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História

Alexandra: personalidade e olhar social, humano

História de: Alexandra Araújo
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 18/02/2019

Sinopse

Alexandra Araújo é sagitariana. A primeira lembrança mais forte da infância foi a viagem, com o pai e os avós, ao Nordeste. A paisagem diferente. O céu estrelado. Outros hábitos. Tudo isso ficou marcado na menina que queria ser médica, acabou fazendo Turismo. Tem dezenas de viagens nas costas; não esquece da primeira só sua, não era viagem alheia. Perdeu o pai aos 25 anos, soube aceitar. Tem ideias, digamos assim, heterodoxas em relação ao casamento. A fluência com o idioma inglês levou-a a um trabalho de alto nível. Hoje aposta no regime autônomo e no segmento saúde e bem estar. Não abre mão do voluntariado. Com ele descobriu que trabalhar com o social, com o humano, torna a gente mais humano. Porque, como diz a filosofia hindu, “Deus está manifestado em tudo, em todos”.

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História completa

Nasci na cidade de Osasco, São Paulo, em 9 de dezembro de 1972. Sou sagitariana. Alexandra, segundo contam, porque meu pai gostou do nome Alexandrina, de uma pessoa que ele conheceu. Tenho uma lembrança de infância - seis, sete anos - de uma viagem que fizemos ao Nordeste. Fomos a Pernambuco: eu, meu pai, meus avós. Numa segunda viagem, minha mãe também foi. Grávida. Uma aventura. Muito bonito, bela paisagem, céu estrelado. Outra flora para se ver, outra fauna, outros diálogos, outra comida, outros hábitos. As pessoas assistindo televisão no meio da praça.

 

Meu pai era tranquilo, caseiro, morreu eu tinha 25 anos. Diabetes. Dominava o inglês e por causa disso protagonizou um episódio interessante. Em algum momento da vida dele, teve a oportunidade de traduzir uma carta para um senhor sueco. Começou ali uma amizade, por correspondência e por troca de presentes, que se estendeu até o fim da vida dele: o Penfriend - Amigo de Caneta.

 

Minha mãe sempre foi, essencialmente, dona de casa. Dedicada aos afazeres domésticos e aos filhos. Quer dizer, sempre foi, em termos. Mais ou menos na época em que meu pai começou a lutar contra a doença, ela voltou a estudar: queria realizar o seu sonho, que era a Enfermagem. Formou-se, trabalhou em hospitais, aposentou-se na profissão..

 

Lembranças dos avós: os maternos, nenhuma. Minha mãe ficou órfã muito cedo, foi cuidada pelos irmãos. Consta que o pai era lavrador - lavoura de algodão. E contraiu infecção. Dos paternos lembro bem, moravam muito perto - era a minha casa, a casa de um tio, a casa da minha avó. Que por sinal, cozinhava um feijão… O vô trabalhava com amendoim, lembro até de sair com ele algumas vezes para comprar o bendito. Outra lembrança de infância era a casa: a primeira era pequena, mas com um quintal imenso. Depois mudamos para a assim chamada “casa nova”: mais brincadeiras, muitas amiguinhas e um lindíssimo pé de amora - colhia, fazia suco. E brincava de esconde-esconde, pega-pega. De início, era só estudar e brincar. Com o tempo, minha mãe, nesse tempo inteiramente “do lar”, nos ensinava a cozinhar, lavar a louça, limpar a casa.

 

Quando criança, queria ser médica. Acabei cursando Letras por muito pouco tempo; eu concluí Turismo e Hospitalidade. Já numa etapa mais avançada, lembro de que me fazia muito bem praticar esporte, as chamadas práticas coletivas na escola, clubes, etc. Acho que tinha a ver com os incômodos da menstruação.

 

E depois, eu acho que essa natureza feminina, assim, é bem complicada, dolorosa também, cansativa, sei lá. Eu acho bem estranho isso.

 

Ainda recentemente, eu estudei Anatomia na Faculdade da Santa Casa para compreender um pouco mais do corpo humano. E hoje eu estou preferindo as práticas individuais - yoga, por exemplo - e, neste momento, “uma pós-graduação de práticas corporais da medicina tradicional chinesa”, tendo como foco o Tai Chi Chuan.

 

Bom, aí chegou aquela época de relacionamentos. Acho que todo e qualquer relacionamento é uma experiência - bem ou mal sucedida; na verdade, acho que não há muito o que falar a respeito. Mas, de qualquer forma, sempre fui muito tranquila quanto a isso.

 

Eu acho muito estranho casamento (...) Não sei como as pessoas conseguem casar. (...) Eu acho que o mundo é muito grande, o universo é infinito, então, possibilidades infinitas.

 

Guardo a concepção de que o casamento não favorece a evolução dos seres. Porque cada qual tem a sua vida, a sua história, as suas experiências, e a morte - porque, no fundo, você morre sozinho, independentemente de quantas pessoas o estejam rodeando - a morte é a prova de que cada um segue o seu caminho, que é individual e é solitário. Daí porque sempre esteve comigo o entendimento de que todos os relacionamentos - e não apenas aqueles rotulados como amorosos - me ajudaram a construir quem eu sou hoje. Assim ocorre, quero crer, com relações de amizade, de parceria, profissionais, enfim, todos. Até porque o que se entende, verdadeiramente, por ‘relacionamento amoroso’? Eu, pelo menos, compreendo-o numa perspectiva de estar com um homem, com uma mulher, com um parente, com um amigo especial, com um animal pelo qual se tem grande estima. Agora, o importante é que você vai construindo a sua história. Com as suas vivências; suas experiências; com o que você lê; com o que você aprende; com as alegrias e as tristezas.

 

Até mesmo com os perigos pelos quais você passa. E é uma sequência - a adolescência; o estudo, no sentido de te dar uma profissão; os amores; o primeiro trabalho - no meu caso, foi aos dezessete anos. Aí, quando você acha que já cresceu, vem a definição do que prefere fazer - eu lembro de estar, nesse período, mais focada em atividades culturais, como teatro, dança, cinema, do que propriamente os barzinhos, “jogar a conversa fora”, hábitos noturnos de um modo geral. E, sobretudo, viajar. A emoção de viajar sozinha, escolher para onde ir, o que visitar, enfim, a ‘sua’ viagem e não viagens alheias, como as da família, por exemplo. Curtir as trocas que as viagens proporcionam - ‘viagens ilustram’, não é assim que se fala? Trocar informações, assimilar a cultura do outro. Ser surpreendido com novos relacionamentos, os fugazes e os que permanecem. Até o que se aprende em relação ao ato de viajar: “Quanto menos bagagem, mais longe você vai”.


A propósito de viagens, um bom trabalho que me surgiu - curiosamente, em função da minha fluência em relação ao Inglês e não como resultado da minha formação acadêmica - foi o atendimento em uma sala VIP que, naquela época, reunia três grandes empresas aéreas internacionais. Que ofereciam, para um seleto grupo de executivos e pessoal da primeira classe, um serviço de concierge. Porém, atualmente, o trabalho que eu desenvolvo é autônomo, formato home office. Em que segmento? Corporativo e cultural. E, paralelamente, ingresso na área de saúde e bem-estar, com terapia, massagem, yoga, tai chi chuan. Minha atual formação, meu atual interesse. Por outro lado, pensando em aproveitar um certo tempo ocioso, tenho cada vez mais me proposto a realizar trabalhos voluntários. Aprendi que são capazes de produzir, no interior da pessoa, um misto de motivação e recompensa. Se alguém me perguntar qual desses trabalhos foi o melhor, eu tenho a responder: “O melhor ainda está por vir”. Como deve estar por vir a melhor viagem, entre as dezenas que eu já fiz e as que planejo para breve. Algo que, simplesmente, eu espero acontecer, não almejo, não sonho. Porque, afinal, o que são sonhos?

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