Busca avançada



Criar

História

Amor pelo Botafogo

História de: Francisco Tomaz
Autor: Francisco Tomaz
Publicado em: 18/11/2019

Sinopse

Resumo minha vida desde a infância em Recife até a ida para o Rio de Janeiro, onde adoro Copacabana e o Botafogo de Futebol e Regatas.

Faço também um rápido percurso pela passagem na MB e na vida Acadêmica, onde cursei História e Filosofia, tornando-me então um viajante a apreciador de fotografias.

Tags

História completa

VIDA DE VIAJANTE

 

Sou viajante. Acho que desde a época em que eu estive na Marinha que aprendi a gostar de viajar. Mas, na época em que eu era criança, também gostava de ir com meus pais para o Rio Grande do Norte.

 

Meu nome é Francisco Roberto Pinheiro Tomaz, sou militar aposentado, vivo atualmente na cidade de Recife, mas adoro o Rio. Conheci o Rio de Janeiro quando a Marinha me enviou para aquela cidade, em 1980.

 

Em 1962, quando nasci na periferia de Recife, num lugar chamado Tigipió, o Brasil era outro, e não se pode imaginar como foi difícil para mim enfrentar as transformações. Papai era aposentado por invalidez, e mamãe – hoje com 96 anos – era costureira, quando eu nasci. Meu pai é falecido.

 

Depois de nascido, a família, já constituída por uma irmã mais velha 16 anos, meus pais e mais três pessoas – avó materna, tia materna e seu marido, fomos morar no Largo da Paz em Afogados, Rua do Bom Gosto, n° 70.

 

Temporão, todos me pegavam no colo. Meus padrinhos gostavam de mim: Cipriano Alves Barbosa e Elisa Heloísa Barbosa – morávamos todos juntos, na casa deles.

 

Depois de reformada a casa que papai comprou na Vila São Miguel, nos mudamos para lá. Porque minha avó faleceu e o meu padrinho Cipriano também, então Elisa Heloísa Barbosa foi morar com a gente, e a casa da Rua do Bom Gosto foi alugada. Elisa recebia o Aluguel, mas, não colaborava conosco e meu pai se chateava por isso, porque o dinheiro do aluguel ela comprava coisas para mamãe e para nós. Desentendimentos haviam que me deixavam sob pressão, meu pai esbravejava e sobrava para mim, por causa da pressão, deixei a vagabundagem de lado e fui para a Marinha. Minha irmã se casou, mas permaneceu por perto, tinha um prestígio grande com a família, porque trabalhava na Singer, uma representação de Máquinas de Costura.

 

Durante a infância, quando não estava na escola, me ocupava de mil e uma coisas. A melhor delas era ficar com os amigos da rua, jogando bola, ou discutindo qualquer coisa: filmes, figurinhas, pipas, peão, e bicicleta. Foi lá que aprendi gostar das boas músicas anos 60/70. Depois 80.

 

A descoberta da sexualidade marcou esse período. Eu era muito socializado naquele ambiente, e de certo modo me descuidava dos estudos, era preguiçoso para estudar, gostava de não fazer nada, muita cultura: música, shows e diversão. A Escola de Aprendizes Marinheiros de Pernambuco me deu a chance que eu precisava.

 

VIDA PROFISSIONAL

 

Antes de entrar na vida escolar em regime de internato, brinquei a valer. Foi aí que conheci o interior do Rio Grande do Norte, também a capital Natal. Quem sabe a Marinha não seria importante, pensei. Na época as informações eram escassas e o serviço público não me atraía, não havia concursos como nos dias atuais, só me restou procurar ser feliz na MB. Fiz o curso de Aprendiz Marinheiro entre 1979/80 e por fim cheguei na Esquadra no dia 16 de junho de 1980, para passar a ser um profissional do mar, como eles dizem.  E, de fato, me adaptei muito bem, mas tinha uma certa mágoa acerca de papai- que tanto me insultava porque não queria ser comerciante como ele, o fato de ele ter sido chamado a receber os proventos de 1º Ten. do Exército pela sua participação como pracinha na Segunda Guerra Mundial o levou a uma condição que poderia ter sido menos duro comigo,  na minha preparação melhor para o mundo do trabalho a partir de 1981. Eu teria mais calma para me preparar para sair de casa. Como a minha irmã, que dependeu sempre de um apoio e por fim ainda hoje vive às custas do emocional ligado à mãe.

 

Fui um solitário. Depois namorei por cartas, com uma garota que me foi apresentada por um amigo da Marinha, de Recife. E depois, casados em 1984, fomos morar em Campo Grande, Rio de Janeiro, em Vila Velha-ES – 1997 -2003; e posteriormente em Recife, quando passei à inatividade.

 

A vida nos navios não me permitia perder tempo. Ainda solteiro, estudava para exames supletivos. Depois para o ensino superior no Curso de História na FEUC - Faculdade Educacional Unificada de Campo Grande. Fiz graduação também em Filosofia, na UFPE – Pernambuco, e depois Latu senso (história do século XX e Psicologia da Educação).

 

Resolvi parar as pesquisas. Retornei ao antigo hábito de viajar, sob pretexto de visitar meus filhos em São Gonçalo, Rio de Janeiro, retomei o antigo hábito de registrar em imagens, como um hobby, e com a internet, blogando o Brasil todo.

 

Esse pequeno percurso ao longo dos primeiros dez anos na MB me deu experiência. Queria agora levar para a vida na inatividade os conhecimentos a serem aplicados na Educação aqui fora, rápido percebi que não havia como realizar este sonho, por causa da idade e do meio de origem, fui escanteado em algumas ocasiões. Mas, pouca importância dei para este fato.

 

Trabalhei como voluntário na Copa de 2014 e Olimpíadas do Rio de Janeiro em 2016, podendo socializar todo o meu aprendizado. Aprendi bastante com os jovens de hoje, e também que velhice não está na parte física nem na aparência. Meu espírito ainda continua jovem, sonhando e viajando, torcendo pelo meu Botafogo, e apreciando as melhores oportunidades para captar ainda mais experiência.

 

Sou carioca de coração, atualmente resido em Copacabana. Mas de vez em quando, retorno ao meu Recife, onde tenho a minha esposa (atual companheira) com quem posso contar para me apoiar em minhas aventuras pelo mundo.

 

Vou ao Botafogo, ao clube e aos jogos. Acho que esta paixão vem desde 1971 quando ouvi pelo radio a primeira transmissão, justamente contra o Santa cruz Futebol Clube aqui de Recife. Acho que o esporte é um bom caminho para abrir a participação dos jovens e integrá-los à sociedade, retirando-os dos maus vícios, assim como a Marinha do Brasil fez comigo. A vida nos dá as oportunidades, que não podem perder, porque o tempo passa muito rápido e é necessário ser feliz.

Ver Tudo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+