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História

"Agora, mãos à obra"

História de: José Ribeiro Montarroyos
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 16/10/2015

Sinopse

Aos oito anos, José Ribeiro Montarroyos ficou órfão e foi morar com a madrinha e seus filhos. Logo aos 17 anos, no ínicio da vida adulta, é empregado na Companhia Vale do Rio Doce e assim, custeia o curso de Odontologia. De amanuense a chefe de serviço, vivenciou toda a transição administrativa da companhia até se aposentar, deixando o legado de trabalho ao filho e neto, funcionários da CVRD até então. Nesse depoimento, Montarroyos conta sobre sua relação com os acontecimentos que marcaram a história da companhia e também, sua mudança do Rio de Janeiro para a casa do filho. 

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História completa

P/1 – Por favor diga seu nome, o local e a data de nascimento.

 

R – Meu nome José Ribeiro Montarroyos, nasci na Guanabara, Rio de Janeiro, em 3 de abril de 1909.

 

P/1 – Nome do seus pais?

 

R – Florentino Ribeiro Montarroyos.

 

P/1 – Mãe.

 

R – Adelina Rosa Montarroyos.

 

P/1 – Qual era a atividade profissional de seu pai?

 

R – Isso eu não posso... é muita lembrança que nós temos, porque eu perdi meus pais com 8 anos e para mim foi um flagelo porque perdemos tudo. Meu pai tinha aquele depósito, então sumiu tudo e eu não tive nada, nada do meu passado, antes de 8 anos. Perdi meu pai, minha mãe. Minha mãe perdi em 11 de março de 1917, ela nasceu e morreu no mesmo dia. 11 de março de 1917. Meu pai eu não tenho a data perfeita porque foi na espanhola, ele estava em Santa Cruz, morreu lá e tudo sumiu. Toda a documentação. Isso eu sei através da minha madrinha. Perdeu tudo, não tinha mais nada, nada, então depois de 8 anos, eu fui criado por minha madrinha que tinha seis filhos e era viúva. Veja que dificuldade de vida. Fui criado por ela, estudei e comecei a minha vida. Entrei na Companhia quando eu já tinha 17 anos.

 

P/1 – O senhor tem irmãos?

 

R – Não, sou filho único.

 

P/2 – Sr. José, o senhor lembra um pouco a casa de seus pais?

 

R – Não, isso eu tinha idade de muito novo, eu morava na Rua Ibituruna perto da Quinta da Boa Vista. Aí eu me lembro quando eu tinha ainda 4 anos ou 5, quando eu caí no tanque e estava sendo afogado quando fui salvo pela minha irmã de criação, filha da minha madrinha. Depois meus pais morreram e eu fiquei com minha madrinha. Cursei todo o primário e depois só fui fazer os estudos mais profundos, preparatório e tudo, quando já estava trabalhando na companhia. Eu entrei na companhia... pode falar?

 

P/2 – Eu ia só voltar na casa de sua madrinha, o senhor se mudou para a casa dela quando seus pais morreram?

 

R – Isso nós mudamos da Rua Ibituruna para a Rua Tavares Pereira no Rocha. Minha madrinha, com seis filhos, era viúva. Minha mãe morreu no hospital e meu pai morreu em Santa Cruz na espanhola, que não sei nem como foi e porque foi um flagelo, foi um desastre na minha vida, então minha vida começou quando eu fui criado por minha madrinha.

 

P/2 – Como era o cotidiano na casa de sua madrinha com os filhos dela, sua infância, as brincadeiras?

 

R – A casa da minha madrinha, ela adquiriu dos parentes dela. Casa com quatro quartos, sala de jantar, sala de visita. Uma casa modesta.

 

P/2 – E as brincadeiras de infância?

 

R – As minhas brincadeiras eram brincadeiras de infância: jogar bola de meia, lá naquela época.

 

P/1 – Como era a cidade na época?

 

R – A cidade do Rio de Janeiro, naquela época, era uma cidade que tinha os bondes e tinha a estrada de ferro. Eu morava no Rocha.

 

P/2 – O senhor começou a estudar, fez o primário...

 

R – Eu estudei, eu tinha uma irmã que era doente. Eu fiquei muito tempo em Friburgo. Eu estudei lá um pouco. Aonde eu ia, eu estudava, mas comecei meus estudos fortes foi quando eu iniciei na Companhia Vale do Rio Doce. Porque eu pagava os estudos e tirei todos os meus preparatórios, depois entrei para a Faculdade e me formei em Odontologia.

 

P/1 – O senhor já trabalhava na Vale, nessa época?

 

R – Eu já trabalhava na Vale. Quando eu entrei na Vale foi em 1927, então eu tinha 17 anos. Eu estudava a noite e aos sábados e domingos eu trabalhava no Jóquei para aumentar a minha receita e pagar os meus estudos. Assim eu tirei o diploma de Odontólogo.

 

P/1 – O senhor trabalhava na Vale fazendo o quê?

 

R – Quando eu iniciei eu era amanuense, era como ajudante de escriturário.

 

P/1 – Foi com esse dinheiro que o senhor estudava?

 

R – Eu fui subindo. Primeiro eu trabalhava na Vitória-Minas, depois veio a Companhia Brasileira de Mineração, aí depois o governo de Getúlio Vargas encampou a Brasileira de Mineração e fez a Companhia Vale do Rio Doce, que o primeiro Superintendente foi Israel Pinheiro e eu fui o primeiro funcionário da companhia que falou com ele. Aquilo que eu contei aí, que ele me perguntou como era a companhia. Eu fui descrevendo. No primeiro andar, ele tirou o paletó, arregaçou a manga e pediu uma tesoura. Foi dado a ele pelo secretário, a Celina e eu. Secretário Isaac, Dona Celina Coelho e eu. Ele levantou o braço esquerdo e com a mão direita, cortou a manga da camisa e disse: “Agora, mãos à obra!”, tempos depois saíram os cartazes vendendo ações da Companhia com o braço dele e o dizer “Mãos à obra”. Fui eu o primeiro funcionário que falou com Israel Pinheiro, superintendente da Companhia.

 

P/2 – Quando o senhor entrou na companhia, foi por vontade própria?

 

R – Não, aconteceu um fato interessante: eu fui comer numa pensão e conversando com um senhor, contei a minha história, que eu era órfão, perdi meu pai e minha mãe, fiquei órfão com 8 anos e eu queria trabalhar para estudar. Ele chamava-se Sr. Menezes, ele me disse que me arranjaria um emprego, arranjou o emprego na Companhia Vitória-Minas.

 

P/2 – Como era a empresa nessa época?

 

R – A empresa tinha uma estrada de ferro aqui, uma no Espírito Santo e a sede no Rio de Janeiro. Lá nós tínhamos mais ou menos 78 empregados e aqui 1.200.

 

P/2 – O senhor chegou a conhecer a ferrovia?

 

R – A ferrovia era de máquina à lenha e rachão. Ela foi feita pra trazer o minério de Itabira, mas o Presidente Bernardes, naquela época não quis que continuasse e aí a companhia parou. Então ela tornou-se uma empresa de transporte de madeira, de gado e de cereais. Só tempo depois que ela começou a fazer o transporte do minério para Vitória quando foi construído tudo isso que tem hoje aí, e vende esse minério para o estrangeiro.

 

P/2 – Quem eram os donos da Companhia?

 

R – A companhia não tinha dono, eram associados. Então o Presidente era Pedro Nolasco Pereira da Cunha e outros diretores.

 

P/1 – Como era o ambiente de trabalho nessa época que o senhor entrou?

 

R – O ambiente de trabalho aqui era um ambiente de ferroviário, do transporte ferroviário e no Rio de Janeiro era contabilidade que fazia toda companhia.

 

P/1 – O senhor era amanuense.

 

R – Eu era o auxiliar, um dos cargos mais baixos.

 

P/1 – O senhor poderia descrever como era o ambiente físico de trabalho? A sala onde o senhor trabalhava, a casa...

 

R – O prédio era próprio, tinha três andares. Embaixo era a contabilidade, no primeiro andar era a presidência, no segundo era a estatística e no terceiro era a contadoria, onde eu trabalhava.

 

P/2 – O que o amanuense fazia?

 

R – O amanuense era um serviço de auxiliar de escriturário. Eu então comecei a separar correspondência para ser distribuída para os funcionários.

 

P/1 – Quantos funcionários tinha na época?

 

R – Mais ou menos 70.

 

P/ - Como o senhor foi para a Odontologia que era tão diferente do...

 

R – Depois da Vale do Rio Doce, eu queria estudar Odontologia porque eu pensei que pudesse ser um Odontólogo da companhia, porque a lei obrigava a ter consultório dentário. Depois, eu já estava há 15 anos na companhia, tinha o lugar de chefe. Nunca abandonei, só dois anos é que eu cliniquei. Abandonei. A minha função foi executiva, assim eu fui até os meus 48 anos de serviço na companhia.

 

[Pausa]

 

P/2 – Sr. José, quando o senhor era amanuense, o senhor lembra quanto o senhor ganhava de salário?

 

R – Na época eram 200 mil réis.

 

P/2- O que dava para comprar com esse salário?

 

R – Dava bem. 200 mil réis era regular para uma pessoa de 17 anos. Eu morava lá com meus irmãos de criação, dava perfeitamente.

 

P/2 – Dava para ajudar nas despesas de casa?

 

R – Eu não dava dinheiro em casa, meu cunhado não recebia. Era para mim só, pagava os meus estudos e vivia com 200 mil réis. Corresponde a hoje um funcionário que ganha uns 600 cruzeiros, ou 400 talvez.

 

P/1 – Como era o Dr. Nolasco?

 

R – Dr. Nolasco Pereira da Cunha? Era um senhor de baixa estatura, calvo, claro e era muito simpático. Era o presidente da companhia.

 

P/1 – Como era de personalidade?

 

R – Isso ele tinha muita personalidade, era muito respeitado e tinha muita cabeça. Era um homem que dirigiu a Companhia. Todo fim de ano ia para Paris, passava lá uma temporada e depois voltava.

 

P/1 – Como foi que a companhia foi encampada pelo Grupo Banqueiros de Minas?

 

R – Encampada pela Vale do Rio Doce?

 

P/1 – Anteriormente ela não foi encampada por um grupo?

 

R – Um grupo de mineiros e depois o governo, com a Guerra, resolveu encampar essa Companhia Brasileira de Mineração e formou a Companhia Vale do Rio Doce, que foi o superintendente Israel Pinheiro. Fui o primeiro a falar com ele, o primeiro funcionário da companhia. E eu então expliquei a ele, toda a organização da companhia, rapidamente, e levei ao primeiro andar, para ele conversar com o secretário, que era  o Isaac e a secretária, Dona Celina. Eu já contei o fato: ele pediu uma tesoura, levantou o braço esquerdo, cortou a manga da camisa e disse: “Agora, mãos à obra”.

 

P/1 – O senhor contou essa parte para a gente. A parte dos mineiros, o senhor tem alguma recordação?

 

R – Não, aquela gente durou pouco, um ano e meio ou dois. A Vale do Rio Doce, ele levantou a mão e cortou a manga da camisa e disse: “Mãos à obra”, e foi por isso que a propaganda da Companhia  na venda de ações foi baseada neste ato dele e foi assistido por mim, Isaac- o secretário e Dona Celina e duas outras pessoas. Morreram todos, apenas eu estou vivo.

 

P/2 – Como o senhor ficou sabendo que a Companhia tinha sido encampada pela Vale do Rio Doce?

 

R – Isso os jornais deram e o Israel Pinheiro logo que chegou apresentou dessa forma: “Eu sou o superintendente da Vale do Rio Doce, nomeado pelo Dr. Getúlio Vargas”.

 

P/2 – O que mudou na empresa?

 

R – A empresa desenvolveu muito porque os americanos auxiliaram muito comprando minérios e desenvolveram a companhia para o que está hoje aí. Antigamente ela era muito mais simples, depois ela desenvolveu muito, foi no período da Vale do Rio Doce que ela se tornou o que é.

 

P/2 – Tinham americanos lá dentro?

 

R – Os americanos, quando a companhia foi encampada, vieram os americanos porque eles tinham capital na companhia. Depois eles foram embora.

 

P/2 – O senhor chegou a ter contato com eles?

 

R – Com americanos não. Naquela época eu trabalhava no serviço do pessoal.

 

P/1 – O senhor mencionou a Segunda Guerra.

 

R – Isso foi na Segunda Guerra.

 

P/2 – A Vale do Rio Doce sofreu algum impacto da Segunda Guerra Mundial?

 

R – Que eu me lembro não. Ela transportava era muito minério.

 

P/2 – O senhor se lembra de alguma história de navio de minério ter sido afundado?

 

R – Não, a Companhia formou a DoceNave que era a subsidiária da companhia, a DoceNave tinha toda a frota de minério. Levava o minério para a América, para a Europa, para a Ásia.

 

P/2 – O senhor sabe na Segunda Guerra, de algum afundamento de navios pelos alemães?

 

R – Não, lia pelo jornal, mas não tenho conhecimento de fato não.

 

P/1- Quando virou Vale do Rio Doce, o que mudou?

 

R – Quando formou a Vale do Rio Doce, os presidentes já eram indicados pelo Getúlio Vargas, pelo Presidente da República. Formou a Companhia e a Diretoria. Presidente com os diretores e auxiliares: engenheiros, chefes e todo o corpo de funcionários. Não mudou nada, só desenvolveu. Melhorou muito.

 

P/2 – Teve um aproveitamento dos funcionários antigos?

 

R – Todos eles ficaram, a maioria foi transferida para aqui. Mas eu fiquei no Rio de Janeiro, eu e mais alguns outros.

 

P/1 – Mas e a sede era onde, era lá ou aqui?

 

R – No Rio de Janeiro, sempre foi, até hoje. O próprio decreto obriga que a sede da Companhia seja no Rio de Janeiro.

 

P/2 – O senhor chegou a conhecer as instalações de Itabira, de Vitória, o senhor vinha para cá apesar de ficar no Rio de Janeiro?

 

R – Eu vinha aqui para tratar dos serviços do pessoal, quanto a administração, quanto ao restante, eu não tinha influência  nenhuma, eu só vinha tratar a respeito de pessoal, de serviço de pessoal.

 

P/2 – Com relação a exportação de minério, o senhor tem alguma...

 

R – Isso já era de outra sessão, de outro departamento, não cabia a mim, não tinha conhecimento nenhum. Sei que desenvolveu muito a exportação de minério.

 

P/2 – O senhor tem conhecimento da gestão de Dr. Demerval Pimenta?

 

R – Demerval Pimenta era cunhado de Israel Pinheiro, substituiu o Dr. Israel Pinheiro.

 

P/1 – O senhor se lembra porque ele substituiu?

 

R – Porque o Dr. Israel Pinheiro foi exercer um cargo político em Minas.

 

P/1 – O que significou a gestão do Demerval Pimenta?

 

R – De todos os Presidentes  da companhia, a gestão dele foi sempre em progresso, até hoje está em progresso.

 

P/1 – E da gestão do Dr. Juraci Magalhães? O senhor se recorda?

 

R – Recordo. Pra mim foi um dos homens mais inteligentes que eu já conheci. Gostava muito dele.

 

P/2 – O senhor se lembra de algum detalhe específico que ele tenha feito na Empresa?

 

R – Na Empresa ele desenvolveu muita coisa, foi um presidente de muita atividade.

 

P/1 – Por que o senhor avalia ele assim tão inteligente, ele fazia coisas que chamava atenção?

 

R – Ele era inteligente, ele era baiano, ele foi presidente na Bahia, mas era cearense e o cearense é um povo muito inteligente e ele tinha muita facilidade no falar, improviso. Eu apreciava muito, ele falava com muita facilidade. Pra mim foi um dos presidentes mais inteligentes da companhia, embora os outros também fossem.

 

P/2 – Quem o substituiu depois, foi o Sr. Sá Lessa?

 

R – Foi Raimundo Mascarenhas, que morreu no desastre de automóvel. O Presidente da Companhia morreu aqui. Desastre de automóvel.

 

P/1 – Quando o senhor veio do Rio, o senhor veio alguma vez ver o pessoal, ver as instalações aqui em Vitória?

 

R – As instalações aqui em Vitória, a princípio eram bem simples, depois a companhia construiu vários edifícios aqui e alojou aqui. Hoje tem muitos edifícios aqui.

 

P/1 – O senhor conheceu o porto naquela época, como era a região do porto de Tubarão?

 

R – O porto daqui era em Vitória. O minério era transportado de Itabira para Vitória, no porto de Vitória. Depois eles fizeram, na gestão do Presidente Eliezer Batista, o Tubarão.

 

P/2 – Conta um pouco de Tubarão.

 

P/1 – Conta um pouquinho como era antes em Vitória e depois, quando fizeram Tubarão.

 

R – Eu já disse. O minério vinha pela estrada. Despachava aqui e caia em Vitória. Aqui, enchia os navios e eles partiam. Mas depois com o desenvolvimento eles fizeram o Porto de Tubarão, que é hoje essa grande obra.

 

P/2 – E foi na gestão do Sr. Eliezer Batista?

 

R – Ali vários presidentes atuaram: Eliezer Batista, Raimundo Mascarenhas, Juraci, todos eles.

 

P/1 – O senhor chegou a ver aquela parte antes de ter o porto de Tubarão? Como era antes.

 

R – Aquilo eu não conhecia porque eu trabalhava no Rio, passava de passagem.

 

P/1 – Mas o senhor veio conhecer o porto um dia?

 

R – Não conheci. Eu não cheguei a conhecer, eu vim conhecer aqui em Vitória.

 

P/1 – Mas faz pouco tempo que o senhor conheceu?

 

R – Não. Eu já estou aposentado há 30 anos.

 

P/1 – Há quantos anos o senhor conheceu o porto, há 30 anos atrás?

 

R – Mais ou menos antes de 30 anos.

 

P/2 – Sr. José, eu queria que o senhor contasse como foi sua trajetória dentro da Vale.

 

R – Minha trajetória dentro da Vale foi isso, eu fui amanuense, depois com decorrer do tempo fui Chefe de Seção de Serviço do pessoal, depois cheguei a Chefe de Serviço e me aposentei com isso. Gostava muito dos meus funcionários, trabalhamos muito e foram todos muito meus amigos. Aliás a Companhia Vale do Rio Doce era minha segunda família.

 

P/2 – Sempre no Rio de Janeiro?

 

R – Sempre no Rio de Janeiro.

 

P/2 – Mudou a sede de lugar, durante esse tempo?

 

R – A sede foi sempre ali no Castelo.

 

P/2 – O senhor nunca mudou, sempre no mesmo lugar?

 

R – Agora mudou, pegou fogo e eu trabalhava ali no Castelo.

 

P/2 – Quais foram os momentos mais marcantes para o senhor, ao longo dessa trajetória?

 

R – Não tem momento muito marcante, toda a minha trajetória na companhia foi de satisfação, de amor aos meus chefes e aos meus auxiliares, porque eles consideravam desde os contínuos até os mais altos como meus amigos.

 

P/2 – Quando o senhor se aposentou, o senhor se aposentou por onde?

 

R – Eu me aposentei no Rio de Janeiro.

 

P/2 – Em qual cargo?

 

R – Técnico Superior de Administração.

 

P/2 – Desde que o senhor se aposentou até hoje, quais são as suas atividades?

 

R – Eu parei de trabalhar em primeiro de julho de 1975, daqui para cá, as minhas atividades foram de aposentado. Sossego, paz e água fresca. Aqui eu vivo feliz com meu filho, minha nora e meus netos, num sossego profundo e assim eu acho que eu vou até o fim da minha vida. Não podia ter melhor compensação, melhor fim de vida.

 

P/1 – O senhor tem algum parente que também trabalha na Vale?

 

R – Não. Parentes? Tem o meu filho e o meu neto.

 

P/1 – O que eles fazem?

 

R – Meu filho é aposentado, meu neto trabalha no escritório do Rio.

 

P/1 – Seu filho é aposentado da Vale?

 

R – Meu filho entrou como eu. Entrou e saiu como único serviço na Vale de Rio Doce.

 

P/2 – O senhor continuou a visitar a Vale depois que o senhor se aposentou?

 

R – Eu continuei, vou lá ver os meus amigos.  E recebo muitos telefonemas...

 

[Troca de fita]

 

P/1 – E sobre a questão da privatização?

 

R – Isso eu não tenho conhecimento.

 

P/1 – Não acompanhou pelos jornais?

 

R – Não sei de problema nenhum.

 

P/2 – Sr. José, eu queria entrar um pouquinho na sua vida familiar, a sua história da sua família. O senhor é casado com a Dona Erotides? Eu queria que o senhor contasse um pouquinho como o senhor a conheceu.

 

R – Nós nos conhecemos no Rio de Janeiro, ali nós ficamos noivos e namorados 7 anos. Eu construí minha casa em Niterói, em Icaraí, nos casamos e tivemos um filho. O meu filho tem quatro filhos e vivemos todos felizes.

 

P/2 – Que ano o senhor se casou com Dona Erotides?

 

R – 1938.

 

P/2 – Teve festa de casamento?

 

R – Uma festa caseira normal.

 

P/2 – Teve noivado antes?

 

R – É.

 

P/2 – O senhor tem netos hoje?

 

R – Quatro netos  e dois bisnetos.

 

P/2 – O que eles fazem os netos?

 

R – Um... quatro netos e três bisnetos. Um formado em Odontologia, outro trabalha na Vale do Rio Doce e os outros são menores, estudam.

 

P/2 – Como é seu dia-a-dia hoje?

 

R – Meu dia-a-dia hoje é muito agradável, nós vivemos  aqui nesse ambiente feliz, lemos, somos tratados com o maior carinho, vemos televisão e dormimos sossegadamente.

 

P/2 – Conta um pouquinho das suas caminhadas que o senhor faz todo dia.

 

R – Minhas caminhadas eu faço dentro de casa, aqui no jardim e no quintal.

 

P/2 – A sua nora falou que o senhor conta os passos?

 

R – Não, eu caminho por dia 1.200 passos por causa da artrose e para saber me desenvolver.

 

P/2 – Qual a sua principal atividade de lazer, o que o senhor mais gosta de fazer para se distrair?

 

R – A minha atividade, eu gosto de ler, eu escrevo um pouco e gosto de acompanhar o esporte.

 

P/2 – Qual o esporte predileto do senhor?

 

R – Futebol.

 

P/2 – Qual o seu time?

 

R – Vasco.

 

P/2 – O senhor era um esportista na juventude?

 

R – Eu nadei, eu remei, eu joguei futebol, fiz esses esportes quando era mais moço, mas nunca em profissionalismo, sempre amadorismo.

 

P/2 – Sr. José, se o senhor pudesse mudar alguma coisa na sua vida o senhor mudaria?

 

R – Não, se eu pudesse fazer, eu conservava o que eu obtive que foi viver com o meu filho, com minha nora e com os meus netos dentro desse ambiente que a senhora vê aqui.

 

P/2 – Como foi a mudança do Rio de Janeiro para cá?

 

R – Eu morava no Rio na nossa casa, em Icaraí. Meu filho ofereceu vir para cá para nós não ficarmos muito isolados e aqui eu teria maior assistência, como eu estou tendo.

 

P/2 – Quais são os seus sonhos?

 

R – Eu sonho com meus amigos que faleceram e para mim é a maior satisfação. Eu sonho com eles, como se tivesse vivendo com eles porque eu gostava muito deles e todo o pessoal da, eu tinha como irmãos por isso tenho esses sonhos.

 

P/2 – São sonhos mesmos esses que o senhor tem? E projetos?

 

R – Não tem projeto nenhum. Projetos eu tenho de acabar meus dias dentro dessa suavidade, dessa vida boa que eu tenho.

 

P/2 – O que o senhor achou de participar dessa entrevista, de ter contado um pouco da sua vida?

 

R – Eu tenho uma grande satisfação, depois dessa entrevista eu penso que eu posso me candidatar. (risos)

 

P/2 – Nós já estamos fechando a entrevista, tem alguma coisa que o senhor gostaria de deixar registrado ou alguma coisa que a gente pulou?

 

R – Não. Contei tudo que podia contar.

 

P/2 – Muito obrigado.

 

R – Eu é que tive a satisfação de conhecê-los.

 

P/2 – O senhor já tinha dado alguma entrevista antes?

 

R – Só coisas simples.

 

P/2 – Muito obrigada.

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