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História

Ali no ponto mais alto do Borel

História de: Deise Lucia Barreto
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 21/01/2013

Sinopse

A lembrança de Deise da sua casa de infância, e da sua comunidade, o Borel, no Rio de Janeiro, é de um lugar pobre, uma casa de estuque e muita dificuldade. Deise não acabou os estudos, desde treze anos resolveu trabalhar, não via sentido em estudar. Trabalhou de babá, de doméstica e em outros serviços. Casou-se, teve filhos e mais tarde encontrou um grupo de mulheres que começavam um empreendimento trabalhando com eventos infantis. Começou a trabalhar com elas e é de lá hoje que garante uma renda melhor e, com isso, sonho já em descer mais o morro e comprar um carro.

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História completa

“Eu não me lembro da minha família reunida. Era muito difícil. Quando a família estava reunida é quando a gente ia buscar água na mata. Que ia todo mundo, ia a minha mãe, o meu pai, os meus irmãos. Todo mundo tinha que pegar uma lata e ir para a mata pegar água, que era bem distante da nossa casa. Era uma casa pequena de estuque, no morro do Borel. Eu lembro do meu pai construindo essa casa. Ele colocava a gente para ficar amassando o barro, todo mundo descalço. Ele tinha que ripar, depois ia pegando o barro e colocando. Era de folha de zinco e às vezes chovia mais dentro do que fora.

 

Meu pai era uma pessoa que botava medo na gente. Ele era uma ótima pessoa, mas quando bebia era muito violento. Então tudo era com a minha mãe que a gente ia conversar. Ela é um doce de pessoa. Trabalhava em uma fábrica de tecido, depois virou doméstica. Meu pai era porteiro, foi zelador e depois trabalhou com obras. Chegou um tempo na minha vida também, eu deveria ter uns treze anos, que eu não queria mais estudar. Minha mãe me obrigou até um certo tempo, mas depois eu parei por conta própria. Então ela disse que era pra eu trabalhar. Comecei a ganhar meu dinheiro, que era pouquinho, mas ajudava minha mãe e comprava as minha coisas.

 

Fui trabalhar de babá de uma criança. Foi logo depois que eu casei com o homem que estou até hoje, vinte e cinco anos. Minha mãe e meu pai saíram da casa deles para serem caseiros e nós fomos morar lá, onde eu engravidei da minha primeira filha. Mas era um barraco de estuque que estava muito velho. Então apareci sapo, cobra. Uma vez eu estava dormindo e apareceu um gambá na cozinha. Teve ataque de formiga...tudo aparecia. Aí resolvemos comprar outra casa. Eu frequentava a igreja e foi uma menina de lá que avisou que ia ter um projeto para mulheres serem donas do próprio negócio. Eu queria ter meu próprio negócio. Aceitei e fui.

 

Eu acho que a mulher tem que fazer isso mesmo, ela tem que ser guerreira, tem que saber administrar, a casa, os filhos, o marido, o trabalho, estudar. O meu negócio é de eventos, criamos juntas o Celebrando Festas, para eventos de criança. Cama elástica, tobogã, piscina de bolinhas, castelinhos, temos várias atividades para as crianças. É muito bom ficar no meio delas.

E hoje eu tenho o meu trabalho. Os finais de semanas eu ficava em casa. Agora não, eu tenho um trabalho. Já sonho em terminar meus estudos e poder comprar um carro. Descer um pouco mais o morro.

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