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Amor aos Correios

História de: Rubens Almeida de Barros
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 19/02/2014

Sinopse

Rubens nasceu em Belo Horizonte e lá trabalhou como auxiliar de enfermagem. Recebeu convite para trabalhar em São Paulo e para essa cidade foi. Se correspondia com sua noiva até que marcaram o casamento. Hoje tem filhos e netos. Entrevista captada no metrô paraíso - Cabine museu que anda- em 13/06/2013.

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História completa

Meu nome completo é Rubens Almeida de Barros, o local de nascimento é Belo Horizonte, Minas Gerais. A data de nascimento é 21 de setembro de 1947. O nome do meu pai é Geraldo Antonio de Barros, e da minha mãe, Maria Clementina de Almeida, ambos já falecidos. Eu, graças a Deus me lembro quando eu mudei de uma casa e fui pra outra. Eu tinha três anos de idade, e ainda me lembro, inclusive, das crianças que brincavam comigo. Eu nasci em um bairro lá em Belo Horizonte que se chama Santa Efigênia, fica próximo da Santa Casa, que por sinal eu fui funcionário dessa empresa, depois de adulto. Mudei para um bairro, que na verdade não era um bairro, era uma favela. Eu fui criado nesse local, e morar em favela não é vergonha para ninguém. Na época chamava Vila dos Marmiteiros, depois mudou o nome pra Vila São Vicente, e por sinal esse bairro foi desapropriado, sobraram poucas residências. A da minha família foi uma das poucas que sobrou, o bairro voltou a crescer, não tanto como antes, mas ainda existe, lá, o local. Eu brincava de brincadeiras que a maioria hoje não faz: bolinha de gude, futebol, patinete, carrinho de rolimã, jogo de peteca, que mineiro gosta muito de jogo de peteca, cantiga de roda. Eu vim para São Paulo já adulto, foi iniciativa minha, eu já estava empregado lá, e jovem deseja ganhar mais. A empresa que eu trabalhava, que era a Santa Casa, não me deu oportunidade. Eu me inscrevi aqui pro Hospital das Clinicas de São Paulo, já que a minha função é auxiliar de enfermagem. Eu escrevi para a empresa, a empresa me mandou uma correspondência, que na época o telefone era muito difícil, então me mandaram uma carta via Correios. Graças a Deus, essa boa e ótima empresa que existe até hoje, e através dela, dessa carta dosCorreios, eu vim pra São Paulo. Trabalhei no hospital por determinado tempo, fui para outras empresas e graças a Deus estou aqui em São Paulo e me considero um vencedor. Eu tive boa impressão quando cheguei em São Paulo, porque Belo Horizonte mesmo comparando com São Paulo hoje, não chega ao tamanho daqui, a começar pela população. Lá não chega a três milhões de habitantes. Hoje, aqui são mais de dez milhões, então pra mim foi uma diferença muito grande, é uma cidade nova, não conhecia nada, não tinha amigos. Hoje eu amo essa cidade. Eu tenho a minha família que mora lá até hoje. As correspondências nunca deixaram de existir, eu continuo escrevendo até hoje, apesar de existir outros meios, telefone, etc. Mas eu sou fã da carta. Sou um daqueles que realmente vai morrer usando os Correios. E outra coisa, os Correios também vendem cartão telefônico, eu compro nos Correios ao invés de comprar em outro local. Eu escrevia muito para os meus irmãos antes de casar, para a minha esposa também, em especial pra ela eu escrevia muita correspondência. A gente namorava e não tinha telefone. Eu sou daquela época que infelizmente o telefone era muito difícil. Tinha que pedir a ligação, esperar, ver que hora que iam ligar, então pra mim era difícil demais. Conclusão, os Correios eram a minha salvação. Foi através da correspondência que eu consegui namorar, falar das minhas vitorias, dos dissabores da vida que a gente sempre passa, e uma carta especial foi a que eu mandei pra ela falando... Ela queria muito casar, e eu também, era o pensamento de ambas as partes, e foi uma que eu mandei pra ela que dizia: “Marque a data do casamento ao dia tal se for possível”, então marcamos a data, e graças a Deus, depois de mais alguns dias eu casei. Essa foi a coisa mais especial da minha vida, foi quando eu mandei pra ela avisando que eu queria casar, pra ela poder marcar a data.

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