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História

Amor por Sandra

História de: Helio Szmajser
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 00/00/0000

Sinopse

Em sua entrevista, Helio narra sua infância, vivida no bairro da Tijuca no Rio de Janeiro. Os passeios no alto da Boa Vista e os cinemas da praça Seans Peña fizeram parte de sua infância e mocidade. Helio conta a história de amor com sua esposa e relata a paixão dela por selos e todo universo filatélico. É diretor do Porto do Rio de Janeiro e prepara-se para um dos momentos mais importantes de sua vida: ser avô.

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História completa

P/1 – Bom, Hélio, eu queria te agradecer de você estar participando aqui do nosso projeto. E para começar, eu queria para deixar registrado, que você falasse seu nome completo, sua data de nascimento e o local onde você nasceu.

 

R – Meu nome é Helio Szmajser, nasci no dia 21 de março de 1959, no Rio de Janeiro, antigo estado da Guanabara.

 

P/1 – Qual que é o nome dos seus pais?

 

R – O nome do meu pai é Jacó Szmajser e da minha mãe, Regina Salomão Szmajser.

 

P/1 – Você sabe um pouquinho a historia da sua família, como vieram parar no Rio?

 

R – Os meus pais são cariocas, mas a minha família veio fugida da guerra, né, meus avós, tanto maternos, quanto paternos são da Polônia, né, e durante a Segunda Guerra Mundial, por pertencer a religião judaica, né, e a perseguição do nazismo, eles vieram aqui para o Brasil, terra que os acolheu e nasceu o Hélio.

 

P/1 – Hélio, você sabe como que eles se conheceram?

 

R – Eles… era tradicional na época da adolescência dos meus pais, que os pais fizessem uma coisa chamada tratamento de águas em estancias hidrominerais e eles viajavam muito para São Lourenco e eles se conheceram em São Lourenço e namoraram, casaram e foram passar a lua de mel em São Lourenço. E eu, provavelmente, fui fruto da noite de núpcias dentro do trem que os transportou para São Lourenco, porque nove meses depois do casamento, estava o Hélio nascendo.

 

P/1 – E Hélio, conta um pouquinho da casa da sua infância, do bairro…

 

R – Bom, a minha infância sempre foi na Tijuca, né, uma infância rica, na época, a gente fechava as ruas para brincar de pique, não tinha a violência dos dias de hoje, eu joguei muita bola de gude, soltava pipa e um dos hobbies da época também, tinham vários hobbies de coleções, né, e eu tive coleção de chaveiro, coleção de plástico e posso começar a contar da onde surgiu a vontade, procurando no meio da documentação do meu pai, eu era uma criança curiosa, né, e achei um álbum com… primeiro, um álbum de redações que o meu pai fazia na época da adolescência, poesias, né, e as poesias fazia para amigas, namoradas, e no meio desse livro de poesias, eu achei um álbum de selos de diversos países. E mais ou menos, na década de 70, com o Brasil ganhando a Copa de 70, eu comecei a despertar para o lado do selo, comecei com o milésimo gol do Pelé, fui juntando, isso e aquilo e fui fazendo uma coleção. Minha adolescência foi crescendo, eu fui abandonando um pouco a coleção de selos, me interessando por outras coisas, até que eu comecei a namorar a minha esposa, hoje, a Sandra. A Sandra, ela teve dois tios, o irmão do pai dela, né, que foi um colecionador e teve um tio, casado com a irmã do meu sogro, que era uma pessoa inteligentíssima, selos do mundo inteiro também e despertou na Sandra esse encantamento por selos. E a gente noivou, casou, né, e antes de noivar e casar, a Sandra, na casa dela, começou a conversar com os pais: “Pai, o tio colecionava selos, onde é que está isso?” “Ah, tem que procurar, vai dar trabalho…”, até que no finalzinho da década de 70, achou-se os selos que haviam sido guardados, né, e ela juntou esses selos em pequenos álbuns, né, e começou realmente, a pedir para o pai acompanhar lançamentos de selo, editais de selo, selos comemorativos, principalmente do Brasil. Nessa época, ela tava focada só no Brasil. Depois que a gente se casou, né, despertou ainda mais o sentimento pelo selo de Israel e ai, desde… eu posso dizer, seguramente, eu posso dizer, tem uns 20 anos que eu fico impressionado como é que o selo transforma a minha esposa. Eu considero a minha esposa, assim, hiperativa, nós estamos esperando ansiosos a chegada do nosso primeiro neto, né, agora, mas quando fala em selo, ela para, tem a paciência, senta na nossa mesa da sala, com lupa, com escovinha, e vai montando diversos álbuns de selo. Eu acho que lá em casa entre álbuns com editais e álbuns com selos, deve ter mais de 30 álbuns, né, e a paixão vem aumentando dia a dia. Esse período que ela tem se dedicado a minha filha, ela sempre chega e fala: “Hélio, já está na época de você passar lá na Primeiro de Março, na agência central e conversar com a Paulina”, Paulina é a que trabalha na agência lá e todos os lançamentos, ela pede para eu verificar, ela entra no computador, e: “Hélio, vai lá e pega o selo”, e vem se estendendo essa paixão ai que ela adquiriu pelos selos e vamos ver quem é que vai seguir isso dai, né, eu acho que tão cedo ela não vai deixar essa paixão ai.

 

P/1 – Eu vou querer saber mais sobre a coleção e tal, eu vou fazer mais algumas perguntinhas sobre essa parte da filatelia, mas primeiro, eu queria voltar lá tras e queria perguntar, você falou que cresceu na Tijuca, sabe, conta um pouquinho pra gente de como que era o bairro, como que era a região, o que você acompanhou…

 

R – Bom, a Tijuca, antigamente, né, era o… na época, você tinha Quinta da Boa Vista, né, São Cristóvão, que era do lado da Tijuca, né, você tinha um jardim zoológico e o principal atração era a Praça Santos Penha, com os seus cinemas. Eu morei numa região e continuo morando nessa região até hoje, que é Pracinha Afonso Pena, a rua do América Futebol Clube, a Rua Campos Sales, né, uma região maravilhosa, na Tijuca, eu cheguei a andar de bonde, né, coisa que não existe mais, é uma pena, visitava muito o Alto da Boa Vista, né, isso é uma coisa que eu faço até hoje, minha esposa tem paixão pela Floresta da Tijuca e eu que fico por causa da violência, fico, às vezes, receoso, mas a gente continua indo muito lá. Tijucano não é bairro, é um estado de espirito, é o único bairro… “Você é o quê?” “Copacabanense”, “Ipanemanense”, não existe isso, existe o tijucano, espirito de tijucano, é diferente dos demais bairros, me desculpem os outros bairros do Rio de Janeiro, mas o tijucano é um estado de espirito.

 

P/1 – Me conta algum fato marcante da sua infância, assim, uma brincadeira, conta alguma coisa assim pra gente.

 

R – Brincadeira… ah, um fato marcante é qwue na minha rua, onde eu morei, Delgado de Carvalho, tinha Delgado de baixo e a Delgado de cima. A Delgado de cima, simplesmente, era onde se reunia a Jovem Guarda, Tim Maia, Erasmo Carlos, Roberto Carlos, Wanderleia,  Rosemeire morava na Carlos Vasconcelos, que era um lugar onde eu iam me encontrar com o meu grupo de juventude e adolescência para jogar bola e a gente corria para ver a Rosemeire sentada, nessa época, ela já era bonita, então, os garotos, na época, gostavam de ver a Rosemeire. Fatos marcantes assim, da Tijuca, até hoje são: o Alzirão, todo mundo conhece, né, da época da Copa, isso vem desde da década de 70 também…

 

P/1 – E Hélio, você recebia… você lembra de contato com os Correios além da questão do selos, se você puder contar, carteiro que entregava correspondência, se trocava carta com alguém…

 

R –  A minha família trocava cartas com os parentes em Israel, né, e eu com a minha atual esposa, antigamente não existia e-mail, o telefone DDD era caríssimo, então quando a gente viajava, a gente escrevia carta um pro outro e ela tem as cartas até hoje, né, tanto minhas e eu tenho as dela e ela ainda tem as cartas de quando ela viajou para os Estados unidos, ela escrevendo para as irmãs, ela tem essas correspondências guardadas até hoje. Outra coisa que eu me lembro bem que se fazia na minha infância, adolescência, eram cartões postais, né, pra onde a gente ia, a gente procurava cartões postais pra mandar para os nossos parentes. Essa é uma coisa marcante nos Correios

 

P/1 – E Hélio, o que você queria ser ao crescer, quais foram as suas escolhas profissionais?

 

R – Bom, eu desde pequenininho, né, ou eu tendias a ser um engenheiro, né, ou medico, né? E a tendência se deu um pouco por causa do meu sogro, né, o meu sogro chegou pra mim preocupado com o meu futuro e falou: “Hélio, você… eu sei que você gosta de medicina, mas você vai estar lá, não vai ter hora, você não vai ter paz, tal, não sei o quê”, e eu não fui um bom aluno do nível médio em matemática, mas a partir do… quer dizer, no fundamental, eu não fui um bom aluno, mas no nível médio em diante, eu fui um bom aluno em matemática, física e o resto e parti realmente para engenharia, que eu chamo de física mais bom senso, né, você somando os dois, dá engenharia e a necessidade é a alma da invenção, então, eu sou uma pessoa que gosto de estudar, né, me formei, me pós graduei, me especializei, e hoje tô dando esse depoimento do meu local de trabalho, porque eu trabalho no Porto, tá, até 2011, eu fui diretor aqui do porto do Rio de Janeiro, então pra mim é uma satisfação.

 

P/1 – E esse namoro com a Sandra, como que começou? Conta essa historia de amor pra gente.

 

R – O namoro começou de um incidente. Eu fazia parte de um grupo, né, e estudava numa escola que tinha campeonatos de surf. Eu já fui jogador de basquete, já fui magrinho, vocês têm que acreditar em mim, né, e nesse dia chovia muito e eu fui par um campeonato de surf. Ao chegar em casa, comecei a passar mal e peguei uma pneumonia, pneumonia de base. Fiz o tratamento e um colega meu chegou e falou assim: “Hélio, vamos voltar a frequentar um grupo?”, ai eu falei: ‘Daniel, eu não aguento mais aquelas meninas. Eu passo o dia de segunda a sexta-feira vendo aquelas meninas na escola, você quer…” “Não, não, não, não. São meninas da zona sul que eu conheci, vamos sair, elas querem ir no Golfinho da Lagoa”, um mini golf que tinha na Lagoa, né, tinha um Tivoli Bar, e ai nós marcamos de ir, nesse dia, a Sandra não estava, marcaram de ir no teatro, eu tô sentado, esperando a peça começar e estão me tacando bolinha de papel, taca outra bolinha de papel, eu me viro pra ela e falo: “O quê que é?”, e ela: “Desculpa, eu pensei que fosse um outra pessoa”, e ai, esse “desculpa, eu pensei que fosse outra pessoa”, esse meu amigo falou: “Essa é uma das garotas que eu quero que você conheça’, dali, a gente saiu, fomos levando pra casa, ela era muito minha amiga, muito minha amiga, né, ela é irmã gêmea, eu tava mais com ela, mas eu tava mais de olho na irmã gêmea, mas ela despertou a amizade, um carinho, né, que ela despertou e a gente com 15 anos não vai dizer que está completamente apaixonado. Eu conheço ela desde os 15 anos, né, estamos casados há 30 anos, né, e eu conheço ela há 38 anos. Então, hoje, com certeza, ela é a minha alma gêmea, né? Tivemos uma filha, né, e estamos aguardando ansiosamente a chegada do nosso primeiro neto agora.

 

P/1 – E esse começo de namoro, o quê que vocês faziam quando vocês começaram a namorar? Iam o cinema? Conta pra gente.

 

R – Praia, cinema e esse nosso grupo, né, de amigos, que a gente sempre se reunia sextas e sábados e tinha uma época que a gente viajava, viajávamos muito para Teresópolis, e bastante isso. Não existiam shoppings na época, shopping só apareceu depois, só existiam centros comerciais, mas basicamente, era praia, cinema e viagem.

 

P/1 – Teve alguma viagem que tenha sido marcante, que você queira deixar registrado?

 

R – Olha, viagens com a minha esposa, todas foram marcantes, todas foram marcantes. Especial, claro que a lua de mel é especial, né, tem uma viagem que foi marcante, que a gente acha que foi onde nós elaboramos a nossa filha, né, que foi para Espirito Santo, Guarapari, né, essa foi uma viagem especial e eu conheço Brasil de norte a sul, todas as viagens, realmente, maravilhosas. A ultima viagem marcante que realmente você sente que você faz parte, que existe uma energia que tá acima da gente foi a Foz do Iguaçu, quando eu tava com ela na ponte ali das cataratas, é um momento que realmente a gente sente maravilhado.

 

P/1 – E o casamento, teve festa?

 

R – Teve!

 

P/1 – Como que foi a festa?

 

R – Bom, casamento judeu que não tem festa, né, casamento… coitado do meu sogro, né, porque ele teve três filhas, então, muita festa, né, participação da família, dos amigos, muita festa.

 

P/1 – Dessa sua trajetória como engenheiro, se você pudesse enumerar pra gente pontos marcantes da sua carreira, dessa parte da sua vida profissional…

 

R – Bom, eu me sinto realizado profissionalmente, né, no Brasil é difícil a gente dizer isso, porque existe uma carga politica muito grande, dependendo do teu doco, né? Eu fui uma pessoa que comecei a trabalhar cedo, né, pra ajudar, eu namorando… o meu pai me ensinou: “Vai namorar, então você já tem que ganhar o seu dinheiro, eu não quero que a menina pague nada. Você trabalha, ganha o seu dinheirinho, vai trabalhar”, me formei e comecei com uma empresa de reformas, minha, né, trabalhei na Companhia do Metropolitano, Metro do Rio de Janeiro, depois eu fui trabalhar com dragagem, eu não sei se você sabe o quê que é, são equipamentos que eles aprofundam o leito das baías, né, por exemplo, Baía de Guanabara, aqui, o porto, precisa receber navios de maior calabre, então tem uma draga que ela vem… eu trabalhei na Companhia Brasileira de Dragagem, logo depois, eu fui para a Porto Brás, a Porto Brás foi extinta no governo Collor e eu, com o meu currículo, eu fui transferido para a Companhia Docas Rio de Janeiro. Na Companhia Docas do Rio de Janeiro, eu fui de engenheiro a superintendente do porto e de superintendente, eu fui a diretor, presidente substituto da Companhia Docas. Então, eu me sinto profissionalmente realizado, como engenheiro.

 

P/1 –  E Helio, agora eu vou perguntar um pouquinho dos selos, né, eu queria saber… fala um pouquinho então da coleção da Sandra.

 

R – Ai que ela podia me ajudar, né? A Sandra, como eu falei, ela é… esse é um exemplo, esse é selos do Brasil… não, a Sandra tem… esses são selos de Israel, como vocês podem ver, bem antigos, até… vai passando, até os atuais, né?  E foi o que eu disse, né, essa paixão começou ela fazendo uma pergunta para o pai, né, onde que estavam os selos do tio, né, isso foi crescendo até os dias de hoje, onde ela não deixa de acompanhar lançamentos, principalmente do Brasil. Ela tenta, eu às vezes, faço uma viagem internacional e ela fala: “Helio, onde você for, procura selo do Brasil e de Israel”. Eu estive em Portugal, trouxe selo do Brasil e trouxe selo de Israel, são as duas principais coleções que ela faz até hoje.

 

P/1 – Tem algum selo que você tenha dado para ela que ela tenha ficado muito emocionada, que é assim, muito pessoal?

 

R – Ah sim! Por uma coincidência de datas, eu fui diretor aqui na época em que o porto do Rio comemorou o centenário. Então, eu… eu recebi aquela… o primeiro dia de postagem, com o Presidente Lula carimbando junto com o presidente do Correios em uma cerimonia realizada aqui e eu dei de presente pra ela, tá guardado com ela. Foi um dos selos que ela mais ficou emocionada de ter ganho. Não vende nos Correios esse.

 

P/1 – E Hélio, agora eu queria saber como que foi… você falou que tem uma filha, como é que foi para você ser pai?

 

R – Eu vou contar pra você que ter um filho foi a minha maior emoção da minha vida, eu acho que nasce o filho, dia seguinte é diferente. Este momento que eu tô passando agora é um momento totalmente diferenciado, porque com a tecnologia, eu pude observar, a minha filha realizou uma série de ultrassons e eu, agora, pude ver o bebê que ela tá gerando nas três dimensões, ele rodando, então você vê o corpo do bebê, as feições, então, eu… não que substitua, mas a emoção de eu ver um ser que a minha filha tá gerando, ela, nesse momento, foi até maior do que o nascimento da minha filha, é uma coisa indescritível.

 

P/1 – Fala um pouco da sua filha pra gente.

 

R – Minha filha é um pessoa maravilhosa, virginiana, né, fruto de um intenso amor aqui entre eu e a Sandra, ela já não aguentava mais ficar dentro da barriga da mãe, espevitada, nasceu aos sete meses, né, doida para vir ao mundo, né, super criativa. Ela não tem a mesma paciência da mãe com coleções, eu acho a minha filha assim, eu até brinco um pouco, que eu chamo ela de volúvel, ela tá gostando de uma… um exemplo, ela tá gostando de uma coleção de chaveiro, ai ela rapidamente trocava por uma coleção de plástico, coleção de gibi, coleção de livro, tal… ela não era fixada nisso ai. Selo, ela não gostou muito não, essa paixão… inteligente, né, acho que… super carinhosa, né, atenciosa, preocupada, filha única tem esse problema, né, ela é super protegida, então ela fica preocupada, mas a super proteção, ela supre com carinho e com o amor que ela tem por nós.

 

P/1 – Hélio,  você falou um pouquinho que ela ainda não gosta dos selos, o quê que você acha, nessa sua união mesmo, fazendo uma avaliação, o quê que fascina tanto a Sandra nos selos, o que motiva ela a continuar, e o que motiva essa paixão?

 

R – Eu acho que isso ai tem muito a ver… as pessoas dizem que… eu acredito em vidas passadas, né, que eu acho que a Sandra traz esse amor dos selos de vidas passadas, porque realmente, ela se transforma quando ela tá diante dos selos, é uma outra pessoa, não gosta de ser incomodada, é ela no cantinho, ela troca o óculos, bota o óculos pra perto, é a vassourinha, é o detalhe da fita: “Hélio, essa ita aqui não serve, você tem que passar na Rua da Assembleia, procurar o fulano de tal, que ele vai te vender o correto”, e entra nos computadores, ela tem um papel xerox, que já tá… eu não sei como ela consegue se entender com aquele papel, que tá tudo… pra mim, tá em hieróglifos, mas ela: “Não, não, não, tá aqui, você não tá enxergando, mas eu com a lupa, tô enxergando. É esse selo, é esse aqui”, ai eu chego lá e falo: ‘Realmente, você tem toda razão, o selo é esse ai que você tá procurando, mais uma vez você tem razão, o errado sou eu.”

 

P/1 – E você decidiu acompanha-la na exposição? Como que vocês vieram parar aqui?

 

R – Ah sim, como eu te falei, eu trabalho aqui e fiquei sabendo da exposição filatélica que estava tendo aqui, né, que iria ter uma exposição mundial. A Sandra, duas ou três vezes por ano, a gente vai nas exposições que tem nos hotéis: Hotel Novo Mundo, nunca saímos do Rio de Janeiro, talvez tenha sido até vontade da Sandra viajar para Minas Gerais, São Paulo, que é onde tem, mas esse ano ficou realmente dificultoso devido a gravidez da Renata, mas a vontade partiu principalmente dela e eu, por estar aqui, falei: “Vamos lá visitar”, e eu… a gente olhou ali aquela holografia, se eu posso chamar que é contando desde o Imperador Dom Pedro II, né, achei aquilo fantástico, as crianças da escola também estavam vendo aquilo ali, nós passamos aqui e conhecemos vocês que simpaticamente, nos convidaram para esse…

 

P/1 – Vou te fazer só mais uma pergunta pra gente encerrar, eu queria que você falasse quais são os seus sonhos e aspirações para o futuro.

 

R – Olha, eu brinco para todo mundo que ano que vem eu tô completando aqui para a companhia a idade em que eu já posso me aposentar pela companhia, né, mas no Brasil, com 55 anos não dá pra parar, e eu…  o meu projeto de vida agora, eu brinco também com todo mundo que é o projeto vovô, né, tanto meu, quanto da minha esposa, né, porque nós educamos a nossa filha, né, eu me sinto realizado com essa educação, mas agora chegou a hora que eu vou estragar um pouquinho o meu neto, né, tudo o que eu tomei cuidado com ela, agora eu vou aproveitar e vou fazer com o neto. Ainda tem as aspirações profissionais, né, e quero aproveitar a vida, conhecer lugares novos, levar a minha esposa junto e comprar bastante selos, né, nos lugares que a gente visitar.

 

P/1 – Muito obrigada Hélio, em nome da parceria do museu da Pessoa com os Correios, eu agradeço você ter tirado um pouquinho do seu tempo e ter contado a sua historia aqui pra gente.

 

R – Eu é que agradeço a sua simpatia. Muito obrigado.

 

P/1 – Muito obrigada.

 

 

 FINAL DA ENTREVISTA

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