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História

Aos 67 anos virei funkeira

Sinopse

Sem grana, Dona Leda se mudou para uma favela, descobriu o funk, deixou de ser professora e virou artista.

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Se alguém me dissesse, em julho de 2013, que em três meses aquela barulheira que eu detestava e não me deixava dormir se tornaria a grande felicidade da minha vida, eu chamaria a criatura de louca. Mas o funk me conquistou. Me deixei levar pela batida, ouvi as letras de coração aberto e – que alegria! – favelei! 

No ano 2000, a grana ficou curta e fui obrigada a viver numa favela pela primeira vez (Cosmos, no Rio de Janeiro) e suportar o batidão que rolava na vizinhança. Até que uma noite, no ano passado, eu estava sentada no quintalzinho aqui de casa e, como sempre, o funk rolava solto na comunidade. Mas, sei lá por que, naquele dia, em vez de me irritar, o som me fez pensar na vida. E aí foi me dando uma vontade louca de escrever uma letra de música. Tenho esse costume desde os 7 anos. Peguei a mania do meu pai: juntos, criávamos altos boleros... Me inspirava na cantora Ângela Maria, musa do gênero na época.

Mas naquela noite foi a batida da Valeska Popozuda que me inspirou a compor a letra de Concubina . Decidi registrá-la em meu nome. Ouvi falar que era só ir a  Biblioteca Nacional, aqui no Rio (veja quadro à esquerda). Fui até lá e fiz tudo certinho. Comentei com minha filha sobre minha vontade de virar MC (Mestre de Cerimônias, a pessoa que canta o funk), e ela me deu a maior força (hoje é até minha empresária!). Aí, saí gritando pela comunidade: “Quem aí me ajuda a gravar uma música a preço de banana?”. Afinal, com o salário baixo que eu recebia como professora do maternal, nem pensar em gastar dinheiro pra gravar um funk. 

Consegui um produtor que me deu uma força e gravamos a música e o videoclipe. Como sempre gostei muito de cantar e nasci com esse dom, foi só soltar a voz no microfone e pronto. Graças ao preço camarada (menos de R$ 1.000), eu mesma consegui bancar o investimento. Em dois meses, a Concubina já estava pronta. 

Era hora de divulgar. Postamos o som no YouTube e saí cantando minha música nos trens e nas praias, distribuindo uns papeizinhos onde imprimi o link do vídeo. Resultado: em menos de um mês, Concubina teve 18 mil visualizações! Logo comecei a ser convidada para dar shows em alguns bailes da comunidade! Tudo isso me inspirou a criar, no começo deste ano, minha segunda música, Eu Favelei . O sucesso se repetiu e agora vivo do funk, fazendo shows! Parei de dar aula e, quando ando pela comunidade, dou até autógrafo! Tenho mais 15 letras prontas e vou escrever muitas outras, pois tenho certeza que divulgar a alegria do batidão é a minha missão nesta vida!

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