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História

Amor ao seu lugar de origem e à sua família

História de: Maria Iolanda Oliveira da Silva
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 24/11/2014

Sinopse

Iolanda é da comunidade de São Sebastião do Saracá (Alto Rio Negro, município de Iranduba-AM). Foi adotada pela D. Saracá e é empreendedora de pão caseiro. A comunidade em que vive tornou-se uma unidade de conservação de uso sustentável, uma Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) após seu marido e outros homens da comunidade serem presos. Ela nos conta histórias de amor pelo seu lugar de origem e por sua familia.

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História completa

Meu nome é Maria Iolanda Oliveira da Silva. Eu nasci em Manaus. Eu nasci no dia quatro de abril de 1974. Minha mãe é Maria Raimunda Oliveira da Silva e  meu pai é Anísio Oliveira da Conceição. A minha mãe, ela era doméstica, trabalhava em casa, trabalhava com agricultura, com roça. E o meu pai pescava também e trabalhava na agricultura, às vezes com madeira, aqui na Comunidade do Saracá. Antes não era aqui que nós morávamos, nós morávamos em um sítio da nossa família. Mas quando começou a comunidade aqui, depois o sítio da minha avó foi vendido. E logo após a gente veio morar aqui na comunidade, aqui mesmo. Que essa comunidade aqui que a dona Raimunda fundou, que começou com a escola, depois veio a igrejinha, campo de futebol, e foram chegando as outras famílias. Que praticamente aqui nós somos assim, mais família. Tem poucas pessoas aqui que não são da nossa família.

Nós somos seis irmãos, somos filhos só de um pai. Que são três irmãs e três meninos.

A infância, a minha infância foi boa, porque eu praticamente não fiquei, assim, com meus pais diretamente. Até porque nós éramos o quê? Seis irmãos. E meus pais, assim, às vezes não tinham condições. Então eu fui morar com a dona Raimunda, a qual eu comecei a estudar aqui na escola eu tinha uns dez anos. E fiquei praticamente com ela. Eu terminei de me criar na casa dela. Estudei uma época no Iranduba, numa escola que é dos Bahá'í, que é uma religião, que também era uma escola agrícola, onde eu estudei quatro anos. Que quando eu saí de lá, era pra eu ter terminado o oitavo ano, mas por motivo de a escola não ser reconhecida na Seduc eu desisti de estudar e vim embora pra cá. Mas a minha infância aqui foi boa, porque vivia no meio da minha família, junto com meus pais. Porque mesmo morando com ela, eu nunca deixei assim de vir visitar a minha mãe.

Eram muitas brincadeiras que a gente fazia. Nós gostávamos muito de jogar bola, que até hoje é o que as pessoas mais gostam aqui. Jogar bola, dançar, brincar de peteca, brincar de roda, cabo de guerra, barra bandeira.

Depois eu comecei de novo a estudar e terminei agora em 2013, aí na Comunidade Tumbira. Todos os dias eu tava na sala de aula. Trabalhava de manhã e de tarde de merendeira, mas à noite eu tava na sala de aula.

Praticamente nós crescemos juntos, eu e meu marido. Praticamente estudamos juntos. Mas antes, ninguém era namorado. Nós fomos amigos de escola, colega, brincávamos muito. Teve uma época que eu fui pra Manaus, aí quando eu voltei, foi a época que nós começamos a namorar. Acho que nós namoramos assim um ano, só namorando. Depois ele perguntou um dia se eu queria namorar mesmo com ele de verdade, se eu queria ter um compromisso sério com ele, eu falei que queria. Ele veio um dia em casa, me pediu do meu irmão e dela, que eu considero pai e mãe. Aí ficamos namorando e logo a gente noivou e casou. Nós nos casamos em dezembro de 94. Nós nos casamos aqui na igreja e logo após nós viemos morar. A nossa primeira casa era uma casa bem pequena, que nós viemos morar. Quando nós nos casamos, praticamente a gente não tinha nada. Na época, ele trabalhava com madeira, ele sabia cerrar. Então ele começou a cerrar com o pai dele e eu ficava aqui em casa. Aí foi na época que eu engravidei. Eu engravidei logo do Janderson, que é o meu primeiro filho. Ele tem 18 anos hoje. Tenho também uma menina de 12 anos.

Vieram várias coisas boas pra nossa comunidade. Nós já tivemos ajuda, mas nós mesmos caminhar com as nossas próprias pernas e buscar lá fora. Porque eles já nos ajudaram muito. A fundação, eu digo que já nos ajudou muito assim nessa parte, trazendo até grupo para o nosso restaurante. Essa urbanização veio através desse movimento, dessas coisas. São coisas que você analisando, você vendo, mudaram. A luz chegou pra gente, a Luz para Todos. Antes nós não tínhamos o ensino médio, hoje nós temos. Temos a oportunidade de não sair daqui, de não deixar nossos filhos saírem daqui pra ir pra Manaus estudar lá longe, enquanto aqui você vai e volta todo dia.

O consulado veio através também da fundação conhecer o restaurante, então fez uma parceria, o qual eles já doaram muitos empreendimentos bons aí pra dentro, que sempre eles são utilizados.

O que é mais importante pra mim é a minha família. Porque se eu tenho uma família estruturada, a minha família for bem alicerçada ali, o que bater algo, é difícil de quebrar. E a gente caminha só com um propósito, nós conversamos muito com os nossos filhos e eu acredito muito em Deus que quando você tem uma família que caminha junta e unida, você tem tudo pra ter algo mais. 

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