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História

Apagando as marcas da violência com as próprias mãos

História de: Eurídice dos Santos Chagas
Autor: Coleção Alagados
Publicado em: 04/02/2021

Sinopse

Eurídice conta de casos de violência nas proximidades da Igreja e que lavava o sangue das pessoas assassinadas lá, para preparar a missa.

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História completa

(...) Minha filha, eu digo assim aqui no bairro violência não tá, não tá fácil. Mas aqui.. é em tudo quanto é lugar tá violento (...) É, não é só no bairro não. Porque de primeiro tá.. na Barra? Tá a violência; na Pituba né que é bairro nobre né? Na Graça! Nesses bairro tudo não tá mais tendo escolha. De primeiro não era , era só nos bairros... nas periferias não é? Mas agora... (...) Tá em tudo quanto é lugar. A violência tá em tudo quanto é lugar (...) Aqui de primeiro tinha melhorado (...) Porque logo no inicio, como é que diz, mas era mais.. não era assim, muito assim... a violência muito. Porque na igreja mesmo, aí na igreja..minha filha... Na igreja... eu já peguei.... já enfrentei coisa na igreja.... (...) Só Deus! Que a gente às vezes não falava nem muito assim pra o pessoal. Muita gente não vai na igreja não né? Muita gente que mora aqui no bairro.. gente que mora aqui e não sabe que ai tem essa igreja! Não sabe (...) Não sabe, porque quando a gente ia fazer evangelização, é que a gente falava. Porque ai já teve caso dos policial pegar os pessoal e matá lá na igreja, lá no fundo da igreja (fala sussurrando). (...) Eles pegava e carregava. Mas eu digo a você, com essas mão que Deus me deu já lavei sangue minha filha! Que deixava lá. Eu dizia assim: “- Misericórdia! Se as pessoa vem pra missa vê uma coisa dessa..” Tudo isso! Às vezes, minha filha, com minhas mão na porta, na, na.. ia ali na luz mes mo ali na... no fundo. Na porta assim ó, no fundo assim olha. As poça de sangue, como é que diz... e pra lavar? Esse sangue.. E pra lavar? Minha filha eu esfregava a vassoura, eu esfregava... lavava. Depois sabe o que eu fazia? Eu pegava a terra pra por por cima, pra poder tapar porque ficava aquela...(...) manchado. Menina, pegava os ladrão, levava pra lá. Batia às vezes a gente estava na sacristia só ouvia pá, pá, pá, pá, pá e “- Socorro! Me acode! Ai meu Deus!” Menina! A gente ficava com o coração tremendo. Aí depois de uns tempo, ai ficava demais! Ai o Dominique acho que foi na delegacia falar que eles tava pegando e levando o pessoal pra lá. Acho que Hilda mesmo sabe, acho que Hilda já foi ate lá falar, não sei. Estava demais! (...) (...) Ai deixaram de levar. Agora mesmo assim eles vem..chega pra ir... pra fiscalizar lá alguma coisa lá na igreja, e eles tava levando era isso. Porque lá uns ia pra chegar lá e tirar os pessoal que... porque ali é a ponte de namoro! Namoro é, aquela coisa, aquela indecência, que a gente passava de noite a gente ia pra igreja voltava e vinha, e eles nem respeitava a gente. Ali naquele... atrás da igreja, ali encostado naquele muro. A gente passava e via o quadro lá oia (...) (...) Ali, ali não era mole não! Agora eles deixaram. Ficava ali..menina, menina, eles levavam até as criança! As menininha que era tudo de menor tudo pra lá, tudo pra lá. Agora acho que deixaram né. Deixaram mais. Também uma vez a policia deram de cima pra ir pra lá coisa e tudo ai... deixaram. As policia não era mole não menina! Agora ali é lugar de levar né? Lugar sagrado! Era uma preocupação, já passei muita barra ali (...) Era eu, Secundino e Nina, Valdira e Joaquim. Era esses que era os... (...) Então graças a Deus não foi fácil não. Eu enfrentei muita coisa ai, muita coisa.

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