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História

Amadurecimento e tranquilidade

História de: José Monteiro Barbosa
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 01/02/2021

Sinopse

Nascimento no Piauí. Curso preparatório e entrada na Petrobras. Área de segurança patrimonial. Trabalho no setor de operação. Dificuldades para entrar e permanecer na empresa. Relação com o sindicato e recordações sobre greves. Balanço sobre mudanças dentro da Petrobras.

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História completa

P/1 – Boa tarde. 


R – Boa tarde. 

 

P/1 – Eu queria que o senhor nos dissesse o seu nome completo, local e data de nascimento. 

 

R – José Monteiro Barbosa. 22 de julho de 1959. E o que mais você perguntou? 

 

P/1 – Você nasceu aonde? 

 

R – São João da Serra, Piauí. 

 

P/1 – Seu José, conta pra gente como que foi o seu ingresso na Petrobras e quando foi. 

 

R – Olha, eu fiz o curso em julho de 1984 e entrei na Petrobras em abril de 1986. 

 

P/1 – Conta pra gente, assim, os setores que o senhor foi trabalhar. 

 

R – Eu fui admitido na segurança patrimonial. Após algum tempo, mais ou menos uns nove anos, eu fui convidado a fazer um curso pra entrar na operação. Fiz o curso e depois ingressei na operação, lá pelos anos 1987, 1997, por aí. 

 

P/1 – E como que é um pouco assim a sua atividade? Conta pra gente um pouquinho como que é essa relação do trabalho, como que é trabalhar de operador. 

 

R – Olha, a operação é uma área perigosa mas boa de se trabalhar porque não tem... não é monótono. Tem sempre uma coisa nova pra você aprender. Não é um serviço, uma rotina assim, sem novidade. Sempre tem algo novo pra você aprender. Então, é gostoso trabalhar na operação. 

 

P/1 – E fala pra gente, assim, um pouquinho: hoje o senhor continua trabalhando em operação? 

 

R – Sim. P/1 – E o senhor tem assim uma história que o senhor se recorde, uma lembrança nesse tempo que o senhor ingressou na Petrobras? 

 

R – Tem vários. 

 

P/1 - _________ presente? 

 

R – Eu poderia te dizer alguns momentos ruins que eu passei na empresa, assim, de, por exemplo, quando eu entrei, logo, quando eu fiz o curso, passei dois anos pra entrar na empresa. Cheguei lá tinha um decreto do governo que não deixava, naquela época, em 1986, existia um decreto do governo Sarney que não era pra admitir ninguém. Eu passei seis meses trabalhando na empresa sem vínculo diretamente com a Petrobras e sim com outra empresa lá. Isso aí foi angustiante, porque você sabia que tinha feito o curso pra empresa e, por causa de um decreto... mas graças a Deus tudo deu certo. Depois de seis meses fui, entrei na empresa. Depois teve outros momentos ruins, mais ou menos nos anos 1980 quando a empresa tinha um plano de...oferecia um... não me recordo bem, eu sei que é pra você sair da empresa. Um plano de sair da empresa. E eu, naquela época, tive realmente quase que sair da empresa. Ela oferecia incentivo pra você sair. E eu tava numa época difícil. Quase que eu saí da empresa, mas graças a Deus não saí e hoje estou muito feliz na empresa. 

 

P/1 – Fala pra gente, o senhor é sindicalizado? 

 

R – Sim. 

 

P/1 – O senhor já ocupou algum cargo? 

 

R – Não. No sindicato ainda não. 

 

P/1 – O senhor pode contar pra gente algum período das lutas sindicais, esses movimentos, que o senhor se recorde ou que o senhor mesmo tenha participado? 

 

R – Olha eu, até, quando eu trabalhava na segurança patrimonial, eu não fui, não fiz movimento nenhum grevista. Na minha função não permitia. E foi o período que teve mais greve, foi naquela época. Depois que eu entrei na operação os movimentos foram mais fracos e esses eu participei. 

 

P/1 – E como é que era? Fala pra gente um pouquinho como que eram esses movimentos. 

 

R – Olha, os momentos mais difíceis de sindicalismo foi na época que eu tava na segurança patrimonial. Então eu não participei por adiantamento do movimento. Só que eu vivi o dia-a-dia porque eu tava lá na portaria e via como é que era. Momentos difíceis. 

 

P/1 – E esses que o senhor participou era reivindicando o que? 

 

R – Ah, não me lembro. Mas deve ter sido, esses últimos anos deve ter sido só a parte financeira. Não me lembro assim. Não teve nada. Nos últimos sete anos não teve esses movimentos assim, muitos dias de greve, como teve em 1994, tantos dias de greve. Então foram movimentos assim de dois dias. Geralmente é parte financeira. 

 

P/1 – E o senhor acha que a relação do sindicato com a Petrobras mudou, desde a época que o senhor entrou pra cá? 

 

R – Mudou nos últimos anos. Nos últimos cinco anos eu acho que a relação Petrobras sindicato, ela mudou pra melhor. Talvez as leis que ofereceram mais segurança. 

 

P/1 – O senhor acha que tem mais diálogo? 

 

R – Tem, não tenha dúvida. Com certeza. 

 

P/1 – Sr. José, o senhor lembra assim de algum fato marcante nesse tempo da Petrobras aí que o senhor se recorde pra contar pra gente? 

 

R – É como eu já lhe disse, eu me lembro dessas partes, infelizmente das partes ruins. O restante eu só tenho a te dizer que o, talvez pelo amadurecimento, os últimos anos, quanto mais eu trabalho na empresa, eu me sinto feliz. Talvez pelo amadurecimento, aprendizado. Mas eu me sinto mais tranqüilo nos últimos anos, quatro ou cinco anos.

 

P/1 – E o senhor acha que, na sua área de operação, teve assim algum avanço de jornada de trabalho da atividade de vocês? Como que o senhor vê naquela época que você entrou lá, em 80 e poucos, né? O senhor acha que teve muita mudança nesse período? 

 

R – Ah, não tenha dúvida. A parte de segurança, a gente trabalha muito a parte de segurança porque, talvez, há 15 anos atrás não tinha aquela preocupação toda com o meio ambiente, como tem hoje. Então a gente hoje trabalha muito a parte de segurança. 

 

P/1 – Sr. José, o quê que o senhor acha dessa iniciativa da Petrobras de estar fazendo esse Projeto Memória? O quê que o senhor achou de ter participado com a gente? 

 

R – Muito bom. Agora, me pegaram de surpresa. Eu não posso falar muito sobre o Projeto Memória porque o que eu vi foi do ano passado pra cá, 50 anos de empresa. Eu não tenho muito detalhe sobre esse projeto não, infelizmente. Mas eu tô gostando. 

 

P/1 – O senhor gostou de ter participado com a gente? 

 

R – Sim. 

 

P/1 – Então tá ótimo. Eu queria agradecer muito pela entrevista. Muito obrigada. 

 

R – Eu é que agradeço.

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