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Alinhada com a missão

História de: Teresa Baumotte
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 18/03/2016

Sinopse

Teresa Cristina Machado Baumotte Alencar inicia sua história contando as origens de sua família, alemã, portuguesa, mineira e paulista. Seu pai, após terminar a Academia Militar em Agulhas Negras (RJ), foi transferido para Caçapava (SP) onde conheceu sua mãe, casou-se e onde Teresa nasceu. Ela narra como sua família sempre acompanhou a carreira de seu pai, moraram em diversos estados do Brasil, mas sempre procuraram ocupar o eixo Rio de Janeiro-São Paulo para ficar perto dos familiares. Aos 15 anos, foi intercambista nos EUA, relata como foi sua experiência repleta de aprendizados e surpresas. Ao retornar, Teresa quis hospedar uma intercambista e assim conheceu o AFS. Em sua trajetória como voluntária atuou como conselheira, diretora regional, e membro da antiga Diretoria Nacional, acompanhou processos de reestruturação, mudanças e superações cruciais na história do AFS. Fala de sua paixão pelo AFS e seu atual envolvimento no Conselho Fiscal.

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História completa

Meu nome é Teresa Cristina Machado Baumotte Alencar. Nasci em Caçapava, São Paulo, no dia quatro de janeiro de 1967. O nome do meu pai é Heinz Marcos Baumotte e da minha mãe é Maria Teresa de Aguiar Machado Baumotte. Pelo lado do meu pai, nós temos origem alemã, a família do meu avô paterna, a família da minha avó paterna é de Minas Gerais. O lado da minha mãe é de origem portuguesa. Eu não tenho muita informação, mas sei que são de origem portuguesa e são daqui, do estado de São Paulo. Minha avó era de Mogi das Cruzes.        

Meu pai era do Rio [de Janeiro]. Fez Agulhas Negras e o primeiro posto dele, depois de terminar a Academia Militar, foi Caçapava. Aí, ele conheceu a minha mãe e eles se casaram. Minha mãe nunca mais morou naquela cidade, em Caçapava. Eles se mudaram e fizeram a vida [pelo] Brasil. Eu e meus irmãos nascemos lá, mas só nascemos. Minha mãe voltava para ter os filhos ali, perto da minha avó, mas a gente sempre morava em alguma outra cidade; nunca em Caçapava.

Eu gostava de brincar muito na rua, eu gostava de subir em árvore, de andar de patins e de bicicleta. Eu estava sempre machucada, sempre ralada, sempre era uma casca que saía... Minha mãe tinha que me levar na farmácia para fazer curativo, porque ela já não vencia fazer curativo no meu joelho. Depois, na adolescência, era de jogar vôlei, a gente botava a rede na rua e os carros passavam por baixo.

Para mim, não tinha esse problema [morar em cidades diferentes toda vez que seu pai era transferido] “Ah, eu morei cinco, seis anos aqui, como é que vou me adaptar em outra cidade?” Para mim não tinha isso! Eu morei um ano em Campinas (SP), depois eu fui para o Rio e morei mais três anos, depois eu fui para outra cidade, depois eu fui para outra cidade... Eu morava dois, três anos em cada cidade e isso, para mim, era normal, eu sabia que ia acontecer, que logo em breve eu iria mudar de novo. Foi tão assim natural que eu e minha irmã já havíamos nos acostumado a viver desse jeito. E meu pai sempre tentou ficar nesse eixo Rio-São Paulo, que era onde tinha a família. Mas a gente mudou para longe também. Nós moramos em Manaus (AM), e também foi bom. Nunca tive problema de me adaptar em outros lugares e em novos colégios, novos amigos, novos tudo...

Quando eu tinha 15 anos, eu fui fazer intercâmbio. Eu fui a primeira da minha família a fazer intercâmbio, de todos os primos, ninguém tinha feito intercâmbio e eu fui fazer. Para mim, o que ficou foi um amadurecimento de me virar sozinha, de enfrentar problemas tão difíceis até para a minha idade na época. Aprender a lidar com dinheiro sozinha; fiquei um ano gerenciando o meu dinheiro; viver em outra comunidade que não é a sua e que tem outras regras, e você tem que se adaptar a essas outras regras. Como eu sempre mudei muito, a mudança não foi muito diferente.

Quando eu voltei, eu queria receber estudante de intercâmbio e o meu intercâmbio não fazia, foi aí que eu conheci o AFS. A gente descobriu que o AFS recebia estudantes, eu cheguei no meio do ano de 1983 e nisso a gente já começou a procurar e nós recebemos a Hellen, da Austrália, em 1984. A Hellen foi embora, eu fiz 18 [anos] [...] [e] logo em seguida, eu me casei. Eu fiquei grávida e me casei. E aí o meu mundo foi um mundo à parte nesse tempo que eu fiquei casada. Eu me afastei totalmente do AFS. Eu trabalhava, eu curtia a minha casa, meu marido, as minhas coisas, cuidando de filho [primeiro filho Felipe]. Casada, eu não fiz nenhuma atividade, eu não fiz nada. Aí eu me separei. O meu irmão é temporão e, quando eu me separei, ele estava na idade de fazer intercâmbio e a minha mãe “Não, vamos procurar um intercâmbio para ele. Tem que procurar. “Eu quero que ele faça pelo AFS”. Na primeira reunião, quem acabou indo fui eu. E na reunião falaram: “A gente está precisando de conselheiro para os estudantes que estão chegando, eu [aceitei]. Era um outro momento da minha vida que estava começando.

Fui Conselheira Local, eu ajudava no recebimento e em projetos que havia. Tinha o projeto de Ação Comunitária para adolescentes estrangeiros virem e eu ia para as instituições para fazer parceria, eu ia à escola. [Em 1997] eu fui para a Diretoria Regional, fiquei bastante tempo como Diretora Regional, três anos. Em 2000, eu fui para o antigo Conselho Diretor, que se chamava Executiva da Diretoria Nacional. Eu fui eleita Presidente e fiquei dois anos. Em 2004, eu saí. Mas, eu falo que eu nunca larguei o osso. Então, desde 2004, eu estou no Conselho Fiscal.

A missão do AFS é pela paz mundial, quer mais tolerância no mundo. Então, a gente aprende a ser mais tolerante. Porque no AFS tem pessoas de diferentes regiões, diferentes backgrounds de vida, cada um vem com uma bagagem diferente, mas todo mundo está ali pelo mesmo motivo. Eu aprendi a me conhecer, saber que eu sou muito explosiva, aprender a entender o lado do outro. No AFS, a gente tem sempre que lidar com emoções diferentes, com desejos diferentes, cada um está ali, mas sempre pelo mesmo objetivo. De verdade, a missão do AFS é mais tolerância, pela paz, e isso para mim, foi um aprendizado. Eu aprendi a ser mais tolerante, mais tranquila, não julgar tanto as pessoas... A gente não pode sair julgando, cada um tem uma história de vida, que é diferente.

Fiquei muito tempo sozinha. Eu fiquei oito anos sozinha. Sozinha assim, sem ter um envolvimento mais sério. Eu conheci o meu marido, a gente começou a namorar e resolvemos ficar juntos. Tivemos a Amanda e, depois, tivemos o Henrique, ainda tivemos mais um! O pequenininho, que tem nove [anos], hoje.

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