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História

Ações cidadãs para o país

História de: Sílvio Henrique Perfeito
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 00/00/0000

Sinopse

 Sílvio Perfeito, colaborador da Fundação Banco do Brasil, relata como foi o desenvolvimento e sua contribuição de diversas atividades voltadas a pequenos e médios empreendedores pelo país. Também fala sobre a forte influência e grande incentivo da Fundação Banco do Brasil em diversas outras questões, como: educação, agricultura, saúde, etc.

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História completa


P – Bom Sílvio, então vamos começar a nossa entrevista. Eu vou pedir para você falar de novo o seu nome completo, local e a data de nascimento.

R – Tá bom. Meu nome é Sílvio Henrique Perfeito. Nasci em Morrinhos, Goiás. Moro aqui, vamos dizer assim, desde 1971. Tomei posse no Banco do Brasil em 5 de maio de 1983, fui para a Superintendência Estadual do Tocantins em 1989 e voltei para Brasília em 1991, como colaborador da Fundação Banco do Brasil.

P – Como é que se deu, assim, esse convite pra você vir para a Fundação, como colaborador?

R – Na Superintendência do Tocantins lá em Porto Nacional, eu trabalhava na área de preços mínimos e também mexia com ações da Fundação Banco do Brasil, através do FUNDEC [Fundo de Desenvolvimento Comunitário], que era um programa antigo da Fundação que surgiu no Banco em 1982 e foi para a Fundação em 1991, com a criação dela, né? Então como eu mexia, como eu trabalhava nessa área de... com as ações do FUNDEC e a fundação estava tocando esse programa, eu fui convidado pelo Francisco Nilton Cias (?) para auxiliá-lo nas demandas que existiam aqui, como colaborador.

P – Lá no Tocantins ainda, junto com o FUNDEC, você acompanhava as ações do FUNDEC, você ia nas comunidades? O que quê você se recorda, assim?

R – Lá, a minha função era essa. A minha função era estar desenvolvendo as ações do FUNDEC nas comunidades na área de jurisdição da Superintendência do Tocantins, ou seja, no Estado do Tocantins. Então eu visitava as comunidades, participava das reuniões de ações comunitárias que tinham apoio da Fundação, elaborava os diagnósticos, implantava os Planos de Desenvolvimento Comunitário Integrado; todo aquele processo do FUNDEC, desde o acompanhamento dos relatórios, né? Era acompanhado, porque lá a Superintendência era pequena e só tinha um assessor para trabalhar nisso daí. Então eu que era o responsável para isso e também fazia a parte de preços mínimos, quando existia preços mínimos na área de agricultura familiar.

P – E me fala uma coisa, você lembra de alguma comunidade que te chamou a atenção, que você tem um carinho especial, que você atendeu?

R – Não, lá tinham muitas comunidades que a gente trabalhava que eram especiais, mas a mais especial que a gente pode... Houve um empenho maior, em função das dificuldades, porque a gente só consegue lembrar aquelas que têm dificuldades, porque as que é tranquilo, a gente faz, é normal... Mas nós tínhamos uma comunidade que tinha dificuldade de implantação, que era uma comunidade lá em Indianópolis, onde tínhamos problemas com o Presidente da Associação, porque nesse programa que é o FUNDEC, você vai nas comunidades; sempre as associações têm um dono, que todo mundo - os associados - obedecem esse dono, então eles fazem o que querem. A gente tinha que fazer todo um trabalho de Associação, de Associativismo, para tentar reverter essa situação. Então foi muito penoso, muito difícil conseguir reverter, mas depois de muitas reuniões a gente conseguiu reverter essa situação e o processo lá fluiu coerentemente. Ou seja, deu uma resposta muito boa. Enquanto eu estava lá, né? De lá pra cá, depois dessa época eu já não sei.

P – Quando você veio pra Fundação, em 1991, você já conhecia Brasília?

R – Já, como eu mudei pra cá em 1971, né? Então eu morava em Brasília, e ainda moro, né? Desde 1971. Então eu fiz a faculdade aqui – fiz a universidade aqui, quando eu me casei, aí que eu me transferi. Tomei posse aqui em Brasília e quando eu me casei, em 1985, que eu mudei para Goiânia. Fui trabalhar em Goiânia e depois fui convidado para trabalhar na Superintendência do Tocantins em 1989, quando da criação do Estado do Tocantins.

P – Era um novo desafio também, né?

R – Era um novo desafio. Aí eu trabalhei no Tocantins de 1989 até em tese, seria até 1993, foi quando eu fui efetivado aqui na Fundação. Porque de 1991 até 1993 eu estava como colaborador aqui na Fundação Banco do Brasil.

P – Quando você veio para a Fundação, em que área você foi trabalhar?

R – Quando eu vim pra Fundação, eu fui trabalhar diretamente no FUNDEC, juntamente na época era meu Gerente de Divisão, Francisco Nilton Cias. Eu trabalhava diretamente com o FUNDEC, trabalhando especificamente no FUNDEC.

P – E aí ampliou as ações que você acompanhava?

R – Isso, isso. Aí com a o término do programa e as diversas estruturações que houve na Fundação, eu vim trabalhar na parte de acompanhamento de projetos, aí envolvendo diversos programas que a gente atua até hoje... Sempre na área de geração de trabalho e renda, que hoje eu trabalho na geração de trabalho e renda.

P – Mas você está especificamente como gerente da área de recursos de terceiros, né?

R – Isso. Hoje eu trabalho, porque a _____(?), foi dividida em diretoria, foi dividida em duas áreas, duas gerências; uma de recursos próprios que trabalha junto nas ações da Fundação, no planejamento estratégico da Fundação, no modo de ser da Fundação e uma outra gerência, que aí são recursos de terceiros que são provenientes de captação de recursos junto aos ministérios, ou aos órgãos da administração pública. Eu trabalho com recursos públicos.

P – Tem alguma comunidade ou algum projeto específico de geração de trabalho e renda, que você acompanha mais? A gente viu... Eu vi você também muito no seminário ali, dos 20 anos da Fundação, teve várias apresentações. Eu queria que você falasse um pouquinho mais das cadeias produtivas.

R – É. A minha área, eu vou virar um pouco para a minha área, que é o que eu entendo, que eu trabalho mais. Eu trabalho mais na parte dos recursos públicos, como eu disse, dos recursos dos ministérios e o que eles envolvem, nós estamos hoje trabalhando com três ministérios, né? Hoje nós temos recursos do Ministério do Trabalho – Trabalho e Emprego, temos recursos do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e temos recurso do Ministério do Turismo. Com o Trabalho e Emprego a gente tem o viés, ou seja o foco está calcado na economia solidária; ou seja, em empreendimento associativistas – pequenos empreendimentos e também na área de iniciativas inovadoras de políticas de trabalho e emprego, na geração de emprego e renda, né? Que aí são convênios separados; um da Secretaria Nacional de Economia Solidária e o outro voltado para a Secretaria Executiva, que trata mais na área das políticas públicas do Ministério do Trabalho e Emprego, na geração de trabalho e renda. Com relação ao Ministério do Turismo, a gente trabalha com recursos e ações de desenvolvimento regional sustentável, voltado para o turismo, focados nos segmentos turísticos; ou seja, voltados para a capacitação, qualificação do segmento turístico que é nos hotéis – hotelaria, pontos turísticos, camareira, essas coisas... guia turístico, guia rural. E o outro convênio voltado especificamente na qualificação mesmo… a qualificação, né? E também voltado no saneamento, dando estruturas básicas para... até no artesanato também.. no artesanato, onde tem a finalidade que seria o turismo. Ou seja, você constrói lá um restaurante, onde é um restaurante típico da região que vai fomentar o turismo, né? E no Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome eu tenho dois convênios. Um ligado a segurança alimentar, ou seja, ao Fome Zero; e o outro para os quilombolas, atuando na área que foi formada agora em 2005, mas atuando especificamente nas regiões, ou seja, no segmento quilombola. Um projeto especial que eu posso dizer, que trabalho muito... ele até já acabou, né? Foi um projeto acho que importante, que envolveu muitos recursos, aonde houve uma alavancagem muito grande durante a época que houve, foi a Sala do Empreendedor, que envolvia uma entidade lá de Belo Horizonte, o Instituto CENTRO CAPE [Instituto Centro de Capacitação e Apoio ao Empreendedor], que nos auxiliava em meados de 1998, 1999... O Ministério do Trabalho e Emprego tinha muita deficiência daquele PROGER [Programa de Geração de Renda], ou seja, conseguir alavancar recursos, alavancar negócios junto ao PROGER, né? Por falta de informações, por falta de uma série de situações. Então foi criado esse programa, em parceria com Banco do Brasil – Fundação Banco do Brasil e o Ministério do Trabalho e do Emprego, de forma a dar condições, dentro de algumas das... foram 51, não... Foram acho que 51 municípios do país onde disponibilizaram uma estrutura do CENTRO CAPE para estar dentro das agências do Banco do Brasil, para dar condições aos mini e pequenos empreendedores em ter informações frescas, informações sobre pegar recursos do PROGER. Querendo montar o seu negócio, né? Então foi um projeto que veio de 1998 e terminou em 2003, mais ou menos – 2003 para 2004, onde envolveu uma gama grande de recursos, mas que eu acho que alavancou muitos negócios, tanto para o Banco do Brasil quanto para o Ministério porque ele conseguiu fazer muitas operações; ou seja, isso leva tudo a geração de emprego e renda. Gerou muito emprego, porque o empreendedor ou o empresário vai no banco buscar um dinheiro, quando ele pega não tem aquele acompanhamento, não tem aquela assistência. A função do CENTRO CAPE, através dessas pessoas que tinham lá, que eram os agentes – os consultores, era dar o caminho certo. Ou seja, você trilhar quando precisava corrigir rumos, então ele tinha a função disso, fazer  corrigir de forma que a empresa desse lucro e gerasse emprego.                          

P – Hoje está se falando muito em economia solidária. E eu acho que essa discussão passa pelas ações da Fundação?

R – Hoje nós temos, no caso na minha área, um convênio com a Secretaria Nacional de Economia Solidária que visa isso, porque ela tem ali dois... Hoje os projetos que o Ministério nos apresenta está calcado em dois focos: um, primeiro eles estão fazendo um mapeamento da economia solidária que já se concluiu no final de 2005; um mapeamento da economia solidária no país todo, em que fez um diagnóstico macro da economia solidária no país, né? E agora estamos fazendo os fóruns e as feiras; os eventos, né? Divulgando isso e chamando para fazer a comercialização em mercado. E além disso, isso aí vamos dizer que é o foco mais específico, além disso, nós temos o apoio a pequenos empreendimentos, visando sempre a economia solidária, apoiando tipo assim: dando as máquinas, construindo isso, equipando aquilo; aquelas entidades; eu tenho uma marcenaria que tem uma economia solidária, ou fazendo uma, tipo assim, comprando umas máquinas de costura para as costureiras. Então eu tenho um projetinho, é um projeto pequeno, um tear. Na área da reciclagem de lixo, que também está em parceria com uma cadeia produtiva com recursos próprios que a gente tem de reciclagem de lixo, né? Então caminhamos também numa cadeia produtiva do algodão, dando um subsídio também com empreendimento solidário lá né? Então tudo que visa, que está ligado a empreendimentos solidários, a gente está apoiando através desse convênio. E são as políticas públicas da Secretaria.

P – A gente vai estar fazendo, mais para frente Silvio, entrevistas de história de vida mesmo. Pegando um pouco da sua infância, adolescência e ingresso no Banco do Brasil inclusive, né? Então a gente vai estar finalizando a entrevista, eu vou pedir para você falar assim: Como você considera essa importância da Fundação Banco do Brasil pro desenvolvimento social do país?

R – Eu acredito, apesar de a Fundação, ela ser de âmbito nacional, ou seja, na minha opinião, a gente não tem um foco, né? Como tem a Fundação Roberto Marinho, que ela é focada exclusivamente na educação, né? A Fundação, eu que já vivo a Fundação há 12 anos, entrei aqui em 1991. Não, já dá 15 anos; 12 anos – 12 para 13 anos como funcionário, mas como colaborador já tem mais de 15 anos, né? No começo a Fundação era uma coisa mais... a gente tem 7 campos de atuação, ou seja, a gente atua tanto na educação, na cultura, na assistência social, na assistência à comunidade urbana, na geração de emprego e renda, na ciência e tecnologia. Nós tínhamos o antigo FIPECQ [Fundação de Previdência Privada dos Empregados da Finep do Ipea do Cnpq do Inpe e do Inpa] que era só de pesquisas, né? E nós tivemos também um papel importante para, vamos dizer assim, a municipalização de distritos; de comunidades que antes não eram municípios e viraram municípios com a atuação da Fundação através do FUNDEC. Eu acho que a Fundação é uma, vamos dizer assim, é uma instituição importante para o país. Porque a gente, como está na missão da Fundação, a gente leva melhoria, o desenvolvimento social para o país. Então eu acredito que a Fundação é muito importante para o país, porque ela desenvolve o seu trabalho, apesar da nossa visibilidade. Como o Brasil é tão grande, e a gente investe, né? A gente tem muitos projetos apoiados. Hoje se a gente for fazer um levantamento, eu posso afirmar que se a gente contar os projetos do FUNDEC, nós temos pra mais de 30 mil projetos apoiados em todo o país, que já desenvolveu. Então quer dizer, nesse universo é pouquinho, mas eu acho que é muito importante porque a gente atua tentando resolver alguns problemas. A gente pode conversar mais na história de vida, teve o programa O Homem do Campo onde a gente atuou efetivamente em cima do município específico, onde melhoramos a qualidade de vida da população. A gente injetou, foi a ampliação de um programa que a gente atuou diretamente num tripé que era a agricultura, a saúde e a educação, ou seja, focando. Muitos desses municípios agradecem muito a Fundação, foram experiências exitosas desse processo. Na minha opinião a Fundação tem seu espaço nesse Brasil e ela fez um bom trabalho.

P – Tem alguma coisa que você ache que ficou faltando, assim, nesse retrato panorâmico?

R – Acredito que não, porque eu não vou falar da Fundação, tem muita coisa pra falar.

P – A gente vai aprofundar na história de vida. Então Sílvio, em nome da Fundação Banco do Brasil, do Museu da Pessoa eu agradeço a sua entrevista.

R – Tá, obrigado.  
    


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