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Admiração pelo trabalho da Pastoral da Criança

História de: Daniel Zampieri
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 19/09/2014

Sinopse

Daniel Zampieri é um coordenador voluntário da Pastoral da Criança em São Paulo. Ex-seminarista, Daniel recorda em seu depoimento as brincadeiras de infância em Osasco com as irmãs e o envolvimento com a igreja católica desde muito novo. Ele relata que sempre gostou de estudar, que adorava artes e que teve uma adolescência difícil porque não se enturmava com os colegas. Fala do primeiro emprego numa gráfica e como se interessou por estudar marketing. Ao falar sobre o chamado para a vocação de padre, relata como o catolicismo o atraía. Por problemas de saúde abandonou o seminário, mas quis dedicar sua vida a um trabalho voluntário na Pastoral da Criança. Ele finaliza falando sobre a importância do trabalho que Pastoral desenvolve no mundo inteiro e a admiração que tem por sua fundadora, Zilda Arns. 

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História completa

O meu nome é Daniel Zampieri. Nasci em 1979, na cidade de São Paulo, hoje eu tenho 34 anos. Meu pai chama Henrique Zampieri Filho e minha mãe Vilma Aparecida Zampieri.  Eles nasceram em São Paulo também. Minha mãe é do lar, e o meu pai trabalha na parte financeira de uma agência. Minha mãe é um pouco severa, meu pai já é mais calmo. Eu puxei a parte da minha mãe de ser bem ativo, comunicativo e parte tranquila do meu pai na parte profissional. Tenho duas irmãs. A minha irmã mais velha chama Daniela Zampieri e tem a minha irmã caçula que é a Priscila Zampieri. O sobrenome Zampieri vem justamente da Itália. Vem da parte do pai do meu avô que veio pro Brasil e também tem uma parte da mãe do meu pai que também veio da Espanha. Toda a minha infância eu passei na cidade de Osasco. Sempre morei no mesmo lugar, a gente morava na casa dos fundos, na frente moravam os meus avós e minha tia na casa do lado. Tudo no mesmo quintal. Então fui convivendo com os meus primos, com as minhas primas diretamente com o meu avô e com a minha avó até a idade adulta. Eu brincava com os meus primos. A gente ia de velotrol brincando de um lado pro outro, peão, bolinha de gude, pega-pega, coisas comuns da criança da nossa época. E era dentro da cidade mesmo, dentro da área urbana mesmo. Só que tinha um terreno do lado que a pessoa não construía, então deixava cuidar. Meus avós cuidavam lá e faziam toda a parte de plantar as coisas. A gente teve uma boa convivência, uma boa infância, no Jardim Mutinga em Osasco, na Rua Rubi.

Eu tinha seis anos quando entrei na pré-escola. Sempre gostei de desenho então me atraía muito as cores, tudo e aprender. Na hora que eu comecei a pintar todos aqueles personagens que os professores davam pra pintar. Eu sempre quis criar as coisas. Conforme foi desenvolvendo tudo, depois na fase adulta eu cheguei a estudar desenho artístico. Eu realizei aquele sonho de infância que eu tinha e ali eu pude desenvolver através da parte técnica. Então me marcou muito a infância essa parte do desenho. A minha adolescência foi um pouquinho conturbada. Como eu não tinha amigos então eu era uma pessoa meio isolada. Eu me dediquei muito aos estudos, mais a estudar, focar mais nessa parte, na parte profissional, trabalhava muito. Então a minha adolescência foi mais a parte profissional e a parte de estudos. Então procurando sempre almejar o que melhor eu podia ter no meu futuro lá na frente.

Então, a parte religiosa veio dos meus avós. A minha avó paterna, sempre a vendo ali rezando e tudo mais, a minha mãe pediu pra gente fazer a primeira comunhão. Então fui eu, a minha irmã mais velha, Daniela, e a minha prima Ana Cláudia e minha outra prima Regina. Então a gente começou a fazer a primeira eucaristia, eu me apaixonei mais ainda pela igreja católica. Porque eu fui batizado na Basílica de Nossa Senhora Aparecida, então sempre tive muito forte essa parte do catolicismo através da minha avó, aí depois eu comecei a fazer a primeira comunhão, depois me afastei um pouco por causa dos estudos e tudo mais. Daí retornei com 20 anos pra igreja no grupo de oração Cristo Salvador no Jardim Marisa, impactou muito mais, eu podia estar ativamente dentro da igreja. Mais tarde eu comecei a frequentar a missa, ali eu fui desenvolvendo mais ainda a minha parte religiosa.

Comecei a trabalhar aos 16 anos na gráfica onde eu trabalho até hoje com o Yang e o Chung que são duas pessoas que me ajudaram muito durante a adolescência, a me formar um grande profissional, a parte justamente de estudos, sempre me incentivando. Eu comecei na produção mesmo como ajudante de produção. Depois eu fui pro departamento de arte que era a parte de fazer os desenhos, tudo, pra parte gráfica pra depois transferir pra chapa e todo o processo gráfico, eu também ali me encantei muito. Antigamente não existia computador, a gente tinha que fazer todos os desenhos na mão e depois transferir pra um filme pra depois transferir pra uma chapa pra rodar no offset.  Consegui o emprego através da minha irmã. Minha irmã que me chamou, porque eles estavam precisando, que a gráfica sempre tem sazonalidades, então tem tempos que tem bastante serviço, outros tem pouco ali ela me chamou. Aí os dois donos da empresa viram que eu tinha capacidade e tudo, deram-me uma oportunidade e me registraram. Aí me transferiram pro departamento de arte onde eu trabalhei longos anos e agora eu trabalho mais na parte de produção. Então foi assim uma coisa bem marcante dentro da minha própria área profissional. Eu gostava muito de pedalar e de caminhar. Então andava muito por São Paulo pedalando, conhecendo os bairros tudo, Parque do Ibirapuera. E assim foi indo, você conhecendo toda a cidade, a cidade de Osasco inteirinha. Então assim, eu me desligava do mundo e ia pedalando e conhecendo. Foi ótima essa fase.

Quando eu estava com 29 anos quis ser padre. Aí vinha muito aquilo interno: “Será que minha vocação é ser padre? Será que eu consigo? Será que realmente é o chamado de Deus?”. Eu preferi terminar primeiro a minha pós-graduação pra ver se realmente era aquilo aí eu me entregaria de corpo e alma. Se não fosse pelo menos eu tinha já a minha parte profissional toda certa e se eu me arrependesse lá pelo menos eu saberia que teria feito algo ali melhor. Eu entrei na Congregação de Santa Cruz onde aprendi muitas coisas lá: como viver em comunidade, como fazer os trabalhos, a história do próprio fundador, a caridade, conheci os projetos sociais que tinham lá dentro. Mas o que me chamava mais era a Pastoral da Criança, e em 2002 eu me inseri na Pastoral da Criança. Então depois que eu estava dentro do seminário, falava muito forte a Pastoral da Criança. De eu estar no meio das pessoas e ajudar as pessoas como as gestantes, as crianças que a gente acompanha mensalmente. Fiquei no seminário um ano e dois meses. Foi uma coisa muito marcante. Eu saí também por alguns problemas de saúde que eu tive, mas assim foi uma fase que me marcou. Todo mundo que passou por um seminário sabe que marcou a sua vida através ali de você aprender muitas coisas que você muitas vezes tem dúvida, e você acaba tendo uma grande maturação, você se torna uma pessoa muito madura. Dentro do seminário o que mais me marcou foi a missão que nós fizemos em 2009 na cidade de Mamonas em Minas Gerais, ali tinha mais ou menos umas 12 comunidades rurais. Essa missão é sempre feita nas comunidades pra você evangelizar as pessoas, se tiver algum problema alcoólico você estar ali dando a orientação, algum problema de família, dar a catequese necessária através da oração, do compartilhamento, levar a palavra. Isso marcou muito porque a espiritualidade daquelas pessoas da cidade de Mamonas era muito aflorada. Então a gente que vive uma cidade urbana, uma metrópole como São Paulo, é difícil você encontrar isso. Lá você encontra realmente como se você fosse beber ali diretamente da fonte do amor de Deus, você encontra nas pessoas.

Foi no ano de 2001 que eu entrei na faculdade. Meu chefe falava bastante pra mim pra fazer Engenharia, eu falei: “Não. Não tem nada a ver comigo”. Eu sempre pensava em fazer Ciências Políticas, porque eu sempre gostei de política, até hoje gosto bastante de política. Quando eu fui fazer ali o vestibular, acabei prestando pra Comunicação Social, falei: “Tem tudo a ver com o que eu trabalho” porque eu já estava no ramo gráfico, tem tudo a ver comigo, então resolvi fazer ali e acabei me apaixonando cada vez mais porque tinha aula de TV, tinha aula de rádio. Então me apaixonava cada vez mais: as campanhas publicitárias, de como fazer, como elaborar, como fazer um texto muito bem feito, como trazer ali o consumidor. Então isso eu já vivia ali diretamente na minha área profissional. Eu terminando a graduação, daí eu continuei somente trabalhando na mesma área. Aí depois eu saí do ramo gráfico, fui trabalhar no ramo bancário, não me adaptei, depois voltei pro ramo gráfico de novo, eu pude perceber que eu precisava de algo a mais. Depois que estava terminando a graduação, eu queria fazer pós-graduação na área de marketing. Eu comecei a fazer a pós-graduação e encerrei no próprio ano de 2008.

Na Pastoral da Criança eu comecei em 2002, na Paróquia Nossa Senhora dos Remédios, com um grupo de mais ou menos umas 26 pessoas sendo formadas como líderes no meio de novembro de 2002. Quando a gente finalizou esse trabalho a gente saiu pra ir a comunidade visitar a favela, que a mais carente que tinha ali da época, a gente começou a encontrar a realidade daquelas crianças. A gente fazendo o cadastro da criança, toda a infraestrutura que precisava, eu me apaixonei. A gente teve a primeira celebração da vida que era a pesagem das crianças. Depois eu comecei a fazer as visitas junto com a Ana que era também líder, que nós íamos de dois em dois, e a gente visitava essas famílias acompanhando essas crianças e a realidade delas. Hoje na Pastoral da Criança eu sou líder na minha comunidade Nossa Senhora Aparecida da Paróquia Santa Luzia. Sou coordenador de área da região Pirituba e sou assessor de comunicação da Pastoral da Criança na arquidiocese de São Paulo. Então eu escrevo alguns artigos, mando pro nacional sempre com a orientação da coordenadora que é a Aparecida, coordenadora da arquidiocese. Então sempre nessa parte de comunicação, eu sempre utilizei isso. Também quando eu era da cidade de Osasco eu fiz trabalho de rádio numa rádio comunitária falando da Pastoral da Criança sempre com um assunto sobre a saúde, dando a orientação através da rádio. Essa rádio comunitária eu tinha sido convidado por um rapaz que ele já fazia um programa na rádio, ele tinha um programa dele específico. Na época a Pastoral da Criança tinha um projeto que é o programa Viva a Vida da Pastoral da Criança, que vem toda uma orientação, eu fiz a oficina de rádio na Pastoral da Criança e a gente foi divulgar esse trabalho. Então nessa rádio comunitária o dono lá cedeu um espaço dentro do programa do JB na época a gente falava de alguns assuntos da saúde, o que precisava ser melhorado. Depois eu tive um programa do Viva a Vida que eu apresentava levando sempre as informações da Pastoral, que tinha grande abrangência na época.

Lá na paróquia Santa Luzia nós temos aproximadamente, mais ou menos, 145 crianças sendo acompanhadas e mais ou menos umas 10 gestantes, que são acompanhadas, isso dividido as duas comunidades.  Esses recursos do Criança esperança vêm há algumas décadas, não me recordo muito bem o tempo. Esses recursos vêm do Criança Esperança, é repassado para a Pastoral nacional e é distribuído. Tudo isso não somente através do Criança Esperança, mas também de doações de outras pessoas voluntárias no Brasil inteiro, algumas outras empresas também apoiam, vem essa verba e chega até nós. Essa verba é pra gente celebrar, fazendo o dia da celebração da vida, esses recursos são diretamente aplicados naquela comunidade onde você faz o acompanhamento. Tudo isso é prestado conta, de tudo que é feito, tudo nós temos recibo de tudo que é feito, é uma coisa totalmente transparente. Esses recursos vêm também da Unesco, uma parceria grande que o Criança Esperança tem com a Unesco, a Pastoral da Criança, através da Unicef também, que são repassados esses recursos. Hoje o Brasil acompanha mais ou menos dois milhões e 500 mil crianças por todo o Brasil. Hoje a Pastoral da Criança está em 21 países além do Brasil. Eu sempre lembro do trabalho da doutora Zilda, ela pegando e falando que a pessoa mais importante do mundo é justamente aquelas crianças que nós acompanhamos. Ela conseguiu transmitir isso através de toda a nossa formação, através do guia, do caderno do líder, a gente tem uma linguagem totalmente simples, uma pessoa letrada até uma pessoa semianalfabeta consegue ler e consegue transmitir isso. Na formação também dos líderes, de compra de materiais que tem que ser utilizado na formação de cada líder. Então esses recursos vêm, é tudo distribuído devido às necessidades da Pastoral da Criança.

É muito importante esse recurso que vem do Criança Esperança, muitas das vezes as pessoas não sabem, que estão fazendo as doações, como que serão utilizados. Porque o Criança Esperança tem vários projetos. Ele tem essa parceria também com a Pastoral da Criança. Então muitas das vezes a pessoa que doa não sabe o que está sendo feito, o que está sendo aplicado e quando ela vê realmente que aquilo que ela está doando sabe o destino que está tendo, que está indo pra uma comunidade carente, que está ajudando no desenvolvimento de uma criança, de uma comunidade de várias crianças, de uma gestante ali que está sendo acompanhada, o dinheiro dela não é perdido porque realmente vai pra uma coisa séria. Tanto o trabalho do Criança Esperança juntamente com a Pastoral da Criança. São recursos que realmente saem ali das pessoas que contribuem e é aplicado realmente naquelas comunidades mais carentes que tem.

 

 

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