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História

Aprendendo a crescer

História de: Dorival Storari
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 16/07/2017

Sinopse

Dori, desde pequeno, gostava de ficar na rua brincando e sempre perdia a hora de voltar para casa. Em seu depoimento, ele conta sobre sua trajetória, em que passou por diferentes moradias, sempre por curtos períodos: abrigos e casas de parentes. Com a sua mania de ficar na rua, fazia de tudo para não voltar para casa. Começou a jogar basquete, começou a trabalhar aos 14 anos, quando teve contato com as drogas. Aos 18 anos se envolveu com cocaína e crack, foi então que passou a morar nas ruas. Sem perspectiva de sair, chegou a cometer alguns furtos. Dori ficou muito debilitado, até ser acolhido por um amigo que estava numa pastoral. Ele começou um processo de desintoxicação e conseguiu sair das ruas, deixar o uso de drogas e começar um novo trabalho. Hoje, Dori trabalha como socioeducador de crianças e adolescentes em serviços de acolhimento. Contar sua história é sua principal ferramentas de trabalho junto aos amigos dos tempos de abrigo, que considera como irmãos e companheiros de vida.

História completa

Começou quando veio do meu coração na minha mente, de construir isso mas precisava começar de algum ponto concreto.

 Quando a gente trabalha com vidas é porque foram confiadas a nós, eu sou orientador sócioeducativo. Eu trabalho com crianças e adolescentes, trabalho justamente no serviço de acolhimento. Não sou eu que faço, é Deus que capacita, então a gente vai fazendo.

...Talvez essa seja a última chance, talvez se você sair daqui hoje e voltar a usar droga, você não tem a oportunidade de voltar pra cá, mudar de vida, foi minha última chance, se eu voltar pra vida que eu tinha antes pode ser que eu não volte mais a sair dela.

Eu mudei de vida, eu gosto de ajudar outras pessoas, eu saí de onde eu saí então, você pode sair, relaxa porque onde você está ainda não é o fim do poço, então dá tempo de voltar.

Eu já estava no uso do crack, começou a passar um flash pela minha cabeça, e eu falei assim: eu não quero acabar aqui, onde eu estou. Não é isso que eu quero para mim. Não foram exatamente com essas palavras mas, mais ou menos isso que passou assim pela minha cabeça. Será que é aqui que eu vou acabar, será que é aqui o meu fim mesmo. Porque realmente eu já tinha essa esperança, essa expectativa de que ali seria o resto da minha vida, ficar ali daquele jeito até que uma hora que alguém viesse, puxasse uma faca, como já aconteceu várias vezes na rua.

E aí, quando esses missionários passaram e eu vi o Rubens junto... alguma coisa me despertou. No meio do caminho, eu lembro que eu tinha o cachimbo na bolsa, tinha o isqueiro, garrafa de Corote e, no meio da avenida, catei e joguei tudo no meio da avenida, joguei assim, os carros passando, eu joguei no meio da avenida e falei assim: “Não quero mais essa vida pra mim”.

O Paulinho foi uma pessoa muito importante também na minha caminhada de restauração que... quando ele contou a história dele, era também uma história muito impactante, porque ele estava... quando ele conheceu, decidiu mudar de vida, conheceu Deus, ele estava justamente nessa situação. Se ele mudou de vida eu também posso. Náufrago salvando náufrago.

Eu tenho 28 anos e eu já passei por tudo isso, então, eu penso assim, vamos pôr, dos 18 aos 28, dez anos de que eu saí do serviço de acolhimento, dez anos, olha tudo o que eu fiz, então vou colocar dos 28, que é quando começou o meu projeto, esse ano, dos 28 até os 38, onde eu quero estar, são mais dez anos pra frente. Então, se dos 18 aos 28 anos eu passei por tudo isso, então dos 28 aos 38 eu tenho muito mais pra passar e eu vou estar muito mais além.

 Por Gomér Gonzaga

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