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História

Os segredos do turismo

História de: Aguinaldo Rodrigues da Silva
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 13/04/2021

Sinopse

Memórias dos avós. Influência portuguesa na família. Lembranças do pai trabalhando como professor. Memórias da infância e do colégio, em Ribeirão. A cidade e as ferrovias. Primeiro emprego, em uma rádio local. Mudanças e transformações de Ribeirão Preto. Períodos de inflação. Desafios de presidir um sindicato. Trabalho de conselheiro no SESC.

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História completa

            Eu nasci em Ribeirão Preto, em 14 de maio de 1941. Só pra referência, em 1942 fundou-se o Sindicato de Turismo e Hospitalidade em Ribeirão Preto. Eu tinha um ano de idade, e ele já existia.

            Os meus avós paternos eram portugueses. O meu avô era agricultor. O pai dele, agricultor de café, se instalou no Rio de Janeiro. E ele veio pra Ribeirão Preto pra explorar essa área. No início, ele veio como administrador de fazenda, que era o emprego mais top, um dos salários mais bem pagos naqueles tempos. Depois ele teve sua própria fazenda. E muita coisa que eu sei da agricultura da época, inclusive do crack de 1929, foi contada por ele. O grande valor de Ribeirão Preto na época era a qualidade da terra, que é a terra roxa. A produtividade em Ribeirão era muito maior do que em qualquer outro local.

            A ferrovia Mogiana era mais uma ferrovia de transporte, pra transportar a grande produção que tinha em torno de Ribeirão Preto. Antes era a cafeicultura, mas depois veio a cana de açúcar e depois, o álcool. O Proálcool foi feito em Ribeirão Preto, assinado pelo presidente Ernesto Geisel aqui em Ribeirão, em 1975. A grande vantagem da nossa cidade é que, tanto os cafeicultores quanto o pessoal do açúcar e álcool, os usineiros, deixaram muitas marcas. Eles construíram aqui, e muitos entraram na indústria, no comércio. Na época, nós tivemos a vinda da Coca-Cola, que veio pra cá com o capital de usineiros. Teve usineiro que entrou no segmento da construção civil, quando houve aquele grande boom de construção de prédios na década de 70.

            Enfim, de 2000 pra cá, nós tivemos o investimento no setor imobiliário, de empresas de São Paulo. Grandes empresas de São Paulo já vieram em bloco: construtoras, investidores, as imobiliárias, os corretores.

            Mas eu também lembro de Ribeirão Preto da década de 40. A cidade se formava do lado da Praça XV, estava por ali. Então, nós tivemos muitas construções copiando as construções francesas. A história que contam é que Ribeirão Preto tinha muita coisa da França - Petit France, Petit Paris, uma coisa assim.

            E eu fui entregador em uma padaria. Depois eu fui pra uma livraria e depois para um escritório. Fui melhorando na minha carreira. Mais tarde, eu tive um pequeno comércio com o meu pai. E aos 19 anos, eu estava trabalhando numa rádio, a PRA-7, uma das mais antigas do Brasil. Comecei a trabalhar em rádio, como repórter político. Junto a isso, logo em seguida, eu fui também trabalhar no jornal. Foi nessa idade, com uns 19 anos, quando o Sesc foi inaugurado em Ribeirão Preto - o prédio do Sesc, em 1962.

            Mas quando eu estava em jornal, fui convidado pela Folha pra escrever e ir pra São Paulo. Eu tinha um amigo que já trabalhava na Folha, que era de Ribeirão Preto, o Roberto Muller, e ele me chamou. Mas ao mesmo tempo, um parente próximo me chamou pra trabalhar no comércio. Aí eu fui me consultar com a grande liderança comercial em Ribeirão Preto, chamado Amin Antonio Calil. Eu venero esse homem como uma grande liderança, porque através dele Ribeirão Preto se desenvolveu. A vinda do Sesc e do Senac foi um trabalho dele como presidente da Associação Comercial e Sindicato do Comércio Varejista. Eu fui entrevistar esse Amin Antonio Calil pro jornal e pra rádio e me aconselhei com ele: “Senhor Amin, eu fui convidado pra ir pra São Paulo, trabalhar no jornal, a Folha. E, ao mesmo tempo, um parente está me chamando pra trabalhar no comércio. O que o senhor acha?”. Ele falou assim: “Se você quer ganhar dinheiro, você vai pro comércio. Se você quer viver de ilusão, você vai trabalhar no jornal”. Então, eu fui pro comércio!

            Na época, eu fui trabalhar num comércio de joalheria, que era de um parente, e fiquei um bom tempo lá. E depois eu montei a minha loja, também de joalheria, por muito tempo eu fiquei com ela. Mas depois eu saí do ramo e entrei no ramo de agricultura - nós tínhamos uma pequena propriedade rural, fora de Ribeirão Preto. E depois eu voltei pra prestação de serviço, pois tinha uma empresa de terceirização de serviço. Fiquei com ela até me aposentar.

            Quanto a Bonfim Paulista, o distrito é mais velho que Ribeirão. É que no início, pertencíamos a São Simão, como Ribeirão Preto. O meu pai nasceu em Bonfim Paulista, e lá, como Ribeirão, era um vilarejo ligado a São Simão. Quando Ribeirão Preto teve sua grande explosão econômica, abafou Bonfim Paulista, e Bonfim passou a ser distrito de Ribeirão Preto, como foi em Guatapará e Dumont. Dumont era um distrito de Ribeirão Preto, de onde vem a família do inventor do avião, Santos Dumont. Hoje, Bonfim Paulista já está ligada a Ribeirão, e o progresso foi lá pra Bonfim, com grandes condomínios de alto nível.

            Então, Ribeirão sempre foi um centro regional. Por que as cervejarias estavam em Ribeirão Preto? (Antártica, Companhia Paulista). É um centro regional, e a qualidade da água é o que dá uma boa cerveja. Com a saída da cervejaria de Ribeirão Preto, da Antártica, só ficou aqui o Pinguim - ainda bem, que é da Antártica também. As grandes cervejarias foram embora, mas foram criadas as cervejarias artesanais aqui. Hoje Ribeirão Preto tem aproximadamente 12, 13 cervejarias artesanais. Criaram esse polo cervejeiro.

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