instalar, por exemplo, uma rede, uma rede Wireless, uma coisa neste sentido, é relativamente fácil, não é tão fácil, mas é relativamente fácil, agora, quando você pensa em colocar uma rede funcionando na Alumar, se não me engano, se não me falha a memória, são mais de dez quilômetros de fibra ótica entre o centro de processamento de dados e o porto. Então a dimensão é outra, o crescimento do conhecimento é também exponencial comparado à dimensão das operações. Enfim, foi um período também muito bom. A minha primeira atividade lá foi, nós tínhamos na época, era responsável pela área de informática e nós tínhamos aqueles grandes slim frames, aqueles contadores enormes que precisavam de uma estrutura muito grande para se operar e tudo mais. E meu desafio lá na época, foi alterar ou mudar esse tipo de ambiente que hoje a gente tem, que é o de microcomputador, uma rede como temos hoje, então foi realmente bastante bom e também pelo fato de estar participando de atividades como a conseguir a ISO 9000. Para as operações da Alumar foi bem diferente e bastante importante acho para a minha carreira ter a oportunidade de estar trabalhando numa unidade daquele porte. P/2 – E o programa do GBS, é bem reconhecido pelo meio empresarial? Tem alguma repercussão? R – Tem. Têm repercussões aqui na nossa região. A Alcoa é uma das empresas que desenvolveu o Centro de Serviços Compartilhados, se você olhar as maiores multinacionais na região também estão desenvolvendo Centro de Serviços Compartilhado, posso citar a Camargo Corrêa, a Ambev, a própria CSC [Centro de Serviços Compartilhados] tem seu centro de serviços compartilhados. É uma tendência mundial e a Alcoa está inserida nesse processo também. Estar aqui em Poços de Caldas, com essa dimensão de operação, realmente é muito bom. P/1 – Danza, você poderia nos contar algum caso pitoresco que ocorreu durante esses anos de história de Alcoa, alguma coisa assim… interessante? R - Algum caso pitoresco? Bom, deixa eu, dá um tempinho para mim, dá uma paradinha aí. Caso pitoresco eu, eu, eu, eu não estou… ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ P/1 – Bom, vamos lá. Qual é seu estado civil? R – Sou divorciado. P/1 – Qual o nome dos seus filhos e quantos filhos você tem? R – Eu tenho dois filhos: Guilherme Bascurilere e Marília Bascurilere. Os dois agora já são formados, os dois já completaram o mestrado também. O Guilherme se formou em Administração e hoje tem o mestrado na área de marketing e trabalha na área de marketing. A Marília formou-se em Rádio/TV e Comunicação. Acabou de voltar de um mestrado também em comunicação, comunicação digital e novas técnicas de comunicação na Espanha, chegou há cerca de duas semanas. P/1 – E o que você mais gosta de fazer nas suas horas de lazer? R – Eu tenho como meu principal hobby cozinhar. Tenho até feito algumas aulas aí no programa “Viva Vida” da Alcoa. Esse ano já dei três aulas diferentes sobre culinária, gastronomia, enfim, é o meu hobby de fim de semana. P/1 – E agora vamos para uma avaliação final da entrevista: como você vê a atuação da Alcoa no Brasil? R – Eu acho que, olhando a Alcoa, a dimensão dos projetos, a dimensão das nossas ações, quer seja sob o aspecto de desenvolvimento da Mina de Juriti, a expansão da Alumar [ Consórcio de Alumínio do Maranhão] ou até o desenvolvimento do próprio GBS aqui em Poços de Caldas, enfim, acho que a Alcoa, na nossa região, tem uma expressão muito _________ está tendo uma expressão bastante grande, um desenvolvimento que, seguramente, nos 26, 27 anos de Alcoa que tenho até hoje, esta época tem sido uma época em que a nossa expansão, nosso desenvolvimento tem sido muito grande. Não me recordo, nesses anos todos, de ao mesmo tempo estarmos em tantas frentes, em tantas atividades e ao mesmo tempo estamos preocupados com a questão de sustentabilidade, com as questão das nossas operações, enfim, é atingir os níveis de excelência em todos os aspectos da operação, então é esse o resumo que eu faço da Alcoa neste momento P/1 – E, na sua opinião, qual a importância da Alcoa para a história do alumínio? R – O alumínio começou com a Alcoa e é a Alcoa a responsável por este desenvolvimento. Todo o desenvolvimento, não desde os primórdios, mas até agora com o desenvolvimento de ligas, com o desenvolvimento de outros aspectos da utilização do alumínio, quer seja, por exemplo, você vê desde um DVD, enfim a importância da Alcoa neste processo, obviamente depois também vieram outras empresas, mas acho que a grande alavancagem nisso foi realmente a Alcoa. P/1 – E qual o fato mais marcante que o senhor presenciou ao longo desses anos de Alcoa? R – O fato mais marcante… Um fato marcante que eu acredito que está acontecendo hoje aqui na nossa fábrica de poços de Caldas é o projeto que chamamos New ______ que vem trazer uma nova dimensão, uma nova perspectiva à produção desta unidade. Realmente é um projeto bastante inovador, voltado não só para a questão de performance, e também para outras questões, inclusive ambientais e tudo mais que acho que é uma grande iniciativa, acho que marcou bastante para a Alcoa aqui na nossa região. P/1 – Fala um pouquinho mais sobre isso. R – Nós utilizamos, aqui em poços de Caldas, um processo que a gente chama de processo Soderbergh, que um processo já, uma tecnologia já de alguns anos. A tecnologia que utilizamos na Alumar é uma tecnologia chamada BeBaker para a produção de Alumínio e que é bastante diferente da Soderbergh.O que a gente está fazendo é dando um passo tecnológico no sentido de transformar a tecnologia Soderberg próxima de uma tecnologia BeBaker que é uma tecnologia que é aplicada na nossa fábrica de São Luís do Maranhão. Então isso além de questões de performance, digo produção é capacidade e eficiência, trás também as inovações e as características positivas da tecnologia BeBaker. P/1 – E quais foram os maiores aprendizados de vida que obteve trabalhando na Alcoa? R – Acho que são os valores que a Alcoa nos apresenta desde que você começa a trabalhar. Você tem que ter muito forte a questão dos valores e da nossa missão, da nossa visão. Enfim, começa pela questão de integridade, passa pela questão de pessoas, passa pela questão de segurança. A segurança é uma questão muito forte na Alcoa e isso reflete na nossa vida pessoal. Então, o fato é, por exemplo, a Alcoa, na época eu até trabalhava na área de, aqui nessa fábrica também, na área de saúde, segurança e meio ambiente. Nós fomos os primeiros da região a utilizar o cinto de segurança, não era lei naquela época. E nós, inclusive importamos os cintos de três pontos porque na época, no Brasil, não se fabricava esse cinto de três pontos. Nós conseguimos instalar os cintos três pontos nos carros dos nosso funcionários. P/1 – Vocês foram os precursores então ____ R – Isso. Era interessante porque, quando a gente descia, andava na cidade, conseguia distinguir uma pessoa que trabalhava na Alcoa só pelo uso do cinto de segurança [risos]. E era um negócio interessante você olhar e dizer: “Aquela trabalha na Alcoa porque está usando o cinto de segurança.” P/1 – E o que é ser Alcoa? R – É, acho que é viver estes valores, viver essa capacidade de agregar esses [tosse] [pausa] R – Você quer repetir a pergunta? P/1 – Sim, vou repetir. E o que é ser Alcoa? R – Eu acho que é viver estes valores, que a Alcoa tem que muito muito, muito fortes, e isso com reflexo inclusive na sua vida pessoal, acho que isso induz a um crescimento individual bastante grande. Além do crescimento profissional, conhecimento e assim por diante. P/1 – E o que acha da Alcoa estar resgatando sua memória através deste projeto? R – Eu acho ótimo! Eu não… Eu gosto muito de história, leio bastante história e tinha visto algumas empresas, até quando trabalhava em São Paulo, tinha visto algumas empresas que já faziam este tipo de coisa e eu imaginava como seria interessante a Alcoa fazer isso num determinado tempo. E fico muito satisfeito de estar aqui presente e contribuindo para esse processo também. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ P/1 – E o que achou de ter participado dessa entrevista? R – Acho que foi ótimo. No sentido de que foi tranquilo, foi uma abordagem tranquila. Me deu saudade de relembrar uns bons tempos, enfim, já são, já falei isso, mas são longos anos na Alcoa, de pensar no início chegando aqui em Poços já quase trinta anos atrás. P/1 – Tem alguma coisa que você gostaria de falar que nós não perguntamos? R – Não, acho que cobriu muito bem. Toda a história de vida. Acho que foi bastante… É, acho que foi muito bom estar conversando com vocês neste sentido. P/1 – Então, em nome da Alcoa e do Museu da Pessoa, agradecemos sua entrevista. R – Muito obrigado.
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