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História

Amizade pra toda a vida

História de: Roberto Vieira da Silva
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 03/02/2005

Sinopse

Roberto conheceu Alexandrino Garcia, dono da CBTC, por meio do Lions Clube, onde trabalharam juntos. Desenvolveu-se ali uma amizade que se estendeu às esposas e famílias, e também rendeu muitas viagens e companheirismo.     

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História completa

P/1 – Bom dia, senhor Roberto.

R - Bom dia.

P/1-  Muito obrigado por ter aceito nosso convite.

R – É um prazer.

P/1 -  Eu queria, para início de conversa, perguntar ao senhor o seu nome completo, local e data de seu nascimento.

R - Roberto Vieira da Silva, nascido em Uberlândia. [Em] 22/11/1931.

P/1- O nome do seu pai e da sua mãe, senhor Roberto, por favor?

R - Papai, Ambrolino Vieira do Amaral e a mamãe, Petronilha Sílvia.

P/1 - Certo. O senhor conheceu seus avós?

R - Conheci todos os quatro, apesar de que o pai da minha mãe faleceu [quando] eu tinha aproximadamente cinco anos.

P/1 – E o senhor podia nomeá-los?

R - O pai da mamãe era Agripino Augusto da Silva e a mãe dela, Eutildes Vilela Reis.

P/1- Eutildes?

R - Eutildes, exatamente. Ela faleceu com 88 anos e o vovô aproximadamente com 80 anos. Do lado do meu pai era João Vieira do Nascimento e faleceu com cerca dos seus 80 anos também. E a minha avó, Alípia Ataliba do Amaral, que faleceu com 94 anos. 

P/1- O senhor tem notícias da origem dos seus avós, eles eram da região? Vieram para cá?

R - O meu avô, segundo consta, veio lá do sul de Minas. Do lado da minha mãe, né? E a vovó, consta que ela veio aqui do Prata, qualquer coisa nesse sentido. Do lado do meu pai, tanto meu avô como minha avó são do Prata, onde residiram até que vieram para Uberlândia. Eles dois faleceram aqui em Uberlândia.

P/1- Senhor Roberto, a atividade do seu pai, qual era?

R - Papai era comerciante. No final da sua vida era comerciante de peças para automóveis. Foi dono de um posto, ali onde é o Edifício Dumont Vilela. Ele era sócio do pai do doutor Miron, todo mundo conhece. Aí, posteriormente, ele montou uma casa de peças, lá em frente, hoje é agência Ford na [Avenida] Floriano Peixoto. Faleceu, deixando a casa para mim. 

P/1 - Certo. O senhor tem irmãos?

R - Tenho quatro irmãos. Eu sou o mais velho. Tem o abaixo de mim que é engenheiro [e] mora no Rio de Janeiro, que é o Rubens. Depois tem a Márcia, casada com o Maurício. Tem a Marli, também casada com o Vítor. E tem a Marisa, atualmente residindo em Brasília, casada com o Campos - esqueço o nome inicial dele. 

P/1- Essa condição de primogênito, como é que se revelou na sua infância, quer dizer, o fato de ter sido o primeiro… O senhor ajudava em casa? Tinha responsabilidades em casa?

R - Acredito que não por esse ângulo. Aos dez anos eu comecei a trabalhar. Eu fui trabalhar em um armazém que um tio meu, Manoel Morais… Está vivo até hoje, 94 anos, parece. E depois, aos onze anos, eu fui para o posto, onde meu pai, já descrito anteriormente, fui trabalhar. Fato interessante, ele disse: “Você vai atrapalhar os mecânicos.” “Não, eu vou lá ajudar.” Lá eu fiquei até quando ele dissolveu… Como eu disse para vocês, eu fui com ele para a casa de peças, sempre estudando. Minha vida foi sempre estudar. E lá ele faleceu em 1950, com 44 anos. 

P/1- Senhor Roberto, como era a sua casa, essa casa de infância? Como é que ela se estruturava?

 

R - Eu posso descrever. Era uma casa, ainda existe até hoje, mas não é mais… Mas quando nós vendemos lá... Ali [era] uma casa razoável, um quintal muito grande, com diversos pés de manga. Era uma casa térrea. Com os dependentes normais, né? Posteriormente, quando nós montamos a casa de peças, meu pai fez a parte superior. E ficou uma parte do fundo, no fundo da loja e a parte de cima, com a parte íntima de quartos, banheiro, tal e coisa. 

[Era] mais ou menos no centro da cidade. Eu sempre residi mais ou menos no centro, até quando eu casei. Posteriormente eu mudei, em 1964, para a Avenida Nicomedes Alves dos Santos, onde eu residi por 38 anos. Construí uma casa lá. E aí vai um pouco de história. Eu fui o terceiro ou quarto morador, não tinha ninguém quase por lá.

P/1- Senhor Roberto, e essa sua casa de infância, como é que era esse quintal? O que é que o garoto Roberto fazia aí?

 

R - Descrever? Como eu disse anteriormente, eu mais estudava, trabalhava. Eu costumo dizer: eu quase, parece que eu não tive muita infância, porque [vivia] ocupado. Logo fui mexer com fotografia, com meus quatorze, quinze anos. 

Eu lembro que da cozinha para a frente devia ter mais ou menos uns 35 metros de terreno. Tinha umas casas do lado esquerdo, que era a lavanderia - hoje se chama lavanderia, mais uma casa de despejo, uma outra casa de lado. E o resto eram as mangueiras. Tinha uma parreira de uva, eu me lembro, logo na porta e eu me lembro de ter subido em umas mangueiras. 

É como eu disse, não lembro de ter tido uma infância, na acepção da palavra mesmo. Jogava uma bola de gude, mas sem dizer que realmente eu fui de muita brincadeira, não lembro disso não.

P/1- No trabalho desde cedo? Acabava _________.

 

R - Acabava absorvendo. E depois, acontece o seguinte: como disse a você, o médico disse para mim que eu tinha que… O meu pai não podia pegar peso; eu, então, que fazia o serviço. 

Nós tínhamos uma curiosidade, nessa entrevista… Na porta da minha, da casa de peças do papai, tinha uma bomba de gasolina. Hoje não existe mais isso no passeio. Então, eu que fazia o serviço e naquela época - também novidade para vocês, talvez - a gasolina vinha em tambor, um tambor de aço que pesava cem quilos. Mais [de] cem quilos da gasolina. A gente rolava aquele tambor, punha lá. O tanque parece que cabia dois mil litros, vinte tambores, né? 

Eu fiquei também com aquela responsabilidade. Sou o mais velho; a minha irmã caçula, quando ele faleceu, tinha cinco anos, então fui ajudar mamãe a encaminhar os meus irmãos. Só depois, bem mais velho, é que eu resolvi… Resolvi não, não tinha em Uberlândia nenhuma escola superior, não tinha nada. Parei de estudar porque não tinha mais nada. O que tinha aqui eu esgotei. Posteriormente, quando veio a primeira turma de Engenharia, eu entrei e fiz dois anos de Engenharia. Não foi possível continuar, porque além de uma grande atividade profissional que eu tinha de fotografia, já era casado, com os quatro filhos, então não deu. A turma foi atrás de mim. Posteriormente eu terminei o curso de Direito e era à noite. E mesmo assim, com algum sacrifício. 

P/1 - Vamos voltar lá atrás, um pouco. Duas coisas: primeiro eu queria que o senhor descrevesse como era a Uberlândia dessa sua infância, desses seus dez anos de idade. Como é que era essa cidade?

R - [Sobre] Uberlândia você pode pensar o seguinte: ali, digamos onde tem até hoje o colégio Nossa Senhora, dali para baixo tinha pouca coisa. Vamos subir por aí afora e terminar onde é o fórum, hoje. Isso era a cidade. [A Avenida] Cesário Alvim, por exemplo, era um areão danado, atolava até Fordinho. E do lado de cá, na CTBC, dali para baixo era brejo, na [Avenida] João Pinheiro. E nesse retângulo, digamos assim, compreendia-se a cidade. 

Dali para cima tinha um caminho para o aeroporto e algumas poucas casas espalhadas ali. Onde é a [Avenida] João Naves [de Ávila] é que passava a estrada de ferro, a Mogiana. E dali para cima tudo areão, não tinha mais nada. Do lado de cá você tinha algumas casas pingadas aqui pelo lado do [bairro] Santa Mônica, hoje - Vila Saraiva, naquela época. E pelo lado de lá, pelo Santa Genoveva, tinha umas casas para lá. Vila Martins, para aquele lado, também tinha. 

Um fato interessante é que a concepção de distância… A minha avó e uma tia moravam na Floriano Peixoto, ali perto do Martins, _____ do Martins. E quando eu ia lá, aos dez anos - você me perguntou - eu dizia para a mamãe: “Não, mas ir lá naquela distância… A hora que o papai vier para almoçar ele pega lá”, qualquer coisa semelhante. Quer dizer, hoje nem se pensa numa coisa dessas. Quer dizer, lá deve ser número dois mil e pouco, eu morava no 579. Mil e seiscentos metros. 

P/1- E a sua escola, sua primeira escola, senhor Roberto? 

R - Eu estudei na escola Dona Olga Del Fávero. É filha do que construiu a prefeitura, o prédio da prefeitura de Uberlândia, aquele coreto. E tem… Eram algumas irmãs, só tem uma delas que está viva até hoje. Conversei com ela há pouco tempo, dona Dinorá. Era ali na [Rua] Machado de Assis. Lá foi minha primeira escola. Um fato interessante nessa pergunta é que eu tirei o primeiro lugar. Isso talvez tenha servido de estímulo, ao longo da minha vida escolar.

P/1- Primeiro lugar onde, exatamente?

R - Lá no curso primário.

P/1- No curso primário?

R - É. 

P/1- Ao final do curso?

R - É. Tirei dez. Como diz o outro, aquilo foi um estímulo para mim. Essa vontade que eu tenho até hoje de estudar. [Foram] diversas boas colocações que eu consegui ao longo da minha vida escolar.

P/1- Essa vida desse garoto, pré-adolescente, trabalhando. Tinha tempo de se divertir? Tinha alguma...

R - Tinha. Eu frequentava o… Hoje UTC, o Uberlândia Tênis Clube, eu nadava lá. Logo, um pouco depois, eu comecei a frequentar o Praia, também. O Praia Clube, né? E jogava futebol, porque logo depois do curso primário eu ingressei no colégio estadual de Uberlândia. Lá também eu comecei as atividades esportivas. Eu joguei futebol, basquete, voleibol, natação. Como eu disse a você, cheguei inclusive a organizar um campeonato de futebol, lá no colégio estadual.

P/1 - De todo modo, essa vida de trabalho precoce, digamos assim, não chegou a atrapalhar o estudo. 

 

R - Não, não. Foi muito bem e sobrava tempo para namorar, também. (risos) Juntando tudo isso, penso que sempre desempenhei muito bem todas as atividades.

Quando meu pai faleceu, em 50, eu fui ajudar minha mãe. Esse meu irmão tinha dezesseis anos, a outra irmã tinha treze, a outra onze e a caçula cinco anos, então era outra responsabilidade. 

Eu havia terminado o curso científico, que era… Foi um privilégio. Sou da segunda turma de Uberlândia. Teve uma primeira turma e eu sou da segunda. E pretendia ir para o Rio de Janeiro tentar Engenharia, mas foi quando meu pai [ficou] muito doente. Falei: “Vou ficar em casa esse ano.” Pretendia - também faz parte da história - fazer o CPOR [Centro de Preparação de Oficiais da Reserva de São Paulo], que era o chá das meninas daquela época - aquela fardinha branca -, mas desisti de toda essa ideia. Fiz o Tiro de Guerra aqui em Uberlândia mesmo. 

_______ vai fazer uma estação de águas. Mas eu estudei muito e realmente era um privilégio. Para você ter uma ideia, nos formamos em quinze no terceiro científico. Para hoje, para os dias de hoje, nem existe mais. 

Fiquei por aqui, fiz o curso de Contabilidade e parei, porque não tinha mais nada. Veja as oportunidades que vocês tem. Eu fui até o colégio das irmãs, um curso de Educação, e: “Não, aqui só mulher, homem aqui não”. Andei fazendo alguns cursos de línguas e tudo mais, preenchendo o tempo. Aí já entra um outro fator que nós vamos abordar mais para  frente. Entrei no radioamadorismo.

P/1 - E nesse momento da sua educação, da sua formação escolar, continuava  suas atividades, trabalhando com seu pai.

R - Justo. Quando ele faleceu, em 50, eu continuei. Continuei até 1955.

P/1- Na loja de peças?

R - Na loja de peças.

P/1- Como era o nome da loja?

R - Auto Modelo. 

Parei. Andei mexendo com terreno, na parte imobiliária, mas como eu sou um homem de iniciar as atividades muito cedo, aquilo não me serviu. Porque isso não é hora de vender terreno, sete horas da manhã, que é meu hábito. Aí, acabo comprando uma loja de fotografia, de um primo que não entendia nada de fotografia. O sócio mudou e ele me vendeu a casa. Então, todo mundo dizia: “Você mexia com automóvel, mexer com fotografia. O que você entende disso?” Já fazia dez anos que eu mexia com fotografia. Eu tinha um laboratório junto à casa de peças.

P/1- Era amador?

R - Amador. 

P/1- Era um hobby?

R - É hobby.

P/1- E de onde é que vem essa paixão pela foto?

R - Eu frequentei dois grandes fotógrafos aqui de Uberlândia, Laguetini e o Cardoso, estava sempre por ali. Poderia debitar isso mais à curiosidade. Até que um dia disse: “Acho que eu dou conta de fazer isso.” Falei com meu pai. [Ele] falou assim: “Você acha que você dá conta?” E fui, digamos assim, até o extremo: construí o meu primeiro ampliador. Construí minha caixa de luz, caixa de segurança. Construí minha copiadeira. Comprei uma máquina, fiz a adaptação para colocar a lâmpada - o porta negativo, entendeu? Meus acessórios. Mandei fazer uma mesa grande para colocar as bacias, as banheiras, melhor dizendo, cheguei e falei para o meu pai: “Não falei que eu dava conta?” Mostrei para ele. Fotografia essa que eu tenho guardada.

P/1- Que foto é essa?

R - Era um grupo lá do colégio estadual, nossos colegas, lá. Interessante, eu nem lembrava disso. Acidentalmente, outro dia… Uns meses atrás eu vi lá. A primeira foto tirada por mim. 

P/1- (risos) Quero ver essa foto, heim?

R - E aí não parei mais. 

P/1- Como é que o senhor sustentava esse hobby? O senhor tinha uma pauta, o senhor se dedicava a fotografar alguma coisa específica?

R - Ah, sim. Eu não tinha... O meu pai me ajudava com algum rendimento da loja e tudo mais. Eu tenho inclusive os negativos guardados dessa época. Foi outra paixão de guardar as coisas. Só que naquela época eu punha lá família, Praia Clube, escola. Eu tenho uma caixa com esses negativos, perfeitos. Outra paixão minha, que eu sempre quis fazer a fotografia perfeita. Fosse o negativo, fosse o positivo. Eu tenho retrato de cinquenta anos lá, como se fosse feito hoje. E quando foi em 51,  comecei a datar as fotografias, especificamente. Quando foi em 55 eu entro profissionalmente e fui colecionando. 

P/1- Quando o senhor adquire essa loja de fotos do seu primo, aí que o senhor abandona a loja de peças?

R - Sim, eu tinha vendido.

P/1- Ah, vendido.

 

R - Tinha vendido porque naquela época começou-se a especializar. E eu pretendia especializar só em um setor, digamos assim, de hidráulica, ou qualquer coisa. Acabei desistindo. Um viajante… Em comentários com um viajante ele falou assim: “Você queria vender isso aqui?” Eu falei: “Só fico com as prateleiras.” É lógico que uma loja - eu tinha vindo do posto - tinha algum fundo, alguma coisa. “Fico com as prateleiras.” “Então me dá o balanço. Eu vou a São Paulo e na volta eu passo aqui.” Ele estava montando uma firma aqui em Itumbiara. 

Foi aí que eu disse que comecei a mexer com uns terrenos lá de Ituiutaba, Cachoeira Dourada, junto com um cunhado meu e um amigo. Estava meio ocioso o tempo, parti para outra. 

P/1- Tá certo. Apenas uma curiosidade, um parêntesis nessa trajetória. Uma coisa que o senhor já havia mencionado. Em um negócio como esse, o senhor precisava falar muito com São Paulo. 

R - Sim. 

P/1 - Como é que era telefonar para São Paulo nessa época?

 

R - Era um sacrifício. [Às] cinco horas da manhã, seis horas, quando muito, pedia-se uma ligação para são Paulo. E ao longo do dia você: “Telefonista, saiu?” Naquela época, São Paulo fechava o comércio mais ou menos em torno de cinco e meia, como era antigamente. Aí, [às] cinco horas: “Minha filha, preciso falar em São Paulo, é possível?” “Ah, acho que hoje não vai dar para sair, não.” “Então transfere a ligação para amanhã.” “Não podemos transferir para amanhã, o senhor vai ter que pedir novamente.” No outro dia tinha que levantar cedo, tornar a pedir a ligação. Era dois, três dias nessa novela, digamos assim, aí que a gente conseguia falar, com uma dificuldade danada. 

Pegávamos a Mogiana, às vezes, para ir a São Paulo. Tinha-se avião também, naquela época. Era uma vida completamente diferente em termos de comunicação, em termos de distância. 

P/1- Quanto tempo o senhor demorava para ir de Uberlândia a São Paulo, pela Mogiana?

R - Ah, você quer ver? Nós saíamos daqui em torno de sete, seis horas, mais ou menos. Não lembro. Logo ligava o carro-restaurante. Eu esperava todo mundo correr. Depois eu ia, ficava lá, com calma, apreciando. Tinha, geralmente tinha o leito, a cabine, né? A gente dormia lá. Ele chegava em São Paulo - em Campinas, que tinha baldeação porque tinha diferença de bitola - mais ou menos em torno de cinco horas da manhã. Para chegar em São Paulo [era] lá pelas dez, onze horas da manhã. 

P/1 - E era um serviço regular?

R - Era. 

P/1- O trem era confortável?

R - Era. O trem de primeira era bem confortável. Eu lembro dos bancos com vime. Os de segunda eram madeira pura. Tinha o vagão de primeira e o vagão de segunda. E as cabines, como a gente chamava, eram duas camas. Uma embaixo, a outra em cima, tipo de um beliche. E esse carro-restaurante que era ligado aqui, me parece que aqui em Uberaba, qualquer coisa assim. Esse ia até Campinas. A única coisa era queimar a roupa, né?

P/1- Queimar a roupa?

R - A turma deve lembrar. Porque a brasa que vinha... Nós viajamos muito de, chamado guarda-pó, porque você punha o braço na janela, vinha a brasa e te queimava a roupa.

P/1- Na Maria-fumaça?

R - Na Maria-fumaça, exatamente.

P/1- Eu sei. (risos) Fechando agora esse parêntesis, chegando na loja de fotografia, como é que era o nome da loja?

R - Da fotografia era Foto Ferrania. Um nome que meu primo tinha posto, um material italiano. 

P/1- E aí, qual era a atividade principal dela? Três por quatro?

R - Não, não. Era só laboratório de revelação e venda de materiais.

P/1- Ah, sim.

 

R - Eu não mexia com estúdio. Depois, posteriormente, eu volto para onde era a minha loja de peças. O imóvel era nosso, estava alugado. 

A casa de fotografia, inicialmente, é onde é hoje o Passo Certo, aqui na Afonso Pena. Aí, sim, [para] lá eu voltei. Aí montei um estúdio e passei também, para a parte profissional de estúdio. E aqui, tanto na Afonso Pena quanto na Floriano Peixoto, a grande atividade que eu sempre tive foi a fotografia externa. Casamento, aniversário, por aí afora. Houve época em Uberlândia que eu chegava a fazer dois, três casamentos por final de semana. Era bem procurado.

P/1 - E o senhor tinha muita concorrência aqui ou não?

R - Não, não muita, porque nós éramos uns poucos que faziam fotografia profissional. Eu talvez lembre de uns cinco. Eu, Osvaldo _____, Salim, Felipe. Pouca gente.

P/1- E aquele fotógrafo que ficou lá atrás, aquele fotógrafo que gostava de fazer as suas próprias imagens?

R - Esse continuou. Ele tanto continuou que foi o fundador do Cinefotoclube de Uberlândia. 

P/1 - Conta essa história.

 

R - Juntamos uns amigos, uns médicos - a paixão da época era a Roleiflex, né? E reunimos algum contador. [Era] um grupo de mais ou menos vinte pessoas e dissemos: “Vamos fundar um clube.” E fundamos o Cinefotoclube de Uberlândia. Lembro inclusive de uma exposição itinerante que veio do Cinefotoclube Bandeirante. 

Era simplesmente amador. ______ e saíamos periodicamente, visitando um lugar, visitando outro, eu fotografando. Nós estávamos num banco de jardim, olhando, tal e coisa, e uma pessoa chegou perto, não resistiu e [disse]: “Não estou entendendo. Vocês estão aí, de vez em quando olhando para cima, meio loucos.” “Você não está entendendo. Nós estamos mexendo com fotografia. Nós estamos esperando o sol sair de trás daquela nuvem, entendeu? Para iluminar aquele assunto que nós queremos. Enquanto isso, nós estamos papeando.”

P/1- Esperando a luz?

R - Esperando a luz.

P/1 - E isso, na verdade, tinha presença na cidade? 

R - Ah, tinha. Nós fazíamos exposições, esses médicos acabavam fazendo suas fotografias. A cidade era muito pequena, então todo mundo sabia. O pessoal que mexe com fotografia, Dr. Marques, Otacílio, Gramani, Carmel, Dr. Celso.

P/1- E os equipamentos, senhor Roberto? Os periféricos, os equipamentos, como eram?

R - Eram bons. Nós tínhamos os flashes, eram muito bons. Nós tínhamos aí o matador, ultrablitz, o brown hobie, os flashes bons da época.  E a máquina, de um modo geral, era Roleiflex. De um modo geral, nós sempre fotografávamos com a 6x6, embora depois tivesse a entrada da máquina japonesa, a Yashika Flex, também seis por seis. Posteriormente é que começou a surgir a 35 milímetros. 

P/1- E nesse ínterim, o senhor disse que interrompeu os estudos por falta de oportunidade?

R - Foi.

P/1 - E acabou retomando quando começaram a ser oferecidos cursos superiores em Uberlândia?

R - Exato. 

P/1- E como é que foi essa opção sua, daquele rapaz tão apaixonado pelas ciências exatas. Como é que o senhor foi cair nessa...

R - O problema é o seguinte. É que eu dizia aos familiares que se a Engenharia viesse a mim ou eu fosse a ela, nós iríamos nos encontrar. Então, quando foi anunciado o vestibular da Escola Federal de Engenharia de Uberlândia, eles vieram me cobrar, né: “Como é que é?” Eu falei: “Não, vou enfrentar.”

P/1 - Isso foi em que ano?

R - 1964, que não começou porque foi ano da revolução. O doutor Genésio que era o diretor em exercício. Aquele prédio que tem lá em cima, no Santa Mônica, estava caindo, então, enquanto não vinha a autorização, ele reforçou aquilo lá. Nós ficamos tendo umas aulas aqui, enquanto aguardava alguma coisa. 

Eu sempre estive metido, digamos assim, nessas coisas de querer fazer, de querer criar. Um dia eu chego lá, a turma mais nova - em 64 eu tinha 33 anos. “Vai ser você.” “Eu o que, gente?” “Nós vamos fundar um diretório e você vai ser o presidente.” “Não, não vou mexer com isso, não. Vocês tocam isso aí, vocês são meninos. Vocês tocam isso aí. Eu sou comerciante, estou ocupado.” “Não, você que é amigo do homem”. Então, acabei fundando o Dagemp, que é o diretório da Engenharia.

P/1- Dagemp?

R - Dagemp. O Diretório Acadêmico Genésio de Melo Pereira, que era o diretor.

P/1 - Enésio?

R - Genésio de Melo Pereira - Dagemp; me parece que hoje é o diretório só da Mecânica, não tenho certeza. Fui o primeiro presidente. E arrumei material esportivo, uma bolsa que eu tenho até hoje. Até que.. Não sei se posso contar o episódio. 

P/1- Claro.

R - Um dia… Ah, esse é interessante. Nós éramos sessenta e tinha uns três carros só na turma: o meu, do Caio, do Márcio. Não dava para levar todo mundo. Então eu contratei uma jardineira, um micro-ônibus, que apanhava a turma ali onde é o atual Hotel presidente. Levava às sete horas da manhã, trazia às onze e meia; levava a uma hora, trazia às cinco e meia. Por que? Uberlândia tinha dois ônibus. Um que fazia a Vila Martins, que ia até lá no Santa Genoveva e voltava, e outro que ia até a Igreja Nossa Senhora Aparecida hoje e voltava. Isso era o que tinha um Uberlândia. Aí eu contratei as jardineiras. E foi. 

Um belo dia, um colega diz assim: “Olha, nós temos que resolver esse assunto, não começam essas aulas.” “Deixa eu conversar com o diretor.” Fui lá e falei: “Qual é o problema?” Ele disse: “Olha, o que existe de oficial aqui são vocês. Uma simples portaria me demite e acabou a escola de Uberlândia.” 

Voltei, falei com a turma: “O negócio é assim, assim. Eu sou o presidente. Vocês querem ir ao Ministro da Educação, eu vou com vocês”. [Em] primeiro, lugar era mais ou menos agosto. “Não vai ter tempo de fazer o ano letivo. Vamos ter um pouquinho de paciência e esperar.” “Vamos lá acreditar em você.” Quando foi daí uns vinte dias, sei lá, o porteiro falou: “O doutor Genésio está chamando o senhor lá.” Cheguei lá, ele: “Lê isso lá para a turma.” Eu falei: “O que é isso? O direito é seu de ler isso aí, não meu.” “Não, eu sei que foi você que segurou a turma.” Aí fui lá e: “Olha, o doutor Genésio mandou ler o seguinte telegrama: ‘Autorizo o funcionamento Faculdade Federal de Engenharia de Uberlândia, ano letivo 1965’”. Quando foi realmente em 65, nós começamos as atividades.

P/1- É. Na verdade foi um ano meio turbulento, o reconhecimento...

R - Foi, foi. 

P/1- O reconhecimento da autorização oficial. 

R - Da autorização oficial.

P/1- Perfeito. Daí começou o ano letivo?

R - Em 65.

P/1- E o senhor?

R - Eu fui embora.

P/1- Objetivou a sua vida para a Engenharia?

R - Isso. Mas lá no final do segundo ano eu… Aqueles que não gostam. “Porque você fez isso?” Eu acendi dois cigarros. Eu disse: “Ah, eu estou ficando doido.” Eu tinha uma grande atividade profissional em fotografia; eu disse: “Tchau para vocês.” Foi todo mundo atrás. “Não volto mais. Não tenho condições de voltar.” 

Trabalhava dez, doze horas por dia. Imagina como estava o serviço. E talvez, sei lá se por vaidade, mas eu é que fazia todo o serviço de fotografia externo. Interno ainda tinha um auxiliar, lá. Inclusive quando a turma [se] formou, falou: “Olha, Roberto, você vai participar de tudo. Vai fazer um álbum para cada um de nós. Você só não vai receber o diploma.” Tem uma fotografia lá na Engenharia que eu fiz com essa primeira turma, junto com essa jardineira. E aí me perguntaram: “Escuta aqui, você é engenheiro ou advogado?” “Não, eu sou advogado, por quê?” “Não, é que tem um quadro lá que tem um camarada que parece muito com você.” “Não, sou eu. Pus a máquina no automático, sou eu que estou lá.”

P/1- Senhor Roberto, nós estamos falando do final dos anos 60, da formatura da sua turma, mas, anteriormente, [em] meados dos anos 50, aquela sua história do telefonema para São Paulo deixou de ser tão dramática com o surgimento da CTBC?

R - Ah, sim.

P/1- E como é que foi aquele processo? O que isso significou na vida da cidade? A mudança, digamos assim, da gestão do senhor Tito Teixeira para o senhor Alexandrino Garcia, seus sócios, seus então sócios ______?

R - Eu lembro. É um capítulo que eu lembro tudo porque eu era amigo do Valter, depois privei muito da intimidade do senhor Alexandrino. 

Aquilo significou muito porque eu posso dizer que era uma telefonia arcaica, digamos assim. [Era] muito amigo do Tito, ilustrei um livro dele, sou muito amigo do filho dele, mas talvez lhe faltasse recursos. 

O Alexandrino, como os outros sócios também, todos meus conhecidos, pessoal de Uberlândia, [se] juntaram e fundaram a CTBC. Foi quase que um salto, digamos assim, porque se modernizou naquela época a telefonia. Melhorou. Instalou-se, eu lembro, o primeiro telefone [que] parece que era automático; eu tive. Tinha uma possibilidade, digamos, de uma ligação maior. E me parece que a telefonia como um todo foi também melhorando. E a CTBC, nesse ponto, até hoje, como pioneira - eu posso dizer isso aí com toda convicção -, foi deslanchando na frente. Ligando, posteriormente, com outras cidades, as vizinhas, um pouco mais distantes. Foi realmente melhorando. Eu vejo essa transição dessa forma. 

P/1- E o papel do senhor Alexandrino nisso, quer dizer, como é que...

R - Ah, teve um papel preponderante. O Alexandrino sempre - posso dizer isso -, sempre liderando. Ele consegue, reformando, ampliando, até que com a saída dos outros três sócios dele na empreitada inicial, ele fica sozinho e deslancha mais ainda. Depois, o doutor Luiz veio para cá para ajudá-lo, o Valter Garcia também está sempre ali - o Valter, um grande amigo meu. Então começa a deslanchar. 

E o Alexandrino, vamos dizer assim, pegava o touro a unha. (risos) Porque já deve ter chegado outro aqui, dado depoimento. Ele era doido para subir em poste para consertar porque a alimentação do telefone era linha física, então arrebentava o fio por um acidente atmosférico ou de vandalismo. E o Alexandrino emendava os fios, subia em poste, corria para lá, corria para cá.  Aquela loucura, aquela dedicação. Queria fazer a coisa funcionar bem. Depois, posteriormente, eu vim a desfrutar dessa intimidade com ele, que podia ser meu pai. Mas eu não saía da telefônica. Praticamente eu ia lá todo santo dia. Era uma figura constante lá, durante muito tempo. Outros fatores nos conduziram a isso; um companheiro de lá tinha amizade com o Valter. 

P/1- Me diz uma coisa, senhor Roberto, essa suas idas constantes à CTBC tinham um objetivo específico?

R - Não, não, não. Como diz o outro, nunca fui funcionário, nunca ganhei nada. (risos) Era apenas o fator de amizade com o Alexandrino. Viajamos juntos. Qualquer viagem nós íamos juntos.  

P/1- Eu queria que o senhor me contasse um pouco dele dessa intimidade, dessa vivência que o senhor teve com ele. Como era essa figura, essa pessoa?


R - O Alexandrino era uma figura extraordinária. Posso dizer assim porque chegava ao ponto… Digamos assim, nas nossas viagens quem guiava era eu. (risos) Porque na primeira viagem ele guiava meio com o pé na tábua. Eu falei: “Olha, assim não vai dar, não.” Então ele chegava lá em casa e dizia: “Tem um cafezinho aí?” e punha a chave da Veraneio em cima da mesa. Dona Maria, também uma figura extraordinária. 

E a visão que ele tinha das coisas. Eu costumava dizer que o Alexandrino enxergava por detrás do monte. Certa vez nós fomos a Porto Alegre, numa convenção do Lions; ele era presidente, conseguimos levar 25 pessoas. Aí chegamos, não tinha hotel, estava lotado. Eles nos puseram num hospital que não tinha sido inaugurado, que o hotel arrendou. E o pessoal ficou contrariado, algumas senhoras ficaram contrariadas. Quando foi no outro dia teve companheiro que falou: “Ah, vamos embora.” No outro dia cedo, Alexandrino bateu na minha porta, no meu quarto: “Já paguei para todo mundo. Você pode avisar, que aí ninguém vai embora.” 

Na hora do café, eu falei: “Olha, já está pago.  Vê quanto vai tocar para cada um que o Alexandrino já pagou. Já está pago. Vê quanto vai tocar para você, vê quanto é a sua diária e pronto”. E ia por aí afora. Ele foi presidente do Lions. Quem o sucedeu fui eu. Começou a construir a escola Lions, número um. 

Era uma afinidade que eu tinha com esse homem e vendo essa atividade dele, ao lado desse entusiasmo pelo trabalho, essa garra dele... [É a] lembrança que eu tenho dele. Já tinha essa grande amizade com o Valter, com o Luiz um pouco menos, porque ele tinha estudado fora. Mas o Valter foi lá desde 1944. 

Outros fatos extraordinários que eu presenciei com o Alexandrino... Aquela devoção pela companhia, aquela garra. E querendo expandir, querendo levar o nome de Uberlândia além fronteiras, então sempre chegava e falava: “Roberto, eu estou fazendo isso aqui, acho que eu vou comprar tal cidade.” Era aquele entusiasmo.

P/1 - Senhor Roberto, como se deu essa convergência, essa aproximação dessas duas histórias do Lions, como foi essa chegada no Lions Clube?

R - Porque nós fomos fundadores do clube. Eu e ele mais trinta companheiros.

P/1- Quando foi?

R - Foi em 1959. Seis de junho de 1959. Tínhamos aquela reunião todo mês, constante, porque talvez não tivesse uma razão específica e começamos a nos aproximar, a trabalhar durante algum tempo - talvez quatro presidências, deixa eu ver. Miguelito, Paulo Lisboa, Renato de Freitas. Talvez tenha sido ele depois. Leandro Milhorim. E eu trabalhando junto com ele. 

Na hierarquia lionistica, existe o governador e seu gabinete. Eu era vice-governador e ele presidente. No ano seguinte, eu sou levado a presidência e continuamos trabalhando. E com isso você acaba indo no local de trabalho, a CTBC, discutir algum assunto, então foi crescendo aquela intimidade. Dona Maria, aquela figura, parece que ela me adora também muito, me chama até de Robertinho. E afina muito também com a minha esposa. 

Quando o Alexandrino foi presidente, por exemplo. Dona Maria... Ah, porque paralelamente aos leões, tem também as domadoras que tem o seu clube. A dona Maria: “Não, vou ser presidente das domadoras.” Foi uma outra domadora, a Teresa e a minha senhora, junto com ela. E não tinha o título, mas trabalhava ______. Fizeram uma campanha, por exemplo, lá na Tubalina. Dona Maria, com a Valderez, que é a minha esposa, e as outras, subiam aquilo, iam cadastrando o pessoal para fazer o Natal lá. E reuniões na chácara. Viajamos, fomos a algumas convenções, eu com o Alexandrino. Fomos a Porto Alegre, fomos a São Paulo, fomos ao sul de Minas - a diversos lugares, enfim. 

P/1- Fora todas as atividades profissionais ainda havia disponibilidade para esse trabalho social, digamos assim?

R - Ah, sim. Eu me lembro, por exemplo, da campanha da garrafa. Nós fizemos aqui. O clube tinha um colete que eu descrevo naquele artigo. Era um colete amarelo com o emblema do Lions. Eu me lembro muito de um cidadão que eu não vou dizer quem é: “Alexandrino catando garrafa na rua.” Eu falei: “E daí? No Lions o problema é trabalho, independe da condição financeira do cidadão.” Falou: “Eu dava” - dinheiro de hoje - “quinhentos reais para não mexer com isso aí.” E ele não, catando garrafa junto conosco, saindo de casa em casa.  

[Que] figura. Aquela escada que tem na telefônica, só para citar um fato, aquela escada redonda...

P/1- Na Machado de Assis?

R - Na Machado de Assis. Eu ia, como disse a você, quase todo dia. Eu chego lá à tardezinha, o Alexandrino lá em cima, amassando concreto. Eu falei: “Vem cá, você é o presidente da companhia, Alexandrino.” “Essa escada tinha que ser feita hoje, o mestre de obra disse que dava conta. Eu falei que isso não vai sair. Quando deu quatro e pouco eu disse: não vai sair. Mas hoje não sai ninguém enquanto a escada não estiver pronta.” E eu fui lá em cima ajudar. Eu falei: “Não, Alexandrino, é assim mesmo. Vamos tomar um café, uma água.” Ele nunca fumou, mas tinha um pigarro.

P/1- Esse pigarro era famoso.

R - Ah, era. Quando ele dava uma tossida dessas lá na companhia, como diz o outro, o alicerce balançava, entendeu? (risos) Eu chegava às vezes e perguntava: “Aconteceu alguma coisa?” “Hum... (forte pigarro) Esse pessoal aqui, Roberto.” “Calma, calma. Pede para a menina trazer aqui uma água lá, um café, tem aquele negócio.” Tentava distrair até ele [se] acalmar. Era fera.

P/1- Engraçado isso. Senhor Roberto, tem uma condicionante em toda essa  primeira história da companhia, que foi o fato que o senhor Alexandrino era um visionário, um empreendedor visionário, no sentido de colocar em pé um negócio no qual ele acreditava e que de fato tornou-se um negócio importante. Um serviço público. No entanto, nesses primeiros anos heroicos, digamos assim, o negócio era deficitário e era muito suportado, digamos assim, pelas outras empresas.

R - É.

P/1- Notadamente a Irmãos Garcia, ______ Máquinas etc. E aí tinha uma cabeça financeira nesse negócio todo, que era o senhor Valter Garcia. Eu queria que o senhor me contasse um pouco sobre ele. Sobre essa pessoa que foi-se prematuramente, mas que era o esteio administrativo e financeiro de toda essa trajetória que começava. Como era o senhor Valter, como é que era o seu contato com ele em 44? Como é que vocês se conheceram?

R - Olha, nós estudávamos no colégio estadual - hoje é o museu -  então nasceu dessa intimidade com ele e um outro, meu primo mesmo, Vagner Mamede; está naquele artigo. Nós começamos a nos chamar de primos e fomos juntos. Depois ele monta a Intermáquinas. Eu, com a casa do papai, também com peças para automóveis. Fomos estreitando relacionamento. A esposa dele, Stela Maris, colega da Valderez, começa o namoro lá na casa da Valderez. Elas [se] formaram no colégio Nossa Senhora, as duas. Acontece que a Valderez acaba sendo minha esposa. Então, vamos continuando amigos. Funda-se o clube de radioamadores de Uberlândia. O Valter está ali junto também. Eu sou o 4AQQ ele   é o 4AVE.

P/1- Como é?

R - Y4AQQ sou eu. Ele é PY4AVE. Desse radioamadorismo, nós estávamos muito entusiasmados. Naquela época, o radioamador era uma figura indispensável no setor de comunicações. Nisso, o Agenor vai nos Estados Unidos, traz um rádio de comunicação para ele, um rádio _______. Era ultramoderno. Então a turma do clube, do CRAU - Clube de Radioamadores de Uberlândia - vai lá para a casa do Valter, vê aquilo, aquele rádio, aquela novidade. Nós estamos juntos. 

Dentro das dificuldades da época, nós vamos a São Paulo inaugurar a Casa do Radioamador. Fomos em dois carros. Eu fui no carro do Valter, uma Mercury. Continuamos juntos. Vem a CTBC, o Valter está por lá também. Não tinha eu percebido, digamos assim, essa figura do agente financeiro, mas não estou sabendo. 

Funda-se o Lions, eu e o Alexandrino somos fundadores. Daí um pouco entra o Valter para o Lions também. Entra o Valter com a Stela Maris e continuamos; como eu disse a você, as mulheres acompanham mais ou menos os maridos nos seus cargos. Quem eu vou buscar para ser meu secretário? O Valter. Meu secretário eficiente. 

Nessa altura, eu [estava] começando essa ligação com o Alexandrino e o Valter sempre ali. Saia da Intermáquinas, ia para lá: “Oh, primo.” Esse tratamento. Até hoje o doutor Luiz, a Eleusa, num encontro mais íntimo me chamam de primo, e nós não somos primos. “Ah, primo, tudo bom?” “Ah, estou por aqui dando uma olhada.” Aquela calma dele, mas uma, podemos dizer, uma eficiência. _________, mas eu não estou sabendo dessa atividade dele. Parece que nada passa desapercebido nele, nesse setor financeiro. Encontrava às quatro da tarde: “Como é, primo?” “Oh, pai, aquele negócio assim, assim”, dizia para o Alexandrino. “Eu já vi aquele outro negócio”. Aí eu percebi essa atividade muito grande. 

Quando nós estávamos na presidência do Lions fizemos diversas coisas. Foi eficiente. Deixamos algumas obras em Uberlândia. E ele, como secretário… Houve uma convenção [em] que eu fui diretor geral, por exemplo, _________, Alexandrino com o colete. A Stela Maris que desenhou o colete. Criou, fez o desenho. E a casa dele serviu de ponto de apoio porque eram quatro Lions, nós fomos uniformizar os clubes. Então, era assim: “O, Luiz, sua calça deve ser tal”, anotava, “arranjamos uma confecção.” Tudo centralizado na casa dele. As mulheres com a saia… A gente se entendia. 

Bom, vai passando o tempo, as nossas conversas, nossos entendimentos, nossa intimidade. Um dia, eu passo na casa dele: “Oi, vem cá.” Parei, estou tomando uma cerveja, ele, a Stela Maris, a mulher dele e ele fala: “É, primo, dessa vez acho que não tem jeito não. Ela já tentou me levar duas vezes.” Ele tinha tido um desastre lá no trevo, na Floriano Peixoto. Era esse problema sério e um outro problema. Ele não quis dizer para mim. Depois, posteriormente, eu fiquei sabendo. Não imaginei. Mas eu, conversando com a dona ______: “Que o Valter falou?” E o pessoal escondendo mais ou menos o estado de saúde dele. Foi aí que ele me contou que ele sabe. Isso é o que ele quis dizer para mim. 

Bom, continuamos nas nossas atividades e culminou com nosso último encontro. Eu desço da loja, as notícias do agravamento de saúde dele tinham corrido na cidade. Eu dei a volta, parei lá. Subi. O quarto era em cima. Cheguei na porta, ele me viu. Acho que era o Vicente, o tio dele; estava sentado lá. Ele levantou, fez assim. Eu sentei. “Olá, primo.” “Estamos aí.” A moça me trouxe uma xícara de café. Ele sempre chamou a Stela Maris com muito carinho de nega, né? “O primo está tomando esse café com uma boca tão boa, traz uma xícara para mim.” Trouxe uma xícara com uma colherzinha, não estava dando para engolir. Mas não deu [o café] para ele não. Ele bateu na minha perna assim, me lembro como se fosse hoje: “Primo, vai descansar, vai. Você deve estar cansado.” Tudo bem. 

Desci para casa, entrei, guardei o carro, entrei no banheiro. Quando eu entro no banheiro minha mulher bate na porta: “Roberto, acabaram de telefonar, o Valter morreu”. Não tinha passado quinze minutos. Aí acabei. Tirei o carro, voltei lá. A hora que eu cheguei estava lá o Luiz: “É, primo, o general se foi”.

P/1- Quem?

R - “O general se foi.” 

Foi uma convivência de mais de trinta anos. Com o Alexandrino foi até o falecimento do Alexandrino, que eu não tive coragem de ir.

P/1 - No caso do senhor Valter, ele não era dado aos arroubos do pai, né? Ele era, na verdade...

R - Mais calmo, mais reservado, vamos dizer assim.

P/1- Mesmo na intimidade? Na convivência?

R - Não, não. Na convivência, na intimidade, não. Ele saía um pouco daquela, digamos assim, seriedade. Eu gostava de beber, ele também gostava. E nessas oportunidades de radioamadorismo, de leonismo... Eu apenas não participei dele de pescaria. Ele era apaixonado por pescaria, né? 

P/1- Ainda tinha mais essa?

R - É. Ao ponto de um dia, ele doente, pegar um avião aqui e ir lá no Mato Grosso. Foi um choque. Saiu da casa dele, foi lá no aeroporto, pegou um avião. A turma foi na pescaria. Pelo estado de saúde nós falamos: “Não vai dessa vez.” Ele foi lá. Você vê, ele tinha qualquer coisa do pai, também, né? Arroubo também. 

P/1- Teimosia.

R - Ele foi lá. Mas fora disso não. 

P/1- Ele confidenciava com o senhor algum tipo de preocupação com o rumo dos negócios? Interferia muito, digamos assim, na vida...

R - Da companhia? Não, ele apenas se preocupava em que a coisa fosse bem.  Nunca me confidenciou nada, absolutamente. Mas: “Primo, como está a coisa aí?” “Não, só está ajeitando.” A coisa era conduzida da melhor forma possível, acredito eu. Nunca presenciei. 

No entusiasmo do Alexandrino, como ele tomava conta do caixa: “Pai, espera um pouquinho.” Porque se desse, o Alexandrino comprava o Brasil. Eu acredito que houvesse esse cuidado, só isso, mas eu nunca presenciei. Nós tínhamos essa intimidade, estávamos os três na sala do Alexandrino. Nunca presenciei aquela ruga de interrogação na testa: “As coisas não vão bem.” 

P/1 - Mas o trabalho não interferia nesses momentos...

R - Não, não.

P/1 - ...de convivência.

R - Não. Tanto ele administrava a Intermáquinas quanto a CTBC, quanto a sua casa como a nossa amizade. Era tranquilo, de vez em quando eu estava na casa dele, sentado, batendo papo. Nunca vi ele trazer para cá uma preocupação, Nós estávamos contando nossas histórias, nossas piadas. Mas sempre eficiente, viu? Isso aí eu não posso negar porque eu o tive como meu secretário. Essa eficiência o acompanhou durante a vida toda. Acredito eu que ele tenha deixado sinais dessa eficiência tanto na CTBC quanto na Intermáquinas, que foram as atividades que ele exerceu. 

P/1- E ele contava muita história de pescador, não?

R - Contava. Eu sempre brincava: “Conversa fiada, primo.” “Não, eu vou lá e faço isso, faço aquilo.” “Ah, é conversa de pescador.” Eu nunca fui pescar com ele, não saberia dizer como era o Valter pescador. Outros depoimentos que vocês tiverem, vai ter alguém que vai poder contar do Valter pescador. Sinceramente, esse lado do Valter nós não tivemos.

P/1- Mas o Valter contador de história, o senhor se lembra de alguma que...

R - Não. Especificamente não posso lembrar, mas deve ter alguma. Sinceramente, não lembro.

P/1-  O que o passamento do senhor Valter… Quer dizer, foi num momento em que a empresa já estava vivendo uma situação delicada nesse aspecto econômico. Mais financeiro do que econômico, né? 

R – É. 

P/1- Mas isso deve ter tido um baque, deve ter causado um impacto grande na vida da companhia.

R - Talvez eu possa acreditar nisso, mas pelo menos eu não vi transparecer, nem com o Alexandrino, nem com o doutor Luiz. Dizer que eu... Lógico que eu percebia, vamos dizer, uma preocupação, mas nunca entrei em detalhes. 

Como eu disse para você, eu nunca fui funcionário, a nossa coisa era extra. E também eu nunca perguntei para o Alexandrino. “O que está acontecendo com a companhia?” Ele também nunca me disse e eu nunca vi momento de pessimismo -  pelo contrário, via condições de otimismo. Se tinha algum problema financeiro que o atormentasse, mesmo nas nossas viagens - às vezes viajávamos só eu e ele -, ele nunca me transmitiu isso. 

Acredito eu, pessoalmente, [que] com o falecimento do Valter, faltou um braço ali. Pode ter acontecido isso. Naturalmente, depois eles conseguiram equilibrar por um outro lado. Mas não percebo isso. 

P/1 - Enfim, essa falta causou uma comoção grande?

R - Ah, sim. Acredito que sim. Acredito que nesse caso deve ter tido uma colaboração da dona Ilse, que sempre administrou uma parte financeira, mas acredito que aconteceu isso sim. 

P/1 - Porque assim, mal comparando - mal comparando não, bem comparando -, era uma tríade aparentemente perfeita.

R - É.

P/1- Um líder, um braço financeiro, um braço técnico impetuoso. O doutor Luiz, como era a sua relação com ele? 

R - Muita boa a relação com ele. Outro entusiasta. Ele [estava] sempre assessorando o Alexandrino. Às vezes, podiam divergir nalguma impetuosidade também do Alexandrino, mas ele também [estava] sempre preocupado também com a tecnologia. Ele tinha o conhecimento técnico e o Alexandrino não tinha, então ele também se preocupava. Como diz o outro, o Alexandrino pensava e falava: “Luiz, executa.” (risos) “Não, pai, não dá para executar desse jeito não, uai.” “Não, mas às vezes dá”, entendeu? Essa ligeira diferença eu talvez tenha visto alguma vez porque, às vezes, a coisa não é tecnicamente viável. Ou é viável de outra forma. Mas eu tenho a impressão que nesse tripé realmente faltou a perna, com a falta do Valter.

P/1- O senhor chegou a ter uma relação mais próxima com o doutor Luiz? 

R - Tive. Continuei... Com o Valter faltando, continuei indo lá todo dia, e como diz o outro, não tinha a intimidade que eu tinha com o Valter. Mas também [era] muito amigo. Como amigo da Ileusa, amigo do Valdir, do pessoal de casa. Sempre muito amigo. 

P/1- Como primo, afinal.

R - É o que eu estou dizendo. 

O primo era com o Valter, mas de vez em quando. No aniversário da dona Maria, agora, os noventa anos dela: “Primo, como é que vai? Está bom?” Eu tinha feito uma restauração para dar ________. E foi aí, ele ainda brincou comigo.

P/1- Senhor Roberto, essas suas viagens com o senhor Alexandrino. O senhor não era funcionário da companhia, embora tivesse laços de amizade muito fortes com a família. Essas viagens eram motivadas porque ele queria companhia?

R - Não, era no tempo do leonismo. Mas acontece que ele sempre tinha um lugar para ir, né? 

P/1- Aproveitava...

R - É, exatamente. Teve uma vez, por exemplo, que nós fomos à Brasília e na volta passamos em Goiânia. A companhia tinha um dinheiro para receber da companhia de Goiás. E o governador do Lions, que era também diretor da companhia telefônica  - eu era o vice-governador: “Vamos ver se a gente resolve aquele problema.” No banco do estado de Goiás. 

Eu estava com um detalhezinho para completar. Eu sei que, afinal de contas, cheguei lá e disseram: “Ele não pode receber porque está em reunião”. Eu disse: “Tudo bem, fala para ele que o doutor Roberto esteve aqui. Meu cartão está aqui, do Lions.” Daqui a pouquinho volta a moça: “Ah, ele pediu para o senhor esperar um pouquinho.” “Está bom, senhor Alexandrino?” Era outro companheiro de Lions. E aí ele falou: “Olha, aquele negócio daquele cheque, espera aí que eu vou providenciá-lo para o senhor. Para o senhor levar logo de uma vez.” Aí o Alexandrino falou: “Foi boa nossa vinda.” 

E assim, outros lugares. Toda vez que nós viajávamos sempre tinha alguma coisa. Ele vinha me relatar, depois, no banco do carro: “Olha, aquela cidade ali...” Eu apenas ouvia, sem interferir. Eu não fazia parte, digamos assim, do grupo. “O que você acha?” “Eu não acho nada. Você é que sabe. Você que é dono.” Aí ele disse assim: “Roberto, sabe que eu não estou conhecendo meus funcionários?” Naquela época tinha não sei quantos mil. Falei: “Fui eu que fiz a companhia crescer desse jeito? Eu não tenho culpa disso não.” Falou: “Tem funcionário que eu nem sei que é meu funcionário.” E eu falei: “Vai piorar, viu Alexandrino. Daqui uns dias vai ter gente que não te conhece.”(risos) “Trabalha aqui e: ‘Quem é esse senhor que entrou aqui?’ ‘É o dono da companhia.’ Se você tivesse ficado com seu postozinho lá na Afonso Pena, dos irmãos Garcia, não tinha acontecido nada disso.” Figura notável. 

P/1- Na verdade, ele é do tempo que chamava todo mundo pelo nome, né?

R - É.

P/1- No primeiro momento, ele certamente conhecia todo mundo.

R - É. É um fato interessante. É lógico que isso não é do meu tempo, me contaram, né? Quando ele veio para Uberlândia o pai dele tinha uma chácara, então ele vendia alface do pai dele. O meu tio, Tubaldo Vilela, vendia banana, parece. O meu avô te contei, era comerciante. E a primeira esposa do tio Tubaldo vendia linguiça, então contam que os três se encontravam; eles devem ser mais ou menos da mesma idade. O tio Tubaldo fez cem anos ano passado, ele teria 101. Papai teria 95, [uma] diferença de cinco anos. Então, ele [ficava] mostrando essa origem humilde dele. Depois ele contava [que] quando veio para o Brasil tinha parece que treze anos. E quando recebeu a comenda dele ele descreveu como foi a vinda para cá. 

P/1- Ele tinha muito orgulho disso, né?

R - Embora [tenha] a diferença de idade, nós tínhamos muita amizade.

P/1- E é uma cultura de trabalho meio desfeita nos tempos que correm. É uma construção. De sair do nada, de levantar, de empreender.

R - Exato. Pelo que ele me contou, quando tinha o posto eram quatro postos em Uberlândia, parece. Era o papai lá embaixo, onde é a Tubaldo Vilela; onde era o Hotel Presidente era o Firmino; o Margonari onde é a Brasimaq; os irmãos Garcia na esquina da _________. E o Joaquim Galdino, para cima do Banco do Brasil, onde abriu uma casa de calçados, na Afonso Pena. Na esquina de cima dos irmãos Garcia. É um fato interessante, você está falando de história. 

Ele vai a São Paulo, lá na General Motors, e sempre tem o problema da secretária, do secretário. Aí ele chegou: “Eu queria falar com o fulano de tal.” Deve ter sido na época da guerra. As coisas não eram tão fáceis, né? Tudo bem, ficou lá na fila, depois de duas horas é atendido. Era uma outra faceta do Alexandrino. Quando ele entrou o sujeito disse assim: “Senhor Garcia, o senhor por aqui?” “É, a moça falou para eu esperar.” “Esperar?” Ele era, os irmãos Garcia eram considerados os maiores revendedores aqui da região. Falou: ”Mas...” “Tem umas duas horas que eu estou lá esperando”. “Mas o que o senhor queria?” “Não, o negócio da cota de caminhão, eu queria ver se dava para aumentar um pouquinho.” (risos) Ele conseguiu o que queria e mais um pouco.  

Era um outro traço que eu posso dizer de humildade. O diretor chamou o funcionário e perguntou: “Sabe quem é esse senhor aqui? Esse aqui é um representante do maior revendedor do interior do Brasil, senhor Alexandrino Garcia, o senhor me faz ele esperar?” “Ah, eu não sabia quem era.” “Nós conversamos mais tarde.” Isso foi ele que me contou. [Ea] um outro traço dele. E parece, não tenho certeza, que esteve alguém aqui da telefônica mineira, não sou muito afeito… Telemig. E falou: “Senhor Alexandrino, eu fiquei sabendo que o senhor está vendendo a CTBC.”  “Não, não estou pensando nisso, mas se o senhor quiser vender a sua...” Parece que o homem saiu, nem deu até logo para eles. Esse fato, alguém deve contar. 

P/1 - Na verdade foi com a Telemig. Ele era comprador da Telemig, por que era um momento. Ele deve ter passado maus bocados por força da estatização do sistema...

R - É, exato.

P/1 - E ele poderia perder a companhia por força de uma penada, né? Um decreto-lei poderia tirar tudo que era dele. E isso deve ter deixado o senhor Alexandrino um pouco instável, né?

R - É. A resposta foi: “Não, pelo contrário. Se quiser vender, vamos estudar.”

P/1 - Essa coisa que me chama a atenção: embora ele tenha mantido um negócio privado numa área que foi estatizada muito rapidamente, especialmente nos governos militares, ele tinha muito essa noção do serviço público. Ele enxergava além do negócio, via a necessidade de botar duas pessoas conversando, que bem social que iria gerar.

R - Eu tenho a impressão que foi isso, exatamente que trouxe essa companhia até os dias de hoje como sendo, digamos, a única companhia particular do Brasil. Se não é totalmente. Esse alcance social, essa vontade da prestação do bom serviço, esse que é o negócio. Eu sei que muita gente pode não concordar comigo, mas eu, que privei dessa intimidade, sei dessa busca dele de servir bem. De não estacionar. “Está bom? Vamos fazer melhor.” Era uma tônica dele. No Lions também foi assim, “vamos fazer”. E então, direta ou indiretamente eu compartilhava com esse pensamento dele. Daí acredito que eu mereci essa confiança dele.  

P/1 - O Valter, que vivia dividido com os outros negócios da família, ele tinha essa visão da telefonia? Ele comungava com o pai dessa noção de serviço público, o negócio das telecomunicações seria capaz de dar?

R - Eu poderia dizer que talvez ele tivesse apenas uma visão dentro do aspecto empresarial. Queria que a coisa fosse bem sucedida, mas não lembro dele ter comentado comigo desse aspecto público. Era uma empresa que tinha que dar certo, tinha que crescer, tinha que ser estável. Eu acho que era mais nessa direção que o Valter tinha essa concepção de CTBC.

P/1- Quer dizer, ao cabo os dois se complementavam?

R - Exatamente. Por isso que eu disse a vocês há um tempo atrás desse tripé. Talvez o Alexandrino tivesse o ímpeto, digamos assim, mas o Valter falava: “Espera aí, pai. Dá para fazer, mas deixa para o mês que vem.” Era um contrabalanço  daquele afã, daquele entusiasmo. Porque em comércio, você precisa ter… Lembrei agora: a hora certa. E o Valter parece que sabia a hora certa. 

P/1- Ele conhecia o segredo do negócio. Sabia os ovos que pisava.

R – Exato. Cuidado porque se não pode se quebrar os ovos, virar omelete. 

[Ele era] sempre sério. O Valter era gozado: na nossa intimidade não, era brincalhão, mas fora dali você via o Valter sempre um chefe ponderado, equilibrado. Podia ter seus defeitos, como todos nós temos defeitos. Não existe ninguém perfeito mas, como diz o outro, era um indivíduo que levava as coisas a sério. Eu estou te falando da Telefônica, estou te falando da Intermáquinas, estou falando do Lions.

P/1 – Ele não falava alto, pelo jeito?

R – Não, muito diferente de mim. Eu sempre falei muito alto. Ele falava baixo. Ele: “Primo, vamos fazer esse negócio? Como é que está a reunião?” “Está assim, assim.” Sempre ponderado. A Stela Maris, outra grande figura. 

P/1 – O senhor, como fotógrafo, acompanhou muito os eventos da CTBC?

R – Bom, era exatamente isso que eu queria dizer. Isso eu tenho, esqueci. Que quando eu passei a ser profissional, aí comecei a fotografar também. Está lá aquele comentário. Fotografando desde os primeiros filhos dele, aniversário... Minha mulher ainda fez o bolo dele, o primeiro; não sei se foi do Alex, se foi da Catita. E fui acompanhando ao longo da vida outros eventos. Primeira comunhão, desfile. A festa de quinze anos da Carmem Sílvia, a Catita. Ele todo entusiasmado, porque era um homem também desse entusiasmo. Pegar as fotografias, por exemplo: o entusiasmo dele... Então ao longo eu fui fotografando também; teve esse aspecto de acompanhamento fotográfico, digamos assim, da família do Valter, da CTBC, do Alexandrino; do nosso relacionamento mais, como ela sabe muito bem, do que a gente conseguiu produzir.  

P/1 – Certo. Inclusive essas solenidades oficiais, afora as inaugurações...

R – É, exatamente. 

P/1 - ...as visitas.

R – Inaugurações, o título do Alexandrino recebendo o título de cidadão uberlandense. E aquilo que era solicitado.

P/1 – E a atividade era muito intensa?

R – Ah, era. Eu fotografava cerca de trinta a quarenta eventos por mês. Tinha dia que eu fazia dois, três. As inaugurações de Uberlândia: o Uberlândia Clube foi inaugurado no mesmo dia que foi inaugurado o aeroporto, foi em 1957. E essa...

P/1 – Isso é curioso porque não conheci o seu Valter e não conheci o seu Alexandrino, mas o doutor Luiz tem uma quase… Não diria que é um aficionado, mas ele tem um cuidado. Ele adora fotografia, gosta de foto.

R – Gosta.

P/1 – E parece que é uma coisa genética (riso) de outros tempos?

R – (risos) É.

P/1 – O senhor Alexandrino era assim também? 

R – Não, o Alexandrino nunca ligou muito para isso, não. 

P/1 – Mas o seu Valter sim?

R – O Valter gostava.  

P/1 – Certo.

R – Gostava, embora eu ache que ele não tinha máquina. Mas nos eventos o Roberto estava lá: “Ah, vamos fazer.” “Vamos fazer.” 

P/1 – Certo. Seu Roberto, eu não vou lhe pedir nenhum exercício de futurologia, mas conhecendo toda essa história do jeito que o senhor conhece como o senhor vê esse grupo, essa empresa daqui para diante? Como o senhor vislumbra o futuro?

R – Resposta não muito fácil, porque dos três sobrou o Luiz, né? Eu vejo se houver entre os descendentes algum sobrinho, neto que possa vislumbrar isso, porque hoje a CTBC com o grupo Algar é outro complexo, digamos assim. Mas eu acho que… Eu não tenho tido muito contato, não sei se tem algum dos netos ou dos sobrinhos, algum familiar que possa levar isso um pouco adiante. Eu não tenho certeza.

P/1 – Porque a gestão acabou sendo muito profissionalizada, né?

R – É.

P/1 – Especialmente após a reestruturação, com a liderança do seu Mário Grossi. O senhor se lembra desse período como é que foi?

R – Lembro. Na gestão do Mário Grossi eu já estava um pouco ausente da companhia, então não poderei te dar muita informação. Havia apenas os comentários da cidade, uma surpresa: “Por que é que veio um estranho para cá?” Nada mais do que isso. Intimamente, eu não sei de nada.

P/1 – Certo. O senhor se referiu en passant que na morte do seu Alexandrino o senhor não teve coragem de...

R – Não, porque alguém que foi lá disse que ele olhava e começava a chorar. E a nossa… Era tão estreita a nossa ligação, eu pequei por isso. Eu não saberia qual seria a reação dele e a minha no nosso encontro. Procurei cuidar até da saúde dele. Uma época que tinha problema, eu consegui enganá-lo levando ao médico. 

P/1 – Como é que foi essa história?

 

R – Tinha um companheiro médico que era o médico dele, que foi do Lions e tinha saído. E o Alexandrino sempre querendo agregar. Fui lá e falei: “Olha, fulano de tal, não sei o quê.” Ele falou: “Uai, vamos lá. Será que ele está querendo voltar conosco?” “Eu não sei.” 

Fomos no consultório do doutor Abdala. [Quando] chegou lá eu puxei a porta e falei assim: “Conversem vocês dois.” Quando ele atendeu eu falei: “Como é que está o homem aí?” “Ah, Roberto, está precisando disso, disso, disso.” “Ah, é?”  “Vai ter que tomar essa injeção assim, assim.” 

[Ele disse:] “Roberto, mas você… Que papel você faz comigo!” “Eu não estou te escutando. Você tem lugar para tomar essa injeção ou eu te levo em algum lugar?” “Não, vamos no ______.” Eu falei: “Então vamos lá.” 

Fui lá, voltei. Fui lá no apartamento: “Dona Maria, o Alexandrino tem que tomar esse remédio assim, assim, assim.” “Mas Roberto...” “Não, não tem nada muito sério. Já fomos lá no Abdala, já olhamos. Mas é preciso fazer esse acompanhamento e eu vou conferir.” “Não, até que ele toma, Roberto.” “Pois é, mas eu venho conferir esse trem aí.” É como eu te falei, a diferença que nós tínhamos de idade não parecia, compreendeu? 

P/1 – Então ele não ia sozinho ao médico?

R – Não é que ele não ia sozinho, ele era arredio. “Não, estou bom. Não tem nada,  não.” E aí: “Você pensa que ________ vai voltar por lá mesmo.” Eu falei: “Olha, não conversa fiado. Eu já sei que a sua pressão está alta.” Aquela vez que ele foi mordido de abelha, né? Pegou o Buick e...

P/1 – Eu não conheço essa história. Como é isso?

R – Ele foi lá na granja. Foi mexer em não sei o quê e veio um enxame de abelha nele. Ele desceu com o carronessa Floriano Peixoto feito um louco, guiando. Desceu ali, entrou no Santa Catarina - era o doutor Abdala que eu te falei. “Bom, gente, eu estou morrendo.” A cara dele ficou desse tamanho. E quem viu, xingando: “Esse doido aí [na] contramão.” Alguém que já o conhecia ele na cidade. Mas se ele não faz isso talvez tivesse morrido. Depois que falaram: “Que é isso?” 

Cheguei lá no hospital: “Alexandrino?” [Ele disse:] “Você viu só?” A cabeça [estava] desse tamanho.

P/1 – Coitado.

R – É, mas era um valente. Enxergava mesmo atrás do morro, como dizia. Às vezes, ele estava… Eu te contei o caso de Porto Alegre e outros casos. Quando você pensava via lá atrás, entendeu? Mas eu acredito que possa ter nesse punhado de descendentes que ele deixou aí, deve ter algum. Eu não saberia te responder com sinceridade, mas deve ter alguém que tenha. Tem o Luiz aí, pelo menos para dar o exemplo, mas pode ter descendente de Luiz ou sei lá de quem, que possa ter esse mesmo entusiasmo dele.

P/1 – Certo.

R – Apesar que hoje já saiu da esfera familiar.  

P/1 – É, mudou essa __________

R – Mudou a diretriz, digamos assim.

P/1 – Está mais profissionalizada.

R – Mais profissionalizada, esse tipo de coisa. 

P/1 – Conhecendo esse grupo do jeito que o senhor conhece, o que o senhor poderia dizer para uma pessoa que fosse começar a trabalhar na CTBC/Algar amanhã? O que o senhor diria para essa pessoa?

R – Eu poderia dizer que ele, ao ingressar em uma empresa dessa natureza, que entre com vontade de progredir com ela; me parece que esse foi o xis da questão, desde quando o Alexandrino comprou a Teixeira. Seria: “Você vai entrar hoje? Tudo bem. Mas o seu desejo é de continuar? Fazer com que essa empresa… Com a sua modesta ou grande colaboração, não importa.” Seria esta a recomendação que eu poderia dar a quem quisesse ter o espírito de crescimento.

P/1 – Ok, seu Roberto. Encaminhando já para o nosso fechamento, eu queria ter um pouco a visão da sua atividade hoje. O senhor o que faz hoje? 

R – Eu, como disse a você, trabalhei cinquenta e tantos anos com fotografia. E fui professor na universidade, na UFU, por 22 anos. 

P/1 – Na área de Direito? 

R – Não. Na área de Decoração. Formado em humanas, posso lecionar em qualquer área de humanas, então eu lecionava no curso de Decoração o curso de fotografia, que é inclusive matéria obrigatória. Na época, não existia em Uberlândia curso de afim na parte acadêmica, então nós mandamos o processo para o Ministério da Educação e eles reconheciam - não sei se hoje é assim - quem exercia uma atividade paralela por dez anos.

P/1 – É o notório saber, né?

R – É. Eu mandei o meu contrato da loja e mais uma duplicata daquele mês, mostrando que eu estava em atividade não há dez, mas há vinte e poucos anos. Então fui reconhecido pelo Ministério da Educação em Fotografia 1 e Fotografia 2, que é a fotografia especializada. 

Bem, lecionando lá aposentei, mas com aquele espírito que eu te falei, lá dos dez anos atrás. Eu falei: “Vou ficar à toa. Não vai dar.” Já tinha lido qualquer coisa a respeito, comprei então os programas, instalei, estudei. E a hora que eu achei que eu dava conta eu divulguei. Atualmente eu estou fazendo restauração de fotografia no computador. 

 

P/1 – Hum, hum. 

R – Porque o Direito, de vez em quando alguém [diz]: “Doutor, esse problema assim, assim. O senhor pega?” “Não.” E então continuo na atividade.

P/1 – Sempre com tecnologia de ponta. (risos) 

R – É, sempre por aí.

P/1 – Como desde o início.

R – É, exatamente. Sempre procurando. 

P/1 – Para quem fez os seus próprios ampliadores, as coisas, até que está bom. É um bom saldo, né? (riso) 

R – É, já melhorou bem. Facilitou muito. Estou lá agora, produzindo e tem realmente... Já me sugeriram inclusive escrever um livro a respeito da coisa. É gratificante, apesar da atividade ser profissional. Sempre tem uma história atrás de uma fotografia recuperada.

P/1 – Claro. 

R – É um parente que foi, isso, aquilo. 

P/1 - ________ refletir sobre o seu trabalho vai ser um trabalho excepcional, esse seu livro em gestação... O senhor podia pensar melhor nisso, hein?

R – É. Tem cada história. Tem a história de um médico que me procurou há pouco tempo com a fotografia do pai dele sem camisa, sem nada, dizendo: “O meu pai faleceu. Eu queria guardar de lembrança dele.” Ele tinha visto uma entrevista minha na televisão. “Eu tinha visto uma entrevista do senhor. O senhor não quer por uma camisa no meu pai?” 

P/1 – (riso) 

R – Eu falei: “Olha, eu nunca pensei nisso não, mas em tese, na cabeça, acho que eu conheço o caminho. Em todo o caso o senhor deixa aí.” Ele falou: “Eu vou à Brasília. Volto daqui uns dez, doze dias. Vê o que é que você consegue fazer.” Botei a camisa no homem. Vai ter só o pescoço e a cabeça? Ele falou: “Põe uma camisa azul para mim?” 

P/1 – (riso) Tá certo.

R – Quer dizer, a satisfação dele foi bem maior do que o serviço que eu fiz. Quando ele pegou o retrato: “Como eu estou vendo o meu pai desse jeito.” E tem dezenas de trabalhos dessa natureza, onde eu… O aspecto humano que eu vejo nisso. O aspecto histórico, que hoje tem muito pouco valor - pelo menos eu penso que tem muito pouco valor. 

P/1 – Mas tem valor.

R – É. Sem querer ofender ninguém, a mocidade parece que não liga muito, sei lá. Mas eu vejo lá, cada história que você vê! Como eu disse a você, de lágrima nos olhos: ‘Nossa, como meu tio, meu avô.” Então tem esse lado gratificante também. 

P/1 – O senhor conseguiu aliar o prazer ao seu trabalho.

R – Exato. E eu estudo, né? Porque de vez em quando a minha curiosidade… Se amanhã eu tiver um problema lá dentro da restauração ou dentro da técnica de computação e eu souber que você tem a resposta, não se iluda que eu estou telefonando. Vou dizer: “Como é que você resolveu aquele negócio lá? Ah, tá.” Vou lá e anoto.

P/1 – Isso é importante. Isso é talvez o combustível mais evidente dessa sua vivacidade, dessa sua vitalidade. 

R – Acredito que não ter espírito de… Eu estive na Psicologia há muitos anos e um sujeito [estava] quase falecendo. Tinha marcado uma caminhada com o pessoal. Falou: “Minhas botas!” “Como é?” “Minhas botas!” E saiu para caminhar. Então eu acho que o negócio é esse, não ficar inerte, não ficar parado. 

P/1 – Senhor Roberto, o senhor tem sonhos? O senhor acalenta sonhos ainda? 

R – Sonhos com a maior facilidade. Se eu encostar nessa cadeira agora e der uma ressonada aqui pode ficar certo que daí a um pouquinho vem um sonho. Sonho muito. Eu me lembro um dia que minha mulher, __________: “Parece que é tão fácil sonhar. Criar.” Qualquer hora eu vou botar uma caneta e um papel perto de mim para anotar os sonhos. Alguns fantasiosos, lógico; alguns com indicação de realidade também e de aspiração. 

Eu dizia que gostaria de ter quarenta anos. Como disse ali agora mesmo, Deus é que sabe. Mas como pretendo viver até os cem dá tempo de muita coisa ainda.

P/1 – Tá certo. (riso) Seu Roberto, voltando um pouco só para o plano familiar: dona Valderez, a sua esposa.

R – É.

P/1 - O senhor tem filhos?

R – Nós tínhamos quatro filhos. Dois faleceram. A única filha que eu tinha faleceu com câncer. E meu filho, que era o meu herdeiro profissional, trabalhava muito comigo, faleceu em um desastre de automóvel. Os dois com 35 anos. O mais velho é administrador, trabalha na universidade. Hoje está no… É o presidente de compra da universidade, graças a Deus. Está muito bem colocado. E o outro filho é um veterinário que é gerente de uma firma, de um laboratório.

P/1 – Senhor Roberto, teria alguma coisa que o senhor gostaria de ter dito e nós não estimulamos o senhor a dizer?

R – O que eu gostaria de dizer é parabenizar vocês por essa busca da história da companhia, que acaba sendo uma história de Uberlândia. Acaba sendo uma história do Brasil. Porque daqui a cinquenta anos esse trabalho que vocês estão fazendo hoje os meus… Nessa altura, talvez meus bisnetos tenham a oportunidade de ver e sentir a preocupação de um grupo de pessoas. Homens, mulheres, empresas que se preocuparam com isto. E a história é feita disto. A história é feita de palavras, e eu vou defender, de fotografia.

P/1 – Imagens.

R – E de imagem. [É] um trabalho que eu reputo de muita importância, que talvez nem vocês tenham visto esse alcance. Mas os frutos virão.

P/1 – Certo. E pessoalmente como é que o senhor se sentiu dando esse depoimento para nós?

R – Tranquilo, porque fui envolvido com pessoas de minha amizade, de minha relação. Com você falando em sonhar voltei lá atrás, encontrando com o Alexandrino, com o Valter, com a dona Maria, com o pessoal. Com aquele entusiasmo nosso de viagem. Foi muito gratificante, me senti à vontade, tranquilo. Espero apenas que tenha colaborado com um milésimo de alguma coisa palpável nesse trabalho magnífico que vocês estão desenvolvendo. Só isso.

P/1 – E pode ter certeza que contribuiu muito. Foi uma entrevista maravilhosa. Muito obrigado, seu Roberto. 

R – Claro, disponha.

P/1 – E um grande prazer  em ver o senhor.

R – Tá. E continuamos a disposição do Museu, da CTBC, da Algar e de vocês todos.

P/1 – Eu espero que isso entre nós seja o início de uma história. Que não seja o final da história, o começo da nossa história.

R – Exatamente. Eu também acredito que seja o primeiro passo, porque toda caminhada começa pelo primeiro passo. Então vamos continuar caminhando.

P/1 – Exatamente, seu Roberto. Muito obrigado mesmo por essa entrevista ótima.

R – Muito obrigado pela gentileza em escolher essa pessoa entre os seus convidados.

P/1 – Nada, a gentileza foi sua em aceitar o nosso convite, né? A gente já estava de olho nele há muito tempo. (risos)

P/2 -  É. (risos) 

R – Ok, muito obrigado. Boa tarde.

P/1 – Olha, foi muito bom.



 

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