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História

Ajudando a realizar um grande sonho

História de: Maria Teresinha Jordão
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 10/03/2021

Sinopse

Maria Teresinha nasceu no subúrbio da capital do Rio de Janeiro. Conta que estudou em colégio público, fez faculdade de Direito e conta como ingressou no BNDES. Relembra a história do André, um funcionário que trabalhava no mesmo departamento que ela e que os funcionários ajudaram ele a realizar o seu sonho: fazer uma faculdade.  

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História completa

P/1 – Boa tarde.

 

R – Boa tarde.

 

P/1 – Bom, para começar a entrevista, eu vou fazer umas perguntas para a gente identificar, um pouco, o seu perfil. Eu gostaria que você dissesse qual o seu nome, local de nascimento e a data?

 

R – O meu nome é Maria Teresinha Jordão, sou nascida aqui no Rio de Janeiro, em 24/05/1955.

 

P/1 – E você morou a sua vida inteira aqui no Rio de Janeiro?

 

R – Sempre no Rio de Janeiro.

 

P/1 – E os seus pais também são do Rio de Janeiro ou não?

 

R – Não, o meu pai é de Portugal e a minha mãe é da Tchecoslováquia, República Tcheca.

 

P/1 – Ah, e como é que eles vieram parar aqui, no Rio de Janeiro?

 

R – Eles vieram como imigrantes. O meu pai com dez anos e a minha mãe com cinco anos.

 

P/1 – E qual era a profissão deles?

 

R – A minha mãe era costureira, mas ela não trabalhava fora de casa. O meu pai começou como servente de obras, quando eu nasci, e acabou aposentando-se como mestre de obras.

 

P/1 – Bom, agora eu vou passar logo para a sua vida. Na sua infância, você morou em que lugar do Rio de Janeiro?

 

R – Ah, eu morava no subúrbio do Rio de Janeiro, morei em Brás Pina, Vaz Lobo.

 

P/1 – E estudou onde?

 

R – Eu estudei em colégios públicos, e quando entrei no Banco tinha só o segundo grau.

 

P/1 – Você chegou a fazer alguma faculdade, não?

 

R – Fiz faculdade de Direito, já trabalhando no BNDES.

 

P/1 – Aonde? Faculdade de Direito, qual?

 

R – A Cândido Mendes, no Centro.

 

P/1 – Em que ano que você entrou no BNDES?

 

R – Eu entrei no BNDES no ano de 1976.

 

P/1 – Certo. Quais eram as suas atribuições, o seu cargo logo que você entrou?

 

R – Eu entrei como auxiliar de administração, e em 1980 eu passei a ser secretária.

 

P/1 – E quais eram as suas atividades nessa área, o que você fazia?

 

R – Fazia os serviços que uma secretária faz, atender ligações, bater memorandos, cartas, arquivo.

 

P/1 – Certo. E eu gostaria que você contasse para a gente agora, algumas lembranças marcantes da sua trajetória aqui, no BNDES, algo que te deixou registrado na sua memória?

 

R – Eu tenho orgulho de contar que em 1990, quando eu comecei a trabalhar no Departamento Área Operacional 1, Depan 1, doutor Mílton Dias, lá chegando, encontrei um mensageiro que a gente chama carinhosamente de Menudo, muito inteligente, perspicaz...

 

P/1 – Você pode me dizer o nome dele?

 

R – O André, André Luiz. Ele gostava de atender bem à todos e tinha a ânsia por saber. Se destacou muito lá no nosso departamento, e nós queremos homenagear o André, e queremos mostrar o quanto ele cresceu e como está o André agora, o nosso menino.

 

P/1 – E o que vocês fizeram com esse menino?

 

R – É o seguinte: o André foi fazer vestibular e ele não podia pagar uma faculdade. Por uma influência até de uma colega nossa, a Bete Tujal, que eu acho que todos conhecem, ele fez vestibular para Ciências Contábeis e passou para a Gama Filho. Ele estava se desligando do Banco, mas como gostávamos muito do André e apostávamos nele, nós resolvemos pagar essa faculdade para ele. Nós, eu digo, um grupo de quinze pessoas, todos que trabalhavam próximo ao André, nos cotizamos e pagamos a faculdade do André.

 

P/1 – Era faculdade do que ele fez?

 

R – Faculdade de Ciências Contábeis.

 

P/1 – Onde?

 

R – Na Gama Filho. E o André saiu do BNDES e vinha todo mês aqui, eu fazia o recolhimento e o André vinha buscar o dinheiro, pagava, trazia o recibo, e trazia também as notas, o boletim escolar. Nós circulávamos entre os colegas e o André fez muito bem a parte dele. Se formou, nós fomos na formatura do André. Depois o André começou a trabalhar numa empresa, mas tinha uns pequenos detalhes que a Bete depois vai contar, ele tinha um sonho de trabalhar na Price, e aí a gente foi incentivando o André. E hoje em dia ele trabalha na Price, eu queria que ele viesse dar o depoimento dele, porque eu acho que é mais importante do que o nosso.

 

P/1 – Para finalizar a entrevista, eu gostaria de te perguntar, o que é o BNDES para a senhora?

 

R – Ah, o que é o BNDES é muito difícil da gente dizer. Eu tenho 25 anos de Banco, me orgulho de trabalhar no BNDES, eu acho que o BNDES mudou a minha vida. Eu sou classe de média... Ô, eu sou de classe pobre, pobre mesmo, eu nasci, o meu pai era servente de obras, passei no concurso do BNDES. Hoje em dia eu dou um conforto para as minhas filhas, que só é possível por eu trabalhar aqui. Então, eu tenho... Eu sei que eu faço a minha parte, eu sei que nada no mundo é de graça, a gente tem que fazer a nossa parte, mas eu acho que o BNDES contribui muito. Eu tenho orgulho de trabalhar no BNDES.

 

P/1 – E para terminar, o que você acha de ter participado dessa entrevista e de estar sendo desenvolvido um projeto de construir a memória do BNDES, a partir dos depoimentos dos funcionários?

 

R – Eu achei uma idéia brilhante. Eu vim aqui porque eu queria deixar isso registrado para que outros colegas seguissem o nosso exemplo. Porque eu acho que tem muita gente precisando de um pouquinho de ajuda, um empurrãozinho para se revelar, então eu acho isso muito importante esse trabalho, por isso que eu queria divulgar esse nosso trabalho também.

 

P/1 – Está bom, obrigada.

 

R – Por nada.

 

P/1 – Foi ótimo.

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