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História

Aposentado, em greve

História de: Nelson Sobrinho
Autor:
Publicado em: 16/12/2021

Sinopse

Nelson recorda da infância atribulada, numa casa com oito irmãos. Lembra do cuidado da mãe com a educação dos filhos, fala do início de sua trajetória educacional e relata um episódio de racismo de que foi vítima na escola. Em 1974, migrou para Brasília, onde completou o segundo grau no Ginásio Noroeste, uma escola pública. Em 1977, foi aprovado, em primeiro lugar, no vestibular para o curso de Matemática do CEUB, que curso com uma bolsa integral. Fez concurso no então Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP) e conquistou uma vaga na Polícia Federal. Em 1983 fez novo concurso e foi admitido na Fundação Educacional de Brasília como professor de Matemática. Com isso, abandonou a carreira de policial e tornou-se professor, até se aposentar.

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História completa

Eram oito irmãos dentro de casa e minha mãe era muito dura na criação da gente, dura mesmo. Ela chegava às seis horas da tarde do trabalho e dizia [para fazer] a fila. E o que é fazer a fila? É cada um com o caderno na mão, exercício da mão, e aí ela corrigia o exercício de todo mundo. A gente estudou em escola pública no Piauí. Os que ela já tinha corrigido, agora você vai tomar banho para poder jantar e dormir; e os que não tinham feito exercício, entravam na porrada. Ela batia com muita força, não aliviava a barra. Eu fui alfabetizado na Escolinha Pitoresca, que era a escola de uma vizinha que dava aula na própria casa dela. A partir da Escolinha Pitoresca nós ingressamos na escola pública em Parnaíba, no Ginásio São Luiz Gonzaga. Era um ginásio de padres, um ginásio católico, mas era da rede pública, não era pago. Na minha época era primário, ginasial e científico. Eram cinco anos primário, depois a gente fazia quatro anos de ginasial e depois fazia o científico, que era o ensino médio hoje, três anos. Em janeiro 1976 fiz o primeiro vestibular da UnB, não passei, porque eu queria engenharia mecânica, os pontos que eu tinha dava para ser aprovado em outras áreas, mas eu só queria se fosse engenharia mecânica. Fiz vestibular em janeiro de 1976, em julho de 1976 e janeiro de 1977, levei bomba nos três. Aí fiz vestibular na universidade particular, no CEUB, para Matemática, aí passei em primeiro lugar. Ganhei uma bolsa integral do MEC, era uma bolsa de uma dívida que o CEUB, essa universidade particular, tinha com o MEC, aí eles forneciam bolsa de estudo pros melhores alunos universitários. Em outubro de 1983 abriu um concurso público para professor no Distrito Federal e eu fiz esse concurso e passei em 14º lugar. Fui chamado em 15 de março de 1984 para assumir como professor de Matemática. Minha primeira passagem na direção do sindicato foi de 1986 a 1989. No final de 1989 a gente teve uma divergência política entre a própria direção do Sindicato dos Professores, e a direção rachou, como se diz jargão do movimento sindical. Aí nós tivemos a formação de duas chapas, e a chapa que eu participava, que se chamava Renovar é Preciso, ganhou a eleição. E no final do mandato, em 1989, a Chapa 2, que era a nossa, perdeu a eleição e eu saí da direção do Sindicato dos Professores. Aí voltei para a escola, voltei para Ceilândia, continuei no movimento político na Ceilândia junto aos professores, fui delegado sindical, fui representante da comissão de negociação que é eleito em assembleia, participei de todos os movimentos como base. Quando foi em 2001, teve uma outra eleição e eu fui convidado a voltar para a direção do sindicato, esse nosso grupo político aqui da Ceilândia, foi convidado a voltar. A gente voltou, ganhou a eleição de 2001, ficamos dois mandatos, esse nosso grupo político, de 2001 a 2003 e depois de 2004 a 2007. Então eu fiquei três mandatos na direção do sindicato. Quando foi em 2007, esse mesmo grupo político saiu da direção do sindicato, e aí fomos cuidar da vida. Quando foi em 2010 a gente ganhou a eleição [para o governo do] Distrito Federal, e eu fui nomeado como diretor da Regional de Ensino de Ceilândia, e aí fiquei de 2011 a 2014. Quando foi em 2017, eu me aposentei. A última greve que eu participei na categoria começou em 5 de março de 2017 e terminou em 13 de abril de 2017. O Diário Oficial que publicou a minha aposentadoria [é do] dia 11 de abril de 2017. Quer dizer, publicou a minha aposentadoria e eu em greve. Para mim, o esperançar de Paulo Freire é dizer que é na educação que a gente vai construir a melhoria desse país. Eu acredito muito na educação pública, com investimento público, com respeito aos filhos dos trabalhadores. A gente ainda vai chegar nesse ponto. Eu tenho certeza absoluta que a gente vai retomar tudo isso que a gente perdeu, todo o estímulo que a gente perdeu, a gente vai retomar e vai trazer a escola pública para o patamar que ela merece. Que os filhos dos trabalhadores tenham uma escola pública de qualidade, uma escola pública de respeito. Tenho orgulho de dizer que sou filiado ao Sindicato dos Professores, o tempo que estiver vivo serei sindicalizado, serei representante do SINPRO-DF. É uma honra ser dessa entidade.

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