Busca avançada



Criar

História

Alegrias do início para além do fim

História de: Rosa Alice Campos
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 05/10/2008

Sinopse

Campo Grande. Bauru. Falecimento do pai. São Paulo. Tecelagem. Avon Lactarista. Berçário. Creche. Cuidados infantis. Líder de berçário. Aposentadoria. Revendedora Avon. Voluntariado. Coral

Tags

História completa

P/1 – Bom, vamos começar então, Rosa, fala pra mim o seu nome completo, onde você nasceu e o dia.

 

R – Rosa Alice Campos, nasci em Campo Grande, Mato Grosso, no dia 20 de abril de 1948.

 

P/1 – E qual que é a sua atividade atual, quê que você anda fazendo?

 

R – Atualmente, assim, o que eu faço é: eu sou voluntária do Hospital São Paulo, sou coralista, canto em dois corais e curto a vida, né?

 

P/1 – Certo, muito bem. Qual que é o nome dos seus pais?

 

R – Isauro Lázaro de Campos e Maria Bastos Campos.

 

P/1 – Qual que era a atividade deles?

 

R – Meu pai era pedreiro e minha mãe era prendas domésticas.

 

P/1 – E a origem da sua família qual que é? Da onde que venho os seus avós, seus bisavós são daqui mesmo?

 

R – Por parte de minha eram italianos, parte de pai era daqui mesmo.

 

P/1 – O seu vô veio da Itália mesmo?

 

R – Veio da Itália.

 

P/1 – Você sabe em que parte da Itália?

 

R – Não, não sei...

 

P/1 – E irmãos, tem?

 

R – Tenho.

 

P/1 – Quantos?

 

R – Atualmente tenho seis, mas nós éramos em nove.

 

P/1 – Nove irmãos?

 

R – Nove irmãos.

 

P/1 – Uma família grande então. Então vamos lembrar um pouquinho da sua infância. Fala pra mim: onde é que você morava?

 

R – Eu morei em Bauru, nasci em Mato Grosso, fiquei lá até os três anos depois eu vim pra Bauru porque todo mato-grossense cai em Bauru, né? (risos)

 

P/1 – Ah é? Não sabia.

 

R – (risos) É. Passei a…. fiquei em Bauru até os 12 anos depois vim pra São Paulo. 

 

P/1 – Tá certo. E fala pra mim um pouquinho como que era a sua casa, como que era o cotidiano dessa família?

 

R – É, nós éramos assim uma família tranqüila, né, uma família simples, tranqüila, mas tínhamos assim muito carinho um pelo outro, né, isso foi sempre. Os meus pais me deixaram sempre essa coisa boa de ter atenção com o ser humano, ser carinhoso porque eles deram isso pra gente, né? Então foi muito, a minha família era assim. Depois o meu pai faleceu aí nós viemos pra São Paulo. 

 

P/1 – Ah entendi. E em São Paulo vocês moraram aonde?

 

R – Eu acho que quando eu cheguei eu morava no Ipiranga. Depois eu mudei pra São Bernardo do Campo.

 

P/1 – Isso Ipiranga você tinha que idade mais ou menos?

 

R – 12 anos.

 

P/1 – Era criança também? E como que era a casa lá no Ipiranga?

 

R – Era uma casa simples, né, casa simples. Assim, tínhamos muita dificuldade, né, no trabalho, né, então os meus irmãos trabalhavam, eu e meu irmão, meu irmão caçula que ficávamos em casa. Mas sempre, sempre lutando, lutando pra. E uma coisa assim que eu era assim uma criança muito doente, né, muito doente assim, tinha medo de tudo, medo de falar, medo disso, tive problema de nervos abalados e eu sempre fui tratada assim como a, o denguinho da família, né? (risos) Até que foi indo, foi indo eu me libertei disso, me libertei de todos esses medos e tô aqui.

 

P/1 – Que bom! E quais que eram as brincadeiras favoritas?

 

R – Gostava de pular amarelinha, né, subia em árvores, era muito gostoso (risos), e brincar de boneca, sempre gostei de brincar de boneca. 

 

P/1 – Tinha diferença das brincadeiras lá em Bauru, né, e aqui em São Paulo, era diferente já em São Paulo? Como que era? 

 

R – São Paulo já era um pouquinho diferente, né?

 

P/1 – Mas brincava na rua?

 

R – Mas brincava. Porque em Bauru nós tínhamos espaço, corria, tinha árvores pra subir, né? E aqui em São Paulo não, São Paulo já era mais restrito, mas mesmo assim a gente, amarelinha nunca faltou na minha vida (risos).

 

P/1 – É fácil, né, só desenhar, né? E quais lembranças assim são marcantes pra você dessa época da infância?

 

R – Assim lembranças? Bom, eu lembro uma época que eu estava pulando amarelinha e eu, a gente jogava a pedrinha, né, e como eu peguei uma casca de banana e eu pulava amarelinha com a casca de banana, e nessa eu em vez, eu esqueci e pisei na casca de banana, foi a minha primeira (risos)... primeiro corte, né, tive um corte aqui e isso foi pra mim muito marcante que depois disso o outro foi também andar de bicicleta que eu achei que eu tinha que soltar das mãos, né, e não tinha aprendido ainda (risos). 

 

P/1 – Tomou um tombo?

 

R – Tomei um tombo, essa foi uma das coisas assim marcante pra mim. Depois a gente vai crescendo, né? Aqui em São Paulo eu fui, aí eu comecei a freqüentar a nossa religião e lá tinha as atividades então eu fui tendo uma outra vivência, né, no catecismo espírita, né, tinha toda essa. Então foi indo, foi mudando assim a minha, a minha vida.

 

P/1 – Certo. E os estudos? Como é, quando você começou?

 

R – Eu estudei aqui em São Paulo no começo foi muito difícil por causa que, pra mim, mas depois eu não conseguia assim, quando começava a estudar eu tinha assim, como eu tinha medo de tudo, né, eu tinha medo de ir pra escola, medo disso, medo daquilo, eu não queria saber de estudar. Só quando meu irmão mesmo começou a ir pra escola que eu, aí eu tinha companhia eu ia com ele pra escola. E depois foi indo, foi estudando, estudando, depois fui trabalhar sabe que a vida da gente é, né? Fui trabalhar aos 12 anos, aos 14 anos comecei a trabalhar, né?

 

P/1 – Qual que foi o primeiro emprego?

 

R – Eu fui trabalhar numa empresa chamada Paramont, né, trabalhar lá.

 

P/1 – E o que você fazia, você lembra?

 

R – Eu era da tecelagem, eu ajudava a mexer nos fios, lãs, fui trabalhando. Depois fui trabalhar num hospital eu era um pouquinho maior, fiz enfermagem, enfermagem, fui trabalhar enfermagem. E até que aos, quando eu fui chamada pra trabalhar na Avon.

 

P/1 – Aí você já tinha quantos anos?

 

R – Na Avon eu comecei, eu entrei com 30, acho que era 35 anos que eu entrei na Avon.

 

P/1 – Então você trabalhou bastante na área de enfermagem também, né?

 

R – Trabalhei.

 

P/1 – E teve alguma influência pra trabalhar nessa área? Alguma pessoa?

 

R – Eu gostava muito assim de tá com as pessoas. Quando eu fiz enfermagem eu me identifiquei muito com essa área, então me identifiquei com a área de idosos primeiro, foi onde eu fui, fui trabalhar nessa área, trabalhei com idosos, trabalhava na parte de prevenção ao câncer, né? Trabalhei e depois que eu fui pra criança, trabalhar com criança e de lá eu fui pra Avon. 

 

P/1 – Entendi. 

 

R – Interessante que quando eu fui chamada por uma amiga pra fazer um teste na Avon eu fiquei muito apavorada porque, eu falei: “Mas eu não sei cozinhar”, que era pra fazer a comida das crianças, arrumar o leite das crianças, “Eu não sei fazer isso, né?” “Não, você vai, você tem”. E me dei muito bem. 

 

P/1 – Então foi uma amiga sua que te indicou?

 

R – É, uma amiga minha.

 

P/1 – E que ano que foi isso?

 

R – Foi em 82.

 

P/1 – Certo.

 

R – 82, foi no dia, eu recebi o chamado da Avon no dia 13 de outubro, outubro pra fazer esse teste, né?

 

P/1 – E você já conhecia a Avon antes?

 

R – Eu conheci assim porque a minha mãe vendia Avon.

 

P/1 – Ah, vendia?

 

R – Vendia avon, minha mãe era boa de vender Avon. Então eu conhecia muito assim os produtos, mas a empresa em si eu não conhecia. 

 

P/1 – Tá.

 

R – E quando eu fui pra Avon a minha mãe ainda era viva, pra ela foi uma alegria muito grande saber que a filha dela trabalhava na empresa.

 

P/1 – Ah certo. A sua mãe sustentava o lar vendendo Avon?

 

R – (risos) Vendendo Avon, vendendo Avon.

 

P/1 – Que bom! E qual que foi a primeira impressão que você teve chegando lá na Avon?

 

R – Ah, a primeira foi assim... Bom, pra começar quando eu fui fazer os testes, fazer a entrevista tudo eu já me sentia assim uma coisa assim, já era uma empresa enorme, né, naquela época. E eu fiquei assim meio apavorada, “Nossa, será que eu vou conseguir? Será que?”... E depois quando eu comecei a trabalhar foi uma alegria, porque eu fui trabalhar no berçário, tá ali do lado daquelas crianças, nossa foi... E quando eu recebi o meu primeiro salário foi 37 Cruzeiros (risos), foi a coisa mais, nunca na minha vida eu tinha recebido tanto dinheiro como. Sempre tava, né, sempre era um salário menor, né? Foi assim uma alegria a partir, comecei a trabalhar na Avon no dia 21 de outubro de 82, a partir desse dia foi pra mim a maior felicidade.

 

P/1 – E você lembra do seu primeiro dia de trabalho?

 

R – Meu primeiro dia de trabalho? Lembro.

 

P/1 – O que você fez?

 

R – Bom, eu cheguei, fui. Cheguei oito horas, passei na recepção depois eles me levaram pro berçário, né, onde eu fui apresentada pra chefe e pras meninas. E depois eu. Primeiro eles também me apresentaram pro pessoal do RH, né, o pessoal. Depois eu fiquei vendo a menina fazer as coisas, eu ficava: “Será que eu vou conseguir? Será que eu vou conseguir?” Ela falava assim: “Você vai conseguir sim porque eu tenho só mais dois dias pra ficar aqui, eu vou embora!” E pra mim aquilo foi meio, mas depois foi tudo normal. Fiquei nessa parte de alimentação, né, com as crianças só seis meses porque depois eu fui transferida pra trabalhar no corredor, que eles falavam, né? O corredor é...

 

P/1 – E o quê que é o corredor?

 

R – O corredor era onde ficava cuidando das crianças, né, eu fiquei no corredor um bom tempo trabalhando, curtindo tudo. Depois eu passei pra liderança do berçário. 

 

P/1 – Tá certo. E você começou a trabalhar na Avon ela já era ali na Interlagos?

 

R – Já era na Interlagos.

 

P/1 – Certo, você não chegou na João Dias, nas outras unidades?

 

R – Não não cheguei, não cheguei. 

 

P/1 – Tá. Então vamos falar um pouquinho do berçário então. A inauguração do berçário a senhora sabe quando é que foi?

 

R – A inauguração do berçário foi no dia 21, 21 de março de 81.

 

P/1 – 81?

 

R – 81. 

 

P/1 – E a senhora sabe assim porque eles resolveram fazer o berçário? O quê que motivou a criação dele?

 

R – Tinha um grupo de mães que pediu muito, né, pra empresa e aí foi indo, foi indo eles atenderam esse. Que eu sei assim por cima é isso. Tinha esse grupo que foi indo, aí foi criando essa, né, essa idéia e aí a Avon comprou, né, essa idéia e hoje tá aí até hoje muito bem. 

 

P/1 – Certo. E como é que foi a repercussão desse berçário entre as funcionárias ali da Avon?

 

R – Bem, eu só posso falar depois que eu entrei, né?

 

P/1 – Claro, claro.

 

R – Assim, no começo que eu entrei tinha poucas crianças, poucas crianças. Eu não sei porque muitas não deixavam, né, mais quem deixava era a parte administrativa que deixava. E depois com o tempo foi mudando, foi mudando muita coisa no berçário, sabe? E assim começou a o pessoal querer trazer as crianças, foi isso. 

 

P/1 – Tá certo. E conta pra gente como que era o funcionamento do berçário, como é que funcionava?

 

R – Como funcionava? Como você quer saber assim da administrativo ou?

 

P/1 – Isso, no geral assim, a criança ia lá como que ela fazia?

 

R – Assim, primeiro a mãe quando ficava grávida ela ia no serviço social e fazia uma reserva, né? E depois dessa reserva quando a criança, quando ela nascia ela vinha pro berçário fazia uma entrevista lá no berçário. E nessa entrevistas nós falávamos do que precisava trazer, como era o berçário, mostrávamos tudo, né? E no dia-a-dia era assim: a criança chegava de manhã a gente observava a criança, conversava com a mãe pra saber como foi o seu dia anterior se teve alguma coisa, e depois ficava com a gente. Tomava banho, lanchava, tinhas as brincadeiras, né? E a tarde ela ia embora. No, tinha o pediatra que vinha duas vezes por semana, que é onde as crianças eram atendidas e é isso.

 

P/1 – Tá certo, entendi. 

 

R – Eu tô meio emocionada (risos). 

 

P/1 – Ah não, fica a vontade, é gostoso lembrar mesmo, né? 

 

R – É. 

 

P/1 – E qual que era a idade das crianças?

 

R – Elas chegavam com três a quatro meses, teve criança que chegou com um mês, teve criança que chegou com 15 dias que era adotada, e ficava até um ano. Depois, com o tempo, a Avon estendeu até dois anos, porque as mães começaram a questionar, depois de um ano fica mais difícil pra mim, tem muitos lugares que não aceitam crianças assim que não saiu da fralda ainda. Então as mães foram ganhando esse espaço, né? E fica até dois anos. 

 

P/1 – E hoje é assim também?

 

R – É até dois anos, eu acredito que sim porque agora eu não sei, né?

 

P/1 – Ficou até 2006, né?

 

R – É, até 2006 era até dois anos. 

 

P/1 – Tá. E como que era o relacionamento com as mães e vocês lá cuidando dos filhos?

 

R – Muito bom (risos), muito bom! Nós sempre tivemos um bom relacionamento, sempre fomos assim. Eu acho assim, que a gente tem que ser aberta, né, não tinha esse negócio de tá escondendo as coisas. Então nós tínhamos essa abertura tanto da mãe conversar quanto de nós conversarmos, e isso era muito gostoso porque a gente tinha um carinho, eu tenho, né, tenho um carinho muito grande pelas mães, tanto quanto eu tenho pelas crianças. Isso era muito gostoso, né? Eu sempre tive, inclusive saí, mas assim, deixei um vínculo muito grande com essas mães. 

 

P/1 – E quantas crianças, mais ou menos, passavam pelo berçário todos esses anos que vocês, a senhora trabalhava lá?

 

R – Olha, passou quase mil crianças. 

 

P/1 – E já teve problemas assim de: “Ah, tá lotado!”?

 

R – Às vezes sim, teve uma época que nós trabalhamos com a lotação bem superior. 

 

P/1 – Quantas crianças, mais ou menos, chegavam a ficar lá?

 

R – No começo eram 16 crianças, depois passou pra 24, 30. Quando eu saí já tava no 48 crianças. A lotação era (risos)...

 

P/1 – Ia sempre abrindo um espacinho.

 

R – Sempre abrindo um espacinho, era, nós trabalhávamos assim no limite mesmo de. Mas era um limite que pra nós tinha bastante gente, a gente sentia que tava, né, mas a gente levava assim com, sabe? A equipe que trabalhava era muito boa, era uma equipe assim que realmente doava mesmo, isso... Que se você trabalha num lugar onde a equipe não te dá um respaldo não tem como, né? E a equipe é muito boa. 

 

P/1 – Quantas pessoas tinham na equipe?

 

R – Seis, seis pessoas. 

 

P/1 – E elas tinham formações diferentes?

 

R – Não, não. Não tinha não. 

 

P/1 – Certo. E como que era o primeiro dia das crianças, elas estranhavam vocês?

 

R – O primeiro dia era assim, era mais difícil tratar as mães (risos), que as mães que sentiam assim aquela culpa, né, porque a gente tem aquela culpa, né, de “Ai, eu vou deixar meu filho”, eu não sou mãe mas eu sentia isso. “Eu vou deixar o meu filho aí, né, eu vou ter que trabalhar”. Então a mãe tinha essa culpa, eu lembro muito bem que tinha mãe que a gente precisava dar um chá, uma água doce porque chorava demais em deixar o filho lá. Eu sempre dizia: “Não, vai tranqüila daqui a pouquinho se ele...”; “Ah, mas se ele chorar, né?” “Não, eu te chamo, pode ficar tranqüila”. E realmente chorava, tal, mas chorando a gente, principalmente, no começo se não conhece a criança você tem que, né, ter a mãe perto. Então chamávamos as mães, “Olha, vem que tá chorando, tá na, você esqueceu de amamentar”. Eram essas as... E tinha mãe que tava de cinco em cinco minutos lá no visor, ou ligava: “Meu filho tá bem? Ele tá chorando?” “Não, ele tá bem”. Porque criança é assim, você tá ali perto, você dá um carinho, conversa porque só o fato de você tá conversando e ele tá no meio de outras crianças eles sentem-se bem. Mas a dificuldade era com as mães no início, né, no início, entendido? Porque depois, depois no segundo filho elas chegavam assim: “Ó, tá aí, você cuida!”

 

P/1 – Confiava já, né?

 

R – Muito bom!

 

P/1 – E esses eventos que a gente tava vendo as fotos, tinham as festas? Como que eram essas comemorações?

 

R – Isso foi muito engraçado, porque no início teve uma mãe que chegou, a Rita, Rita Betolacci, ela era a primeira, segunda filha dela, né? Primeira vez aquela... choro… a segunda chegou e falou: “Tá aí!” (risos). Ela chegou e falou assim: “Eu queria fazer o aniversário da minha filha aqui com vocês, tudo” Eu falei: “Eu não sei se pode, eu vou falar com o...”, porque o berçário no início não podia tá entrando muito lá. Eu falei: “Não sei se pode, mas eu vou falar”. E eu falei com a Ângela, porque ela falou: “Ah, tudo bem, só vocês!” E esse foi o início porque dali, daquele aniversário depois chegou no dia 21 de março, falei: “Ah, eu tenho que comemorar o aniversário do berçário, né?” Aí comecei: primeiro ano comemorei o aniversário do berçário, o segundo, depois vem a páscoa, dia do Índio, aquela coisa e ia assim, sempre procurando coisas novas, né, procurando dar um entretenimento pras mães, pras crianças, no dia dos pais e a gente sempre, sempre assim. E todas as vezes que eu conversava com equipe, porque sempre nós estávamos juntos: “Olha, vamos fazer tal coisa?”; “Vamos!” E era assim todas estavam sempre unidas em fazer, fazer o melhor, né? Isso foi muito bom!

 

P/1 – Algumas dessas funcionárias da equipe tinham filhos ali também?

 

R – Teve, teve. A Zilda teve o Welington, teve a Sueli teve dois filhos. 

 

P/1 – Ai que bom, né?

 

R – Era muito gostoso!

 

P/1 – E você falou que houveram muitas mudanças. Fala pra gente quais mudanças que você vivenciou ali.

 

R – Assim, dentro do berçário, né?

 

P/1 – Isso, isso. 

 

R – No início era uma coisa assim meia, tinha aquele espaço do berçário que agora eu não tô lembrando do espaço. Havia 30 berços, criança não precisa ficar em berço e isso me incomodava, por mais que ficava. Tinha um espacinho, um quadradinho assim onde as crianças brincavam ali. Até que eu conversei com a Ângela, falei: “Ângela, a gente precisa mudar aqui esses berços, não precisa tanto berço assim, a gente coloca colchonete, uma coisa”, ela: “Mas não é que eu tenho essa mesma idéia?”. Porque a Ângela tinha essa idéia mas como outras não, né? Aí eu falei: “Então eu posso tirar um pouco?” Ela: “Não, pode.” Tirei dez, foi ótimo! As meninas falavam: “Rosa, onde que nós vamos por essas crianças, Rosa?” “Não, tem é colchonete, eles dormem no colchonete esses maiorzinhos”. Aí foi indo, foi indo. Eu sei que no fim tínhamos seis berços só. E isso foi uma das mudanças que. Outra mudança assim foi a abertura do berçário, né, que o berçário foi crescendo muito então teve que ir abrindo mais, a gente foi ganhando mais espaço, mais um espacinho maior, tirou uma sala dali ficou pra gente, a gente ia sempre ganhando isso. E uma coisa também que é assim: a Avon sempre deu pra gente aquela, aquele respaldo, aquela confiança, aquela segurança que a gente tava fazendo, fazendo o melhor.

 

P/1 – Então começou numa sala pequena e foi crescendo? Como é que era a estrutura mesmo?

 

R – O berçário ele começou ele tinha um salão, tinha uma salinha que era a cozinha, e a sala de banho, né? E nesse salão tinha 30 berços e um espaço assim, um quadradinho que nem esse aqui que tinha um colchonete no meio, os bebês-conforto onde as crianças brincavam. Então isso era como pra ficar com 16 crianças, com 20 crianças ali é muito complicado. Foi onde a gente foi pedindo, falando, à medida que foi tirando os berços foi abrindo mais, foi ampliando mais. Então as crianças ficavam mais brincando, mais no chão engatinhando, se ela acordava, se ela tava dormindo e acordava ela já podia engatinhar, e tá ali a gente por perto do que ela ficar no berço, criança não foi feita pra ficar num berço, né, ela tinha que ter a liberdade dela. Foi onde foi crescendo, crescendo. Depois teve nós conseguimos lá fora um espaço, né, foi indo, foi ampliando. 

 

P/1 – E sempre foi no mesmo lugar?

 

R – Sempre no mesmo lugar, sempre no mesmo lugar. Tinha a sala da amamentação, a sala de banho depois foi numa reforma boa teve a sala de amamentação. A sala de banho ficou, era uma salinha pequenininha, sabe, não cabia duas pessoas ali e olhe lá, né, e aquele monte de bolsa, sabe? Aí foi ampliando, ampliando, hoje é o berçário que há lá, né?

 

P/1 – A gente passa lá a gente fica na janelinha olhando, tão bonitinho, né?

 

R – É aquele visor é muito, né, eu lembro muito bem que o pessoal falava assim: “Ai, eu quando tô muito nervosa lá em cima, tô com a cabeça muito quente venho aqui olhar um pouco pra me relaxar, né, pra ver essas crianças”. E é mesmo o pessoal.

 

P/1 – É. E como é que é. Bom, você chegou lá, você via aquelas crianças pequenininhas, você viu elas crescendo, foram embora e algumas voltaram adultas já. Como que era esse encontro?

 

R – É bacana você ver, sabe? Você sente, eu me sinto assim orgulho de ser mãe, né, não sou mas eu sinto esse orgulho, porque você vê que você teve aquele carinho, que aquela criança você cuidou tudo e agora você vê aquela criança ali, aquele jovem, né, ali com você trabalhando, já trabalhando na empresa ou vem visitar a gente, isso é muito, dá um...

 

P/1 – Teve vários casos, né?

 

R – Teve vários casos.

 

P/1 – Das pessoas voltarem pra trabalhar...

 

R – É uma coisa interessante que eu até trouxe uma foto aí de uma meninha, ela foi uma das primeiras do berçário. Um dia eu tô numa loja pra pagar um carnê ela falou assim: “Senhora, a próxima”. Eu fui no caixa aí ela olhou bem pra mim e falou assim: “A senhora é a Rosa, dona Rosa, não é?” Eu falei assim: “Eu sou!” Eu falei: “ela deve ter lido o meu nome no carnê”; Ela falou assim: “Sabe que a senhora me cuidou?” E eu levei um susto assim, “Eu te cuidei?” Ela falou: “É, eu sou do berçário, eu fui do berçário, a minha mãe trabalha lá, né? A senhora me cuidou. Que alegria de ver a senhora!” A menina, nossa, foi assim (risos).

 

P/1 – Foi emocionante!

 

R – Foi emocionante pra mim ver aquela... E todas as crianças que eu vejo eu sinto essa emoção, eu sinto esse carinho. Teve, teve crianças que chegou lá, tinha assim algumas dificuldades de. Eu fui fazer o meu curso de massagem pra mim poder ajudar essas crianças na dificuldade no andar, no. Então eu fui fazer isso, fui fazer isso, depois eu uma criança teve lá ela tinha, ela precisava passar na fisioterapia, eu fui junto com a mãe, fui junto pra acompanhar pra depois a gente, eu colocar isso no berçário, dar, continuar esse andamento, sabe, porque eu acho que o berçário é a segunda casa da criança, então não é tá lá no berçário, a gente tem que realmente fazer algo por eles. 

 

P/1 – Então você fez cursos assim durante...

 

R – Eu fiz, fiz muito curso.

 

P/1 – É? Quais cursos?

 

R – Eu fiz o curso de shantala, de massagem, depois eu fiz shantala. Eu fazia tudo quanto é curso assim de especialização assim, sabe, pra tá colocando coisas melhores ali, né?

 

P/1 – Muito bom. E quais foram os principais desafios que você viveu ali na Avon?

 

R – Desafios? (risos) Olha, tive desafios, né, porque se a gente não tiver desafios na vida não. Assim, eu morava muito longe, um desafio meu era esse: morava muito longe, no começo eu não tinha carro, saía de madrugada de casa pra chegar. Eu sempre cheguei na Avon cedo porque eu queria entrar, estar sempre acompanhando o início do trabalho e meu horário, né? E isso pra mim é assim, é levantar de madrugada, não tinha, isso pra mim era um desafio, sabe? Levantar de madrugada, pegar um ônibus, pra depois pegar o da empresa. Depois com o tempo a empresa colocou ônibus até São Bernardo, né, mas no começo foi esse o desafio. E outros assim de, agora assim não tô lembrada mas foi muita coisa. 

 

P/1 – E alegrias, quais foram as alegrias?

 

R – Alegrias foram muitas (risos). Muitas mesmo! desde o primeiro dia que eu comecei a trabalhar na Avon pra mim foi uma alegria, e é até hoje porque mesmo saindo da Avon eu sempre tenho alegrias, a empresa me dá essas alegrias. 

 

P/1 – Certo. E o que você considera, Rosa, a sua principal realização na Avon?

 

R – Foi o meu trabalho, né, foi. Eu cheguei, cheguei pra trabalhar num local onde eu não sabia, e essa, né, essa vontade de sempre querer fazer mais, sempre querer dar o melhor. Eu achava assim: eu tinha que dar o melhor pra aquelas crianças, né, porque isso é uma coisa que a empresa confiava na gente, né? Então isso pra mim foi muito. 

 

P/1 – E como é que era o relacionamento com as mulheres lá no berçário? Você entrou como o que mesmo?

 

R – Eu entrei como lactarista na época, né, lactarista.

 

P/1 – E aí você chegou a líder do berçário.

 

R – Trabalhei seis meses, aí saiu a chefe do berçário e passou uma das meninas que eram da enfermagem passou a ser a líder, então eu fui pro corredor, trabalhei acho que uns dez anos nessa área e depois que fui pra líder. Depois essa outra saiu eu fui ser a líder. Sempre me dei bem com todo mundo, eu sempre. Às vezes a gente tem uma coisa ou outra, mas isso é de… né? Mas sempre assim tanto me dei bem com a chefia, com as meninas tinha um relacionamento muito bom e com as mães, principalmente.

 

P/1 – O quê que você acha que a Avon representa pros funcionários que trabalham lá?

 

R – Eu acho assim, eu vou falar por mim, a Avon representa pra mim um equilíbrio, né, eu acho assim. Eu sempre tive na Avon isso, ela me deu sempre esse equilíbrio pra mim crescer, essa oportunidade pra mim crescer, ser alguém, né? Tudo, essas alegrias, tudo que eu tive eu tive com a Avon. Então pra mim, eu falo de mim. E eu tenho certeza que muitos que eu conheci e com quem converso, a Avon é uma empresa realmente voltada pro funcionário, né?

 

P/1 – Certo. E tem algum caso engraçado que aconteceu no berçário que você se lembra? Aquela criançada toda lá?

 

R – Ai tinha muitos casos. Assim de momento... Tinha, né?

 

P/1 – De alguma criança que te deu um trabalho a mais, alguma coisa assim?

 

R – Tinham crianças que davam, que eram muito danadas, muito danadas. Tinha uma criança que chorava tanto, ela não dormia e ela na hora... Que o berçário tinha uma rotina: a criança chegava, brincava, almoçava, depois ela ia dormir, né, era normal, até podia almoçar, ficava um pouquinho e ela já ia, ela dormia. E essa criança não dormia, ela é um desafio pra gente fazer essa criança dormir, né? E nós passávamos, ficávamos horas e horas ali com ele tentando uma só ficava dedicada a essa criança pra dormir, e ela não dormia (risos). Era um desafio pra gente. Foi um desafio. 

 

P/1 – E acordava os outros, ou não? Ficava mais quietinha?

 

R – Não, ela acordava os outros, tanto que nós tínhamos que fazer, ir pra um outro lugar pra fazer ela dormir, ficava só uma das tias lá com ela naquele lugar, ou ficava no colo até ver se ela dormia. E a mãe falava: “Não sei o que eu faço mais com ele”; “Ah, é assim mesmo, é assim mesmo” (risos). E muitas coisas, teve criança que, teve um que fugiu um dia, fugiu assim e não sei como ele conseguiu abrir a cerquinha e saiu, foi assim (risos). Foi uma...

 

P/1 – Descobriu como que ele tinha fugido?

 

R – Não, assim, a sorte que nós vimos logo, né? Mas assim que ele saiu, e inclusive a mãe dele até trabalha hoje, ainda trabalha lá ela sabe (risos), foi triste! Teve um outro que ele era muito danado, muito danado, um dia ele tentou descer do berço, nosso coração ficava, tinha dia. Eu era assim, quando tinha alguma coisa eu ficava com os meus lábios brancos, brancos, as mulheres: “Calma, Rosa, calma!” (risos).

 

P/1 – Ia ficando pálida!

 

R – “Calma, Rosa, calma”. “Não, mas...” Depois eu ficava assim, mas eu fazia as minhas coisas normais, sabe? Mas todo mundo via que eu tava completamente passada ali, mas normal. Muitos casos, muitas coisas. 

 

P/1 – Bom, vamos continuar. Rosa, você é casada?

 

R – Não.

 

P/1 – Não é casada?

 

R – Não.

 

P/1 – Não. Não tem filhos, né, você falou. E o que mais você gosta de fazer em horário de lazer?

 

R – Eu gosto, eu gosto de cantar, sabe? Gosto de cantar, gosto de cozinhar, cozinhar. Gosto assim de tá com pessoas, sabe, tá no meio de amigos. Nesse grupo que eu tenho do coral nós temos um grupinho de colegas que tá sempre saindo, sempre passeando, viajando, isso pra mim é muito gosto porque você esquecer um pouco que você não trabalha mais, no começo que eu saí da Avon foi assim muito triste pra mim... Eu tive assim, uns meses de superação assim muito complicados, mas não queria ver assim ninguém sabe, tava assim. Mas depois foi indo, foi indo, foi voltando pro meu normal, porque é uma coisa que tá me, eu decidi, a firma estava terceirizando mas eu fui convidada, mas eu não quis porque eu achava que a terceirização... tudo... não quis saber. Então foi indo, foi indo, fui superando e aí passei a estar nesse. Já tinha esse grupinho, como eu fiz terceira idade, faculdade da terceira idade, já vinha por esse processo, acho que eu já tava me preparando pra esses momentos. E o coral que a gente passeia muito, canta muito, então isso foi muito bom. 

 

P/1 – Que coral que é?

 

R – Eu canto no coral Som Maior ali na Santo Amaro, era da Faculdade Costa Braga. E também canto no coral da Metodista lá em São Bernardo do Campo. 

 

P/2 – E vocês fazem apresentações?

 

R – Fazemos. 

 

P/2 – É? Onde você canta?

 

R – Em vários lugares, inclusive até na Avon nós fizemos quando eu tinha, estava lá nós fizemos um dia das mães, o coral foi cantar pras mães.

 

P/2 – E canta todo tipo de música?

 

R – Todo tipo de música. E também esse trabalho voluntário, né, que eu tô fazendo no Hospital de combate ao câncer. Eu tô trabalhando com idosos.

 

P/1 – Esse trabalho voluntário é com idosos?

 

R – É com idosos, né?

 

P/1 – Entendi. 

 

R – Porque eu não quis ir trabalhar com criança que achei que eu quero guardar a imagem, uma imagem que eu tinha do berçário. E esse outro trabalho, não é que, é útil e tudo mas eu acho que eu ia me sentir muito, muito amargurada, sabe? E com idosos eu tô me superando. 

 

P/1 – Parabéns! Então houve uma terceirização no berçário?

 

R – Houve uma terceirização.

 

P/1 – E como é que ocorreu isso? Foi aos poucos?

 

R – Assim, foi assim, não foi tão pra nós ali dentro do berçário, não. Foi assim, aos poucos, mas assim... Lá dentro eles sabiam, nós que ficamos sabendo depois. Vou te falar, nós ficamos, eu fiquei sabendo acho que um mês antes da terceirização.

 

P/1 – Entendi. E aí é uma troca de pessoal?

 

R – É, houve assim uma troca de, é uma empresa entrou pra fazer esse serviço. Ficaram algumas meninas, outras saíram tanto em Osasco como Interlagos. 

 

P/1 – Osasco tem berçário também?

 

R – Tem.

 

P/1 – E como que é o berçário de Osasco? Eu não sabia. 

 

R – É igual ao de Interlagos só que era um pouquinho menor, mas assim as mesmas...

 

P/1 – E você chegou a trabalhar lá?

 

R – Eu só cobri umas férias lá. Porque uma das meninas que trabalhavam com a gente foi pra lá, foi ser a líder lá.

 

P/1 – Entendi. Bom, você contou que a sua mãe vendia o Avon, né? 

 

R – Avon. 

 

P/1 – Os produtos da Avon. Quê que você acha dessas vendas que a Avon trabalha, né, que a gente chama de venda direta, né, que a venda de porta em porta.

 

R – Venda direta.

 

P/1 – Qual que é a importância disso pra Avon?

 

R – Inclusive agora eu vendo Avon (risos)! Eu sou vendedora Avon, no coral como falam “Rosinha da Avon”, para quando eu chegar (risos). É assim, é muito, muito interessante, é uma coisa muito bacana porque você tem a oportunidade... a pessoa tem a oportunidade de receber esses produtos em casa, de receber a pessoa, a revendedora que vai tá explicando, tá falando ela não tem esse trabalho de tá saindo, isso é muito bom. 

 

P/1 – E essa oportunidade que a Avon dá, né, pras mulheres...

 

R – As mulheres, isso é muito bom, né? A minha mãe pra ela era assim uma coisa, né, muito boa, ela vendia, tinha aquela alegria de, sabe, de receber os produtos. E a mesma coisa acontece comigo porque às vezes a caixa chega eu já quero abrir a caixa rápido, né? “Ah, deixa eu ver o que veio”, sabe aquela alegria de receber a caixa. E uma outra coisa também que a Avon manda pros aposentados, né, o catálogo antecipado, é gostoso você saber que você já tá recebendo aquele catálogo, você já sabe que você vai, né, ter. Isso é muito bom!

 

P/1 – E a Avon é no Brasil inteiro, né? 

 

R – O Brasil inteiro (risos).

 

P/1 – Ela tá vendendo, né? E graças a ela um monte de mulheres podem, né, tá chegando, tendo os produtos...

 

R – Tendo os produtos. 

 

P/1 - .... Avon de beleza. Como que você vê isso, essa facilidade que todas as mulheres do Brasil poderem usar os produtos de beleza?

 

R – Eu acho muito bacana porque é a maneira, quem que não gosta de passar um batom, pó, usar um creme, né? E se você tem essa oportunidade de ter à mão, porque uma revendedora passa depois de uns dez dias no máximo assim tá ali já pra você, isso é. Quando sai os lançamentos você já sabe o que tem, você já vai usar, né? É interessante que lá no coral as meninas falam assim: “Mas esse creme é bom mesmo, Rosa?” Principalmente esse novo o Reniew, né? Eu falo: “Ah é, olha eu como eu tô usando, eu uso direto”. Eu uso mesmo. “Ah, mas é mesmo, porque você não aparenta ter essa idade que você tem” (risos) “Não, pode confiar porque...” (risos).

 

P/1 – É o segredo então, né?

 

R – É o segredo (risos). É muito gostoso. E tem gente que quer pronta entrega, tem gente que já quer o produto na hora, principalmente as minhas amigas acha que “Não, você tem que trazer pra mim logo”. Isso é legal porque... E você tem essa oportunidade, você como revendedora de comprar antes, de ter, sabe? Isso é muito bom! Isso é muito bom!

 

P/1 – E você vende bastante?

 

R – Eu vendo, né? Eu vendo muito Reniew, batom… Porque elas gostam.

 

P/1 – O quê que vende mais?

 

R – Reniew e batom.

 

P/1 – Reniew e batom?

 

R – É, vende mais que elas gostam, gostam muito de batom vermelho (risos) e o Reniew, né?

 

P/1 – E o Shopping Mais?

 

R – O Shopping Mais também vende.

 

P/1 – Vende bastante?

 

R – Vende. Eu praticamente vendo mas não vendo tanto como poderia vender mas vende, elas pedem.

 

P/1 – Que produto vende mais, você lembra?

 

R – Elas pendem muito sandália, essas sandálias, né, esses produtos de casa, elas vendem bastante, elas compram bastante. É isso. 

 

P/1 – Tá. Bom, a Avon ela sempre tá preocupada com essas ações sociais, você é um exemplo disso, né? Quê que você acha dessa valorização que a Avon dá, essas ações sociais?

 

R – É muito importante, é muito importante. Eu acho que é uma maneira assim, a Avon tá, ela tem um vínculo com o público, né, com esse público e isso cresce mais a empresa, crescem as pessoas que recebem isso, é muito importante.

 

P/1 – E como é que você vê a atuação da Avon no Brasil? Esse alcance?

 

R – Ah, isso é... Essa liderança, né, que você fala, né? É uma liderança da Avon, é uma coisa assim inexplicável, né? Eu lembro muito bem que quando eu trabalhava lá tinha, quando tava assim o Brasil com essa falta, decadência, essas coisas, a inflação, essas coisas, a Avon tava sempre crescendo, sabe? Então a gente comentava: “Poxa vida, o Brasil tá nessa inflação e a Avon sempre crescendo, como é legal, né? Como é bacana isso pra gente, pra empresa esse crescimento”. Eu acho muito importante. 

 

P/1 – Que fato mais marcante que você presenciou ao longo dos anos na Avon?

 

R – Fato da empresa?

 

P/1 – É, quê que você presenciou ali que foi marcante pra você? Ou dentro do berçário mesmo.

 

R – Fato marcante? Ah, tem tanta coisa que agora some da cabeça (risos). Umas coisas que existiam muitas, muitas festas na Avon, muitas coisas, isso era muito gostoso pra gente na Avon. Esse valorização do PIB, não sei, que diz que existia lá dentro que o funcionário tinha a participação dos lucros isso era pra gente era muito bacana porque a gente lutava, né, junto com a parte dirigentes, tudo, lutava que isso chegasse no fim do ano a gente ter essa oportunidade de receber esses, essa, isso era muito marcante. Assim que eu lembro acho que era, tem muita coisa mas assim na hora que a gente conversando não veio, né? (risos).

 

P/1 – Não tem problema. E quais foram os maiores aprendizados de vida que você tirou desses anos de trabalho?

 

R – É respeitar muito o ser humano; tanto a parte do Avon com os funcionários sempre respeitou muito, e assim lá no nosso trabalho. 

 

P/1 – Tá certo. E a Avon ela tá comemorando os 50 anos, né?

 

R – 50 anos.

 

P/1 – E o quê que você acha da Avon tá resgatando essa memória através desse projeto aqui que você tá participando?

 

R – Eu achei bárbaro! Nossa! Acho assim uma coisa. Assim, pra gente que recebe é uma, um convite desse pra participar é uma alegria, sabe, saber que você, né, tá sendo lembrado, você, sabe? Isso pra mim foi muito importante. E tenho certeza que pra empresa também, né? Assim, eu fiquei muito feliz. 

 

P/1 – E o quê que você achou de ter dado essa entrevista?

 

R – (risos) Fiquei feliz. 

 

P/1 – Gostou?

 

R – Gostei muito, agradeço muito por essa, né, por ter sido convidada por falar um pouquinho. Peço perdão se eu não falei tudo que a gente esquece, não é que esquece a memória tem que ser puxada (risos). E pra mim foi muito, tô muito feliz mesmo desde o dia que eu recebi o telefonema, sabe, eu fiquei assim... Interessante que naquele dia eu tava assim meia triste, naquele dia eu tava meia assim triste em casa, né? Tinha recebido uma notícia de uma amiga, tava assim triste, de repente toca o telefone, né, era você, né? Acho que era você que ligou e quando eu recebi eu esqueci tudo, eu comecei a dar risada, falar “Poxa vida, que bacana, né? Você saber que você foi lembrada pela empresa”. Isso foi muito bom. 

 

P/1 – Tá ótimo!

 

R – Agradeço muito.

 

P/1 – Quer retomar algum assunto?

 

P/2 – Quer contar mais alguma coisinha pra gente?

 

R – Sabe que agora eu tô tão emocionada (risos). 

 

P/1 – Mas é assim mesmo, a gente se recorda das coisas, né?

 

R – Eu tô super emocionada que, sabe, foge muita coisa cabeça da gente. 

 

P/1 – Então tá bom. Mas a gente ficou feliz que você participou. Muito obrigada, o Museu da Pessoa agradece, a Avon também, obrigada pela sua participação.

 

R – Ah, muito obrigada!

Ver Tudo PDF do Depoimento Completo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+