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História

Apaixonado por São Bernardo

História de: André Lima
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 21/08/2020

Sinopse

Nasceu em 1973, em São Bernardo Campo. Infância, Copa do Mundo. Casado, duas filhas.

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História completa

P/1 – A gente começa normalmente pelo nome, idade e local de nascimento. Idade não, desculpa, data de nascimento e o local. Nome completo, por favor.



R – André Castro Lima.



P/1 – Você nasceu onde?



R – São Bernardo do Campo.



P/1 – Que dia?



R – Quatorze de setembro de 1973.



P/1 – Qual é a coisa mais antiga que você lembra, André, sua memória… 



R – … A coisa mais antiga que eu lembro? Mais antiga, assim, da cidade ou mais antiga da minha vida? 



P/1 – Da sua vida, da infância.



R – Da infância? Nossa, mais antiga. Deixa eu pegar um bem do baú aqui, um riacho que eu fui, foi no Brasilândia, tem um riacho lá e lá eu encontrei uma aranha, mas aranha meio… Umas grandonas pretas e tal, só que na verdade, a questão não está na aranha e sim no riacho, hoje o riacho se tornou uma favela, não tem mais riacho. Então, agora é só favela que tem no lugar do riacho.



P/1 – É aqui em São Bernardo?



R – Não, era no… Mas, então, de São Bernardo eu lembro mesmo é da Casa de Pedra, né, que é aqui em São Bernardo mesmo, a Casa de Pedra que infelizmente foi fechada devido grandes acidentes aí, grandes ocorrências de afogamentos e tal. O bombeiro acabou também fechando.



P/1 – Mas, o que é que e essa casa?



R – É a casa do Dom Pedro. Dom Pedro morou lá, então aqui tem uma parte que você pega da casa de Dom Pedro e desce uns morros lá, as matas e tal, porque tem uns riachos, umas cachoeiras e tal e tem umas lagoas situadas ali e vai sentido Cubatão. Então, eles fecharam para estar adequando, né, para os turistas descer e tal para não correr risco de acidentes.



P/1 – Você chegou a nadar lá na sua infância, ia de moleque?



R – Cheguei, cheguei.



P/1 – Que bacana!



R – Muito, muito. 



P/1 – Fala mais, então, dessas brincadeiras de moleque, da sua infância, o que você fazia na rua, enfim…  



R – … Brinquei muito de taco, né, de taco, que acho que até hoje tem, esconde-esconde, pega-pega, acho que naquela época boa, muito boa, jogava pedrinha, era muito fã de pedrinha e a gente não está esquecendo também da figurinha da Copa do Mundo, que foi uma febre.



P/1 – Qual Copa?



R – Copa de 85, né, Copa do México.



P/1 – Fechou o álbum?



R – Fechei todos os álbuns, completei.



P/1 – Comprava todas as figurinhas?



R – Todas, todas. E quem financiava na época era chiclete Ploc ou Ping-Pong, se não me recordo, mas é Ping-Pong.



P/1 – Gastou muita mesada em chiclete?



R – Naquela época não tinha mesada, não, cara, na verdade naquela época, vou até falar uma coisa antiga, no meu caso eu cacei papelão uma época e vendi sorvete. Comecei com 14 anos, caçando papelão e comprei com esse dinheiro mesmo do papelão e do sorvete.



P/1 – Você mora em São Bernardo a sua vida inteira?



R – Morei a vida inteira, tenho minha família aqui, meus pais são todos daqui, nasci e adoro essa cidade e não tenho nada para falar dela, muito bom. 



P/1 – Você já pensou em mudar?



R – Não.



P/1 – Cogitou morar em outro lugar?



R – Sim, Baixada, né? Quem não quer morar na Baixada? Na verdade, estou cogitando uma casa na Baixada, breve, breve, daqui uns… Acho que daqui um ano, final do ano que vem…  



P/1 – … Baixada Santista?



R – Baixada Santista.



P/1 – Mas, casa de praia?



R – Casa de praia, apartamento ou casa de praia.



P/1 – Se mudar mesmo para morar?



R – Se mudar para morar.



P/1 – Ah, entendi.



R – Minha esposa é funcionária pública, então creio que se ela fizer uma permuta ou outro concurso que aí a gente pode mudar para lá, que a minha área de segurança também dá pra fazer isso. Então, a gente pode ir morar para lá. 



P/1 – Entendi. Mas, sobre São Bernardo ainda, o que te segurou aqui tanto tempo?



R – Eu constitui uma família aqui, né, então você não pensa em mudar para nenhum outro lugar.



P/1 – E você acha que é um lugar que você queria que seus filhos crescessem, se educassem aqui?



R – Ah, com certeza! Aqui, São Bernardo do Campo é o melhor município, além de salário para os funcionários públicos, né, e é uma cidade que tem bastante segurança, escola, aqui o prefeito não deixa faltar nada para gente, não. 



P/1 – Qual é a melhor coisa da cidade então?



R – Melhor coisa? Nossa, shopping, tem aqui o Centro de Esportes, aqui no centro de São Bernardo, tem o Baetão que tem natação para as crianças e tal, tem hospitais, muito bons hospitais aqui, tem a praia, tem a… Riacho Grande que é próxima, Parque Flutuante, então tem bastante… Além de ser uma cidade turística, né, tem bastante espaço de lazer, tem trabalho, grandes empresas automobilísticas estão aqui, então a gente não tem que mudar daqui, não. 



P/1 – Você frequenta essas praias da represa de Riacho Grande?



R – Frequento, frequento.



P/1 – E é bacana?



R – É bacana, tem bastante quiosques, né, na beira do riacho, tem barzinhos, tem salão de danças, é um lugar bem equipado, voltado para o turismo e também tem segurança, tem o quartel lá da Polícia Militar, tem guarda civil municipal, né, bastante seguro.



P/1 – Onde é a sua casa? Que bairro?



R – A minha casa fica na Vila São Pedro.



P/1 – E como é a Vila São Pedro?



R – É uma comunidade. É comunidade. Era barro lá antigamente. Eu mudei do bairro do Taboão, fui pra São Bernardo em 1992 e era barro lá, na verdade eu morava junto com o meu pai, e hoje a gente comprou uma casa e tal na mesma rua, hoje é tudo asfaltado, cada um tem sua casa, cada um tem sua vida. 



P/1 – Entendi. Para finalizar, queria que você até pensasse um pouco, tirasse um tempo para tentar lembrar de algum momento muito importante que você passou aqui em São Bernardo. Talvez alguma transformação ou algo muito marcante na sua vida que aconteceu nessa cidade.



R – Nessa cidade? Ah, a única coisa… A única coisa não, acho que vai ter coisas melhores, não melhor que essa, né, mas o nascimento dos meus filhos foram todos em São Bernardo.



P/1 – É, e isso marca com certeza, né?



R – Marca, na cidade de São Bernardo, meus filhos nasceram aqui. As duas filhas nasceram aqui. Mas, relacionada à cidade, que mudou na cidade em si, a estrutura física da cidade foi a quantidade de pronto-atendimento de saúde.



P/1 – Cresceu?



R – Cresceu muito. Só no espaço onde eu moro, em torno de cem mil habitantes, tem dois postos. 



P/1 – Está satisfatório?



R – Um OPA [?], que é EPA [?], OPA, se não me engano e um posto de saúde do lado de casa. Então, isso aumentou muito porque não tinha. 



P/ 1 – Entendi. Pra finalizar então última pergunta, como é a sua relação com a cidade? Você gosta, desgosta, é apaixonado, quer ir embora?



R – É, São Bernardo eu nasci aqui então eu sou apaixonado por ela, né, que nem um parente meu, entendeu, São Bernardo é que nem parente, né. Não diretamente, mas é um parente.



P/1 – Tá certo, obrigado André, muito obrigado. 



--- FIM DA ENTREVISTA ---

 

 

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