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História

Adaptações no trabalho embarcado

História de: Carlos Alberto da Silva Santos
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 25/02/2021

Sinopse

Trabalho na Petrobras como técnico de inspeção de equipamentos. Trabalho no projeto em Singapura. Convívio com os colegas de trabalho. Adaptação da família ao trabalho. Participação no sindicato dos petroleiros e anseios para a aposentadoria.

Tags

História completa

Projeto Memória Petrobras

Realização Instituto Museu da Pessoa

Entrevista de Carlos Alberto Santos

Entrevistado por Eliana Santos

Local de gravação e data completa (Marlin sul?), P-38, 

27 de janeiro de 2015

Código do depoimento: Petro_CAB 011_UnRio

Transcrito por Felipe Peirão Cecchi

Revisado por Nayara de Souza Melo

 

 

 

 

P/1: Boa tarde.

 

R: Boa tarde.

 

P/1: Queria começar pedindo que você nos fale: nome completo, local e data de nascimento.

 

R: Meu nome é Carlos Alberto da Silva Santos e nasci em 8 de fevereiro de 1961, em Cabo Frio.

 

P/1: Conta para a gente então, como que foi o seu ingresso na Petrobras e quando foi?

 

R: O meu ingresso se deu em fevereiro de 1985, né, tô prestes a fazer 20 anos de companhia. E, nesse período, eu tava desempregado. Trabalhava em obras da própria companhia, em outras construtoras, que trabalhavam para a Petrobras. E a obra foi reduzindo, e houve a necessidade de cortar pessoal. E eu fui cortado nessa época, em junho. Quando foi em agosto, surgiu um concurso. Eu prestei concurso para esta mesma função que eu exerço até hoje, e passei, né? Fui fazer um curso de formação. Esse caso foi em 1984. Em 1985, eu fui efetivado na companhia, na mesma função que eu exerço hoje, e há 20 anos, né?

 

P/1: Qual é essa função, fala pra gente?

 

R: É técnico de inspeção de equipamentos.

 

P/1: E conta para a gente como que é a sua atividade então, como que é o seu trabalho?

 

R: A minha atividade se resume a verificar a situação dos equipamentos de processo, né, no caso que é basicamente a minha função. Tem também a parte de pintura, de caldeiraria, que a gente também participa fazendo uma certa verificação da qualidade dos trabalhos, e presta assessoria também ao (Gepati?), a diversos assuntos dessa área técnica aí, né? É mais focado mesmo para esta área da inspeção dos equipamentos de processo, também dos guindastes e das (bareras?), né? No nosso caso aqui da embarcação, e dos tanques também que armazenam o petróleo. É basicamente isso aí a função, entendeu?

 

P/1: Você sempre trabalhou embarcado?

 

R: Sempre. Fora o período de aproximadamente três anos que eu fiquei fora por conta de estar acompanhando o projeto desse navio aqui, né, do qual eu participei.

 

P/1: Como foi acompanhar o projeto desse navio?

 

R: Foi um período bom, né? Onde se aprende muito, mais variados assuntos possíveis, né? E foi uma experiência boa, que eu estava num período também, vamos dizer que estagnado. Você começa a ficar muito tempo embarcando e tal. E isso te eleva um pouco, né? Você ser convidado para um projeto novo, e ainda mais que foi lá do outro lado do mundo, uma coisa totalmente...     

 

P/1: Onde foi?

 

R: Foi lá em Singapura. Eu tive a oportunidade de ficar lá durante um ano, mais de um ano, não me lembro bem quanto tempo. E conviver, né, com essa cultura totalmente diferente, e dá a oportunidade também de conhecer outros lugares. Mas foi bom por causa disso, principalmente por renovar as energias, entendeu? Os conhecimentos também, né?

 

P/1: Vocês sentiram muita dificuldade? Como que foi essa relação com o grupo lá para esse projeto?

 

R: Não, foi tranqüilo. A adaptação eu diria que foi a melhor possível. Acho depois dessa experiência efetivamente eu moro em qualquer outro lugar do mundo, porque eu tinha muita resistência em sair do meu nicho, né? De sair desse trâmite aqui de Rio de Janeiro, a minha cidade Cabo Frio, trabalho, né? E de repente eu sou jogado para ir para o outro lado do mundo. Teve um impacto inicial, né, pelas diferenças, várias diferenças, e depois a gente vai se adaptando. Teve também, facilitou foi a convivência com muitos outros brasileiros lá, e o fato de ter levado família também, né? Num primeiro momento eu não levei, porque a missão que eu fui não foi completa, né, não foi para levar família. Eu fui sozinho, e tanto a família não agüentou, quanto eu também não agüentei. Aí a minha esposa teve que abandonar o trabalho dela, 17 anos que ela trabalhava, pediu demissão para me acompanhar, e fomos para lá, com uma criança de, na época tinha um ano e pouco.

 

P/1: Ficaram três anos lá?

 

R: Não, não, um ano e pouco. É por que foram várias idas e vindas, e acabou dando esse período todo aí.

 

P/1: E antes de ir para esse projeto, você tava em qual unidade, tava em qual local?

 

R: Eu trabalhava na (PCH-1?), plataforma de (Cherne?) 1. Já tinha trabalhado durante um bom tempo na plataforma de (Cherne?) 2, e passei a trabalhar na plataforma de (Cherne?) 1. E aí fui convidado para trabalhar nesse projeto.

 

P/1: Como que era trabalhar lá em (Cherne?)? 

 

R: Era... Exercia a mesma função, né, um pouco mais fácil, que você não tem o balanço. Se bem que ao balanço eu me adaptei bem. E tem o lado, eu acho, um pouco mais de risco, porque você tinha mais equipamentos, equipamentos de processo efetivamente. Trabalha com as mais variadas pressões, né, e aqui agente só armazena, quer dizer, tem um ou outro equipamento. Então lá eu corria um pouco mais de risco, né? Mas era tranqüilo, eu acho que eu me adaptei bem a esse trabalho aí, como lá também.

 

P/1: Carlos, conta para a gente como é que é para você viver embarcado, trabalhar embarcado, como que é isso?

 

R: É, eu diria que é fácil. Isso eu estaria de repente mentindo, né? Principalmente no período, agora que eu tô com uma criança de, vai fazer três meses, né? É sempre difícil o seu afastamento da família, e eu sou muito ligado à família, é muito difícil. É, mas eu diria que eu me adapto bem, mas não é fácil, entendeu? Tem os seus momentos de angústia um pouquinho, quando você pensa na família e tal, tá lá, né? Aí você “pô”, mas é o meu trabalho, e eu gosto de trabalhar embarcado. Também tem isso, eu faço o que eu gosto efetivamente, né? Mas é um pouco difícil, e para a família também é muito difícil, como tem sido agora que eu tô te falando. Eu tô passando por um período que a minha filha de oito anos tá sentindo muita falta, entendeu? Ficou muito grudada comigo, e eu tô tendo que ligar todo dia para casa, às vezes duas vezes, para poder conversar com ela para poder amenizar esse afastamento, né, do meu trabalho. Enfim, é assim.

 

P/1: E o dia a dia de vocês aqui dentro, como é que é?

 

R: Eu acho que, aqui nesse caso, aqui nessa unidade, a gente tem uma boa convivência devido ao número de pessoas ser mais reduzido que em outras. Então, eu diria que a relação é boa com todo mundo, entendeu? Acho que todo mundo se dá bem também por isso. É uma unidade nova, tem um certo conforto, né? Talvez bem mais do que outras aí antigas, então isso ajuda também a amenizar um pouco todo esse tormento que a gente passa, né? Enfim, é isso, acho que nessa parte aí de se acostumar aqui ao trabalho. Acho que é isso, não tem muito o que relatar mais não.

 

P/1: E nesse tempo assim de trabalho, né, você entrou em 80 e poucos, o que você pode dizer assim para a gente de uma história marcante que você tenha vivido? Uma história engraçada que tenha passado aí nesses dias de trabalho?

 

R: Desses 20 anos, você há de convir que eu já passei por várias situações, tanto alegres, quanto tristes, né? Tristes foram as mais variadas, de saber de acidentes na região, e saber que você também está efetivamente exposto a isso, né? Eu tive, por exemplo, em (Cherne?) 1 , quando eu trabalhei. Eu me lembro que em um período próximo ao natal, aconteceu um acidente com um trabalhador, o piso da plataforma correu e ele caiu no mar e desapareceu, entendeu? Aí eu fiquei lembrando tudo, que há pouco tempo você tava convivendo com aquela pessoa e de repente... Isso é um fato que me marcou tanto que tá na memória, você viu, né, entendeu? E assim, fatos assim mais marcantes são esses, né? Sempre que acontece um acidente, alguma coisa, você fica preocupado, que você fica sempre pensando que poderia estar lá, né, entendeu? E os fatos assim marcantes, talvez tenha sido essa participação no projeto. Hoje você vê a sua obra concluída. Eu peguei esse projeto aqui no papel, né, era só um papel e um navio velho, vamos dizer assim, e participei bastante de tudo. O pessoal costuma dizer que eu conheço mais a unidade do que qualquer outra coisa, porque eu sou o mais antigo até, mais antigo mesmo que o (gerclate?) aqui. Então, isso é uma coisa boa, né? Um fato marcante. Eu me sinto, eu costumo dizer que isso é o meu filho também, né, que você se sente um pouquinho dono dessa obra, é responsável por ela, entendeu? Tanto que eu tenho assim uma certa resistência a um dia até ter que sair daqui, por tudo, pelo pessoal, e também por isso, né? Por ter participado, ter visto isso aqui crescer., É que nem um filho, né? Efetivamente, você não assiste o parto, mas ele nasce. Você começa a crescer com ele, né, a aprender também com ele que é o caso daqui, e conviver, né? E enfim, e vai para o resto da vida, esse aqui não tanto pelo resto da vida, mas por um bom tempo, né? E então é isso aí, esses dois fatos, essas duas coisas que marcam esses extremos aí da tristeza e da alegria, né? Entendeu? Acho que é por aí.

 

P/1: E em relação ao projeto, assim, você teve algumas dificuldades, né, alguns sucessos. O que você conta para a gente durante esse processo do projeto que você possa dizer que foi um desafio para você?

 

R: Ah! Um desafio principalmente foi a língua, né? A língua e o costume do local que eu estava indo, né? E eu realmente não tinha o domínio do inglês e tive que me desenvolver em alguma coisa, mas até hoje eu sou péssimo, entendeu? Isso foi um desafio, e eu acho que eu passei bem, conviver com o modo de trabalho do pessoal lá do outro lado do mundo, entendeu? E enfim, isso aí, agora as grandes conquistas do projeto foi saber que você teve a capacidade de modificar muita coisa, de melhorar muita coisa durante o projeto, entendeu? E ver que aquilo que você botou lá no papel pedindo para modificar, entendeu, foi aceito, foi realizado, e de alguma forma beneficiou, ajudou, entendeu? Essas talvez sejam as coisas mais marcantes aí do projeto em si, de participar de algum tipo de projeto dessa forma, né, nessa minha função, entendeu? Acho que isso marca muito. “Pô”, um dia eu vi isso aqui assim, como eu cheguei a ver. Eu tenho foto do navio totalmente depenado. Olha! Aquela tubulação ali foi eu que dei a idéia de fazer, ou aquele item ali foi eu que pedi para fazer, porque achei que ia melhorar, com a experiência que eu já tinha. Isso é marcante, entendeu?

 

P/1: Mudando um pouquinho de assunto, Carlos, conta para a gente assim, você é filiado a sindicato?

 

R: Sou, desde que entrei na companhia.

 

P/1: Ocupou algum cargo?

 

R: Não, nunca ocupei.

 

P/1: Mas tem algum movimento trabalhista que você tenha participado, que você ficou sabendo, acompanhou, marcou, que você queira destacar para a gente?

 

R: Não, eu acho que o fato marcante, que eu não digo participei, mas que tava junto nisso aí, foi que até então se tinha as plataformas como uma coisa que não pararia nunca. Essa plataforma não para nunca, não para nunca. E, até que um dia, houve um movimento que parou as plataformas e a produção, parcialmente, entendeu? Então eu acho que quebrou. Eu acho que, se é que se pode dizer, foi uma conquista do sindicato, que acabou beneficiando a todo mundo, todos os empregados, de uma forma ou de outra acaba sempre beneficiando todo mundo, né? E se quebrou esse paradigma, entendeu?

 

P/1: Isso foi mais ou menos quando?

 

R: Eu não me lembro agora, sinceramente não me lembro. Mas talvez tenha sido assim o fato marcante dessa parte sindical, entendeu? Com altos e baixos do nosso sindicato, erros e acertos, exageros algumas vezes também, né? Mas acho que essa foi uma grande vitória.

 

P/1: Você acha que a relação do sindicato com a Petrobras mudou nesse período que você entrou na empresa até hoje?

 

R: Eu acho que não muito, talvez agora tenha melhorado. Nos últimos tempos aí, nesses últimos anos tenha melhorado, tenha sido um pouco mais transparente, entendeu? Eu acho que tem sido. E talvez o sindicato um pouco mais realista nas suas solicitações, entendeu? Eu acho isso, acho que o sindicato pode tentar, né, algumas coisas, acho que algumas coisas indiretas, entendeu? É, eu acho que não só visar à parte financeira, eu acho que tem outras coisas que pesam também pra gente, que poderiam ser melhor ajustadas na companhia, melhorar de alguma forma, que traga satisfação e não só financeira.

 

P/1: Tem alguma que você queira mencionar?

 

R: É, eu acho que uma coisa que me perturba, e com certeza perturba muito as pessoas, a outros colegas, é a situação dos nossos pais, entendeu? Você sabe que hoje em dia um plano de saúde é uma coisa muito difícil, né? É muito cara, principalmente quando se chega a uma idade muito avançada. E eu gostaria de alguma forma, que a companhia da mesma forma que me dá assistência médica, ou participa, já que a gente também paga por essa assistência médica, eu gostaria que de alguma forma pudesse estender, nem que você tivesse que pagar um pouco mais, para os pais também, talvez fosse uma coisa muito boa, eu vejo dessa forma, entendeu? A exemplo dessa parte da escola, da ajuda a parte escolar, eu acho que seria um bom caminho, entendeu? Não visando só a parte financeira, visando também essa parte social, vamos dizer assim, se é que se enquadra aí, né? Acho que me traria também um grande alívio. É um caminho a seguir, mesmo que tenha que se pagar um pouco mais e tal, mas que ficasse mais fácil, né? Hoje se um idoso desses daí precisa ficar internado por muito tempo, imagina quanto que não vai ser, né? E com certeza vai mexer com todo mundo da família, inclusive com quem tá aqui embarcado, ou trabalhando em qualquer outro lugar, então acho que é um caminho a trilhar. Acho que é por aí, poderia ir por aí o sindicato. 

 

P/1: Tem mais alguma outra história que você queira contar para a gente, você que acompanhou todo esse processo, não sei, a convivência de vocês, alguns hábitos?

 

R: Não. Hábitos, é, para falar a verdade, né, no período que a gente passa principalmente nas plataformas antigas, fixas. Você tinha de conviver com três pessoas diferentes dentro do mesmo camarote, né, raramente você ficava sozinho. Então ali é que eu acho um exercício danado de psicologia, né? Porque você tem que se moldar a três pessoas diferentes, e as pessoas também tem que se moldar ao seu jeito de ser, entendeu? Então era difícil esse período aí. É um período interessante que você convive com pessoas que tem, que roem os dentes à noite, entendeu? É aquele cara que ronca pra caramba, é um que fala de noite, que bate em parede e soca a sua cama em cima. Coisas desse tipo, isso são coisas engraçadas, que acorda no meio da noite...

 

P/1: Mas aqui vocês não passam por isso, né?

 

R: É, eu acho que aqui não. No caso, o pessoal da Petrobrás normalmente fica em um camarote individual, entendeu? Que ao mesmo tempo, no meu caso, facilita um pouco, porque eu tô fazendo faculdade, gosto de estudar a noite e tal. Mas também serve como um fator um pouco de separação do pessoal, entendeu? Nas antigas você não tinha essa divisão. Dificilmente você tinha televisão em camarote e tal, e as pessoas se reuniam numa sala para assistir televisão. Você não via televisão, porque era bagunça o tempo todo, né? Eu acho que isso aí de repente agregava mais as pessoas, entendeu? Isso é uma coisa interessante aí para falar.

 

P/1: Isso é típico do navio?

 

R: Mas isso é uma característica do navio, desse navio, dessa unidade, nas outras normalmente você divide com alguém, entendeu? A concepção é sempre essa, duas, três pessoas. Aí sim é difícil, porque às vezes você não tá bem, a pessoa também não tá bem, e um tem que se moldar ao outro, tem que tolerar o outro, né? Senão, eu costumo dizer que em casa, você briga com uma pessoa na rua, ou em algum lugar, ou no trabalho, você vai para casa e esquece. Aqui não, aqui você de repente briga com a pessoa que tem que dormir, entendeu? Então é tudo isso, é difícil, é um grande laboratório, entendeu? O pessoal costuma dizer aí, “pô”, acho que todo mundo que trabalha embarcado é um pouco assim, não bate muito bem da cabeça porque tem sempre uma modificação, e realmente, né? Porque você tem que conviver com todo esse contexto de diferenças de idéias, de pensamentos, de atitude, não é? Você pega aquele cara que, as nove da noite desliga a televisão, aí você quer assistir um pouquinho mais e não pode, entendeu? Tem aquele cara que ronca, que você tem que ir dormir antes, ou vai dormir muito depois com muito sono, entendeu? E, enfim, tudo isso aí. Isso são as coisas interessantes de trabalhar embarcado.

 

P/1: Bom Carlos, eu queria te perguntar o que você achou de ter participado do projeto memória, contribuído com o seu depoimento?

 

R: Eu acho excelente. Eu acho que já deveria ter sido feito há muito tempo, porque nesses 20 anos aí, eu já vi há bastante tempo, as pessoas saírem. As pessoas participaram também da evolução da empresa, sair sem que de repente tenha tido essa oportunidade, ou até mesmo a gente perder esses companheiros de alguma forma, e não ter essa memória, vamos dizer assim, né, pessoas que tem muito para falar, né? E seria interessante talvez assim, que desse a oportunidade de você contar alguns fatos, lembrar, ter um tempo de você lembrar, né? Porque as vezes pega meio de surpresa e você não consegue lembrar de fatos pitorescos, assim, que tenham acontecido. Bom, enfim, isso aí. 

 

P/1: Bom, eu quero agradecer a entrevista, muito obrigado.

 

R: Obrigado vocês pela oportunidade.

 

P/1: Imagina.

 

“--- FIM DA ENTREVISTA ---”

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