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História

Apaixonada pelo mar

História de: Danny Viana da Rocha
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 21/01/2013

Sinopse

A família toda de Dani é de pescadores. Do mar, das brincadeiras e da profissão dos pais, avós e também agora do irmão ela tem ótimas recordações. Mas ela mesmo não quis se aventurar no mar, não era o seu caminho. Mas era com algo próximo. Fez uma prova e passou para ser operadora da rádio que cuida da costa, dos marujos, da comunicação que se faz entre terra e mar, entre as famílias que ficam e as pessoas que saem para pescar. Dani é a ponte entre esses dois mundos.

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História completa

Eu sou apaixonada por mar, tudo que é relacionado a praia, mar. Eu comecei a trabalhar aqui na associação de pescadores, fiz uma prova na Anatel em Vitória e consegui alcançar esse emprego lá na sala de rádio, vai fazer quatro anos agora em setembro. Mas isso veio de infância. A família toda é de pescadores. Minha avó era pescadora de pedra, linha e anzol, meu avô era pescador profissional. Meu pai também se apaixonou pela profissão depois que conheceu a família da minha mãe e virou pescador também. Então eu e meu irmão acordávamos cedo pra ir pra escola, e na volta já vinha com aquela expectativa de mergulhar ou ir pescar com meu pai.

Ele já tinha adquirido o barquinho dele. Aí como um barco de pesca grande era muito caro, ele comprou um barquinho de pesca pequeno, de camarão. Até hoje eu saio com ele pra pescar. Adoro. Eu sempre fui estudiosa, mas quando saía, ia fazer brincadeira de moleque mesmo, pular muro, carrinho de rolimã, jogar futebol e caçar caranguejo ou pescar siri. Era bacana. E com doze anos me ofereceram uma casa pra tomar conta, tipo caseira. Abria durante o dia, molhava as plantas, cuidava, fechava de noite. A moça nunca mais apareceu pra pegar a chave de volta e essa casa está comigo até hoje.

Minha mãe toma conta agora. Quando surgiu essa proposta pra trabalhar na rádio dos pescadores, e que tinha que ter carteira de operador da Anatel, puxei a apostila na internet, estudei e passei. Era tudo o que eu queria. Começamos primeiro uma parceria com Shell e depois com Chevron, no intuito de tentar afastar as embarcações das plataformas, dar aviso de segurança, aviso sobre o meio ambiente, fazer o intercâmbio entre pescador e plataforma.

E continua mais ou menos assim, servindo de comunicação, mas também já somos despachantes para os documentos dos pesqueiros. No começo, quando eu era novata, os pescadores adoravam fazer brincadeiras, trotes comigo. Estavam sempre inventando histórias pra eu ficar apavorada. Agora eu pergunto “O barco está afundando?”. Aí eles falam “Tá quase”. “Então quando tiver a só ponta pra fora vocês me chamam, que eu chamo a capitania”. Aí eles pararam com a brincadeira. Eu fui nascida e criada no meio de pescadores. Praticamente conheço todo mundo. Então estou aqui eu estou monitorando meu irmão, que é pescador, meus tios, meus amigos, meus vizinhos. Itaipava é uma cidade pequena. Eu passo o movimento do tempo, garanto a segurança, evito que eles sejam pegos desprevenidos por uma tempestade.

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