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História

Antenor Moraes Filho

História de: Antenor Moraes Filho
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 16/10/2015

Sinopse

Antenor Moraes Filho, nasceu no Estado do Maranhão no ano de 1946. Criado por sua tia, desde os dois anos de idade, desenvolveu-se profissionalmetne na área administrativa e desde de então trabalhou neste setor. Com anos de experiência, Antenor relata as mudanças na forma de trabalho e também ambietais. 

A Administração ao Longo do Tempo

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História completa

P/1 – Boa tarde, seu Antenor.

 

R – Boa tarde.

 

P/1 – O senhor poderia começar falando o seu nome completo, local e data de nascimento, faz favor?

 

R – O meu nome completo é Antenor Morais Filho. Nasci em Santa Helena, estado do Maranhão, no dia 17 de dezembro 1946.

 

P/1 – Seu Antenor, seus pais eram de Santa Helena ou de outro lugar?

 

R - O meu pai era de Pinheiro e minha mãe natural de São Luís.

 

P/1 – Eles se conheceram como?

 

R – Conheceram aqui em São Luís. Como meu pai aqui trabalhava, tinha um café na Praça João Lisboa, aí eles se conheceram.

 

P/1 – E eles mudaram depois para o interior?

 

R – Depois de casado, em virtude de uma doença que ele teve, não podia mais ficar muito tempo em pé, teve que ir para o interior e eles foram para Pinheiro, depois de casado.

 

P/1 – Aí o senhor nasceu lá?    

 

R – Aí eu nasci em Santa Helena. Eles foram para Chapada do (Alinhabão?), ele tinha lá uma pequena propriedade rural e lá eu nasci.

 

P/1 – E como é que era essa propriedade? Como é essa região que o senhor nasceu?

 

R – Essa região lá era chapada, bastante mato, campos, onde lá ele tinha uma pequena criação de gado e ovelha. E era uma região muito bonita, muito ampla, muito verde.

 

P/1 – O senhor ficou até que idade lá?

 

R – Eu fiquei com ele até os dois anos, quando a minha mãe faleceu. Aí eu vim para Pinheiro, para a casa de uma tia minha, que me criou até os 15 anos, em Pinheiro, né, era minha tia e madrinha.

 

P/1 – Como que era em Pinheiro? O senhor lembra da casa, como que era criança, região, a cidade?

 

R – Eu não lembro assim... era uma casa ampla, já de alvenaria mesmo, quintal muito amplo, bastante árvore, mangueira, tudo. Era típica casa do interior.

 

P/1 – E aí como é que o senhor chegou em São Luís?

 

R – Eu cheguei em São Luís, eu vim para casa de um irmão meu, dar continuidade no meus estudos. Tinha terminado o primário lá, vim para cá estudar e vim morar com os meus irmãos.

 

P/1 – Que idade o senhor tinha quando você chegou aqui?

 

R – Eu tinha, na época, 15 anos.

 

P/1 – E o senhor entrou na Vale como?

 

R – Eu entrei na Vale no dia 3 de janeiro de 1981, na antiga Anza. Fiz o teste lá, uma entrevista. Nessa época, o escritório da Anza era no João Paulo, em cima do Banco do Brasil. Lá eu fiz esse teste e vim para cá trabalhar no campo, num pequeno escritório de campo, com mais três engenheiros, que estava fiscalizando a obra aqui, a obra de construção da ferrovia e aqui do porto. Estava sendo feito na época ainda o serviço de terraplanagem; estava fazendo serviço de terraplanagem, preparando ali onde hoje é o pátio de estocagem de minério, aqueles viadutos e Porto... estava sendo preparando nisso aí.  

 

P/1 – Como é que era nessa época toda essa região, o senhor lembra?

 

R – Essa região aqui ainda era praia. Aqui tinha várias dunas de areia, pés de murici, de jambo da praia, ainda tinha isso tudo. Depois é que eles foram tirando com o trator e fazendo o que hoje é isso aqui.

 

P/1 – O senhor viu todo esse processo aí?

 

R – Todo esse processo a gente acompanhou.

 

P/1 – E qual era exatamente a atividade do senhor nessa época?

 

R – Na época eu era único administrativo desses que (inaudível). A gente fazia de tudo um pouco. Se precisava fazia o memorando, um oficio a gente fazia... Tomava conta dos carros que ficava a disposição dos engenheiros, das equipes de fotografia. Se ia ficar alguém depois do horário, a gente se encarregava de programar o carro, deixar o motorista de plantão, para poder atender o pessoal que ficava depois do horário.

 

P/1 – Depois o senhor mudou de cargo para área de...

 

R – É, depois já do projeto instalado tudo, aí o escritório que era lá no João Paulo veio para cá. Inicialmente lá no porto. (inaudível) acampamento que eles chamavam de cobráulica. Aí começamos a trabalhar já na secretaria lá, como auxiliar administrativo. Começamos a trabalhar lá na secretaria. Depois veio o resto do pessoal do João Paulo, foi montado o escritório da Tupi, onde reuniu todo pessoal lá. Continuamos trabalhando na secretaria também. Auxiliar administrativo. Logo depois que foi implantado o projeto, passamos para o setor de compras. Nesse setor de compra, a gente trabalhava... Eu trabalhava datilografando as solicitações de compra. Não tinha computador, a gente trabalhava na máquina de datilografia, batendo os pedidos de compra e tudo. Aquilo era feito em dez vias, tudo era feito manual. Mudou muito de lá para cá.

 

P/1 – Qual foi essa mudança? Quando começou, o senhor lembra?

 

R – Essa mudança, ela começou... Eu não me recordo a data, assim, mas com a chegada do primeiro trem, inaugurando a ferrovia.

 

P/1 – Como foi, o senhor lembra da chegada do trem?

 

R – Nós estávamos na oficina, oficina provisória, lá na área da oficina atual, quando esse trem chegou com a bandeira do Brasil, bandeira do Maranhão... Foi feito um churrasco e foi uma festa muito grande, uma alegria muito grande. Todo esse pessoal que trabalhou no projeto, construção dessa ferrovia. Foi muito bonito, até emocionante para quem trabalhou. Chegou a locomotiva, chegava apitando.

 

P/1 – O que o senhor sentiu quando viu?

 

R – Não deixa de sentir um pouco realizado, um pedaço daquele momento, daquela história, né? De qualquer maneira, nos fez sentir, assim, como se tivesse participado, contribuído um pouco.

 

P/1 – E hoje a atividade do senhor qual que é?

 

R – Hoje eu estou na área de serviços gerais. Estou trabalhando na parte de gerenciamento, acompanhamento dos pedidos de compra, vendo se já foi comprado, o que não está, se já chegou, quando é que vai chegar... Acompanhando também a parte de pedido de contratação de serviços. Essas são a nossa função atual.

 

P/1 – O que mais se pede para comprar? Qual o material hoje que o senhor mais trabalha, que tem mais pedido?

 

R – Eles pedem muita coisa.

 

P/1 – É indiferente?

 

R - É indiferente. Quem trabalha nessa área de serviços gerais, por exemplo, área de pneus, manutenção dos veículos, manutenção da área aqui, que ... eles pedem muito material hidráulico. Tem um vazamento, uma coisa aqui outra acolá. Então, tudo isso... cano, material assim.

 

P/1 – E o que o senhor acha que foi a Vale para o Maranhão? O senhor acha que...

 

R – É, a Vale tem sido para o Maranhão um veículo de desenvolvimento muito grande. A Vale e Alumar são as duas maiores empresas que tem aqui, que tem alavancado, assim, um número muito grande de emprego, tem trazido um monte de emprego direto e indireto aqui para área. Maranhão hoje, eu acho que deve esse estágio, essa atual fase de desenvolvimento a essas duas empresas.

 

P/1 – O senhor lembra de algum caso pitoresco? alguma coisa que aconteceu em todos esses anos com o senhor aqui, que o senhor queira registrar?

 

R – Não, não, assim especificamente não. Tem o ambiente que a gente trabalhava comparado a hoje. Por exemplo, quando nós fomos lá para essa área da oficina. Nós trabalhávamos todo mundo num galpão, no almoxarifado, numa área muito grande, toda coberta de zinco e fazia um calor infernal lá. Não tinha ar condicionado, não se podia usar o ventilador porque tinha um pessoal que trabalhava com o antigo (inaudível), que era solicitação de compra. Aquilo era preenchido manual e era papel pequeno e o ventilador jogava aqui de baixo. Então, tinha que ser todo mundo naquele calor danado. Eu trabalhava no cantinho, bem no canto, onde a gente chamava de “canto quente”, que era canto quente que ele chamava, que era um calor danado lá, a gente passava o dia naquilo ali, batendo a máquina o dia todo e naquele canto...

 

P/1 – Não voava papelada? (risos)

 

R – É.

 

P/1 - Está certo? Obrigado, seu Antenor.

 

R – Obrigado o senhor.

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